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N ÆRMERE OM SAMMENHENGEN MELLOM GENERALISERTE TRANSPORTKOSTNADER OG

3. NÆRINGSLIVETS AVSTANDSKOSTNADER OG VALG AV TRANSPORTLØSNINGER – EN

3.6 N ÆRMERE OM SAMMENHENGEN MELLOM GENERALISERTE TRANSPORTKOSTNADER OG

também possui uma tendência a responsabilizar sua escolarização anterior pelas lacunas em seus conhecimentos. É interessante notar que ela localiza suas dificuldades não no domínio dos conteúdos, mas na forma de lidar com eles de modo que os alunos aprendam:

Não possuo sérias dificuldades, só que comparando com as áreas em que me formei (Letras), elas ficam em segundo e/ou terceiro plano. Me esforço ao máximo para aprender e/ou aperfeiçoar-me. A área de maior dificuldade é a de expressão corporal, algumas defasagens na área de geografia, história e por último matemática. Enumerei as áreas, mas realizo-as normalmente, pesquisando em livros, internet e amigos de trabalho. Atribuo essas dificuldades a maneira como “aprendi” essas áreas. Nunca me dediquei a elas, aprendi e apreendi o necessário para o momento; hoje devido a necessidade e até por interesse, busco informações, leio muito, enfim, me amadureci. Em um contexto anterior não tinha porquê me dedicar a elas. Não tenho o que superar, pois o básico eu tinha noção, só corro atrás da didática de como passar aos alunos. (Mariana)

Mariana demonstra uma forte preocupação em melhorar cada vez mais como profissional e em desempenhar seu papel “da maneira mais competente possível”. Parece conceber o professor como alguém que “aprende ao lecionar”, que está em contínuo aprendizado, mas que precisa ter vontade de continuar aprendendo. Vontade e dedicação são características destacadas por ela como essenciais a um bom professor. Mariana se preocupa por não ter tempo para “[...] pesquisar ainda mais quanto a uma aula melhor, como diversidades de atividades, renovando sempre [...] sei que faço isso mesmo sem tempo, mas gostaria de aumentar a dose”. Enxerga as dificuldades, ‘tropeços e obstáculos’ da profissão como ponto de partida para novas aprendizagens.

5.1.4 Professora Joana5

5

A professora Joana deixou de participar da investigação, por motivos particulares, depois de ter analisado os casos de ensino “A trajetória profissional de Stefânia, professora de Educação Infantil” (PADILHA, 2002) e “Um dinheiro, dois dinheiros, três dinheiros...” (TOLEDO, 1999). Mesmo enfrentando muitas dificuldades para permanecer na profissão, aceitou colaborar com essa pesquisa, oferecendo elementos bastante importantes para nossa compreensão em torno dos primeiros anos de docência. Optamos por apresentar e discutir os dados que nos forneceu, mesmo sendo relativos a apenas uma parte da pesquisa, dada sua relevância para os estudos sobre professores iniciantes.

Dentre as professoras participantes da pesquisa, Joana leciona há menos tempo. Iniciou sua carreira em 2001, com uma experiência em que não se sentiu bem-sucedida, e que se encerrou com sua desistência da função que havia assumido em uma escola particular de Educação Infantil. Em 2002, trabalhou como professora eventual em uma escola de Ensino Fundamental da rede estadual, enfrentando as dificuldades de atuar cada dia em uma classe diferente, de acordo com as faltas dos professores efetivos. Finalmente, em 2003, assumiu um contrato anual com a Prefeitura Municipal para lecionar em uma 2ª série do Ensino Fundamental. Sem perspectivas de emprego para 2004, com experiências marcadas pela instabilidade, tendo que viajar quatro horas por dia para lecionar – já que morava em uma cidade diferente daquela em que trabalhava – Joana demonstrava, no período de coleta de dados, bastante descontentamento com a profissão, considerando a possibilidade de abandono do magistério. Insegurança, ansiedade, falta de estímulo e força de vontade são as palavras e expressões a que ela recorre para caracterizar sua iniciação profissional. Sentimentos de fracasso, indecisão, angústia e frustração marcam as análises que realiza de seus primeiros anos de profissão, embora, em alguns momentos de seu depoimento, destaque situações marcadas por sentimentos de entusiasmo e segurança. Aparentemente, sentimentos contraditórios convivem em seu processo de busca de permanência/abandono da docência. Em suas análises, há uma incessante busca de justificativas para os problemas identificados em sua atuação e de características positivas em seu trabalho. Parece um exercício de tentar sobreviver à profissão:

