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Hoje, com o advento do cinema, da televisão, do vídeo, as imagens são consideradas em duas grandes classes: as imagens fixas e as imagens animadas ou em

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movimento. Ambos os tipos de imagem são utilizados pela mídia. A gravura, a litografia, a fotografia, a pintura, o desenho e demais meios de expressão visual, que são considerados imagens, são usados pela mídia, principalmente pela mídia impressa e propiciam o aspecto contemplativo da imagem fixa. Joly (1996, p, 16) afirma que os cartazes, e demais recursos da mídia impressa têm a capacidade de fazer com que a contemplação descanse da animação permanente da tela da TV e permite uma abordagem mais refletida ou mais sensível de qualquer obra visual .

Embora a possibilidade de um cartaz pertencer a mais de uma dessas classes seja bastante factível. O cartaz de teatro, por exemplo, pode ser entendido como um veículo que faz a publicidade de um evento cultural. Da mesma forma que qualquer cartaz pode se tornar uma peça decorativa. Em todos os casos considera-se que seja imagem informação conforme menciona em sua entrevista a atriz e programadora visual Sylvia Heller (198-?, p. 155) Eu não dividiria imagem e informação. Creio que é uma coisa só- a imagem é a informação, a informação é a imagem . Acrescenta ainda a entrevistada que sente falta da data e da assinatura no cartaz [...] é uma coisa importantíssima; às vezes você vê um cartaz maravilhoso e não sabe quando ele foi feito. Noto também a falta de assinatura . Esses aspectos levantados por Heller são alguns uns dos principais problemas para o documentalista. E, de fato a quase totalidade desse tipo documental não possui data e nem o nomes dos responsáveis pela sua criação e impressão.

O cartaz é um tipo de produção gráfica que lança mão dos mais diferentes recursos, tais como; o desenho, a fotografia, as palavras e os textos para compor uma imagem que quer comunicar uma mensagem. Dessa forma, a imagem cartazística permite que seja observada, em última instância, como imagens possuidoras de mensagens, cuja criação teve a intencionalidade de difundir, em massa, uma idéia, um produto ou um serviço a um grupo social pertencente a um tempo e a um espaço determinados. Dessa forma, todo cartaz faz um apelo para ser entendido no contexto da sua criação e veiculação.

A história do cartaz publicitário tem suas origens ligadas a técnicas rudimentares de reprodução, como é o caso da litografia19. O processo litográfico baseia-se no princípio da repulsão entre a água e as substâncias oleosas, pedra de calcário e placa de zinco ou alumínio,

Técnica de impressão que foi inventada, em Munique, no ano de 1786, por um compositor e autor de peças de teatro húngaro, Aloys Senefelder, que viveu entre 1771 e 1834, ao procurar imprimir, a baixo custo, as suas próprias partituras musicais. Essa invenção revolucionou o desenvolvimento das artes gráficas e serviu de base às modernas técnicas de impressão, nomeadamente a offset, hoje a mais conhecida e a que melhor atende às necessidades de qualidade e rapidez da impressão gráfica contemporânea.

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para servir de base. Em 1816 abre-se em Paris a primeira impressora litográfica. Essa técnica permite a produção e difusão de imagens gráficas em massa.

Tal como mencionada, a imagem gráfica, em forma de cartaz, tem como local de nascedouro a Alemanha e é considerada uma forma de manifestação artística. As primeiras impressões cartazísticas surgem por processo de xilogravura, no sul da Alemanha, no início do século XV. A xilogravura desempenha um papel especial na história da arte do século XX. Os expressionistas foram os primeiros a descobrirem o impacto e a força da técnica xilográfica. Algumas décadas mais tarde, surgem as gravuras em cobre e água-forte20. Os pintores e ilustradores logo adotaram essa técnica e deram-lhe a importância que até hoje elas têm. Rapidamente as gravuras se propagam por toda a Europa e são usadas na propaganda, a exemplo dos cartazes comerciais no estilo Art Nouveau. Na virada do século XIX para XX, a oficina de artes gráficas Bauhaus faz a aproximação dessa área com o setor comercial, causando um impulso de alcance nternacional para esse tipo de arte. Após a Segunda Guerra Mundial, artistas alemães experimentam novos caminhos do design artístico através da impressão silk screen desenvolvida, também nos Estados Unidos da América, o que permite que se dê um novo salto dessa modalidade artística. Muitos artistas são atraídos pela experimentação das novas técnicas e com isso ampliam as possibilidades de expressão estética. Ao mesmo tempo, criam pequenas edições elitistas com tendência à unicidade, que só são distribuídas via galerias, comércio de arte, colecionadores e entusiastas. (SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Cultura [198-?]).

Dessa maneira, formam-se os expressivos acervos de artes gráficas modernas e os desenhos se encontram em coleções gráficas estatais, que foram durante muito tempo conhecidas pelo nome de gabinetes de estampa . Por razões de conservação, os trabalhos são mostrados somente em exposições, cujos dossiês podem ser consultados à semelhança dos livros de referência em uma biblioteca. No Brasil, muitos cartazes do final do século XIX e primeira metade do século XX, como já mencionado, além dos locais públicos e dos vagões de bonde, foram também publicados nas revistas ilustradas da época.

