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Nærmere om kravet til ”planning and control”

Considerando o componente adulto, foram amostrados 1429 indivíduos arbustivo- arbóreos, distribuídos em 135 espécies, 93 gêneros e 47 famílias botânicas, sendo uma espécie identificada no nível de gênero. O componente regenerante, por sua vez, apresentou 758 indivíduos, distribuídos em 93 espécies, 66 gêneros e 39 famílias botânicas, sendo uma espécie identificada apenas no nível de família e uma no nível de gênero. Foram amostrados 75 e quatro indivíduos mortos em pé (5,25% e 0,53% do total), para o componente adulto e regenerante, respectivamente. De forma geral, foram amostradas pelo levantamento fitossociológico 162 espécies, pertencentes a 104 gêneros e 51 famílias botânicas.

A curva do coletor demontrou certa estabilização a partir da 46ª parcela e 224ª subparcela, para o componente adulto e regenerante, respectivamente (FIGURAS 4 e 5). No entanto, através do levantamento florístico realizado em diversas trilhas da estação, foram coletadas mais 16 espécies não amostradas no levantamento fitossociológico, distribuídas em 16 gêneros e 13 famílias botânicas. Logo, o número total de espécies registradas na Estação Ecológica de Itaberá por este estudo subiu para 178, pertencentes a 106 gêneros e 52 famílias. As espécies exclusivas do levantamento florístico somaram 8,9% do total de espécies observadas na Estação, o que demonstra sua contribuição

      complementar para o conhecimento da flora da unidade. Tais informações poderão subsidiar futuramente a elaboração de planos de manejo, projetos de restauração florestal de áreas do entorno bem como serem utilizadas em iniciativas de educação ambiental, conscientizando a população da necessidade e importância de se preservar estas últimas testemunhas vivas da paisagem original local (TABELA 1).

As famílias com maior destaque em riqueza no componente adulto foram Lauraceae e Myrtaceae (12 espécies cada); bem como Rubiaceae (8 espécies); Euphorbiaceae, Faboideae, Meliaceae e Salicaceae (6 espécies cada); Mimosoideae, Rutaceae e Sapindaceae (5 espécies cada). Já entre os regenerantes, destacaram-se Myrtaceae (10 espécies); Rubiaceae (8 espécies); Melastomataceae (6 espécies); Meliaceae (5 espécies); Faboideae, Lauraceae, Mimosoideae, Sapindaceae e Solanaceae (4 espécies cada). Cabe ressaltar ainda a abundância de famílias mono específicas em ambos os componentes (21 (44,7% do total) e 19 (48,7% do total), para os adultos e regenerantes, respectivamente).

Em termos de número de indivíduos, destacaram-se no componente adulto Moraceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Meliaceae e Arecaceae (11,6%, 11,3%, 6,4%, 6,3%, 5,2% do total de indivíduos amostrados, respectivamente). A importância destas famílias segundo este critério é devido sobretudo às elevadas densidades relativas observadas para Sorocea bonplandii (11,5%), Eugenia ligustrina (6,1%), Rudgea jasminoides (3,4%), Trichilia catigua (3,1%) e Syagrus romanzoffiana (3,7%), respectivamente.

Entre os regenerantes, destacaram-se segundo este mesmo critério Rubiaceae, Moraceae, Myrtaceae, Rutaceae e Meliaceae (32,23%, 13,53%, 11,54%, 6,76%, 5,04% do total de indivíduos amostrados, respectivamente). As espécies que contribuíram com mais da metade do número de indivíduos em suas respectivas famílias foram Psychotria suterella (19,13%), Sorocea bonplandii (13,46%) e Helietta apiculata (4,5%). Faramea montevidensis (6,46%) e Rudgea cf. jasminoides (3,69%) também se destacaram em abundância entre as Rubiáceas, enquanto Eugenia ramboi (4,75%) foi a mais expressiva entre as Mirtáceas. Entre as Meliáceas nenhuma espécie se destacou em abundância em relação às demais, de forma a ser digna de nota.

Os gêneros de destaque em riqueza no componente adulto foram Ocotea (8 espécies; 66,7% da riqueza de Lauraceae); Casearia, Eugenia, Machaerium, Myrcia e

Trichilia (4 espécies cada; 66,7% , 33,3%, 66,7%, 33,3% e 66,7% da riqueza de suas respectivas famílias); Nectandra, Sollanum e Zanthoxylum (3 espécies cada; 25%, 75% e 60%, idem ao anterior). Já entre os regenerantes, destacaram-se Eugenia, Miconia (5 espécies cada; 50% e 83,3% da riqueza de suas respectivas famílias) e Trichilia (4 espécies; 80%, idem ao anterior). Logo, apenas dois dos nove gêneros de destaque entre os adultos também obtiveram notoriedade entre os regenerantes.

