6.4 Bruk av arkivmateriale
6.4.5 Musikklesesalen og nytt arkivsystem
Fortes críticas têm sido feitas à pouca relação entre saberes teóricos e saberes práticos dentro dos cursos de formação de professores, conforme nos mostra Schnetzler ao afirmar que “os currículos de formação profissional tendem a separar o mundo acadêmico do mundo da prática” (2002, p. 16-17) A dificuldade de vivenciar um currículo que integre a teoria e a prática na formação inicial de professores e a percepção dessa relação durante a iniciação a docência foram citadas durante as entrevistas, nas falas de ambos os professores, conforme trechos seguintes dos entrevistados.
“Eu fiz disciplinas como “didática”, por exemplo, em que eu esperava que me ensinaria muita coisa para a sala de aula. No entanto foi só teoria sem prática, e eu via muitos colegas que não entendiam muito o que era discutido lá, exatamente por não terem a prática de sala de aula”. (Professor Guilherme)
“Em didática eu li muitos textos, assim como no projeto também, mas com certeza o projeto foi uma grande oportunidade. Penso que se eu não tivesse conseguido sucesso ao testar (referindo-se aos conhecimentos teóricos usados nas aulas do projeto), eu acho que desistiria e acho que eu nem teria feito mestrado”. (Professor Felipe)
Observamos que os professores destacam a importância do projeto de iniciação à docência por permitir que percebessem a relação dos conhecimentos teóricos estudados em disciplinas específicas da licenciatura e no projeto de iniciação a docência com a prática. Isso reforça o que pesquisas já mostram: o fato de que os cursos de licenciatura não têm proporcionado aos futuros professores uma base teórica sólida que lhes possibilite articular teoria e prática. Segundo Macedo (2011) é importante aos
licenciandos compreenderem que os conhecimentos teóricos estudados no curso não estão “desconectados dos desafios existentes no âmbito do sistema escolar tendo em vista que servirão como eixos auxiliadores para o docente compreender o seu trabalho pedagógico” (MACEDO, 2011, p.3).
O professor Guilherme, que ingressou no projeto quando frequentava o segundo semestre do curso de formação inicial, não havia cursado, nessa época, qualquer disciplina que versasse sobre o ensinar e aprender. Depois de ter vivenciado a iniciação a docência fez algumas dessas disciplinas. Sobre uma delas afirma que percebia que apenas o conhecimento teórico era ressaltado nas aulas. Durante a entrevista relatou que seus colegas de classe não eram capazes de entender o que era tratado nas aulas e, de certa forma, ele se sentiu “diferenciado” nessas aulas. Segundo ele, aquilo que a professora da disciplina estava tratando era facilmente entendido por ele, porque vivenciava práticas nas quais aqueles saberes teóricos faziam parte. Mas essa não era a percepção de seus colegas de classe, que não tiveram a mesma oportunidade que ele teve.
O professor Felipe, ao contrário, já havia cursado grande parte das disciplinas específicas de formação quando ingressou no projeto. No seu relato, percebemos que o projeto o propiciou ver a concretização, através da prática de sala de aula, dos saberes teóricos vistos nas disciplinas que cursou. Ao que nos pareceu, até o ingresso na iniciação a docência, esse professor não tinha conseguido perceber a importância dos conhecimentos teóricos trabalhados nas disciplinas didático-pedagógicas.
Pelo que percebemos nos comentários dos dois professores, participar de um projeto de iniciação à docência representou um diferencial na formação desses dois licenciandos, por proporcionar que estabelecessem um diálogo entre a prática docente e os saberes teóricos, trabalhados tanto no projeto quanto nas disciplinas específicas da licenciatura.
Consideramos que a formação inicial é um momento para que os saberes teóricos sejam compreendidos pelos professores em formação. Entretanto, para os dois professores pesquisados, esses saberes só foram compreendidos quando trabalhados junto com a prática. A formação inicial é, portanto, o momento de problematização da prática pedagógica, um lugar de produção de conhecimento. O projeto “Práticas Motivadoras nas Escolas Públicas” foi organizado de forma a relacionar as teorias de aprendizagem à prática. Com isso, argumentamos que a ideia de que é necessário estudar a teoria para depois realizar a prática provavelmente não é o melhor caminho
para que os licenciandos se apropriem desses saberes. Estudar teoria para depois aplicar na prática implica situá-las em diferentes perspectivas.
Nos dados obtidos da análise das aulas, verificamos que os professores Guilherme e Felipe passaram a dar mais voz aos alunos favorecendo um discurso próximo ao dialógico em sala de aula. Quando perguntados sobre onde aprenderam a agir de maneira a tornarem a aula mais dialógica, e se a vivência no projeto facilitou isso, os professores responderam:
“Sim. Importante o projeto pegar alguém como eu, sem experiência. Pra mim, o projeto é para formar professor”. (Professor Guilherme)
“Não só o projeto, pois eu também vi um pouco disso em outros lugares, mas o projeto foi fundamental, com certeza pela prática. (...) Aliar teoria e prática é difícil. Então, os coordenadores e o pessoal do projeto tiveram o papel de mediadores nesse processo de transposição da teoria pra prática”. (Professor Felipe)
Sem dúvida esses professores consideram que o projeto foi importante para a formação inicial, possibilitando uma oportunidade de vivenciar uma prática e aliar as teorias de aprendizagem, contribuindo para o próprio desenvolvimento. Em nosso entendimento, essa relação dos saberes teóricos com a prática foi facilitada pelos momentos em que a avaliação compartilhada acontecia no projeto de iniciação a docência. Assim como Perrenoud (1993), argumentamos que a formação é uma só, teórica e prática, assim como reflexiva, crítica e criadora de identidade. Portanto, é indicado que, nos cursos de formação de professores, seja feito um esforço no sentido de aproximar teoria e prática desde o início do curso. Nesse sentido vemos vantagem na inserção de disciplinas didático-pedagógicas já no início do curso e que o estágio ocorra em semestres nos quais seja possível discutir a prática e reelaborá-la com base nos saberes teóricos.