2 Del II - Dokumentbegrepet og sosiale medier – hva kan defineres som et dokument
2.1 Analyse av Facebooks ulike documenter
2.1.3 MUST på Facebook
Partimos do entendimento nesta pesquisa de que a adolescência é um fenômeno tanto pessoal como cultural, na medida em que só se pode compreender o indivíduo na sua inter-relação com a sociedade em que está inserido. E, por isto, as transformações na representação social do adolescente, bem como sua interioridade ou subjetividade, estão diretamente relacionadas às condições históricas, políticas e culturais da sociedade.
A adolescência na contemporaneidade é caracterizada como mais complexa, prolongada e penosa por se realizar num momento histórico de intensas e rápidas transformações da sociedade, com rupturas de uma série de paradigmas (idéias, valores morais e estéticos, processos de pensamento, etc.). Neste contexto, a imagem corporal tem adquirido centralidade, através de uma excessiva valorização da aparência, disseminada e reforçada pela mídia. As relações humanas são então transformadas em meros objetos de consumo, em que a superfície suplanta a interioridade dos seres, faltando modelos identificatórios para que os adolescentes se construam como pessoas, abrindo então possibilidade para trajetórias destrutivas, como forma de aplacar a angústia gerada por uma sociedade que oferece ilusoriamente a possibilidade de que tudo se pode. Como é o caso da busca incessante e compulsória por uma imagem idealizada de corpo, tanto por adolescentes como por adultos em nossa sociedade.
Na busca de um corpo ideal, os indivíduos incorporam imagens-norma dessa nova estética e se condenam a uma aparência que lhes escapa irremediavelmente. (MALYSSE, 2006, p.53).
Por isto, a imagem corporal idealizada buscada através da musculação pelos adolescentes entrevistados é nomeada como um corpo definido, um corpo bonito, marcado por uma determinada quantidade de massa muscular, “nem gordo, nem magro”, ou seja, um corpo atlético e harmônico, marcado por uma cultura excludente que repudia a diferença, no caso, o “ser gordo” ou “ser magro”. Isso nos faz refletir sobre a ética da estética na sociedade atual
em que os discursos “politicamente corretos” apregoam a inclusão como respeito às diferenças, mas se efetivam, de fato, de forma excludente. É preocupante pensar que são estes os modelos identificatórios oferecidos às crianças e adolescentes em nossa sociedade.
Tais modelos identificatórios (supervalorização da imagem corporal) foram construídos na cultura e disseminados pela mídia (grifo nosso) com a qual os sujeitos passam a se identificar e a perseguir. Tal estética produzida artificialmente tornar-se uma poderosa imagem, com a qual os indivíduos vão comparar seu corpo real, gerando um alto grau de insatisfação que os leva a “corrigi-lo”, mesmo gozando de saúde perfeita (MALYSSE, 2006). E para tal correção, muitos dispositivos de transformação são colocados à disposição dos sujeitos, entre eles os procedimentos cirúrgicos, controles alimentares, programas de exercícios físicos e o uso e abuso de drogas, incluídas aqui as energéticas e esteróides anabolizantes, confirmadas por esta pesquisa.
Apesar da alta mortalidade encontrada nesta população, poucas pesquisas encontramos sobre o adolescente masculino. Fato este que nos parece indicar que o olhar das pesquisas (ou dos pesquisadores?) está contaminado por estereótipos de gênero, que entendem o masculino como sujeitos que precisam de “menores cuidados” ou que “correm menos riscos” em relação ao gênero feminino. Isto é evidenciado por Assunção (2002) ao discutir sobre as alterações da imagem corporal masculina que passa também a se tornar foco de estudos. Hargreaves & Tiggemann (2006) apontam também que a insatisfação com a imagem corporal costuma ser subestimada nas pesquisas qualitativas com rapazes, pois os adolescentes costumam camuflar em suas falas as preocupações e insatisfações relativas à imagem corporal com receio de parecerem gays, ou de ser “coisa do feminino”.
O fato é que constamos que os rapazes estão insatisfeitos com suas imagens corporais, contrariando autores clássicos (PAPALIA, 2000; PALÁCIOS & OLIVA, 2004; BEE, 1997) de teorias desenvolvimentais, por ser um fenômeno bem recente.
Vemos com preocupação o crescente uso abusivo de drogas anabolizantes e suplementos alimentares que estão prevalecendo entre os adolescentes masculinos com intuito de obtenção mais rápida do aumento da musculatura. Tais informações sobre estas drogas circulam entre os próprios adolescentes e freqüentadores das academias de musculação, o que nos leva a indagar se existe um controle adequado destes estabelecimentos que crescem de maneira assustadora nas cidades. Sem falar do mercado crescente, de forma ilegal, dos anabolizantes,
ou dos milhões que se faturam com os energéticos, sem medir as conseqüências devastadoras, citadas nesta pesquisa, à saúde física e mental dos usuários.
Constatamos que os adolescentes passam a negar as informações que possuem sobre os malefícios de tais drogas, dada a prioridade assumida pelo corpo neste momento evolutivo, o que nos faz indagar sobre quais formas seriam mais efetivas para promoção à saúde do adolescente, já que apenas a informação se mostra insuficiente para evitar o uso abusivo de esteróides anabolizantes e suplementos energéticos ou excesso de exercícios físicos.
Neste sentido, mesmo sabedores que as características intrínsecas do adolescente, relativas à sua estrutura de personalidade, irão definir de fato a maneira como fará sua trajetória, levando-o de forma mais ou menos intensa a desenvolver comportamentos de risco, que poderão ser apenas episódios normativos desta etapa evolutiva, ou atípicos, resultando em comportamentos patológicos.Porém, não podemos nos isentar enquanto adultos responsáveis. Esta pesquisa nos mostra as múltiplas variáveis que estão em jogo nos sentidos atribuídos ao corpo pelos adolescentes masculinos na sociedade contemporânea e os riscos decorrentes. Faz-se necessário mais pesquisas voltadas a esta população, bem como programas de prevenção, que não foquem apenas os adolescentes masculinos, mas se estenda às famílias e à implementação de políticas públicas de promoção e proteção à saúde integral da criança e do adolescente. Precisamos debater sobre a influência da mídia e suas danosas conseqüências quando voltada apenas para o mercado de consumo.