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MULIGE VARIABLER I DE NORSKE DIABETESREGISTRENE – FOR RISIKOJUSTERING
O Seminário Diocesano foi fundado em 1856 pelo Bispo de São Paulo e localizava-se na Avenida Tiradentes, bairro da Luz. A sua construção é narrada como penosa na Polianteia do quinquagenário da fundação do Seminário Episcopal de São Paulo. O terreno foi adquirido com as esmolas de fiéis e os trabalhadores responsáveis pelo empreendimento vieram de muitos lugares, dada a escassez de mão de obra na cidade de São Paulo. As paredes do edifício foram feitas por um ituano; na ausência de fábrica de tijolos que pudesse fornecer o material necessário, as paredes foram construídas de taipa; o trabalho de carpintaria foi contratado no sertão de S. Pedro de Piracicaba; as madeiras foram obtidas em uma fazenda que tinha matas virgens e que foi doada ao Seminário (Seminário Episcopal, 1906)
De acordo com Martins (2006), a escolha do bairro da Luz para a construção do Seminário não foi aleatória, mas colaborava com os interesses políticos instituídos.
Além de significar um elemento de moralização, a instalação do Seminário naquela localidade também seria estratégica para o seu desenvolvimento, considerando as relações de comércio da Luz que atraíam fazendeiros das diferentes localidades da Província e até de outras Províncias (Martins, 2006, p. 163).
A fundação do Seminário atenderia tanto aos interesses da hierarquia católica romana, preocupada em tornar o catolicismo uma religião internacional, quanto aos interesses da Coroa Brasileira, que visava a manutenção dos ideais da própria monarquia, em contraposição ao liberalismo político (Martins, 2006).
Além dos desafios colocados pela construção, era preciso pessoas que ficassem a cargo do Colégio. Depois de pedido ao Papa Pio IX, foram enviados três religiosos Capuchinhos - Frei Affonso, Frei Firmino de Centelha e Frei Eugenio de Rumilly, este último depois nomeado Reitor da instituição.
Em fevereiro de 1857, o Reitor viajou à Europa, tendo como objetivo trazer mais professores ao Seminário. Neste mesmo ano outros dois professores se juntaram ao corpo docente, sendo eles Frei Francisco de Vibonati e Frei Germano de Annecy, matemático e astrônomo, que desempenharia um papel fundamental na constituição
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do museu escolar do Colégio Diocesano. O Seminário era visto como a primeira casa de educação na diocese a “harmonisar os principios da fé com as verdades scientificas”; de acordo com eles, “a verdadeira sciencia profana não pode estar em antagonismo com a sciencia religiosa” (Seminário Episcopal, 1906, p. 131). Esta visão de ciência e fé marcaria as atividades do Seminário e, posteriormente, do Colégio.
Em decorrência das dificuldades financeiras, dois anos depois da fundação do Seminário foi instalado o Colégio, que recebia alunos que não pretendiam seguir o sacerdócio. As instituições foram dirigidas pelos capuchinhos até 1879, quando o Colégio passou a ser assumido pelos diocesanos. Esta alteração não ocorreu sem conflitos e, de acordo com Martins, são vários os motivos que levaram ao afastamento dos capuchinhos:
Tratou-se de um afastamento forçado efetivado sob várias justificativas que envolveram: levantamento de provas sobre a má conduta dos freis por pressão dos clérigos paulistas contrários à linha de pensamento do Vaticano; as estratégias de conciliação efetivadas no bispado de dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho (1873-1894); a intervenção dos superiores da ordem dos capuchinhos da França; a morte de Pio IX e a ascensão do papa Leão XIII; por último a decisiva participação de dom Pedro II, decretando que se abrissem novos concursos para se eleger um novo corpo docente para o Seminário (Martins, 2006, p. 209).
Em agosto de 1900, o Colégio Diocesano foi equiparado ao Ginásio Nacional, tendo sido o “segundo Collegio do Estado de S. Paulo elevado a essa alta e importantissima cathegoria” (Seminário Episcopal, 1906, p. 136). A equiparação possibilitava que os alunos aprovados nos exames de madureza do estabelecimento de ensino se matriculassem nos cursos superiores de caráter federal, privilégio então exclusivo do Ginásio Nacional. A legislação relativa à equiparação foi alterada ao longo dos anos e é possível verificar pela documentação do Colégio a importância que lhe foi atribuída.
