6.4 Social interaction and structural elaboration
6.4.1 Morphogenesis or morphostasis in structural properties affecting rural
O questionário aplicado aos moradores continha questões abertas, semiabertas e
fechadas, sendo dividido em oito partes: identificação, informações socioeconômicas do
entrevistado, informações ocupacionais do entrevistado, informações sobre consciência
ecológica, informações sobre a Serra de São José, informações sobre a disposição a
pagar e a disposição ao trabalho voluntário, informações sobre participações e
contribuições para outras associações e informações adicionais (Apêndice C).
Para testá-lo, fez-se uma pesquisa piloto com dez pessoas, que foram
entrevistadas em suas residências, sendo uma pessoa em cada bairro de Tiradentes,
exceto os bairros Águas Santas e César de Pina. A partir da pesquisa piloto, observou-se
que alguns ajustes deveriam ser feitos no questionário para torná-lo mais
compreensível. Feito isso, procedeu-se à pesquisa de campo nos 12 bairros da cidade.
Tendo em vista que a confiabilidade da estimativa do valor econômico deriva da
simulação de um cenário ou um mercado hipotético mais próximo da realidade do
entrevistado, este foi exposto no questionário como sendo uma associação, sem fins
lucrativos, que seria criada por um grupo de moradores de Tiradentes. O objetivo dessa
associação hipotética seria conservar a serra na área que corresponde à APA tanto para a
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Pereira e Campos (2005) elaboraram uma lista contendo os bairros de Tiradentes com suas respectivas
ruas, juntamente com a quantidade de residências e estabelecimentos existentes em cada rua. Tais
estabelecimentos foram numerados de 1 a 2.291, que era o número total de residências e estabelecimentos
na ocasião da realização da pesquisa de campo. Usando a função aleatório do software Excel -
ALEATÓRIO()*(b-a)+a -, vários números aleatórios foram gerados entre a (1) e b (2.291). Com esses
números e possuindo a lista de bairros, identificou-se em qual rua e, portanto a que bairro pertencia cada
número aleatório. Esse procedimento continuou até atingir a quantidade de questionários que deveria ser
aplicada em cada bairro. Para encontrar a localização das residências sorteadas, utilizou-se um mapa da
cidade de Tiradentes, que foi cedido pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG).
visitação do morador no presente (VUD) quanto para a visitação futura do mesmo e de
suas gerações futuras (VO), se assim elas desejassem. A associação também tinha o
objetivo de preservar a serra na área que corresponde ao REVS para proteger a flora e a
fauna, principalmente as libélulas (VE).
É importante dizer que em Tiradentes existem associações não governamentais,
tais como a Sociedade Amigos de Tiradentes (SAT) e o Corpo de Bombeiros
Voluntários, que buscam proteger o patrimônio natural da serra; ou seja, os moradores
de Tiradentes estavam familiarizados com o cenário criado neste estudo. Dessa forma,
buscou-se evitar a ocorrência do viés hipotético.
Visto que ao simular um mercado é necessário vincular ao mesmo um
instrumento de pagamento, para a DAP definiu-se uma contribuição financeira mensal
destinada à associação, utilizando para isso um carnê, enquanto para a DATV
estabeleceu-se uma contribuição com trabalho voluntário para a referida associação.
Aqueles moradores que estavam dispostos a trabalhar voluntariamente escolheram
qual(is) trabalho(s) voluntário(s) preferiam desempenhar, conforme suas aptidões.
Podiam escolher no máximo três trabalhos. A associação disponibilizava os seguintes
trabalhos voluntários:
Auxiliar na elaboração de panfletos que divulguem a importância da
conservação da Serra de São José;
Redigir ofícios que alertem as autoridades públicas os fatores que estão
degradando a serra, requerendo ações efetivas que a protejam;
Participar de um programa de rádio que divulgue a fauna e a flora que existe na
serra e outras informações sobre a mesma;
Participar da entrega de panfletos aos turistas, informando-os sobre a relevância
histórica, ecológica e cultural da Serra de São José;
Participar de um grupo que visita as escolas da cidade para conscientizar
estudantes sobre a importância da conservação da Serra de São José (educação
ambiental);
Ajudar a fazer placas que indiquem as trilhas que já existem na serra;
Participar de caminhadas ecológicas na serra;
Ajudar a recolher os lixos deixados na serra;
Trabalhar de vigilante;
Auxiliar o Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes quando ocorrerem
incêndios na serra;
Trabalhar em uma casa que reúna a literatura científica sobre a serra;
Auxiliar na execução de pesquisas científicas; e
Outro – opção aberta, na qual o morador especificava o trabalho voluntário que
desejava fazer.
A confiabilidade também depende da veracidade das informações contidas no
questionário e de como as perguntas da DAP e da DATV são elaboradas. Por isso, no
questionário, foram utilizadas informações de fontes confiáveis para expor ao morador a
biodiversidade existente na serra. Também, a DAP e a DATV foram indagadas de
forma a evitar vieses, qual seja: “Dada a sua renda, você está disposto a contribuir para
essa associação conservar e preservar a Serra de São José?” e “Levando em conta sua
quantidade de tempo livre, você está disposto a trabalhar voluntariamente nessa
associação para conservar e preservar a Serra de São José?”. Se as respostas fossem
afirmativas, os moradores também respondiam quanto pagariam por mês e quantas
horas trabalhariam por semana. Contudo, se as respostas fossem negativas, eles
respondiam às razões pelas quais não estavam dispostos a pagar e a trabalhar
voluntariamente. Ou seja, buscou-se elaborar um questionário que contornasse ou pelo
menos minimizasse a ocorrência de vieses, garantindo assim a confiabilidade dos
valores econômicos estimados.
Outro aspecto considerado na elaboração do questionário é que o MVC requer
que o entrevistado entenda que melhorias ambientais ou danos ambientais são capazes
de alterar seu nível de bem-estar. Por essa razão, avaliou-se a consciência ecológica dos
moradores pela seguinte pergunta:
“Você acredita que danos ambientais como
queimadas, poluição dos corpos de água e desmatamentos, entre outros, podem
prejudicar sua qualidade de vida e saúde? Por quê?”. Especificamente, indagou-se aos
moradores se eles tinham conhecimento dos principais problemas ambientais que
ocorriam na serra; em caso afirmativo, solicitava-se que citassem tais problemas.
Ademais, por meio da questão “A Serra de São José é importante para você? Por quê?”,
procurou-se identificar quais razões tornavam ou não a serra importante para o
morador, verificando assim sua perspectiva pessoal quanto aos serviços ambientais
providos por ela.
Outras questões foram feitas aos moradores, tais como se tinham o
conhecimento de que a serra era uma APA e um REVS, se visitavam a serra atualmente,
qual era o principal motivo que os levaram a visitá-la, se pretendiam visitá-la
futuramente etc. Também foram indagados quanto às contribuições com recursos
financeiros e com trabalho voluntário para associações. Por último, manifestaram sua
opinião sobre a criação de um parque estadual na Serra de São José.
Dessa forma, coletaram-se vários dados, os quais foram codificados e
posteriormente tabulados para serem analisados. As respostas das questões abertas e
semiabertas do questionário foram agrupadas conforme a sua similaridade.