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N ØKKELFIGURER FOR FAGOPPLÆRINGEN – FAGLIGE LEDERE OG INSTRUKTØRER

KAPITTEL 2. BEDRIFTEN SOM LÆRESTED OG UTDANNINGSINSTITUSJON

2.3. N ØKKELFIGURER FOR FAGOPPLÆRINGEN – FAGLIGE LEDERE OG INSTRUKTØRER

Ao se pensar em comicidade, somos levados a Aristóteles (1995, p. 23-24) que já afirmava que a comédia representa as pessoas “piores do que elas são”, ou que “esta é a imitação de pessoas inferiores, por ser o cômico uma espécie de feio, mas sem dor nem destruição, como uma máscara”. Complementando a afirmação de Aristóteles, Propp (1992, p. 134) assegura que o filósofo tinha razão e que “para criar caracteres cômicos é necessário certo exagero, [...] como os construídos de acordo com o princípio da caricatura”.

Todos os autores que tratam do estudo da comédia, creditam a ela ser a base de tudo que envolve o tema da comicidade. Os estudiosos do humor resumem a definição de comédia como “aquilo que faz alguém rir”. A partir destas asserções, acreditamos que estes estudiosos tenham uma contribuição valiosa para nosso trabalho, uma vez que nosso estudo se baseia nas dificuldades encontradas para se efetuar a tradução de humor. Buscamos identificar o que as diferenças culturais empregadas em situações humorísticas de uma cultura podem acarretar para sua compreensão em outra cultura.

Iniciando pelos estudos de Bergson (1978), o autor argumenta que “todo desvio é cômico e, quanto mais acentuado, mais sutil será a comédia” e ainda demonstra que ela suscita seis elementos principais para provocar o riso, que descrevemos como:

a) apelar ao intelecto em vez das emoções; b) ser algo mecânico ou automático; c) partir do que é humano;

d) a necessidade de haver normas sociais estabelecidas que sejam conhecidas ou familiares ao espectador;

e) a situação e seus componentes devem ser inconsistentes ou inusitadas em suas associações (por exemplo, as normas sociais); e

f) deve ser percebido pelo espectador como agressivo ou danoso aos participantes.

Se todos estes critérios forem respeitados, as pessoas irão rir ou achar graça, caso contrário, o humor estará fracassado (BERGSON, 1978, p. 78).

Assim, de acordo com a teoria proposta por Bergson (1978), para encontrarmos o humor, todos estes elementos devem ser contemplados. Acreditamos que os estudos de Bergson (1978) foram guiados pelo texto humorístico impresso, e talvez, neste caso, para se caracterizar o humor, fossem realmente necessários que todos os elementos citados estivessem presentes. Se considerarmos esta afirmação como verdadeira, seremos obrigados a aceitar que não seria possível uma situação tornar-se engraçada com a contemplação de apenas alguns destes critérios. Não compartilhamos da opinião deste autor, uma vez que acreditamos que a comicidade pode se apresentar de diversas maneiras e através de vários elementos, e que estas seriam apenas algumas das alternativas. Investigaremos outras possibilidades de configuração do humor que ajudem a comprovar nossa posição a respeito desta afirmação no desenvolvimento de nosso estudo.

Ao analisarmos as situações apresentadas na sitcom Seinfeld, buscamos mostrar se é realmente necessário encontrar todos estes elementos nas cenas em questão para que ela se torne cômica ou engraçada. Analisamos, assim, a possibilidade de se contemplar apenas alguns elementos em uma situação que ocorra a comicidade.

Possenti (1998, p. 22), em sua análise de piadas, aborda Raskin (1985), outro estudioso do humor, e afirma que, para se caracterizar ou produzir um chiste ou uma piada, necessitamos dos seguintes ingredientes:

a) mudança no modo de comunicação para contar piadas: de uma comunicação bona-fide (séria ou confiável) para um modo não bona-

fide (não confiável);

b) o texto considerado chistoso ou engraçado; c) dois scripts29

(parcialmente) superpostos compatíveis com o texto;

29

Scripts e frame s são conceitos utilizados pela Inteligência Art ific ial (IA) por M insky (1975, p. 96) apud Rojo (2000, p. 152) na área co mputacional, que se caracteriza por conter slots (espaços) em suas estruturas, que armazena m os dados na me mória do computador. Um frame é u ma estrutura de dados, que são arma zenados em blocos, e que são ativados mediante a necessidade de busca para seu processamento. De acordo com Trevisan (1992), “inspirando-se na arma zenagem de dados do computador, a noção de fra me foi transportada analogicamente para os estudos sobre arma zenage m de conhecimentos na me mória hu mana”. A teoria fo i adaptada para a Frame Semantics (Se mântica de Esquemas), por Fillmo re (1975). Para Fillmore (1985, p. 223) apud Rojo (2000, p. 157) os frames são “estruturas específicas unificadoras do conhecimento ou esquematizações coerentes da experiência” e representam a estrutura de conhecimentos prévios, conhecimentos linguísticos, textuais, e conhecimentos de mundo, arma zenados na memória do indivíduo, considerados essenciais para desencadear o processamento das informações necessárias para a compreensão de dada cultura. Bro wn e Yu le (1983, p. 250) apud Trevisan (1992), observam que “tanto esquemas quanto frames, scripts e cenários constituem me ios de representar o conhecimento prévio que nós todos usamos e esperamos que os outros usem ao produzirmos e interpretarmos o discurso”. No mo mento de uma interação, as estruturas de conhecimento prévio arma zenadas na memó ria são ativadas, a partir de estímu los, que