Em 1904 o Seminário e o Colégio foram separados – tanto o Colégio quando o Seminário Maior permaneceram sob a direção dos diocesanos. Alguns anos depois, em 1908, os maristas10 assumiram oficialmente o Colégio Diocesano. Eles permaneceriam na Avenida Tiradentes até 1935, ano em que foi inaugurado o novo prédio na Vila Mariana, local em que fica até hoje. Planejado para acolher 400 internos, a
10 O Instituto dos Irmãos Maristas foi fundado por Marcelino Champagnat em 1817. Em 1999 Champagnat foi canonizado pelo papa João Paulo II e reconhecido como santo.
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inauguração do prédio contou com a presença do arcebispo D. Duarte Leopoldo e Silva e foi bastante comemorada pela direção da instituição (Nadai, s/d, p. 17).
Conforme é informado pelo próprio Colégio sobre os princípios pedagógicos maristas,
os discípulos de Champagnat inspiravam-se no método de ensino elaborado pelos Irmãos das Escolas Cristãs – nome da Congregação fundada pelo padre francês João Batista de La Salle, em 1684, também dedicada à educação. Nascido no bojo da Revolução Francesa, de 1789, tal método privilegiava o ensino do francês, a experimentação e as lições práticas para os alunos, que eram separados em classes conforme o nível de progresso (Nadai, s/d, p. 7).
O Instituto dos Irmãos Maristas foi reconhecido pelo governo francês em 1851 e, em 1853, publicou o Guia das Escolas, documento que descreve o pensamento pedagógico e educativo da Congregação. O propósito do texto era o de “promover a unidade metodológica, manter a qualidade do ensino e, ao mesmo tempo, complementar a falta de formação mais prolongada dos Irmãos destinados à tarefa escolar” (Furet, 2009, p. 14)11. O texto é dividido em quatro partes, sendo elas:
educação; disciplina, ensino, organização; o educador e metodologia especial.
Uma boa educação, segundo o Guia, deveria considerar a natureza da criança e, mesmo tendo um único objeto, prever a educação física, intelectual, religiosa e social:
A educação física supervisiona e auxilia a formação do corpo pela observação das normas de higiene, pelo exercício, pelos jogos e pela ginástica. A educação intelectual cultiva as faculdades da criança, ornamentando-lhe o espírito de conhecimentos multiformes e úteis, metodicamente escalonados.
A educação moral e religiosa empenha-se em fazer da criança não somente um adulto, mas um cristão. Ela auxilia o desenvolvimento dos dons sobrenaturais recebidos pelo batismo, consolida as convicções da sua inteligência e forma-lhe a vontade nos hábitos da vida cristã. A educação social prepara a criança para as funções que vai desempenhar na sociedade (Furet, 2009, p. 26).
O educador, para tanto, precisaria conhecer os estudos da psicologia, pois assim conseguiria conduzir a criança com mais proficiência. No capítulo dedicado à educação intelectual, são apresentadas “algumas noções que serão úteis aos jovens mestres”, sendo os parágrafos teóricos seguidos de algumas observações práticas:
11 A edição original do Guia das Escolas é de 1853. Para o presente trabalho, foi consultada uma edição em língua portuguesa traduzida da 4ª edição francesa, publicada pela Descleée & Cie, de Paris, em 1932. Apesar de a versão consultada provavelmente diferir da original, foi utilizada por corresponder ao período analisado.
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▪ A inteligência em geral: a inteligência era entendida como a faculdade pelo qual as pessoas conhecem as coisas e compreendem as verdades. Definida como
faculdade do conhecimento, abarcava tanto o conhecimento sensível como o
intelectual. Na prática, não bastava a transmissão de conhecimentos pelo mestre, era preciso, além disso, desenvolver o espírito e ensinar aos alunos a observar com atenção o que estava ao redor (Furet, 2009, p. 35).
São três as principais operações da inteligência. Um dos grupos diz respeito às faculdades que abastecem as ideias e, neste ponto, chama a atenção o papel que é atribuído aos sentidos: é “a percepção externa que, pelos sentidos, nos informa daquilo que se passa em torno de nós; e a consciência ou percepção interna que nos faz conhecer o que se passa dentro de nós” (Furet, 2009, p. 36). O segundo grupo se refere às faculdades que “combinam e elaboram as ideias” e, o terceiro, à memória.
