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3.2 Samstyring mellom offentlig og frivillig sektor

3.2.3 Muligheter med samstyring som inkluderingsfaktor

A modernidade carrega consigo um grande desafio à fé: a pobreza. Segundo Gutiérrez, é igual à morte. Por isso não se pode estar com os pobres, sem lutar contra a pobreza. Este é um dos motivos principais da opção preferencial pelos pobres. O amor de Deus é universal e preferencial.

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GUTIÉRREZ, Gustavo. A Verdade Vos Libertará. p.18.

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Gutiérrez, dois anos depois do Concílio vaticano II, do qual participou, abordou a questão da pobreza diante dos estudantes da Universidade de Montreal no Canadá, distinguindo pela primeira vez três dimensões da pobreza: a pobreza ―real‖ de todos os dias- ela não é uma fatalidade, explica, mas, sim, uma injustiça; a pobreza ―espiritual‖- ―sinônimo de infância espiritual, consiste em colocar a própria vida nas mãos de Deus, sem nada fazer, sem agir; a pobreza como ―compromisso‖- ela leva a viver em solidariedade com os pobres, a lutar com eles contra a pobreza, a anunciar o Evangelho a partir deles.

Segundo o autor, buscar os pontos cruciais da pobreza, inevitavelmente, é falar das injustiças sociais. Os maiores temores vieram com a tomada de consciência, sobretudo com o surgimento de organizações dos setores pobres. Esse foi um grande desafio para o trabalho pastoral, como também um enorme compromisso das igrejas cristãs.

Dessa forma, as reflexões teológicas, conscientes dessa situação, derivaram das ações práticas e concretas pela justiça, ao mesmo tempo em que denunciavam os fatores que contribuíram para o estado de pobreza de grande parte da população da América Latina e do Caribe. O desafio inicial, o grande chamado para essa situação de miséria, que assolou o mundo nas últimas décadas, foi fortemente evidenciado, através da força das reflexões teológicas surgidas na América Latina.

Reflexões ecoaram por todos os lados, chamando atenção para a situação de miséria do povo e, na sua grande maioria, cristãos. Estes fatos de miséria do continente foram denunciados pelas conferências de Medelín (1968) e Puebla (1979) como desumanos e antievangélicos, mas sua abrangência vai além do continente latino- americano. Ela atinge patamares universais, chegando a ser alarmantes.

Sobrino se refere à pobreza como não sendo um fenômeno natural, como muitos pensam, uma mera carência de bens, ela se situa como um fenômeno histórico de empobrecimento. ―A pobreza é, então, dialética: há pobres porque há ricos, e há ricos porque há pobres‖.83

Falando teologicamente, ele coloca que os pobres, hoje, assemelham-se ao servo sofredor de Javé. Onde também existe quem não queira ver, e voltando os olhares, pois eles causam mal-estar, repugnância; mas ―são empobrecidos e aniquilados pelo pecado dos poderosos e arcam literalmente com esse pecado‖.84

Gutiérrez salienta que essa tomada de consciência deixou transparecer a derradeira vida dos povos e das suas gritantes necessidades. E, dentro desta ótica, foram colocados todos os esforços: primeiro, para compreender as causas, depois, na busca de solução de seus

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SOBRINO, Jon. Espiritualidade da Liberdade, p. 189.

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problemas. Ele entendia como missão, como um chamado do Senhor, para anunciar devidamente o Evangelho.

Segundo o autor, foi uma época complexa, os teólogos latino-americanos entenderam que o instrumento necessário para banir essas condições desiguais se encontrava na ruptura das condições sociais, que levavam à marginalização e à opressão das classes pobres do continente.

A experiência de agir em prol das classes oprimidas foi de extrema importância. A partir dela, Gutiérrez e os teólogos da libertação puderam avaliar melhor a complexidade do problema que existia no mundo, em especial dentro do continente latino- americano.

Adentrar na realidade socioeconômica foi fundamental. Pois somente através dessa importante avaliação foi possível ter a certeza de que aquela forma de pobreza era sinônimo de morte, total desrespeito à dignidade humana, impondo limitações à liberdade pessoal nos mais diversos campos de atuação: o político o social e inclusive o religioso.

Gutiérrez, citando o cardeal de Landázuri85, fala do sofrimento de carregar a cruz, o que ―não é apenas suportar as penas inevitáveis, mas é assumir os sofrimentos derivados da luta contra injustiça e contra a opressão. ―É sofrer para tentar mudar o que Medellín chamou de situação de pecado, situação de violência institucionalizada‖ 86, pois os problemas expostos à luz do dia trouxeram enormes penas que derivaram em suspeitas, calúnias, ataques sistemáticos, perseguições à própria Igreja, prisões, torturas, exílio, mortes.

Viver na extrema pobreza era ser atingido por um sofrimento diário e lutar pela defesa desses direitos, o que, muitas vezes,carrega sofrimentos de morte. Foi necessário vencer muitos obstáculos e resistências para tentar mudar a situação de miséria antievangélica que abrangia toda a América Latina.

Gutiérrez salienta que a pobreza, com toda a sua complexidade, não é somente um problema social. Trata-se, sobretudo, de uma questão humana, que provoca e pede respostas à consciência cristã, por isso ela é sempre um grande desafio à reflexão teológica. Pois, segundo ele, a função da Teologia está intimamente ligada ao serviço cristão, seguindo Jesus, que

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A Igreja latino-americana se fez adulta em Medellín, e isso se deve muito à atuação de Landázuri. A presença do cardeal em Puebla também foi decisiva para conciliar os espíritos e avançar na linha da opção preferencial pelos pobres. Landázuri se mostrou prudente em relação aos diversos governos do Peru, mas atuou com determinação na defesa dos trabalhadores e dos direitos humanos. Denunciou o desaparecimento de presos e o encarceramento de inocentes. Gutiérrez lembra que o cardeal teve uma participação decisiva na vida da Igreja peruana. Foi um grande amigo de Deus e das pessoas. "Não é atrevimento dizer que ele era tido como uma das pessoas mais queridas do país". PEACELINK. O adeus de um homem bom: Morre Landázuri o cardeal dos pobres. Revista Sem Fronteiras, n. 249, abril, 1997. p. 28. Disponível em: <http://ospiti.peacelink.it/ zumbi/news/semfro/249/sf249.html >. Acesso em: 11 jun. 2012.

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chamamos espiritualidade, e a serviço da tarefa eclesial do anúncio do evangelho. É uma reflexão teológica que vem permeada do atuar cristão, com seu testemunho e sua fidelidade aos ensinamentos de Jesus.