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MYTERS ORGANISASJONSTEORETISKE RELEVANS

In document Myter og symbolsk ledelse i oljesektoren (sider 156-163)

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5. MYTERS ORGANISASJONSTEORETISKE RELEVANS

Muitos pesquisadores reconhecem as dificuldades inerentes a um estudo de transferência linguística. Odlin (1989, p. 34) diz que nem sempre a produção de estruturas corretas na língua alvo implica que houve transferência positiva da L1, e argumenta que tais casos podem resultar, simplesmente, de o aprendiz ter tido uma

exposição suficiente ao insumo linguístico. Ademais, esse autor destaca a dificuldade de se distinguirem os produtos da transferência e da simplificação (Ibidem, p. 41). Odlin lembra ainda que variações individuais também podem influir na transferência, o que aumenta ainda mais a complexidade do estudo desse tema (Ibidem, p. 42).

Num artigo em que defende o rigor metodológico nos estudos de transferência, Jarvis (2000) aponta que, apesar do crescente número de trabalhos sobre a influência de língua materna na aquisição de língua estrangeira, a área ainda enfrenta dois grandes problemas: a falta de uma definição consensual do que seja o fenômeno e a falta de uma metodologia específica para reger o seu estudo. Segundo o autor, essas deficiências têm acarretado sérios problemas para o campo. Primeiramente, por não haver uma metodologia bem definida – com diretrizes claras sobre que evidências procurar e como se chegar a elas –, os estudos de transferência têm sido conduzidos sob diferentes formatos experimentais, valendo-se de tarefas e informantes diversificados e enfocando contextos em que as línguas envolvidas ora são tipologicamente próximas, ora distantes. A consequência imediata dessa liberdade metodológica é que muitos estudos se tornam incomparáveis entre si e têm gerado descobertas por vezes contraditórias (cf. também ODLIN, 1989, p. 151). Como caso ilustrativo dessas contradições, Jarvis menciona a variável proficiência. Segundo o autor, a proficiência pode interagir com a influência de L1 de seis maneiras, do ponto de vista lógico (Ibidem, p. 246-47). A influência de L1 pode:

(1) diminuir com o aumento da proficiência na La; (2) aumentar com o aumento da proficiência na La;

(3) manter-se constante com o aumento da proficiência na La; (4) diminuir, mas de modo não-linear;

(5) aumentar, mas de modo não-linear;

(6) nem aumentar nem diminuir, mas oscilar continuamente à medida que a proficiência na La aumenta.

Embora todas essas alternativas sejam logicamente cogitáveis, Jarvis afirma que dificilmente alguém acharia, a priori, que os estudos de transferência oferecessem suporte a todas elas. No entanto, é justamente essa a realidade: há dados e evidências para se provar qualquer uma das posições acima21. Diante das inconsistências presentes na literatura, Jarvis se pergunta se de fato os pesquisadores têm investigado o mesmo fenômeno.

Numa tentativa de atacar esses problemas, o autor propõe um quadro teórico unificado, que consiste de três pontos (Ibidem, p. 249):

(1) uma definição de “influência linguística”, neutra do ponto de vista teórico, e capaz de servir de heurística metodológica para os estudos da área;

(2) uma lista concisa, mas exaustiva, dos tipos de evidência a serem consideradas, sempre que se propuser que determinado fato é, ou não, decorrente de transferência linguística;

(3) uma relação das variáveis externas a serem controladas em um estudo do tema.

No tocante à definição, Jarvis destaca as diferentes visões de transferência presentes na literatura, já mencionadas na Seção 2 deste capítulo: (a) processo (ou seja,

o falante estabelece relações de identidade entre estruturas da L1 e L2 – SELINKER, 1992); (b) restrição sobre hipóteses (SCHACHTER, 1983, 1993); (c) estratégia para preencher lacunas no conhecimento da La (KRASHEN, 1981; CORDER, 1983, 1993; KELLERMAN, 1983), e (d) um “produto neutro”, decorrente de haver um mesmo sistema conceitual subjacente a estruturas da L1 e da IL (transferência conceitual – cf. JARVIS, 1998, PAVLENKO, 1997, KELLERMAN, 1995, SLOBIN, 1993). Em seguida, Jarvis apresenta a definição operacional proposta por Odlin, qual seja:

“Transferência é a influência que resulta das semelhanças e diferenças entre a língua alvo e quaisquer outras línguas anteriormente adquiridas ou, ainda, que tenham sido aprendidas de modo imperfeito” (ODLIN, 1989, p. 27 – cf. Seção 2, acima).

A partir daí, Jarvis considera as diretrizes propostas por Odlin para a avaliação de casos de transferência. Segundo Odlin (1989, passim) deve-se:

(a) Proceder a uma descrição contrastiva das línguas envolvidas na situação de aquisição (ODLIN, 1989, p. 28);

(b) Comparar o desempenho de falantes de línguas maternas distintas, na L2 em questão (Ibidem, p. 28);

(c) Descrever os resultados encontrados sob a forma de tendências gerais e probabilidades, devido à natureza complexa da linguagem e às variações individuais (Ibidem, p. 42).