▪ Percepção externa e interna: os conhecimentos advindos dos livros eram considerados indiretos e não eram vistos como os mais eficazes para a formação e “determinação do procedimento”. Os mais diretos e fecundos eram adquiridos por meio dos sentidos e da reflexão. “A cor, a forma, as dimensões, o uso dos objetos que a cercam, os sons da língua que ela fala, as letras e as palavras que lê, a fisionomia das pessoas que a cercam e mil outras noções são conhecidas da criança mediante os sentidos” (Furet, 2009, p. 37). Este princípio tinha desdobramentos práticos e o mestre era orientado a utilizar no ensino, “quanto possível, a via direta dos sentidos e da consciência”, preocupando-se em mostrar às crianças os objetos referidos nas aulas ou, quando não disponíveis, gravuras ou quadros (Furet, 2000, p. 37). Às gravuras era atribuído um papel importante; muito presente nos livros escolares, tinham “a finalidade de instruir os alunos por meio do sentido da vista” (Furet, 2009, p. 37).
Os sentidos cumprem uma função importante, pois se entendia que era por meio deles que eram adquiridos os conhecimentos. Na escola, a presença de objetos, gravuras ou quadros será mesmo constante e aparecerá tanto no ensino primário, quanto no secundário. Como princípio, acreditamos que se fazia presente em ambos os segmentos de ensino, mesmo reconhecendo que são inúmeras as particularidades e diferenças que marcam a história do ensino primário e secundário.
▪ Atenção, reflexão, espírito de observação: a reflexão e a atenção eram vistas como atividades que precisavam de concentração de espírito, algo que não era natural
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às crianças. Por isso, era atribuído ao mestre o dever de auxiliar as crianças a obterem- na.
São relacionados oito meios pelos quais o mestre poderia auxiliá-las, sendo eles: 1. Supressão das causas de distração; 2. Alternância das lições e de sua duração, conforme a idade dos alunos; 3. Importância de interrogar os alunos, o que provocaria a atenção e a reflexão; 4. Uso da forma narrativa, quando se pretendia que as crianças inculcassem verdades de ordem abstrata; 5. Aproveitar a atração que as crianças tinham diante de um objeto e usá-los “para tornar o ensino intuitivo e visual”; 6. A partir das lições, pedir trabalhos escritos; 7. Usar do olhar, da palavra, dos gestos e da entonação de voz para cativar as crianças e, por fim, aplicar e emulação (Furet, 2009, p. 38).
O espírito de observação, uma qualidade descrita como preciosa, também poderia ser desenvolvido nos alunos por meio de atividades que incluíssem a observação e descrição de objetos, assim como os passeios escolares. Veremos mais adiante que os passeios eram uma prática frequente no Colégio Arquidiocesano, sendo relatados com certa frequência na revista Echos.
▪ Discernimento e julgamento: O discernimento e o juízo são formados pela combinação de ideias; por um lado, o aluno adquire ideias pelos sentidos e pela reflexão, por outro, nem tudo que é adquirido pelo aluno dessa forma é aceita por ele, cabendo à inteligência o trabalho de combiná-las.
Para que a criança possa ter um julgamento criterioso é preciso instruí-la, combater a irreflexão, falar de maneira coerente, num primeiro momento ensinar somente as verdades incontestáveis e, por fim, apelar ao bom senso e desdenhar o excesso de argúcia àqueles que têm propensão a serem “por demais argumentadores” (Furet, 2009, pp. 39-40).
▪ Imaginação: “(...) é a faculdade que retém e reproduz as imagens dos objetos captados pelos sentidos, e em seguida associa as parcelas dos conhecimentos sob o controle da razão” (Furet, 2009, p. 41). Apesar de ser considerada valiosa, em caso de ser mal disciplinada ou predominante poderia virar perigosa. Na prática, poderia ser desenvolvida no ensino especialmente por meio da história, da geografia e leitura.
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▪ Memória: os conhecimentos dos alunos são conservados na memória. A boa memória é considerada fácil, tenaz, extensa e pronta e, para tanto, deveria ser desenvolvida por meio de exercícios.
Na educação, uma das tendências exigia que os alunos a usassem em demasia e soubessem os textos palavra por palavra; outra, nunca fez essa exigência. Considerava- se mais importante que os alunos retivessem os raciocínios e soubessem repeti-los a seu modo, sem desfigurá-lo.
A edição do Guia consultada apresenta vários aspectos que se relacionam com a educação dos sentidos e acreditamos que, mesmo nas primeiras décadas do século XX, a publicação ainda tinha sua funcionalidade, tanto que destinava uma das partes do texto às lições de coisas, muito em voga naquele período. Ainda assim, é preciso ponderar o conteúdo da publicação, pois não exatamente era seguido passo a passo pelos Irmãos. Nos documentos analisados do Colégio, esses princípios nem sempre são explícitos, mas é possível identificar muitos deles na documentação no transcorrer dos anos abarcados nesta pesquisa.