Nos cartazes, os elementos naturais ou construídos que estampam os diferentes cenários dos ambientes internos e externos, aparecem como representados de forma iconográfica de tal maneira que sugerem, além de cores, formas e objetos simbólicos, estarem

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Termo usado até o século XVII para designar o ácido, quando diluído em água, atualmente chamado de acido nítrico. Usado no processo de calcografia em que a imagem obtida na impressão é fixada sobre uma chapa metálica após a corrosão dos traços do artista, pelo ácido nítrico. Passou a designar, além do processo, a matriz usada para a impressão e a própria gravura concluída. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br> acesso em 22 de jan. 2007.

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carregados de subjetividades nas relações de proximidade e de distanciamento, de afeto e de repulsa, de enaltecimento ou de desprezo. Nesse sentido, para a pesquisa que ora se enseja, consideram-se importantes as contribuições teóricas do filósofo e crítico literário francês Gaston Bachelard (2000) em relação à poética de que todo e qualquer espaço é possuidor. Esse autor propõe uma análise detalhada para se detectar a simbologia dos lugares naturais ou construídos pelo homem, em busca dos sentidos por eles guardados. A título de exemplo de análise, ele se reporta à casa-ninho, do porão ao sótão, à concha, aos lugares públicos e privados. Ele demonstrou que sempre há estética, ou poesia e sentidos profundos de valoração em todos os locais em que o homem atua.

A análise de conteúdo das imagens possibilita a elaboração textual, que contenha as descrições de paisagens, de personagens, pessoas, animais, plantas e tantos outros distintos e inusitados elementos. Indicam a ação que ocorre num tempo e espaço determinados, requerendo análises pormenorizadas a fim de revelarem ao intérprete-analista os seus sentidos e significados mais explícitos assim como também, os latentes.

O olhar atento procura os modos de funcionamento da linguagem iconográfica onde o poético se associa à função metalingüística e se presta a uma espécie de desvendamento de códigos. Para tal se vale, também, da função conativa, que no caso da publicidade, ou de qualquer comunicação de massa, é usada como uma linguagem de persuasão e de convencimento do espectador. Assim, as imagens permitem que sejam análise e representações na forma de textos narrativos, a partir da observação dos elementos presentes em texto literário.

A importância dos cartazes se mantém viva e pode ser percebida pelas diversas exposições que traduzem os esforços em reunir e apresentar os mais inusitados aspectos da criatividade das artes gráficas, do gosto pelo colecionismo e da importância do arquivo documental para a pesquisa sobre as artes gráficas, em geral, e a arte cartazística, em particular. As imagens, embora ainda pouco exploradas pelos pesquisadores sociais, das fontes documentais, construídas como decorrência dos processos de comunicação que derivam dos diversos atores, ações que ocorrem num determinado tempo e espaço são importantíssimas e indispensáveis para as análises qualitativas (BERGER; LUCKMANN, 1979). Não se pode negar que o cartaz é uma das estratégias publicitárias das mais eficazes, pois tem sobrevivido ao surgimento de muitos outros meios de comunicação ou informação, sem que nenhum deles tenha superado sua praticidade ou obscurecido seu valor, no âmbito das artes gráficas. A publicidade sempre esteve associada à busca de responder às necessidades, à felicidade, à afluência ou à satisfação dos desejos mais íntimos. (MOLES,

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1974). A intencionalidade primeira da produção cartazística é a de persuadir, quem diante de um cartaz passar, visando o consumo de algo que satisfaça os seus desejos, mesmo que esse algo seja uma oferta de cultura . Não se pode negar que a publicidade está a serviço dos meios de produção, do capital, do status quo eda consagração dopoder e da dominação.

No entanto, o foco de atenção do presente estudo é a imagem de cartaz e similares enquanto documento que possui componentes informativos e estéticos. Como ressalta Moles (1974), pode ser considerado como uma arte inserida na vida cotidiana, próxima e espontânea. Dessa forma, ele concentra-se na imagem fixa , resultante das análises semânticas onde aparece uma correlação entre imagem e imagem fixa , nesse aspecto opondo-se às imagens de filmes e da televisão que operam em um tempo exterior da mensagem pelo fato de se desenrolar diante do expectador (MOLES, 1974, p. 18). Diferente da imagem que acompanha uma matéria de jornal ou revista facilmente transportável e observada de perto, o cartaz é colocado frente aos olhos, fixado em paredes de locais públicos ou quadros de avisos, de tal forma que se é atraído para observá-lo, sem que se necessite tê-lo nas mãos.

Segundo Moles (1974, p. 20) o cartaz é um tipo de imagem comentada, cujo sentido se constrói tão-somente por intermédio de uma palavra ou de um texto escrito [...] onde o binômio imagem mais comentário é indissociável . Portanto, raramente encontra-se um cartaz de pura imagem, que se exprima somente pela força da imagem e daí totalmente desprovido do sistema semântico. O sistema de cores, também, além de elemento de estetização, pode fazer parte da mensagem subliminar.

O cartaz, como já mencionado, é um mecanismo publicitário e uma das formas modernas de arte na cidade. Um número considerável de cartazes é promovido por instituições que simplesmente querem levar ao conhecimento público suas políticas, objetivos e ações. Para tanto, se servem das mesmas técnicas para exporem em forma de imagens e texto as mensagens, que traduzam inclusive, seus valores simbólicos. Moles (1974) faz referência ao fato de que nos países não-capitalistas, há também muitos cartazes, expostos pelas cidades. A diferença entre propaganda e publicidade é muito sutil. A propaganda é a promoção de idéias, bens ou serviços por um patrocinador identificado. A publicidade é um estímulo à procura por um produto ou serviço fazendo-se uso de uma mídia (KOTLER,1996, p.398).

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