Minha preocupação maior era com a disciplina, se a classe se mantesse em ordem e se desse pra eu passar o que era para ser passado – tudo bem. [...] Acredito, e já pude confirmar em alguns livros que a questão da indisciplina é um dos maiores obstáculos no trabalho de um professor, principalmente daqueles que estão no início da carreira. Comigo não está sendo diferente, tenho passado por momentos de angústia e indecisão que, manter a calma, às vezes, fica difícil. [...] Quando iniciei, o que me serviu de base, foi saber que a indisciplina seria um dos maiores problemas. Já havia lido, que muitos professores desistem no início da carreira, devido a indisciplina, pois o choque de realidade é muito grande. Até mesmo a diretora da escola me disse: “O fundamental é controlar a indisciplina, o resto vai se conquistando aos poucos”. Então, trago isso comigo e tem me ajudado bastante. [...] Conversando com a Coordenadora da Escola, num dos HTP, ela disse que eu não parecia “marinheira de 1ª viajem”, pois eu demonstrava um certo domínio no relacionamento com as crianças; isso me estimulou bastante e me fez pensar que estou caminhando bem, que tenho uma certa facilidade em envolver as crianças nas atividades e que acaba me ajudando bastante no desenvolvimento do meu trabalho. Mas, o que tenho de melhor como professora, acredito que seja o fato de acreditar muito na educação, saber de sua importância e querer passar isso para as crianças. (Joana)

Assim como as demais professoras participantes da pesquisa, Joana atribui a seu processo de escolarização anterior dificuldades que enfrenta no ensino de conteúdos matemáticos. Considera que possui “[...] dificuldade para transmitir com clareza alguns conteúdos, [...] por não ter facilidade para aprender; porque talvez nenhum professor tenha me ensinado de maneira mais significativa”. Em Arte, também tem enfrentado problemas, embora tenha buscado ajuda com outros professores e em livros, conseguindo “resultados positivos”. Destaca a importância da troca de experiências como fonte de aprendizagem da docência. A sala de aula e a escola são consideradas locais de aprendizagem da profissão. Recorre a Antonio Nóvoa para traduzir a idéia que possui sobre Formação de Professores, escrevendo que é no espaço concreto de cada escola, em torno de problemas pedagógicos ou educativos reais, que se desenvolve a verdadeira formação. A partir dessas concepções, analisa sua formação inicial, apontando a necessidade de articulação entre conhecimentos teóricos e situações práticas nos processos de formação profissional:

Como estudei 8 anos (magistério e Pedagogia), sem ter a experiência do dia-a-dia da sala de aula, percebi a distância entre a teoria e a prática. Talvez eu não tenha percebido o significado maior daquilo que estudava por não estar exercendo a função na época; se ainda estivesse estudando, estaria enriquecendo mais minha formação, pois a troca de informações que tínhamos, as experiências que eram trocadas em aula, era muito importante. Hoje, acompanhando o desenvolvimento dos meus alunos, sentindo as reais dificuldades existentes na sala de aula, percebo que em apenas 7 meses de prática, aprendi muito e acredito que minha formação teórica era “vazia” sem sua concretização. (Joana)

Apesar de todos os conflitos que tem vivido na profissão, Joana cita alguns saberes profissionais, construídos ao longo de sua formação inicial, que têm fundamentado suas tentativas de permanência na docência. Afirma saber que a educação é um processo lento, que as salas são heterogêneas, que cada criança traz consigo uma bagagem de acordo com sua realidade, que a aprendizagem passa por etapas de desenvolvimento e que o trabalho em equipe é fundamental. Mais que isso, diz acreditar que a profissão docente é marcada por constantes conflitos, que devem servir de estímulo a novas aprendizagens. Muitos dos conflitos que tem vivido, entretanto, parecem estar servindo muito mais como obstáculos para sua permanência no magistério. Após ter analisado o caso de ensino da professora Stefânia, Joana entrou em contato para conversar sobre sua entrada na carreira e, em entrevista informal, demonstrou toda sua angústia com o início na profissão. Destacou elementos importantes que têm influenciado seu trabalho, analisando as

dificuldades que tem enfrentado como professora iniciante. Apesar de estar em seu segundo ano de docência, considera como se fosse o primeiro, pois pela primeira vez ficou responsável por uma mesma classe desde o início até o final do período letivo. Organizamos os registros de sua fala e transcrevemos a seguir:

