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2.2 Introduction to N-functionalization approaches

2.2.1 N-Alkylation

Nesta seção, detalharemos o que entendemos por critérios de idoneidade, especificando os componentes e os descritores de cada um deles, além de descrevermos, como, de alguma maneira, eles se fazem operativos para avaliar os processos de instrução matemática e justificar os aspectos a serem melhorados.

Godino, Bencomo, Font e Wilhelmi (2006) propõem seis critérios de fundamentação para una didática avaliativa:

 Epistêmica: refere-se a que a matemática ensinada seja "boa matemática". Para isso, além de tomar como referência o currículo prescrito, trata-se de tomar como referência a matemática institucional que se transposta no currículo;

 Cognitiva: expressa o grau em que as aprendizagens pretendidas/implementadas estão na zona de desenvolvimento potencial dos alunos, assim como a proximidade das aprendizagens adquiridas às que foram pretendidas ou implementadas;

 Emocional: distribuição temporal dos estados afetivos (atitudes, emoções, afetos, motivações) de cada aluno em relação com os objetos matemáticos e com o processo de estudo seguido;

 Interacional: grau em que os modos de interação permitem identificar e resolver conflitos de significado e favorecem a autonomia da aprendizagem;

 Mediacional: grau de disponibilidade e adequação dos recursos materiais e temporais necessários para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem;

 Ecológica: grau de adaptação do processo de estudo ao projeto educativo do centro, às diretrizes curriculares, às condições do entorno social;

A operatividade dos critérios apresentados acima reside na possibilidade de definir um conjunto de indicadores observáveis que permitam avaliar o grau de adequação de cada componente do processo de estudo. Por exemplo, todos nós concordamos que é necessário ministrar boa matemática, mas podemos entender coisas muito diferentes por “boas” matemáticas. Para alguns critérios, os descritores são relativamente fáceis de consensuar (por exemplo, o critério de idoneidade dos meios), para outros, como o caso da idoneidade matemática, é mais difícil, visto a sua complexidade.

Godino, Bencomo, Font y Wilhelmi (2007) aportam um sistema de indicadores empíricos que servem de guia de análise e avaliação da idoneidade didática. Na sequência, apresentamos uma breve descrição dos indicadores descritos abaixo.

Pode-se aumentar a idoneidade epistêmica das seguintes maneiras: apresentando aos alunos uma mostra representativa, variada e articulada de situações-problema (contextualizados com diferentes níveis de dificuldade, etc.); procurando explorar o uso dos modos de expressão verbal, gráfica, simbólica, etc., e as conversões que podem surgir entre eles; adequando a linguagem matemática e a claridade e correção de definições e procedimentos conforme o nível educativo em que se está trabalhando; dando os enunciados básicos do tema e adequando explicações, comprovações e demonstrações dentro do nível escolar a que se está voltado; estabelecendo relações significativas entre definições, propriedades, problemas do tema estudado, entre outros.

O aumento da idoneidade cognitiva pode ser realizado, assegurando que os alunos apresentem os conhecimentos prévios necessários para o estudo do tema e que os conteúdos que se pretendem ensinar sejam alcançáveis, ou seja, apresentem um grau de dificuldade manejável. Dessa forma, procura-se incluir atividades de ampliação e reforço, realizando uma avaliação formativa durante o processo de estudo, etc.

A interacional pode ser aumentada se o professor realiza uma apresentação adequada do tema, com ênfase nos conceitos-chave. Dessa forma, o professor atua da seguinte maneira: procurando reconhecer e resolver os conflitos de significado dos alunos (interpretando corretamente seus silêncios, expressões faciais, perguntas, etc.); utilizando recursos

argumentativos para melhorar a implicação; procurando facilitar sua inclusão na dinâmica da aula; favorecendo a comunicação entre os estudantes; contemplando momentos nos quais os estudantes se responsabilizam pelo estudo (exploração, formulação, validação); etc.

Já quanto à mediacional, pode-se fazer uso de materiais manipulativos e de informática, da seguinte forma: procurando que as definições e propriedades sejam contextualizadas pelo viés de situações-problema, modelos e visualizações; buscando investir o tempo nos conteúdos mais importantes e nos que, primeiramente, geram maior dificuldade de compreensão; etc.

