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Segundo Sörj, “o Cebrap representou uma ponte muito particular entre a antiga geração de cientistas sociais pré-64 e aquela que se constituirá (...) com a expansão das ciências sociais na década de 70. Este papel foi construído tanto a partir da original bagagem intelectual como pela postura institucional dos fundadores do Cebrap” (Sörj, 2001: 27). Quer dizer, ao contrário da rigidez hierárquica uspiana em que haviam se formado, criaram uma instituição mais democrática e participativa, na qual puderam também se destacar um grupo de estudiosos (por exemplo, Francisco de Oliveira) que nem de longe tinham ainda a bagagem ou o respeito intelectual dos fundadores, embora o “espaço” para jovens pesquisadores fosse extremamente restrito. “Assim, sem perder sua feição hierarquizada, a estrutura do Cebrap foi flexibilizando-se e passou a funcionar como um corpo colegiado, tornando-se aos poucos, nas palavras de um dos seus membros, „uma oligarquia aberta‟” (Sörj, 2001: 40). E, pode-se acrescentar, também, “modelo”, assim como tinha sido o Seminário Marx anteriormente, para um número enorme de entidades que surgirão posteriormente com a meta de combinar pesquisas acadêmicas com certa intervenção política. No limite, extrapolando para o mundo da política real, talvez devêssemos dizer ainda, “modelo” de organizar empreendimentos “políticos” – sejam acadêmicos ou partidários – que será levado em conta posteriormente, de forma consciente ou não, pois será a “fórmula” adotada no funcionamento do PSDB.

Fernando Henrique esteve sempre à frente do projeto, segundo Sörj. Já discutia a possibilidade desde sua estadia no Chile. Retomou a idéia em 1968, quando voltou para a USP. Sua cassação acelerou o processo – como ele mesmo afirma e registramos acima –, assim como mudou o “rumo político” do projeto original, mais restritamente acadêmico. Havia consenso sobre o centro reunir todos os perseguidos pela repressão. Seus membros (27 na fundação, em 1969) foram “escolhidos” pelo próprio governo e sua perseguição, como assinala Sörj. Em 1971, ampliou-se o quadro para 72 membros. “As conversações mantidas no Rio por Fernando Henrique Cardoso culminaram na promessa da Ford de conceder 100 mil dólares como primeiro passo para deslanchar as atividades do centro”. Mas tal verba não era suficiente, obrigando seus membros a pesquisarem certos assuntos que tinham financiamento garantido por instituições brasileiras e estrangeiras. As articulações com setores liberais das elites também ajudaram (Sörj, 2001: 30-34).

126 Outro aspecto que terá não poucas repercussões futuras foi o recrutamento do staff de pesquisadores. Além de um grupo que havia participado do Seminário Marx, o quadro original era de pesquisadores que já haviam concluído o doutoramento antes de 1967 – uma seleta equipe de intelectuais da área de humanas. Francisco Weffort, Boris Fausto e outros estudiosos da classe operária (Régis de Castro Andrade, Luiz Werneck Vianna, Fabio Munhoz e Maria Hermínia Tavares) não chegaram a se integrar ao quadro permanente. Francisco de Oliveira e Bolívar Lamounier entraram em 1970. Vilmar Faria e Carlos Estevam Martins em 1971. Vinicius Caldeira Brandt em 1974. José Serra também chegou nessa época. A partir de 1976 o processo será o inverso, de saída gradual de pesquisadores importantes (Sörj, 2001: 34-8), muitas vezes para fundarem seus próprios centros de pesquisa ou simplesmente arriscar uma carreira solo alternativa e, logicamente, quase sempre as razões são as divergências políticas na medida em que avança o processo de democratização do país e amplia-se a massificação do ensino superior e pluralismo acadêmico ancorado na expansão da pós-graduação na área de humanas.

A importância desses intelectuais – para além do mundo acadêmico – é que eles constituem de certa forma – não todos – o “círculo mais íntimo de Fernando Henrique” no mundo acadêmico e no mundo cultural brasileiro. São coadjuvantes na aventura intelectual e política de Cardoso a partir dos anos-chave de 1974 (relação inicial de Cardoso com o MDB) e 1978 (candidatura de Cardoso ao Senado por uma sublegenda do MDB). Muitos – Giannotti, Lamounier, Fausto, Faria, etc – serão ardorosos defensores dos governos presidenciais de Cardoso e alguns até ocupantes de destacados cargos públicos – Weffort (depois de sua longa experiência no PT), Giannotti (saiu “brigado”), etc.

