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4 Analysis: Remembering Babylon

4.2 Character analysis – the crossing of borders

4.2.3 Mr. Frazer

O infanticídio e o suicídio estão entre as complicações mais graves decorrentes de transtornos puerperais sem intervenção adequada. (Camacho, 2006)

Embora episódios de auto-agressão e suicídio sejam menos comuns durante a gravidez e o puerpério se comparados a outros momentos da vida da mulher, o suicídio e as mortes advindas de condições psiquiátricas – usualmente por abuso de substâncias – respondem por quase 10% de todas as mortes maternas registradas no Reino Unido, conforme relatório do Departamento de Saúde daquele país. Essas mortes representam a maior causa singular de morte materna no país, considerada inclusive mais comum do que complicações por anestesia ou eclampsia. (Oates, 2000)

Além dessas, quando subdiagnosticados e não tratados, os transtornos puerperais podem ser prejudiciais não apenas para a saúde e o equilíbrio emocional materno, mas também para a relação conjugal e para os filhos, podendo levar a efeitos adversos a longo prazo.

Não há consenso na literatura, mas alguns estudos sugerem que parceiros de mulheres com DPP pós-parto têm risco elevado de sofrer episódio depressivo. (Silva, Piccinini, 2009; Pinheiro et al, 2006) Silva e Botti (1005) apontam que a depressão masculina pode ter origem nos sentimentos de exclusão face à díade mãe-bebê, possivelmente pelo fato de homens e mulheres iniciarem a transição para a parentalidade em momentos e formas distintas. A diminuição da atenção ao

companheiro por parte da mulher também pode estar relacionada a esta sensação de exclusão, e o aumento da responsabilidade em torno não apenas do bebê, mas também da nova mãe pode contribuir para o desencadeamento da depressão. (Kaplan, Sadock, 2004) Além disso, quando muito prolongada, a presença de um transtorno emocional pode levar à separação de casais, principalmente se estiver relacionada a jovens e às adversidade sociais. (Oates, 2000; Milgrom, McCloud, 1996)

Em relação ao período pré-natal, a depressão durante a gravidez está associada ao menor cuidado pré-natal, incluindo má nutrição e hábitos de sono irregulares. (Zinga et al, 2005) Alguns pesquisadores tentam associar a presença de transtornos de humor maternos a repercussões negativas sobre o feto. (Felix, 2008; Smith et al, 2008) Diego et al (2006) demonstram que o aumento do cortisol na gestação – como efeito de estresse e/ou sofrimento psíquico – está relacionado à diminuição do peso fetal.

Transtornos de ordem psiquiátrica têm sido foco de preocupação dos pesquisadores pelos efeitos que podem provocar no desenvolvimento infantil, mesmo quando há remissão da patologia original. (Engle, 2009; Frizzo, Piccinini, 2005; Barnett et al, 1991)

A ansiedade materna no pós-parto reduz a capacidade de enfrentamento, a reatividade e a sensibilidade, aumentando os sentimentos de ineficácia no desempenho do cuidado com a criança. (Perosa et al, 2009; Britton, 2005) Transtornos de ordem afetiva tenderiam a afetar a disponibilidade cognitiva e emocional materna, com efeitos devastadores na relação mãe-bebê. (Frizzo, Piccinini, 2005) Estudos mostram que mães em sofrimento emocional tendem a ser mais hostis, menos afetuosas e estimulam menos os seus bebês. (O’Hara et al, 1990; Field et al, 1985)

As consequências da ansiedade materna não se limitam ao período do puerpério, mas têm efeitos em longo prazo. Mães com altos níveis de ansiedade no pós-parto, cinco anos após o nascimento da criança, apresentaram os indicadores mais numerosos de patologias psicossociais e de sinais de desadaptação de seus filhos

quando comparadas a mães com baixos níveis de ansiedade no pós-parto. (Barnett et al, 1991)

