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2.8 MOSOP as a Case of African Formation of Indigenous Social Action

A avaliação da simulação CTR realizada através do modelo LOVECLIM é feita a partir da comparação com dados de reanálise provenientes do NCEP/NCAR e do COADS.

Em função da simplicidade da componente atmosférica do LOVECLIM, observa-se uma boa concordância para a T2m (Figuras 3.2a,b), principalmente para a média zonal (Figura 3.2c). Entretanto, existem regiões onde as diferenças entre a simulação CTR e os dados de reanálise são maiores (Figura 3.2). Por exemplo, para a região leste da Antártica (entre 60°O e 60°L de longitude) onde a temperatura simulada é menor do que na reanálise, enquanto que para a região oeste da Antártica (entre 180°O e 90°O de longitude) a temperatura simulada é maior. Outras diferenças são observadas em regiões montanhosas, como o Tibete, a Groenlândia, as Montanhas Rochosas (Estados Unidos) e sobre o Ártico. Nessas regiões, a temperatura simulada pelo LOVECLIM é mais baixa quando comparada com os dados de reanálise do NCEP. Este efeito é mais evidente nas regiões parcialmente cobertas por gelo ou neve.

Outra grande diferença é com relação à simulação do gradiente térmico meridional, o qual é menos intenso para a costa leste da América do Norte e Ásia. Nota-se, também, que o modelo LOVECLIM apresenta maior temperatura que as observações na região tropical oceânica, principalmente devido a problema em simular o efeito de cisalhamento do vento. É importante destacar que o modelo LOVECLIM apresenta uma deficiência em representar a estrutura da língua fria no Pacífico e a estrutura equatorial do Atlântico. Com relação à temperatura média zonal, o LOVECLIM reproduz satisfatoriamente os padrões observados. A maior diferença entre o modelo e as observações está localizada ao norte de 65°N (Figura 3.2c). As anomalias negativas de temperatura podem ser explicadas, em grande parte, devido à tendência do LOVECLIM em superestimar a espessura do gelo marinho, o que isola a atmosfera e corta o fluxo de calor sensível do oceano abaixo.

Figura 3.2 – Temperatura média anual do ar a 2m (°C). a) simulada pelo LOVECLIM, b) reanálise do NCEP e c) linha preta: média zonal do LOVECLIM, linha vermelha: média zonal da reanálise do NCEP. Com relação à precipitação, nota-se que os valores observados e simulados na região equatorial, associados à ZCIT, são superiores a 150 cm/ano (Figuras 3.3a,b). As diferenças mais significativas entre os dois conjuntos de dados ocorrem na região oeste do Pacífico subtropical, onde a precipitação associada com a convecção na piscina de água quente (PAQ) é subestimada pelo LOVECLIM. McPhaden (1999) e Nof e Gorder (1999) denominaram como PAQ do Pacífico as águas situadas predominantemente na região oeste deste oceano que apresentam temperaturas superiores a 29ºC. Para a floresta tropical no Brasil e na África central, a precipitação simulada pelo LOVECLIM é aproximadamente 35% menor que a reanálise do NCEP. Em decorrência da representação deficiente associada aos processos convectivos, observa-se que condições de secas são simuladas para ambos os hemisférios ao longo de 45°S e 45°N (Figura 3.3c). Entretanto, modelos de maior complexidade também apresentam problemas em simular a precipitação na zona equatorial (Justino, 2004).

Figura 3.3 – Precipitação média anual (cm/ano). a) simulada pelo LOVECLIM, b) reanálise do NCEP e c) linha preta: média zonal do LOVECLIM, linha vermelha: média zonal da reanálise do NCEP.

A TSM simulada pelo LOVECLIM mostra uma razoável concordância quando comparada com a climatologia do COADS (Figuras 3.4a,b,c). Porém, em função do resfriamento em altas latitudes, a média global da TSM é aproximadamente 0,5°C mais baixa do que a média da TSM observada pelo COADS. O LOVECLIM simula um aquecimento para o Atlântico Norte e para os Mares do Norte, em função da fraca advecção de ar frio do leste da Sibéria e Canadá durante o inverno boreal. Nas regiões subtropicais, o modelo mostra condições de aquecimento para o Atlântico e leste do Pacífico, devido à subestimativa para o vento zonal à superfície, o qual reduz o processo de ressurgência. Além disso, o LOVECLIM e as observações apresentam diferenças em áreas de formação de stratocumulus marinho, isto é, sobre a costa oeste da África e da América do Sul. Estas áreas são caracterizadas por forte ressurgência, que é subestimada pelo LOVECLIM. Para a média zonal da TSM (Figura 3.4c), o LOVECLIM e o COADS mostram um padrão bastante semelhante, tanto na distribuição como na magnitude. Isto sugere que, apesar das

diferenças locais da TSM entre o LOVECLIM e as observações, a dinâmica da atmosfera associada com o gradiente térmico meridional não é afetada globalmente.

Figura 3.4 – TSM média anual (°C). a) simulada pelo LOVECLIM, b) reanálise do NCEP e c) linha preta: média zonal do LOVECLIM, linha vermelha: média zonal da reanálise do NCEP.

A partir da distribuição vertical do vento zonal (Figura 3.5), é possível observar que o LOVECLIM simula de forma mais fraca as correntes de jato em 200 hPa, quando comparado com a reanálise do NCEP (Figuras 3.5a,b). Segundo Justino (2004), a fraca corrente de jato é explicada, em parte, pela fraca simulação dos vórtices transientes e estacionários. Como a distribuição do vento está relacionada diretamente com o gradiente térmico, o LOVECLIM também subestima os ventos de oeste (45°S e 45°N) e os ventos de leste (região equatorial) em 500 hPa e 800 hPa (Figuras 3.5c,d,e,f). Nota-se que esta subestimativa dos ventos de leste é parcialmente responsável pela deficiência do modelo oceânico em simular corretamente a língua fria e a PAQ do Pacífico, além da estrutura equatorial do Atlântico. Como discutido anteriormente, o LOVECLIM apresenta um gradiente

térmico meridional mais fraco que as reanálises do NCEP. Apesar das diferenças existentes, a distribuição vertical do vento zonal é razoavelmente representada pelo LOVECLIM quando comparada com os dados de reanálise. Além disso, Gomes (2009) destaca que para o Hemisfério Sul, os giros anticiclônicos associados aos sistemas de alta pressão, são bem representados pelo LOVECLIM com magnitudes muito próximas ao NCEP.

Figura 3.5 – Distribuição vertical do vento zonal (m/s). a) simulada pelo LOVECLIM em 200 hPa, b) reanálise do NCEP em 200 hPa, c) simulada pelo LOVECLIM em 500 hPa, d) reanálise do NCEP em 500 hPa, e) simulada pelo LOVECLIM em 800 hPa, f) reanálise do NCEP em 800 hPa.