A idoneidade emocional pode ser ampliada das seguintes maneiras: selecionando tarefas de interesse para os alunos; promovendo a avaliação da utilidade da matemática na vida cotidiana e profissional; promovendo a implicação nas atividades, a perseverança, responsabilidade, etc.; favorecendo a argumentação, de modo que se avalie o argumento, evitando o desgosto ou o medo de matemática; etc.

A ecológica pode ser aumentada, revisando e verificando, por exemplo, se os conteúdos que estão sendo ensinados apresentam correspondência com as diretrizes curriculares; assegurando que tais conteúdos contribuam para a formação social e profissional dos estudantes; buscando relacionar os conteúdos ensinados com outros conteúdos matemáticos e de outras disciplinas; tendo em conta as fontes de diversidades dos alunos; etc.

O Máster en Formación de Profesores de Secundária en Matemáticas (MFPSM), da Universidade de Barcelona (UB), durante os cursos de 2010-2013, e o Máster Interuniversitario en Formación de Profesores de Secundária en Matemáticas (MIFPSM), da Catalunha, durante os cursos de 2014-2015, utilizaram e reformularam a pauta proposta em Godino, Bencomo, Font e Wilhelmi (2007). Nesta investigação, utilizaremos a reformulação realizada por Font (2015), que, atualmente, está sendo utilizada no Máster Interuniversitario en Formación de Profesores de Secundária en Matemáticas (MIFPSM) durante todo o curso do ano de 2015. Na sequência, apresentamos os seis critérios de idoneidade que abordaremos nesta investigação, seus respectivos componentes e de forma mais detalhada, os descritores que os fazem operativos.

Idoneidade Epistêmica

Quadro 2. Componentes e descritores no âmbito epistêmico.

Componentes Descritores

Erros  Não se observam práticas que são consideradas incorretas do ponto de vista matemático.

Ambiguidades  Não se observam ambiguidades que possam levar os alunos a cometerem confusões, conforme segue: definições e procedimentos claros e corretamente enunciados, adaptados ao nível educativo ao qual se dirigem; adequação das explicações, comprovações, mostrações no nível educativo ao qual se dirigem; uso controlado de metáforas, etc.

Riqueza de processos  A sequência de tarefas contempla a realização de processos relevantes para a atividade matemática (modelação, argumentação, resolução de problemas, conexões, etc.).

Representatividade  Os significados parciais (definições, propriedades, procedimentos, etc.) são uma amostra representativa da complexidade da noção matemática que se quer ensinar contemplada no currículo;

 Os significados parciais (definições, propriedades, procedimentos, etc.) são uma amostra representativa da complexidade da noção matemática que se quer ensinar;  Para um ou vários significados parciais há uma amostra

representativa de problemas;

 Para um ou vários significados parciais, há o uso de diferentes modos de expressão (verbal, gráfico, simbólico, etc.), tratamentos e conversões entre eles. Fonte: Font (2015), não publicado.

Idoneidade Cognitiva

Quadro 3. Componentes e descritores no âmbito cognitivo.

Componentes Descritores

Conhecimentos prévios (Componentes similares à dimensão epistêmica)

 Os alunos apresentam os conhecimentos prévios necessários para o estudo do tema (se estudaram anteriormente ou o professor planeja o seu estudo).

 Os significados pretendidos podem ser alcançados (apresentam uma dificuldade manejável) em suas diversas componentes.

Adaptação curricular às diferenças individuais

 Estão incluídas atividades de ampliação e de reforço.

Aprendizagem  Os diversos modos de avaliação mostram a apropriação dos conhecimentos/competências pretendidas ou implementadas. Alta demanda cognitiva  Ativa processos cognitivos relevantes (generalização, conexões

intramatemáticas, câmbios de representação, conjecturas, etc.)  Promove processos metacognitivos.

Fonte: Font (2015), não publicado.

Idoneidade Mediacional

Quadro 4. Componentes e descritores no âmbito mediacional.

