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Motivasjon,  målsettinger  og  suksess

2   Teori

2.1   Entreprenørskap  og  forretningsutvikling

2.1.2   Motivasjon,  målsettinger  og  suksess

A vida, como afirma Morin, só é possível a partir das forças de religação, que são frágeis e que lutam constantemente, para superar a desintegração. Assim, ele recorre a filosofia de Heráclito: ‘viver de morte, morrer de vida’. E continua: “a vida resiste à morte utilizando a morte”. São a forças de religação em luta com a dispersão que garantem a vida, “mas são essas forças de religação que, depois dos núcleos, dos átomos e dos astros, criaram na Terra as moléculas, as macromoléculas, a vida” ( 2007a, p. 32).

Dentro desta concepção de vida como força de religação, Toro propõe (1997, p. 38): “a solução proposta pela Biodanza consiste em abandonar esses padrões culturais alienantes, para permitir a expressão dos padrões biológicos arcaicos, destinados a restabelecer a ordem no organismo”. Para ele, isto é uma reaprendizagem das funções originárias da vida, através da conexão com nossos instintos, cuja função é de conservação e de continuidade da vida. É importante ressaltar, como diz Morin (2007a, p. 49-50), que na nossa identidade humana, em nossa singularidade, carregamos, não somente toda a humanidade, mas o cosmo, com seu mistério que flui no profundo do nosso ser. Assim, ele nos lembra de que somos um microcosmo do universo e da vida.

4.1.1 A Religação entre os Seres Humanos

Morin tece vários comentários para falar da religação para manter a continuidade da vida, que é compreendida como a força da vida que integra, que supera a separação. É um retorno às origens, um retorno às fontes cósmicas como uma religação primordial. Esta religação se faz no circuito indivíduo/espécie/sociedade. Estes termos de modo entrelaçados são meios e fins uns dos outros. Contudo, as finalidades do indivíduo humano não se reduzem na vivência para a espécie, nem na vivência para a sociedade. É aspiração do indivíduo, o viver plenamente a vida, através de suas finalidades individuais: felicidade, amor, bem-estar, ação, contemplação, conhecimento, poder, aventura...

Assim, este autor nos diz: “Precisamos de religação, pois estamos numa aventura desconhecida. [...] As fontes de angústias existentes levam-nos a necessitar de amizade, amor e fraternidade, os seus antídotos” (MORIN. 2007a, p. 104). Assim como Maturana, que apresenta o amor como a emoção que fundamenta a sociedade e nos torna humanos, na aceitação total do outro como legítimo outro, Morin ressalta que “é o amor a experiência fundamental de ligação dos seres humanos” (p. 107).

Nossa condição humana e cosmológica é marcada pelo princípio da incerteza, como afirma Morin. Por isso precisamos de religação e solidariedade. Quando pensamos em nós, seres humanos, no processo de desenvolvimento de uma ética de religação, estamos nos dando conta desta incerteza e, mesmo criando as possibilidades de superação, vivemos apenas na aposta da vida, acreditando que esta interliga e supera as dispersões. O nosso percurso é sempre incerto.

Para Morin, a barbárie está em todos nós. Portanto, “a resistência à crueldade do mundo e a resistência à barbárie humana são as duas faces da ética, cuja primeira exigência é de não ser cruel e não ser bárbaro. A ética remete-se para a tolerância, a compaixão, a mansidão e a misericórdia (2007a, p. 200). Fala da confiança na aposta por uma ética de religação, que é uma religação pela sobrevivência da humanidade, que em nível humano deve se realizar na fraternidade e no amor. É união na separação. É também religação à terra, como nossa pátria comum (2007, p. 195). Buscamos através de Morin, um outro olhar, conciliando e dialogando com o que parece inconciliável, com noções simultaneamente complementares e antagônicas, aliando o inteligível e o sensível, em que o imaginário, o mítico, o lazer, a dança, o sagrado, a prosa e a a poesia são apenas alternância ou mistura de tudo que é a realidade, ou a própria vida.

Por isso, uma educação para um ser humano feliz e ético não pode esquecer-se da ambiguidade que somos, e do amor que interliga, pois “a solidariedade, a amizade e o amor são cimento vital da complexidade humana”(MORIN, 2007a, p.36). Assim, este autor nos diz que no paradoxo do nosso viver, há força de regeneração que nos interliga, onde o amor é a expressão superior da ética, e experiência fundante da religação dos humanos (p.37).

4.1.2 A Religação com a Terra

Para obter uma nova compreensão da nossa condição humana e terrestre é preciso superar as dicotomias, através da reforma do pensamento. É o que propõe Morin. Em vista de uma nova compreensão de nossa condição humana, na perspectiva utópica de um ser humano com atitudes e concepções diferentes, se faz necessário uma educação que estimule uma civilização planetária inspirada em novos valores, contrapondo a competição e a dominação à cooperação e complementaridade nos vários níveis de nossas relações. Na expressão de Morin, precisamos aprender a ser deste Planeta Terra, a estar aqui; o que significa aprender a viver, a dividir e nos comunicar como humanos do planeta, a sermos terrenos, e não apenas pertencentes a uma determinada cultura(2002, p.76).

Só que esta compreensão de que somos seres planetários, e em relação com tudo e com todos é ainda muito iniciante, pois a nossa visão de mundo e nossos modelos de conhecimentos, da forma como estão estruturados, ainda enfatizam o conhecimento lógico e objetivo, em detrimento da subjetividade, da emoção e da intuição. É pertinente a reflexão de

que a educação ainda não responde às questões mais profundas e desafiadoras da atualidade. Uma delas é o nosso pertencimento à Terra.

Considerando o paradigma da complexidade, busca-se um olhar a partir dos nexos e interdependência, para obter uma outra compreensão do ser humano. No dizer de Morin, somos a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico. Só que ele faz uma crítica, colocando que esta unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educação, por meio das disciplinas. Quanto mais ficamos na divisão, menos possível se torna apreender o que significa ser humano. É necessário que cada um tome conhecimento e consciência de sua identidade complexa e, ao mesmo tempo, de sua identidade comum a todos os outros humanos, e também o reconhecimento da nossa identidade terrena. Este deveria ser um dos principais objetivos da educação (2002, p. 15).

Assumir o nosso destino cósmico, físico, biológico é assumir a morte, mesmo combatendo-a. Não há refutação para a morte. De acordo com Morin, todo destino de um ser é trágico. Mas sabemos e experimentamos uma afirmação humana do viver na poesia, na religação e no amor. “A ética é religação e a religação é ética” (MORIN, 2007a, p. 39).

Sobral nos diz que ética é o amor e que sem um vínculo amoroso não pode existir ética. Não é possível diferenciar um profundo estado de amor sem uma conexão com a ética. A ética está além da lei, não é só a capacidade de se ajustar ao meio. Mas é capacidade de amor e de vínculo. O ser humano não pode maltratar a ninguém, sem que isso não o atinja. Só evoluímos de mãos dadas, na relação com o outro e na experiência de totalidade e de pertencimento.