Sörj aponta também que, “na prática sua direção, na década de 70, esteve a cargo de uma troika, da qual participavam, dependendo do momento, Fernando Henrique Cardoso, Juarez B. Lopes, Paul Singer, Cândido Procópio Ferreira Camargo e José A. Giannotti” (Sörj, 2001: 39). Ninguém questionava esse “comando”, embora divergências ocorressem. Porém, “a figura que maior espaço ocupava no Cebrap era indubitavelmente Fernando Henrique Cardoso. A qualidade e a diversidade de sua obra, aliada ao carisma pessoal e à ampla e variada gama de relacionamentos no Brasil e no exterior, fizeram dele o pivô da instituição. Era sem dúvida o integrante de maior renome nacional e internacional, mantendo uma clara liderança entre os mais jovens e relações variadas e ricas com os membros de sua geração” (Sörj, 2001: 39-40).

127 Uma pergunta interessante que se coloca é como esse bunker do “partido da inteligência” e seu “estado-maior” (a troika), particularmente Fernando Henrique, se relacionam de fato com as diversas culturas políticas anteriores, as ligações com seus contemporâneos e ainda com as novas gerações?

Sörj introduz, então, a discussão fundamental da filiação acadêmica das idéias e sua ligação com a longa duração (tradições interpretativas, escolas científicas, autores clássicos, etc) nas ciências sociais. A filiação ou não ao marxismo ao longo do século vinte diz respeito a este assunto, assim como também a produção dos pesquisadores do Cebrap (oriundos do Seminário Marx) e de Fernando Henrique (formulador de uma metodologia marxista particular, mas não necessariamente de um conteúdo socialista ou marxista, como já vimos parcialmente). Na segunda metade do século vinte, particularmente dos anos 60 em diante, vai ficando claro que o dogmatismo marxista não consegue enfrentar os problemas da “pós-modernidade” (sem entrar nas discussões mais profundas sobre o significado do conceito), a crise de paradigmas das ciências sociais, os desafios da globalização (internacionalização do capital, como dizia Cardoso) e o abalo geral nas visões de mundo que davam o norte político até aquele momento. Torna ainda mais complexo o problema da chamada questão nacional – base das tradições interpretativas até aquele momento e de alguma forma ainda a referência posteriormente. Tudo isso, segundo Sörj, ressalta certas questões: ligação de uma obra com diversos corpos teóricos, “portas” variáveis abertas com tais ligações, dificuldades de estabelecer as ligações com tradições interpretativas nacionais específicas, “leituras” distintas de autores em lugares diferentes acarretando diferentes “filiações”, “estilos” diferentes de filiações39, filiações nacionais descolonizadoras e riqueza de um pensamento com múltipla filiação. Um processo de desfiliação, ao contrário, ocorre

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Vale aqui registrar sua comparação entre França e Estados Unidos, pois tem íntima relação com o Brasil e a trajetória de Fernando Henrique. “Na França, pode chocar a falta de diálogo e reconhecimento intelectual entre pesquisadores de diversas escolas, mas ao mesmo tempo impressionam as linhas de continuidade „profunda‟ entre os autores com as problemáticas filosóficas e temáticas dos antecessores”. Continua o autor: “Situação quase inversa da dominante na ciência social norte-americana, onde a fragilidade filosófica, a tendência a critérios quantitativistas de avaliação, o pragmatismo e a massificação (...) levaram a uma produção intelectual que menciona e aparenta conhecer toda a bibliografia sobre o tema tratado, mas que muitas vezes não é mais do que um melting pot intelectual que desconhece as implicações teóricas dos conceitos utilizados (o que lhe dá uma maior liberdade de circulação intelectual, mas muitas vezes a condena a uma certa superficialidade)” (Sörj, 2001: 100). Fernando Henrique é claramente da “tradição” francesa que está na USP e na sociologia paulista desde o seu início. No entanto, andou também pelos Estados Unidos, o que lhe permitiu críticas ácidas à recepção de suas idéias por lá (Cardoso, 1980: 89-108) e também às idéias dos cientistas políticos norte-americanos (Cardoso, 1971: 20- 56). Contudo, como veremos adiante, à medida que avança a globalização, ocorre o declínio do socialismo e se intensifica o processo de democratização brasileiro suas idéias vão ficando menos “européias” e mais “norte-americanas”, como de resto aconteceu também com as próprias idéias “européias” e nem se fala com as idéias “brasileiras” – embora haja fortes resistências sobre isso no país.

128 quando se desvalorizam as tradições nacionais precedentes, insiste-se em sempre reinaugurar as bases do pensamento, existe pouca cumulatividade conceitual e muita contraposição às idéias precedentes. Diz respeito a muitas questões, entre elas: modernização muita rápida e sem tempo de maturação para as mudanças culturais em curso, transposição de valores dos países centrais para suas áreas de influência na periferia, formação dos quadros intelectuais fora do contexto nacional, estabelecimentos de redes e hierarquias acadêmicas e erudição nas tradições européias dos intelectuais periféricos que menosprezam suas próprias tradições nacionais (Sörj, 2001: 96-103).

