Is mobility of labour a channel for spillovers from multinationals to local domestic firms?
3.3 Is there a multinational wage premium?
Circunscrito seu espaço de atuação e suas possíveis abordagens, é necessário especificar seu objeto, já que mesmo a AD sendo uma disciplina que trabalha permeada por outros campos de conhecimento, no caso, as ciências sociais e a linguística – seu objeto é único.
Por que, parafraseando Pêcheux (2002), é pela atuação do sujeito que se constrói o discurso e é só por meio da ideologia que se constrói o sujeito. Desta forma, as relações com o objeto em AD funcionam na relação língua-discurso-ideologia.
31 Que para alguns autores como Courtine (2007) não são análises do discurso em sentido estrito uma vez que se
A definição de discurso, como afirmado anteriormente, não se relaciona em nada com a noção elementar de mensagem entendimento comum na área da comunicação.
Orlandi (2007) define discurso como:
Desse modo, diremos que não se trata transmissão de informação apenas, pois, no funcionamento da linguagem, que põe em relação sujeitos e sentidos afetados pela língua e pela história, temos um complexo processo de constituição desses sujeitos e produção de sentidos e não meramente transmissão de informação. (, 2007, p.21)
O discurso é entendido na AD como um espaço aberto partindo da língua e atravessado pela ideologia e circunscrito por sua própria história.
Na literatura sobre AD é possível encontrar, atrelado ao conceito de discurso, a metáfora relacionando o discurso com uma rede; o tecido discursivo.
Ferreira (2007, p.19) coloca tal metáfora da seguinte maneira:
A rede, como um sistema, é um todo organizado, mas não fechado, porque tem os furos, e não estável, porque os sentidos podem passar e chegar por essas brechas a cada momento. Diríamos, então, que um discurso seria uma rede e como tal representaria o todo; só que esse todo comporta em si o não-todo, esse sistema abre lugar para o não-sistemico e o não-representável.
Portanto o discurso pode ser compreendido como uma rede nunca completa e concluída, sempre possível de mudanças provocadas pela ideologia, historia e mudanças na ordem do sentido e na ordem do próprio discurso.
Brandão (1997, p.12) complementa o conceito do discurso da seguinte maneira: “a linguagem enquanto discurso é interação, e em modo de produção social, ela não é neutra, inocente (na medida em que está engajada numa intencionalidade) e nem natural, por isso o lugar privilegiado de manifestação da ideologia”
Outro aspecto fundamental do discurso é a forma que se compreende a língua a partir dele, como parte de um processo de significação que se modifica a partir do momento ideológico e histórico.
Em seu livro Foucault (1997, p.49) preocupa-se também em definir discurso:
O discurso nada mais é do que a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus próprios olhos; e, quando tudo pode, enfim, tomar a forma do discurso, quando tudo pode ser dito e o discurso pode ser dito a propósito de tudo, isso se dá porque todas as coisas tendo manifestado e intercambiado seu sentido, pode voltar à interioridade silenciosa da consciência de si.
Assim como para os outros autores citados, para Foucault o discurso é um espaço histórico uma vez que os discursos produzidos só são possíveis naquele contexto, permeados pelo sentido que é ideológico e que lhe é particular.
O ponto fundamental da materialidade discursiva é o enunciado, uma vez que é conjunto de sentidos mais elementar que pode ser particularizado dentro do discurso.
Foucault (1997, 133 p.) esquematiza o enunciado da seguinte maneira:
Examinando o enunciado, o que se descobriu foi uma função que se apóia em um conjunto de signos, que não se identifica nem com aceitabilidade gramatical, nem com a correção lógica, e que requer, para realizar, um referencial (que não é exatamente um tato, um estado de coisas, nem mesmo um objeto, mas um princípio de diferenciação); um sujeito (não a consciência que fala não o autor da formulação, mas uma posição que pode ser ocupada, sob certas condições, por indivíduos indiferentes); um campo associado (que não é o contexto real da formulação, a situação na qual foi articulada, mas um domínio de coexistência para outros enunciados); uma materialidade (que não e apenas a substancia ou o suporte da articulação, mas um status, regras de transcrição, possibilidade de uso ou de reutilização)
O discurso pode ser entendido como uma ordem na qual se encontra um campo de experiência, ou seja, um referencial. O enunciado é a materialidade deste referencial é o possibilita a análise.
Foucault entende o discurso como um sistema de dispersão, ou seja, cabe a quem analisa o discurso descrever e compreender essa ligação entre os enunciados, seu conceito histórico e ideológico, fazendo parte de um discurso e para ele a descrição desta conexão arqueológica é uma das análises possíveis do discurso.
O discurso é um lugar no qual se circunscreve o campo da experiência e do saber possível, com um campo de experiências, orientadas, contextualizadas, assumidas como colocam Charaudeau e Maingueneau em seu dicionário de AD (2004).
Outro conceito que será desenvolvido no tópico seguinte é o de formação discursiva, mas que na obra de Foucault relaciona-se com o conceito de enunciado, da seguinte maneira: “Um enunciado pertence a uma formação discursiva como uma frase pertence a um texto, e uma proposição a um conjunto dedutivo”. (FOUCAULT, 1996, p.135).
A maneira metodológica que Foucault apresenta seus conceitos torna a análise clara, uma vez que, é possível particularizar os enunciados mais contundentes pertencentes à formação discursiva.
Segundo Guespin (Apud CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004, p.196):
O enunciado é a sucessão de frases emitidas entres dois bancos semânticos, duas pausas da comunicação; o discurso é o enunciado considerado do ponto de vista do mecanismo discursivo que o condiciona. Assim, olhar um texto sob a perspectiva de sua estruturação “em língua” permite tomá-lo como um enunciado; um estudo linguístico das condições de produção desse texto possibilita considerá-lo um discurso.
Maingueneau (2005), buscando exemplificar como funciona o processo de análise e a relação que se desenvolve ente a língua, o discurso e a ideologia, utilizando de um exemplo simples, a expressão “NÃO FUMAR”.
O entendimento da expressão parece simples e imediato, porém existe um jogo discursivo bastante complexo para o entendimento.
Primeiramente é necessário atribuir a essa expressão o status de enunciado, isto implica atribuir uma fonte enunciativa, no caso, um sujeito que, servindo-se de sua própria língua, tem a intenção de transmitir sentido a alguém e o contexto em se coloca essa expressão dita à leitura que se faz dela.
Por exemplo, esta expressão em uma placa branca e vermelha padronizada fazendo referência a um artigo de uma determinada lei em um ônibus, obviamente significará que é proibido fumar naquele veículo, porém, se colocarmos a mesma placa em um museu em uma exposição com 50 outras placas de diferentes épocas, o sentido dado à placa muda completamente.
O sentido modifica-se por que ele é construído, construído pelos sujeitos e instituições que regulam e fundamentam as práticas sociais e estas práticas estão permeadas pela ideologia.
Portanto, a história-ideologia presente nesta idéia, o local, os sujeitos, a estrutura de apresentação, são elementos externos à própria expressão que dá suporte para o entendimento do enunciado propriamente dito.
Justamente por esse jogo que estabelece entre a enunciação, o campo ideológico, o contexto histórico e o sujeito, que Foucault estabelece o enunciado como a unidade básica do discurso.
É perceptível encontrar nos enunciados um campo de referência, um sujeito, um campo de associação entre a referência e o sujeito e uma materialidade de possível de reutilização, uma vez que é possível encontrar o mesmo enunciado em diferentes situações.
4.3. Os elementos da teoria discursiva: A formação discursiva e a formação