d) uma relação de oposição entre os dois scripts;

e) um gatilho, óbvio ou implícito, que permite passar de um script para outro (POSSENTI, 1998, p. 22).

Possenti (1998, p. 22) ainda afirma que, “se Raskin estiver certo, então fica claro que uma piada não se constitui apenas de elementos verbais”. Esta afirmação é relevante para nosso estudo, pois entendemos que seja possível a configuração do humor fora dos aspectos verbais, como nos casos em que a imagem é o elemento complementar que caracteriza o humor. Buscamos encontrar este tipo de elemento na sitcom Seinfeld, uma vez que acreditamos que este possa se caracterizar como uma parte do humor dos episódios.

Ao voltarmos nossa pesquisa para os episódios de Seinfeld, concordamos com Possenti (1998) ao fazer tal afirmação, pois acreditamos que o humor das cenas não se resume apenas aos elementos verbais. E ainda acreditamos que podemos discordar da opinião de Bergson (1978), quando este estudioso afirma que sejam necessários que todos os critérios sejam contemplados para que haja a configuração do humor. Vislumbramos a possibilidade de haver a configuração do humor, mesmo que apenas alguns dos critérios mencionados sejam contemplados, e buscaremos mostrar esta possibilidade durante nossa análise do corpus.

Propp (1992, p. 119) afirma que “a língua não é cômica por si só, mas porque reflete alguns traços da vida espiritual de quem fala, a imperfeição de seu raciocínio”. Propp (1992, p. 120-121), considera que os trocadilhos, paradoxos, tiradas e ironias configuram um arsenal de produção de comicidade, zombaria e de humor, e vai além, citando o calembur, originado do kalambur russo, como um outro tipo de elemento causador do humor. O autor apresenta várias definições possíveis para o calembur, mas podemos inferir, a partir de suas explicações, que temos elementos semelhantes em nossa língua que podem se configurar muito próximos a este. Através de suas explanações, entendemos o calembur como uma brincadeira, um jogo de palavras, que

fornecida. Os scripts representam as informações sobre as seqüências dos fatos e se referem ao modelo ou protótipo de processamento dos frames. Segundo Attardo (1994, p. 198) apud Silva (2006, p. 16), um script é: “[...] uma porção organizada de informação a respeito de alguma coisa (no sentido mais amp lo). É u ma estrutura cognitiva internalizada pe lo fa lante, que lhe proporciona informação sobre como as coisas são feitas, organizadas, etc.”. Rosas (2002, p. 36) c ita Raskin, apud Attardo, (1994, p. 198-199), ta mbé m define script como: “estrutura cognitiva internalizada pelo falante que lhe permite

acreditamos ser a ambiguidade, polissemia ou até o uso da homonímia em suas diversas acepções, uso do sentido ‘literal’ e ‘não- literal’.

Reconhecemos também a importância da contribuição dos estudos de Propp (1992) para nosso trabalho, pois acreditamos que eles complementem os elementos de configuração do humor já descritos por Bergson (1978) e Raskin (1985), e que serão encontrados nos episódios da sitcom Seinfeld quando de nossas análises.

Como percebemos, para cada um destes autores, Bergson (1978), Raskin (1985) e Propp (1992), o humor se configura de uma maneira diferente. Na verdade, pelas constatações dos autores sobre as características principais necessárias para se chegar à configuração da comicidade, cada um deles aponta para um tipo de elementos, que, ao final, se complementam. Examinamos também Possenti (1998), que se apropria de vários dos elementos citados para explicar como funcionam as piadas.

Taflinger (1996) que publicou um abrangente estudo sobre a sitcom, em seu capítulo sobre a “Teoria da Comédia” também se baseia em Bergson (1978) e demonstra que “a comédia é aquilo que faz alguém rir”, e ainda cita as mesmas bases para qualquer estudo sobre comédias, destacando os seis pontos ou elementos principais já discutidos por Bergson (1978).

Bergson (1978, p. 12), no primeiro capítulo de seu livro, chama a atenção para a citação de que “não há comicidade fora do que é propriamente humano”, e ainda que, “a comicidade encontra-se com muita facilidade na vida cotidiana”. Partindo do tema do humor mostrado em Seinfeld, buscamos mostrar que, assim como na série, que retrata muito da vida cotidiana dos americanos, este pode ser um dos elementos a que os episódios estão vinculados para a produção do humor.