O Cebrap conseguiu, nos anos 70, ser uma ponte entre gerações de cientistas sociais. Entre aqueles do passado (pré-1964), que funcionavam mais como “conselheiros do príncipe” ou “formuladores de projetos nacionais” (representados pelo Iseb, por exemplo), e aqueles, dos anos 1980 em diante, representando as novas gerações pós-graduadas no estrangeiro (conjunto geralmente acrítico de “produtores de estudos empíricos de uma cadeia produtiva internacional”40

) (Sörj, 2001: 94-5).

E, mais do que essa ponte referida por Sörj sobre o papel do Cebrap no mundo acadêmico, Fernando Henrique, sua maior liderança acadêmica e política, conseguiu “fugir” dos dois extremos geracionais algo erráticos – nem foi “conselheiro de príncipe” exatamente (embora tenha se aventurado nessa seara quando de suas experiências no MDB e no PMDB) e nem um acadêmico acrítico “dominado” por visões de mundo produzidas nos países centrais (embora essa discussão seja mais complexa). Conseguiu formular análises especialmente criativas e contribuiu de forma decisiva para a construção de um projeto para o país, sem, no entanto, ser completamente original – a “originalidade da cópia”, como observou o próprio Fernando Henrique Cardoso (1980: 17-56) –, assim como ele mesmo o liderou politicamente na prática.

No próprio Cebrap acaba o consenso entre os seus membros durante a transição democrática. Tempo de rápidas mudanças e igualmente velozes mudanças de conteúdos. O centro se divide entre os defensores do PT (mais numerosos) e os que,

40 Sörj, muito corretamente, amplia sua crítica à “nova geração” afirmando que “(...) com a

internacionalização dos circuitos de inserção e reconhecimento intelectual, a tendência à especialização excessiva levou ao abandono de esforços de análises de conjunto da sociedade brasileira e, junto com esta, de filiação às tradições „interpretativas‟ do pensamento social brasileiro. Esta tendência se agravou, como veremos, com a transferência efetiva da definição da agenda de pesquisa para as agências financiadoras” (Sörj, 2001: 95). Não nos cabe aqui ficar avaliando as assim chamadas “novas” ciências sociais brasileiras, mas estas opiniões bem embasadas de estudioso sério e profundo nos fazem entender parcialmente o terreno minado no qual se movia Cardoso entre o passado (por ele tido como “anacrônico”) e o futuro (segundo Sörj, “acrítico” e separado de nossas “tradições interpretativas”). Reside nesse terreno pantanoso muito das qualidades teóricas e políticas de Cardoso, assim como também parte substancial de suas limitações e contradições.

129 posteriormente, se agregarão ao projeto do PSDB (minoritários, embora de grande expressão acadêmica) – “divisão política [que] rachou a casa de alto a baixo”, mas mantendo uma convivência respeitosa e democrática (Naves, 2006: 17). Como afirma Sörj, os novos tempos democráticos colocam questões para as quais o Cebrap não tinha como contribuir de forma decisiva: “Seja nos „grandes temas‟ como a crise do socialismo, a globalização, o papel do mercado, como aqueles específicos da realidade brasileira, como a corrupção, a violência ou os serviços públicos” (Sörj, 2001: 89).

“Paradoxalmente, é hoje via globalização que a cultura e os particularismos são novamente valorizados. Mas, neste admirável mundo novo, muitas vezes no lugar de filiação encontramos a folclorização; no lugar de raízes e aprofundamento do particular para se comunicar com o universal, temos a valorização de imagens passageiras e distinções sutis para diferenciar produtos similares. Afinal, quem sabe, num mundo de espaços virtuais e de famílias recombinantes, a idéia mesma de filiação (nacional, étnica, familiar) se transformou em categoria historicamente datada a ser abandonada ou pelo menos profundamente reelaborada” (Sörj, 2001: 103-4).

O Brasil não teve os mesmos traumas na absorção da cultura européia como os países afro-asiáticos ou mesmo os hispânicos – com grandes dilemas sobre população indígena ou que se consideram “europeus” na América do Sul (Argentina e Uruguai). O problema aqui é outro: um certo inauguralismo. “(...) tendência nacional a desvalorizar o passado, a creditar que o país do futuro pouco tem a ganhar das gerações anteriores e que o Brasil é um país a ser periodicamente inventado” (Sörj, 2001: 104). Fato estranho, pois o que parece novo cultural ou politicamente quase sempre anda junto com as tradições e o passado, para não falar em coisas piores, tais como a corrupção endêmica, violência generalizada e desprezo visceral pela miséria.