Phares et al (2002) afirmam que em famílias onde um dos genitores apresenta depressão há menos coesão, menos adaptação, menos envolvimento e apresentam mais superproteções. Tendo em vista que as relações com os primeiros cuidadores servem como modelo para futuras relações, a presença da DPP pode ter um efeito nos padrões interativos próprios do bebê e da futura criança. (Schwengber, Piccinini, 2003; Bowlby, 2002; Field et al, 1985)

Ainda assim, as perturbações psíquicas muitas vezes são negligenciadas não apenas por familiares ou profissionais de saúde, mas principalmente pelas próprias puérperas que, frente às expectativas sociais de que estejam felizes e satisfeitas, tendem a ter dificuldade em reconhecer ou admitir a presença de um sofrimento emocional em um momento que supostamente deveria ser vivenciado com alegria, sentindo-se culpadas e temendo uma possível estigmatização. (Canavarro, 2001; Zucchi, 1999)

Frente às graves consequências que transtornos psiquiátricos subdiagnosticados podem levar, quanto mais precocemente ocorrer a percepção de sinais e sintomas mais rapidamente poderá ocorrer a intervenção necessária para a remissão do quadro, evitando assim os impactos negativos para mãe, bebê e familiares. (Santos Junior et al, 2009)

O Departamento de Saúde da Grã-Bretanha inclusive já sugere uma modificação na estrutura já existente das rotinas de pré e pós-natal para incluir a triagem de mães que estejam no grupo de risco para o desenvolvimento de algum transtorno psiquiátrico no pós-natal, visando à detecção e intervenção precoce. (Oates, 2000)

O diagnóstico de alguns transtornos pós-parto é difícil, pois não há um consenso final do próprio diagnóstico. A sobreposição de sintomas pode dificultar a escuta diagnóstica quando não realizada por profissionais experientes e especializados. Nesse sentido, evidenciou-se a partir da década de 60 o uso de escalas de rastreamento em psiquiatria. (Schardosim, Heldt, 2011)

Existem diversas escalas de rastreamento de alterações emocionais, variando conforme categorias de sintomas: sintomas de humor depressivo, somáticos, motores, comportamentos sociais, aspectos cognitivos, ansiedade e irritabilidade. Para os estudos de transtornos do puerpério os instrumentos mais frequentemente encontrados são: Edinburgh Depression Postnatal Scale (EPDS), Postpartum Depression Screening Scale (PDSS), Hopkins Symptom Check List (SCL-25), Self- Report Questionaire 20 (SRQ-20), Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D) e Inventários Beck. (Schardosim, Heldt, 2011; Hewitt et al, 2009).

A EPDS é a escala mais utilizada mundialmente para o estudo da DPP. (Hewitt, 2009; Santos, 1999; Cox et al, 1987)

2.2 Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS)

Em 1987 foi desenvolvida por Cox, Holden e Sagovsky a “Edinburgh Postnatal

Depression Scale” (EPDS) ou “Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo”,

tendo como objetivo auxiliar profissionais de saúde da rede primária a detectar mães que estejam mais propensas a desenvolver depressão no período pós-parto. Para tanto, os autores consideraram que, para ser útil na triagem da DPP, o instrumento deveria estar totalmente adaptado a mulheres que, no momento da aplicação, poderiam não estar se sentindo bem ou estar necessitando de cuidados médicos. Dessa forma desenvolveram um instrumento de auto-aplicação simples, de fácil e rápido preenchimento, que não necessita da presença de um especialista em psiquiatria para a sua avaliação. (Cox et al, 1987)

Essa escala é composta por 10 enunciados, cujas opções são pontuadas de acordo com a presença ou intensidade do sintoma. Cada resposta pode ser pontuada de 0 (zero) ponto – para a ausência de sintomas – a 3 (três) pontos – para maior gravidade e duração dos sintomas. A somatória dos pontos obtidos perfaz um escore total de 30 pontos. Segundo os autores, escores de 00 a 09 pontos podem indicar a presença de alguns sintomas de angústia, geralmente de curta-duração e menor probabilidade de interferir na capacidade funcional diária em casa ou no trabalho. Entretanto, se esses sintomas persistirem por mais de duas semanas, uma