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Når rein krysser grensen

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Com o surgimento do ciberespaço, surgiu a possibilidade de convergir diferentes tipos midiáticos, com o objetivo de dar ao usuário uma experiência com mais qualidade. Em seu livro Cultura da Convergência, Jenkins (2009) explica que o fenômeno da convergência é um processo e não um ponto final, alterando a relação entre as tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos.

Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando. (p. 29). Então, além de diversos suportes midiáticos que temos, na cultura da convergência há uma grande mudança no comportamento do consumidor, que deixa de ser apenas espectador e se apropria das redes sociais, com o intuito de viver diferentes experiências de entretenimento e informação.

Os usuários não querem apenas assistir a um programa na televisão ou a um canal em alguma plataforma digital. Eles querem opinar, participar e interagir com quem está transmitindo. Por isso, observa-se que nos últimos anos, muitos canais te televisão criaram seus sites, canais em redes sociais e seus próprios aplicativos para que a comunicação não se finda em uma única mídia – a televisão. Hoje, esses meios conseguem se comunicar com diferentes públicos em diversos dispositivos de distribuição (televisão, rádio, celulares, tablets, entre outros) e assim, promovem um engajamento efetivo do público.

Apesar de toda a revolução digital das últimas décadas, não se pode falar que os meios de comunicação tradicionais irão acabar, pois os jornais, revistas, rádio, televisão e cinema ainda circulam muito na atualidade. Porém, na maior parte das vezes, são acessados pelas plataformas da internet, como aplicativos de programação

televisiva, podcasts, streaming36 para assistir filmes, séries e ouvir músicas, além de portais de notícias e perfis em mídias sociais que levam informação 24 horas por dia para os usuários.

Portanto, os meios de comunicação não estão sendo substituídos, e sim transformados pela inclusão de novas tecnologias. Orihuela (citado por Bastos, 2010, p. 123) refere que a história das tecnologias da informação mostra que a dinâmica entre os velhos e novos meios de comunicação é de acumulação e não de substituição. Contudo, ao mesmo tempo que uma nova mídia busca a sua identidade e linguagem próprias, provoca a readaptação das anteriores. As plataformas digitais, sites, aplicativos e as mídias tradicionais têm, pois, funções complementares.

Shirky (2011) segue o mesmo pensamento e diz que as redes digitais passaram a aumentar o fluxo e a conexão entre todas as mídias:

A velha escolha entre mídia pública de mão única (como livros e filmes) e mídia privada de mão dupla (como o telefone) expandiu-se e inclui agora uma terceira opção: mídia de mão dupla que opera numa escala do privado para o público. (p. 53). Dessa maneira, as pessoas têm a possibilidade de conversar em ambientes midiáticos - como as redes sociais -, e um livro, uma notícia, um filme, um trabalho artístico ou as mais variadas informações podem desencadear discussões em diferentes lugares no cibespaço ao mesmo tempo, provando a eficácia da interatividade através das redes.

Se, por exemplo, a Anitta ou outro artista fizer um show em algum espaço físico, em qualquer lugar do mundo, as pessoas que estiverem presentes, assim como a própria produção artística da cantora, têm a oportunidade de gravar vídeos e tirar fotos do evento, para serem divulgados em diferentes plataformas e canais na rede. Assim, o show que foi realizado para um número limitado de público, consegue atingir uma escala muito maior de pessoas que, além de assistir os vídeos ou ver fotos, ainda conseguem interagir dando likes, comentando ou compartilhando essas publicações, gerando ainda maior circulação e alcance na rede.

36 É uma forma de distribuição digital, utilizada para distribuir conteúdo multimídia através da Internet.

A informação pode ser transmitida em diversas plataformas, em formatos de vídeo ou música.

Isso é o que ocorre quando os consumidores assumem o controle das mídias. Jenkins (2009) salienta que na cultura tradicional há uma divisão clara entre produtores e consumidores, e na cultura da convergência, todos são participantes - embora os participantes possam ter diferentes graus de status e influência, de acordo com os valores midiáticos que possuem, como autoridade, visibilidade, popularidade ou reputação. O autor ainda explica que a convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser, e sim dentro do cérebro dos consumidores individuais e em suas interações sociais com as outras pessoas.

Complementando, Cánovas (2003 citado por Bastos, 2010) esclarece que a comunicação na internet não é unidirecional e o processo de construção da mesma depende, em grande parte, da relação com os receptores e as contribuições que estes dão. “Os textos argumentativos são um bom exemplo dessa realidade. A leitura dos artigos de opinião deixa de ser um ato unidirecional para passar a ser um ato interativo. Não estamos perante um ditado, mas face a uma conversação.” (p. 53).

Por isso, atualmente, é mais fácil achar a próxima publicação a ser lida, vista ou ouvida por indicação de amigos através dos seus compartilhamentos e opiniões, do que pela autenticidade permanente de alguém ou de determinada publicação. É notório que as pessoas dão mais credibilidade a uma informação se os amigos nas redes sociais têm algum tipo de interação com ela, seja um like, um comentário ou um compartilhamento.

Em relação ao jornalismo, Kolodzy (2006 citado por Bastos, 2010, p. 45) entende que convergência tem a ver com ser suficientemente flexível para fornecer notícias e informação a qualquer lugar e, às vezes, em todo o lado, sem abandonar os valores jornalísticos fundamentais. Assim, a convergência dá foco ao jornalismo na sua missão principal, que é informar o público sobre o mundo da melhor forma possível e disponível.

O potencial de uma cultura midiática mais participativa também é um objetivo pelo qual vale a pena lutar. Há alguns anos, a cultura da convergência vem provocando constantes flutuações na mídia e expandindo as oportunidades para os grupos alternativos reagirem aos meios de comunicação de massa (Jenkins, 2009). A

convergência das mídias vem para possibilitar o diálogo cooperativo entre as novas e antigas mídias e trazer um novo significado à interação e a comunicação. Por isso, é essencial o diálogo para que haja uma troca comunicacional efetiva.

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