Na tabela 4.3. resumem-se os resultados dos testes T-Student para todos os indivíduos, em cada som. Estes permitem encontrar quais as características que mais sistematicamente pro- vocaram alterações na potência das três gamas de frequências cerebrais em estudo.
Observando a tabela 4.3 e os correspondentes mapas apresentados no anexo 6., vê-se clara- mente que as variações mais significativas para a diferença de médias nos ritmos cerebrais - padronizadas nesta análise para pelo menos 20 alterações significativas para cada som - re- sidem nos sons 2, 3 e 4, sendo intimamente seguidos pelos sons 5 e 6, não provocando o som 1 alterações significativas.
Recordando as características dos sons supracitadas no capítulo da Metodologia, o som 1 é o mais simples do ponto de vista estrutural, uma sinusoide pura, com frequência constante ao longo do tempo – som estático – o que sugere que sons desta morfologia não conduzem à estimulação neurológica com a mesma intensidade que sons mais complexos. Esta fraca va- riação associada ao som 1 é corroborada quando comparando os mapas topográficos de todos os sons, exemplificado pelos mapas da banda alfa apresentados na figura 4.5.
-0,12 -0,1 -0,08 -0,06 -0,04 -0,02 0 0,02 0,04 0,06 0,08 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10111213141516171819202122232425262728293031 PSD So m - PSD Si lê n ci o Canal
Diferenças Som-Silêncio
39 Figura 4 6 – Mapas topográficos do cérebro referentes às ondas alfa. Da esquerda para a direita, cor- respondem ao som 1, 2, 3, na primeira linha, e 4, 5, e 6, na segunda, respetivamente. Observa-se uma menor variação de atividade no primeiro mapa quando comparado com os restantes 5, havendo nele apenas um canal com alteração significativa.
Pensando agora em termos de amplitude e periodicidade, a maioria dos sons, fala-se portanto dos 2, 3, 5 e 6, provocam uma diminuição na potência das bandas alfa e teta, particularmente na primeira. É interessante que correspondam aos sons com variação de amplitude mais acen- tuada (observe-se os envelopes no anexo 1) e também a sons não periódicos (exceto o som 3, que se repete periodicamente), o que de novo leva a afirmar que a complexidade do som está diretamente relacionado com a resposta cerebral.
O som que mais alterações nas médias das diferenças das PSD som-silêncio evidencia é o 4. É um sinal que resulta da conjugação de um registo sonoro real com processos de síntese, pelo que morfologicamente é também incomum. Observa-se ainda que, sendo o som que mais alterações provoca, fá-lo sempre no sentido da diminuição da potência (para ritmos alfa e teta), não sendo significativa a alteração nos ritmos beta.
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Fp1 AF3 F7 F3 FC1 FC5 T7 C3 CP5 P7 P3 Pz PO3 O1 Oz O2 PO4 P4 P8 CP6 CP2 C4 T8 FC6 FC2 F4 F8 AF4 Fp2 Fz Cz
Alfa - - - - Beta - - - -0,048066 Teta - - - - Alfa -0,145 -0,153 -0,111 -0,154 -0,173 -0,112 -0,074 - -0,109 - - - -0,13 -0,122 - - - -0,154 -0,131 -0,111 -0,138 -0,134 -0,163 -0,157 Beta - - - 0,037 0,03 0,04 - 0,043 - - - -- Teta - -0,034 - -0,029 -0,023 -0,02 - - -0,031 - - - -0,018 - - -0,027 - -0,029 - Alfa - - - -0,087 - -0,09 -0,109 - - - -0,105 - - - - Beta 0,024 0,024 0,025 - - 0,038 - - 0,02 0,032 0,023 0,028 0,027 0,029 0,023 - - - -- Teta - - - - -0,042 - - - -0,025 - - - -0,016 -0,02 - - -0,045 - - - -0,048 - - - - -0,04 -0,044 Alfa -0,175 -0,176 -0,144 -0,163 -0,178 -0,131 -0,109 - - - - -0,175 -0,185 -0,132 -0,12 -0,136 -0,199 -0,181 -0,184 -0,153 -0,139 - -0,13 -0,178 -0,203 -0,183 -0,166 -0,174 -0,151 -0,173 -0,205 Beta - - - -- Teta - - - - -0,035 - -0,024 -0,02 -0,031 -0,041 -0,022 -0,014 -0,029 -0,023 -0,03 -0,032 -0,025 -0,028 -0,051 -0,034 -0,027 -0,028 -0,033 - -0,036 -0,034 -0,032 -0,033 - -0,035 -0,037 Alfa - - - -0,083 -0,12 -0,16 -0,138 -0,087 -0,089 - -0,161 - - - - Beta - - 0,031 - - 0,049 0,044 - 0,032 0,031 0,027 - - - 0,029 - - 0,025 - - -- Teta -0,036 -0,03 - - - -0,027 -0,029 - - Alfa - - - -0,07 - - -0,075 - - - - -0,084 - -0,074 - - - - Beta - 0,034 0,03 0,03 0,033 0,032 - - 0,024 0,023 0,03 - - 0,025 0,031 - - - 0,038 - 0,028 - - 0,03 - - -0,029633 Teta - - - -0,021 - - - -0,017 - - - -0,023 - - - - SOM 1 SOM 2 SOM 3 SOM 4 SOM 5 SOM 6
Tabela 4. 3 - Resultados do teste T-Student a cada banda e canal em cada som, para testar a hipótese nula da igualdade de médias entre os períodos de som e silêncio, considerando-se para cada desses períodos todos os indivíduos. Na tabela, as células da coluna preenchidas numericamente designam a rejeição da hipótese nula, e portanto a existência de diferença estatística entre os períodos de som e silêncio , sendo o valor correspondente o resultado da difença dos integrais da curva PSD normalizados, e a cor vermelha a designar a negatividade dos valores respetivos. As células razuradas (-) representam células em que houve aceitação da hipótese nula.