Jarvis ressalta a importância de se submeterem os dados coletados a um tratamento estatístico. Segundo o autor, tanto Odlin (1989) quanto Selinker (1983, 1992) enfatizam essa necessidade, mas com uma diferença. Para Odlin, o teste crucial para a identificação da transferência é a comparação do desempenho de falantes de diferentes línguas maternas (cf. também ARD & HOMBURG, 1993; GASS & SELINKER, 1994). Já para Selinker (1992, p. 201), a transferência é operacionalizada como um “processo que ocorre sempre que um arranjo [um padrão] estatisticamente significativo da L1 de um falante reaparece numa IL” desse falante. Em outras palavras, Odlin enfatiza a comparação entre interlínguas distintas, enquanto Selinker, investe na comparação entre L1 e IL. Para Jarvis, ambas as comparações são necessárias. (Ibidem, p. 251).

Após fazer essas observações, Jarvis (Ibidem, p. 252) propõe uma definição de trabalho para transferência:

“Tem-se influência de L1 sempre que houver, nos dados do aprendiz, uma correlação estatisticamente relevante (ou uma relação probabilística) entre algum traço do desempenho interlingual do aprendiz e sua língua materna.” (JARVIS, 2000, p. 252)22.

Segundo o autor, embora a essência da transferência linguística esteja além do alcance do pesquisador, o fenômeno produz três efeitos que podem ser investigados diretamente (p. 253). As evidências que apontam para esses efeitos são:

22 No original: “L1 influence refers to any instance of learner data where a statistically significant

correlation (or probability-based relation) is shown to exist between some feature of learners’ IL performance and their L1 background.” (JARVIS, 2000, p. 252).

(a) Semelhanças no desempenho de falantes de uma mesma L1, em uma L2 comum a todos eles. Essa evidência, embora raramente mencionada na literatura, é crucial na visão de Jarvis (Ibidem, p. 253); (b) Semelhanças, estatisticamente relevantes, no desempenho dos

aprendizes, em sua língua materna, e na interlíngua; i.e., a comparação entre L1-IL.;

(c) Diferenças, estatisticamente relevantes, no desempenho em L2 de falantes de diferentes L1s; i.e., diferenças na comparação entre IL1-

IL2...ILn.

O primeiro efeito produzido pela transferência linguística é o da homogeneidade de comportamento entre falantes de uma mesma L1. Esse efeito pode ser visto quando se coleta a evidência proposta em (a), ou seja, quando os aprendizes/falantes de uma língua materna se comportam homogeneamente no desempenho em uma L2. Segundo Jarvis (Ibidem, p. 254), essa evidência é importante, pois mostra que os falantes de uma mesma L1 se comportam como um grupo no tocante ao traço da L2 analisado, o que é necessário até para que se possa hipotetizar que há efeitos de língua materna no seu desempenho em L2.

O segundo efeito, o da congruência entre o desempenho de um falante em sua L1 e na IL, é obtido quando o uso de uma determinada estrutura na IL alinha-se ao uso da estrutura correspondente da L1, no desempenho em L1 [evidência (b)]. Finalmente, o terceiro efeito é o da heterogeneidade atestada entre grupos de falantes de diferentes L1s, perceptível quando se obtém a evidência expressa em (c), i.e., quando o desempenho de falantes de línguas maternas distintas em uma L2 comum a eles é diferente. Esse tipo de evidência é importante porque exclui, segundo Jarvis (Ibidem, p.

255), a possibilidade de um determinado fato interlinguístico ser consequência de fatores desenvolvimentais ou universais.

Jarvis reconhece que a identificação simultânea dos três efeitos pode ser, em muitos casos, impraticável (Ibidem, p. 255). Assim, sugere que o pesquisador busque pelo menos dois deles. Buscar pelo menos duas evidências é importante porque, em alguns casos, certas condições podem obscurecer um efeito real de L1, enquanto em outros, podem fazer emergir uma aparente influência de L1, que, na realidade, não existe (Ibidem, p. 256). Essas condições serão expostas ao se fazer a discussão dos dados.

Por último, Jarvis (Ibidem, p. 260) trata das variáveis externas, a serem controladas num estudo de transferência. Primeiramente, enumera as variáveis mencionadas em R. Ellis (1994)23 e, em seguida, propõe uma reformulação daquela lista, sugerindo as seguintes variáveis: (a) idade; (b) personalidade, motivação e aptidão linguística; (c) o contexto social, educacional e cultural; (d) o contexto linguístico (todas as L1s e Les anteriorimente adquiridas); (e) o tipo de exposição à língua e o volume dessa exposição; (f) a proficiência; (g) a distância entre L1 e L2; (h) o tipo de tarefa e o nível linguístico; e (i) a prototipicalidade e a marcação do traço linguístico em análise. O ideal, segundo Jarvis, é que se controlem cada uma dessas variáveis, embora ele reconheça que a maior parte dos estudos não atinge esse nível de rigor metodológico. Entretanto, mostra, através do relato de um estudo que conduziu, que é possível se chegar bem próximo desse ideal (Ibidem, p. 260-98).

23 As variáveis apresentadas por R. Ellis (1994, p. 316-34) são: a idade, a personalidade, o tipo de tarefa,

o nível linguístico (fonológico, sintático, semântico, etc.), os fatores sociais, a marcação, a prototipicalidade, a distância tipológica e os fatores desenvolvimentais relacionados aos processos naturais/universais da aquisição de segunda língua.

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