Considerando as espécies amostradas em ambos os componentes, nove encontram-se com algum grau de ameaça quanto a sua conservação, quais sejam: Chionanthus filiformis (Pitaguará), Ilex paraguariensis (Erva-mate), Mollinedia argyrogyna (Corticeira), Solanum bullatum (Joá-açu) (Dependentes de medidas de conservação; IUCN, 1994); Araucaria angustifolia (Pinheiro-brasileiro) (vulnerável, SMA 2004; em perigo, IBAMA 1993; em perigo crítico, IUCN 2001), Euterpe edulis (Palmito-juçara) (vulnerável, SMA, 2004; em perigo, IBAMA 1993); Aspidosperma polyneuron (Peroba-rosa), Cedrella fissilis (Cedro-rosa) (em perigo; IUCN, 1994); Aspidosperma tomentosum (Pereiro-do-campo) (em perigo; SMA, 2004). A ocorrência destas espécies no fragmento reforça sua importância ecológica, contribuindo para a conservação de suas populações; embora Euterpe edulis não seja uma espécie autóctone segundo relato de antigos funcionários da Estação. Estes asseguram que a espécie fora introduzida deliberadamente na década de 60 e então se estabeleceu e expandiu-se por toda a floresta. Cabe ressaltar ainda que a limitação de área contínua protegida pode comprometer a manutenção de espécies raras e/ou super-exploradas no passado, sobretudo aquelas com dificuldades intrínsecas de dispersão a longas distâncias (frutos grandes e pesados). Todas as espécies listadas foram observadas em número inferior a 10 indivíduos em ambos os componentes, exceto Euterpe edulis e Aspidosperma polyneuron.

As espécies raras, ou seja, aquelas amostradas com um único indivíduo totalizaram 35 espécies (25,9% e 2,4% da riqueza e densidade relativa, respectivamente) no componente adulto, sendo uma ameaçada (Solanum bullatum). Já no componente regenerante, estas contabilizaram 26 espécies (28% e 3,4%, idem ao anterior), contendo uma ameaçada (Aspidosperma tomentosum).

      4.2 – DIVERSIDADE

Para o componente adulto, o Índice de Diversidade de Shannon (H´) foi estimado em 4,12 (4,11 < H´ < 4,30 ; pelo teste JackKnife, a 95% de probabilidade). A comunidade apresentou baixa dominância, constatada pelos valores estimados para o Índice de Equabilidade de Pielou (J) e para o Coeficiente de Mistura de Jentsch (QM): 0,84 e 1:10,51; respectivamente. Estes valores estão acima dos encontrados habitualmente para trechos de Floresta com Araucária no estado de São Paulo e no sul do Brasil. Souza (2008), utilizando a mesma metodologia em Campos do Jordão, estimou em 3,08 e 0,73 para H´ e J, respectivamente. A mesma autora, avaliando uma área em regeneração há 120 anos em Barra do Chapéu, SP, estimou em 3,81 e 0,70, idem ao anterior. Ainda em Campos do Jordão, Los (2004) cita um valor para H´ de 3,43, utilizando seis blocos descontínuos de 0,25ha cada. No sul do Brasil, os valores de H´ encontrados na literatura são muito variáveis, desde 2,76 (RONDON NETO et al., 2002) até 3,67 ou superiores (REGINATO e GOLDENBERG, 2007). Infelizmente as diferenças na metodologia de amostragem, no histórico de uso das áreas, nas condições de paisagem, entre outros fatores, dificultam as comparações entre os estudos.

O componente regenerante também apresentou valores elevados, porém um pouco mais modestos : H´= 3,5 (3,46 < H´ < 3,72; pelo mesmo teste); J = 0,77 e e QM = 1:8,06. Souza (2008) também destaca a elevada diversidade deste componente em Campos do Jordão (3,81 e 0,84, para H´ e J, respectivamente) e Barra do Chapéu (3,44 e 0,79 , idem ao anterior). Infelizmente, o estrato inferior das Florestas com Araucária ainda é pouco estudado, o que reflete na escassez de estudos para comparações; além das limitações citadas anteriormente para o componente adulto, as quais também aplicam-se neste caso.

Os intervalos de confiança estimados para H´ apontam que o componente adulto parece comportar um maior nível de diversidade de espécies em relação ao regenerante. A mesma ressalva realizada no capítulo anterior aplica-se novamente nesta comparação.

A elevada diversidade em ambos os componentes observada na Estação provavelmente deve-se à sua posição geográfica, inserida numa região de tensão ecológica. No Planalto da Guapiara, no qual a unidade se localiza, além da Floresta Ombrófila Mista ocorre desde Floresta Ombrófila Densa, próximo à Serraria do Ribeira, até trechos de Cerrado e Floresta Estacional Semidecidual, em direção ao interior

(AB´SABER, 2003). Segundo Jarenkow e Budke (2009), a riqueza florística das Florestas com Araucária decrescem com o aumento da latitude, sendo maior nas áreas de contato com outras formações florestais, situação na qual a Araucária passa a desempenhar um papel secundário na estrutura florestal.