41 Na tabela 4.4., resumem-se as alterações nos mapas topográficos respetivos de cada som, dos três grupos musicais. Esta relaciona as regiões cerebrais com a amplitude da alteração do integral da PSD som-silêncio de forma mais intuitiva que a tabela detalhada 4.3., e deles conseguimos aferir que a região temporal é a menos afetada com o surgimento de som, en- quanto que as regiões frontal/central e central/parietal são as mais afetadas. Falando especi- ficamente para cada banda, a alfa vária especialmente no lobo frontal, na linha central na-
sion-inion, e na região parietal/occipital, tal como a beta. As oscilações de alfa no lobo occi-
pital, ainda que não desejadas, eram esperadas, pelo que se tentou com o filtro Notch (no início do processamento) eliminá-las previamente, dado ser um artefacto associado aos olhos fechados, o que não terá resultado com a eficiência ambicionada. As alterações na banda teta, indo ao encontro da literatura, revelou particular proeminência no eixo central de distinção dos hemisférios, e no caso do som 4, no lobo temporal, variação essa que se pensa corres- ponder à oscilação de tetas do hipocampo [54].
O cruzamento da informação das duas tabelas apresenta-se maioritariamente em concordân- cia, exceto no que toca as alterações significativas provocadas pelo som 1. Sendo os mapas fruto da análise estatística dos valores obtidos individualmente e normalizados para cada pessoa – foi realizada a média aritmética (por forma a dar o mesmo peso estatístico a cada um) e o desvio padrão associado (cujos resultados para o som 1 se apresentaram no anexo 5, a titulo de exemplificação) – confia-se mais assertivamente nos resultados dos testes t, pre- valecendo a acessão que é um som sem peso significativo para a atividade cerebral, nestas circunstâncias.
Há que notar também que, comparando os mapas topográficos e a tabela 4.4. com a tabela 4.3., muitas vezes alterações intermedias não foram consideradas significativas para os testes t, provavelmente devido ao nível de significância das mesmas.
É possível ainda identificar-se alguma lateralização. Estudos passados aferem que existe uma assimetria na atividade cerebral, tanto espontânea como evocada, sendo os ritmos de mais altas frequências predominantes no hemisfério esquerdo, como as beta baixas, e os de mais baixas frequências predominantes no hemisfério direito [52][56]. No presente estudo conse- guiu identificar-se lateralização com a oscilação ondas rápidas beta, através dos testes t e nos mapas topográficos, nomeadamente com os sons 3,5 e 6, contudo, o mesmo não se pode dizer para as ondas mais lentas alfa e teta, visto estarem mais uniformemente distribuídas pelos dois hemisférios. Há que referir-se que esta é uma lateralização que se torna evidente com a alteração da gama de frequência na passagem do estado de silêncio para o de som, não tendo sido averiguada para a banda de frequência do sinal total (em vez de se considerar a
42 diferença de PSD som-silêncio), como acontece nos estudos referidos, uma vez não ser esse o intuito do presente estudo. Portanto, o que se pode somente aferir é que esta lateralização é evidente com a mudança de estado sonoro, não se tendo informação suficiente referente à localização das bandas de frequência ao longo do sinal total.
Ainda de destacar é também a associação da atividade lateral esquerda com emoções positi- vas [58], pelo que, não sendo esse mais uma vez o foco principal do trabalho, consegue supor-se que, para a amostra de voluntários geral, os sons 3, 5 e 6 tenham sido os que pro- vocaram maior agrado.
Tabela 4. 4 – Resumo dos mapas topográficos (associados à variação da potência de cada banda dos sinais de todos os indivíduos, em cada som) por região cerebral. Os tons de vermelho indicam uma alteração positiva, ou seja um crescimento da atividade cerebral, e os a azul uma diminuição. Quanto mais escura a cor, mais intensa é a alteração. As células sem cor correspondem a regiões sem altera- ções significativas. Alfa Beta Teta Alfa Beta Teta Alfa Beta Teta Alfa Beta Teta Alfa Beta Teta Alfa Beta Teta SOM 6 SOM 1 SOM 2 SOM 3 SOM 4 SOM 5
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