Componentes Descritores

Recursos materiais

(Manipulativo, calculadora, computador)

 Uso de materiais manipulativos e informáticos que permitem introduzir boas situações, linguagens, procedimentos, argumentações adaptadas ao significado pretendido;

 As definições e propriedades são contextualizadas e motivadas usando situações, modelos concretos e visualizações.

Número de alunos, horário e condições da sala de aula

 O número e a distribuição dos alunos permite que se realize a prática de ensino pretendida;

 O horário do curso é apropriado (por exemplo, não se ensina todas as seções em última hora);

 A aula e a distribuição dos alunos é adequada para o desenvolvimento do processo instrucional pretendido.

Tempo

(Do ensino coletivo, tempo de aprendizagem)

 Há adequação dos significados pretendidos ou implementados no tempo disponível (presencial e não-presencial);

 Investimento do tempo nos conteúdos mais importantes ou centrais do tema proposto;

 Investimento do tempo nos conteúdos que apresentam maior dificuldade.

Fonte: Font (2015), não publicado.

Idoneidade Interacional

Quadro 5- Componentes e descritores no âmbito interacional.

Componentes Descritores

Interação docente-discente

 O professor faz uma apresentação adequada do tema (apresentação clara e bem organizada, enfatiza os conceitos-chave do tema, etc.);

interpretam corretamente os silêncios dos alunos, suas expressões faciais, suas perguntas, se faz um jogo de perguntas e respostas adequado, etc.);

 Se busca chegar a consensos com base no melhor argumento;

 Se usam diversos recursos retóricos e argumentativos para implicar e captar a atenção dos alunos;

 Se facilita a inclusão dos alunos durante a dinâmica da sala de aula ao invés da exclusão.

Interação entre discentes

 Se favorece o diálogo e a comunicação entre os estudantes;  Se favorece a inclusão em grupo, evitando a exclusão.

Autonomia  Se contemplam momentos nos quais os estudantes assumem a responsabilidade do estudo (exploração, formulação e validação).

Avaliação formativa

 Observação sistemática do progresso cognitivo dos alunos.

Fonte: Font (2015), não publicado.

Idoneidade Emocional

Quadro 6- Componentes e descritores no âmbito emocional.

Componentes Descritores

Interesses e necessidades

 Apresenta uma seleção de tarefas interessantes para os alunos;

 Propõe situações que permitem avaliar a utilidade da matemática na vida cotidiana e profissional.

Atitudes  Se promove a implicação nas atividades, a perseverança, a responsabilidade, etc.

 Favorece a argumentação em um contexto de igualdade, ou seja, o argumento é avaliado em si mesmo e não por quem o disse.

Emoções  Se promove a autoestima, evitando o rechaço, fobia ou medo da matemática;  Se destacam as qualidades de estética e precisão da matemática.

Idoneidade Ecológica

Quadro 7. Componentes e descritores no âmbito ecológico.

Componentes Descritores

Adaptação ao currículo  Os conteúdos, sua implementação e avaliação fazem correspondência com as diretrizes curriculares.

Conexões intra e interdisciplinares  Os conteúdos se relacionam com outros conteúdos intra (conexão de outras matemáticas com matemáticas do currículo e conexão entre os conteúdos matemáticos dentro do próprio currículo) e interdisciplinares (contexto extramatemático com outras disciplinas da Educação Básica). Utilidade sócio-laboral  Os conteúdos são úteis para a inserção sócio-laboral.

Inovação didática  Inovação baseada na investigação e prática reflexiva (introdução de novos conteúdos, recursos tecnológicos, formas de avaliação, organização da sala de aula, etc).

Fonte: Font (2015), não publicado.

Nesta seção, buscamos mostrar de forma detalhada os critérios de idoneidade propostos pelo quinto nível de análise em didática do EOS, especificando os componentes e descritores nos seguintes aspectos: epistêmico, cognitivo, interacional, mediacional, emocional e ecológico. Na próxima seção, exemplificamos o uso de tais critérios em investigações realizadas em diversos países, especialmente, no âmbito da formação de