Estou realmente com muita dificuldade nesse meu primeiro ano como professora. Sinto um desânimo terrível! Todos os textos que eu havia separado para ler e melhorar minha prática, abandonei. Não consigo nem olhar pra eles. Não tenho força pra continuar. Não sou professora efetiva e, portanto, não sei o que vai acontecer comigo no próximo ano. Pode ser que, depois de tanto sacrifício, eu ainda fique desempregada. Além do mais, mesmo que eu pegue uma classe no ano que vem, vou procurar outro emprego. Essa não é a profissão que eu quero pra mim. Sabe, vez ou outra eu saio feliz da classe, mas aí vem aquela história de reprovar os alunos... Isso porque eu estou com uma segunda série e, você sabe, segunda série reprova. Tenho seis crianças que precisarei reprovar. Como dar a notícia? Será que ainda dá tempo pra evitar a reprova? E tem também aquela aluna que acabou de chegar. Veja só, estamos no final de setembro, praticamente outubro, e a aluna chega na segunda série sem saber ler e escrever nenhuma palavra! Como lidar com ela? São tantas crianças! Mesmo que as outras professoras, mais experientes, continuem me passando algumas atividades que costumam funcionar, como vou ensinar pra essa menina, em dois meses, o que ela não aprendeu em quase dois anos? Realmente, é desanimador. Além disso, você sabe, eu moro em outra cidade. Perco quase quatro horas de ônibus para poder lecionar aqui. Queria aproveitar essas horas pra estudar, fazer alguma coisa útil. Mas é tanto cansaço, tanto desânimo, tanta pressão, tanta decepção... Não sei se estou sendo uma boa professora. Segunda série. Logo no primeiro ano na profissão... E, sabe, o curso de Pedagogia não tem me ajudado muito. Ele ajudou mesmo pra que as outras professoras me tratassem bem. Apesar de estar começando na carreira, tenho curso superior. Isso traz algumas vantagens, as professoras experientes, mas sem faculdade, te olham diferente. Sabe, elas pensam, “Ah, ela não tem experiência, mas tem faculdade! Talvez seja uma boa professora, apesar de iniciante...” A iniciante sofre muita pressão. Se as crianças não aprendem, é culpa da iniciante; se as crianças fazem barulho, a iniciante é que não sabe controlar a turma. Não sei, acho que o que eu quero mesmo é mudar de profissão, fazer qualquer outra coisa. Além disso, sabe, eu nunca tinha tido experiências com crianças. Não sei lidar com elas. É muito complicado. E ainda tem essa história de reprovar. (Joana, em entrevista)

Diante dos estudos sobre professores principiantes que têm distinguido duas fases que marcam o início na carreira, podemos dizer que Joana parece se encontrar na fase de exploração (do primeiro ao terceiro ano), “[...] na qual o professor faz uma escolha provisória de sua profissão, inicia-se através de tentativas e erros, sente a necessidade de ser aceito por seu círculo profissional e experimenta diferentes papéis” (TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 227). Essa fase parece ter sido bastante difícil e decepcionante para

Joana. As demais professoras participantes parecem ter superado essa fase de exploração, alcançando a fase de estabilização e de consolidação (do terceiro ao sétimo ano), “[...] em que o professor se investe a longo prazo na sua profissão e os outros membros da organização reconhecem que ele é capaz de fazê-lo. Essa fase se caracteriza também por uma confiança maior do professor em si mesmo” (TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 228). O domínio dos diversos aspectos do trabalho, principalmente os aspectos pedagógicos (gestão da classe, planejamento do ensino, assimilação dos programas, etc.), marca esta fase em que o professor encontra certo equilíbrio profissional, passando a centrar-se mais nas questões relativas à aprendizagem dos alunos que nas questões relativas à sua inserção profissional.

5.2 UM DINHEIRO, DOIS DINHEIROS, TRÊS DINHEIROS... (TOLEDO, 1999):