Intelectuais e poder sempre presos ao presente, uma espécie de conjunturalismo mais preocupado com denúncias e opiniões políticas e ideológicas do momento. Tal desfiliação tem sido ampliada pela perda de controle sobre o financiamento das pesquisas. Há muito material praticamente “requentado”, resultando da agenda imposta pelos financiadores e seus termos de referência (Sörj, 2001: 105).

Qual o problema?

O Brasil, mesmo não tendo uma tradição filosófica original, produziu, ao longo do século passado [e até antes – como já vimos no primeiro capítulo], um ensaísmo de muita força intelectual com autores como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e tantos outros. Esse “paradigma” foi abandonado pelas gerações posteriores do Rio de

130 Janeiro e São Paulo. As correntes marxistas e cepalinas nos 50, ainda tentaram manter alguma continuação com os pensadores anteriores no que diz respeito ao Estado e outros assuntos. Já Florestan Fernandes e os que viriam a criar o Cebrap preferiram uma desfiliação das tradições anteriores e busca de um espaço próprio (Sörj, 2001: 105-7).

Erro maior de FHC e do Cebrap foi ênfase excessiva na lógica de acumulação do capital (crescimento, capitalismo, milagre, etc). Não perceberam bem os novos temas que surgiam, pois mantinham essa “visão estruturalista”.

“O impacto desfiliador do Cebrap pode ser relacionado também a uma característica do pensamento de Fernando Henrique Cardoso, e que permeava o Cebrap, de valorizar o novo, as tendências emergentes. Se essa característica possivelmente é um dos seus principais atributos intelectuais e lhe valeu importantes insights sobre a sociedade brasileira, também expressava o „inauguralismo‟ brasileiro e significou um certo abandono da análise das instituições e dos mecanismos pelos quais o passado se renova no presente, e por extensão, dos autores que pensaram este passado” (Sörj, 2001: 108).

As ciências sociais brasileiras não deram conta de certos temas, assim como também erraram no uso de conceitos “importados” – geralmente do circuito Paris, New York e Londres. Criou-se “uma comunidade acadêmica com características de um paroquialismo cosmopolita [grifo no original]” (Sörj, 2001: 109) – atualizada nos debates dos países centrais, mas pobre na reflexão sobre os problemas nacionais ou regionais. Ficamos “estrangeiros”, mas sem a “originalidade da cópia” – como diria Cardoso. E, nas últimas décadas, tem piorado muito com “modismos” europeus e norte- americanos, além de pesquisas sobre políticas públicas (para complementar salário) e produção científica do tipo jornalística (“panfletismo simplista”) (Sörj, 2001: 108-112).

O sentido dessa breve reflexão sobre filiação e, de alguma forma, temporalidade nas ciências sociais brasileiras é caracterizar com maior precisão o papel do “partido da inteligência” e de seu mais destacado “comandante”. Eles foram os principais explicadores do Brasil em uma época de transição e de grandes transformações – econômicas, sociais, culturais e, talvez principalmente, políticas.

Romperam com quase toda a tradição anterior, além de transformá-la em uma espécie de “saco de pancadas” – já que os problemas nacionais eram todos oriundos daquela “Era Vargas” populista, atrasada e anacrônica. Até o autoritarismo da ditadura, de alguma forma, é uma “continuação” do autoritarismo anterior, embora expressando os conflitos de uma nova etapa da “modernização conservadora” do país.

131 Entretanto, por outro lado, não chegaram a ser o verdadeiro “modelo acadêmico” das gerações futuras – das últimas duas décadas – já integradas em um mundo acadêmico “estrangeiro” ou “globalizado” atolado na hioperespecialização (na melhor das hipóteses) ou apenas no “melting pot intelectual” (na dura crítica que compartilhamos parcialmente com Sörj).

Foram um competente conjunto de pensadores brasileiros de várias áreas das ciências humanas que, sob o comando e liderança de Cardoso, “pautaram” as temáticas centrais da transição democrática – divergindo muitas vezes sobre aspectos centrais como já vimos no capítulo anterior – e produziram obras de grande relevância, embora sem o brilhantismo de muitos dos nossos clássicos que foram por eles “desprezados”.

Talvez seja esse o motivo de tais pensadores serem considerados “datados” e, hoje, estranhamente, viverem um certo “ostracismo”. Ficaram no “limbo” no mapa das etapas do pensamento social brasileiro. Entre o ensaísmo que eles tanto criticaram e o profissionalismo científico que eles ajudaram a erigir sem, no entanto, dele participar nas últimas décadas por atuarem meio à margem do mundo acadêmico. As suas idéias, porém, são as que construíram as visões de mundo que “atualizadas” nos governam. Vejamos as de Cardoso sobre a política brasileira, que vão culminar em parte no ideário liberal do PSDB.

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