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Diversos pesquisadores têm focado seu trabalho na descrição das relações entre a organização e o ambiente. Ainda que diversos progressos tenham sido alcançados desde que os pensadores clássicos dentro da administração com

seu foco exclusivo nas relações intra-organizacionais começaram, muito trabalho ainda tem por ser feito nesta área.

A popularidade da teoria dos sistemas abertos de Von Bertalanffy (1975) levou a consideração do ambiente a um outro nível dentro da análise organizacional. Emery e Trist (1965), expandindo o conceito, discutiram a crescente complexidade e instabilidade dos ambientes com que as organizações têm que lidar.

A idéia de Burns e Stalker (1961) de que as organizações deveriam mudar sues estilos em função das condições prevalecentes no ambiente, considerando modelos mecanicistas mais adequados a ambientes estáveis e modelos orgânicos mais adequados a ambientes instáveis, foi revolucionária, mesmo sendo considerada anacrônica atualmente.

A teoria de dependência dos recursos de Pfeffer and Salancik (1978) discutiu os efeitos dominantes do ambiente sobre as organizações, mas também discutiu estratégias para gerenciar, ou pelos menos mitigar, as restrições ambientais à ação das organizações, tais como aquisições e fusões, joint ventures, associações comerciais, etc. Enquanto uma variedade de atores e pressões, tais como, preços, competição e regulamentação englobam parte do ambiente organizacional, é impossível para uma organização examinar e agir sobre todas estas dependências. A idéia é a concentração nos recursos críticos e escassos da organização e só então relacionar-se com o ambiente.

De maneira similar, os ecologistas organizacionais enfatizaram a dependência das organizações do ambiente, representando as organizações mais como um elemento do ambiente ao invés de uma entidade isolada lutando para sobreviver nele. Hannan e Freeman (1977) e Aldrich e Pfeffer (1976) e Aldrich e Mindlin (1978), os primeiros contribuintes desta perspectiva, analisaram os nichos ecológicos que constituem arranjos de recursos que são compartilhados por organizações interdependentes, mas competidoras. Os processos de variação, seleção e sobrevivência (retenção) em uma população de organização implicam que o ambiente seleciona somente aquelas organização que se encaixem às demandas do ambiente e as recompensa com os recursos necessários. Esta abordagem foca em coletividades de organizações ao invés de organizações como unidades individuais.

Teóricos como Thompson (1976) e Lawrence e Lorsch (1967) também focaram seus estudos na relação entre organização e ambiente. Lawrence e Lorsch

observaram que a incerteza ambiental é resultante basicamente de três fatores: informações não claras; tempo grande na realimentação definitiva das ações; e incertezas das relações causais de maneira geral. Os autores concluem que condições e elementos diferentes e variáveis dentro do ambiente criam pressões para diferenciação interna. Esta diferenciação gera sistemas e estruturas complexas dentro das organizações.

Os institucionalistas como Selznick (1949), Gouldner (1954) e Zald (1970) argumentaram que as organizações são recompensadas se estas se conformassem às normas, regras, valores e crenças da sociedade. Selzinck (1949, 1957) sustenta que as organizações não só se adaptam internamente, mas que os valores da sociedade e que, em certos casos, forças culturais e ambientais podem levar as organizações a assumir papeis específicos dentro da sociedade. Como Perrow descreve “O processo de institucionalização é um processo de crescimento orgânico, onde a organização se adapta a disputas de grupos internos e a valores da sociedade [...] o administrador se torna um estadista que utiliza sua criatividade para reconhecer e guiar este processo” (PERROW, 1986, p. 167). A cooptação é uma estratégia que poderia ser utilizada pelas organizações para incorporar elementos externos dentro da estrutura de decisão.

Meyer e Rowan (1977) sugerem que o mito racional faz parte do contexto no qual as organizações operam e que somente podem se conformar as normas de racionalidade perifericamente, mas que as ações se tornam racionais na medida em que acreditam que elas o são. Estruturas e processos se tornam padrões sociais aceitos, as organizações se adaptam para ficar alinhadas a estes padrões e para garantir sua legitimidade social. Este trabalho deu as bases para o novo institucionalismo. Esta abordagem está fortemente baseada na literatura social construcionista, especialmente em Berger e Luckman (1999).

O novo institucionalismo de Scott e DiMaggio tenta olhar para o processo pelo qual as práticas e formas organizacionais se tornam instituições. DiMaggio e Powell (1983) diferenciaram as pressões institucionais em três categorias: coercitivas, onde as ações se conformam com leis governamentais, regulamentações ou organizações em posição de exercer poder sobre o campo; normativas, onde expectativas culturais pressionam pela conformidade, especialmente as originadas nas categorias profissionais; e miméticas, onde as organizações, devido a incerteza, copiam outras

organizações que tenham obtido sucesso. Este artigo seminal resultou em diversas pesquisas.

Como discutido anteriormente, a abordagem externa é dominada pelo tom determinístico, enquanto a versão de Selznick do velho institucionalismo e a abordagem interna assumem posturas mais voluntarísticas. Muitos trabalhos recentes têm misturado as abordagens externa e interna considerando que as relações entre as organizações e o ambiente são mutuamente constitutivas e co- evolutivas, mais do que a dominância de uma sobre a outra (CARNEY e GEDAJLOVIC, 2002; DOBBIN e SUTTON, 1998; EDELMAN, 1992; HAVEMAN e RAO, 1997; LAWRENCE,1999). Este trabalho tem estado atento à interligação da estrutura social e agência pelo emprego do conceito Giddens da teoria da estruturação (BECKERT, 1999; HUNG e WITTINGTON, 1997; LAWRENCE, 1999; WHITTINGTON, 1992). Ele sugere que os ambientes organizacionais afetam as ações organizacionais por proverem contextos específicos que as restringem e, ao mesmo tempo, as organizações estão ativamente envolvidas na construção social dos seus ambientes.

Carney e Gedajlovic (2002) propõem o modelo co-evolutivo baseado na idéia de influências mútuas e recíprocas entre o ambiente institucional e as ações das organizações. Eles discutem que, ao contrário de muitas explicações organizacionais, o seu modelo atribui um maior papel para os atores organizacionais prestando mais atenção em como as ações organizacionais modelam as instituições que existem fora das organizações. Neste estudo, assume-se que os estados correntes dos delineamentos institucionais refletem tais relações constitutivas e co- evolutivas entre as organizações e o ambiente.