8. Avrunding
8.3. Moglege effektar av den svenske tannhelsereforma
O legado desta geração foi a consolidação da mescla de misticismo oriental e física moderna como parte integrante do repertório da Nova Era. A partir das leituras das obras de divulgação produzidas por eles, um sem número de adeptos e simpatizantes do movimento pode, posteriormente, encontrar referências e
parâmetros e criar, eles mesmos, suas próprias aproximações com os temas que mais lhes interessavam. A partir dos anos 1980 surgiram obras e textos que recorriam às ideias apresentadas nessas obras de divulgação para formular explicações para os florais de Bach, os discos voadores, a astrologia, o tarô, a homeopatia, a energia vital, a administração de empresas, etc. Hoje existem livros de teor semelhante aos escritos pelos jovens físicos da Califórnia, mas baseados
inteiramente em informações coletadas em obras de outros25, pois seus autores não
possuem formação acadêmica em física.
A profusão de literatura sobre MQ e misticismo consolidou um nicho literário. Desde o final dos anos 1980, seu expoente mais bem-sucedido tem sido o médico indiano residente no EUA Deepak Chopra, um antigo adepto da Meditação Transcendental. Chopra focou seu trabalho na articulação de conceitos da MQ com teses sobre meditação, doença, saúde e prosperidade, tornando-se o popularizador da expressão Cura Quântica, título de seu terceiro livro. Autor de 36 obras em pouco mais de duas décadas – em alguns anos, seu nome apareceu em quatro diferentes livros, o que suscita o comentário de que ele, hoje, apenas assinaria obras escritas por uma equipe – Chopra opera uma poderosa engrenagem comercial, que inclui também DVDs, CDs de músicas, seminários e palestras, estas a US$ 75 mil cada. Com ele, a combinação de MQ, misticismo e autoajuda alcançou novos níveis de sucesso, uma vez que seus livros já ultrapassaram a barreira dos 10 milhões de exemplares vendidos, somente em língua inglesa (HAMMER 2001 p. 312). Ele é o autor do prefácio de um dos primeiros livros de Goswami (JV), que surge como escritor justamente na última década do século 20. Vale à pena registrar que esse sucesso popular teve como uma de suas consequências uma reação crítica por parte de acadêmicos de áreas como física e estudos orientais, que questionaram a legitimidade tanto das ideias de Capra (JONES, 2008) quanto das dos demais escritores deste filão (JONES 2008; STENGERS 1995, 2009).
Ao analisar os autores que buscaram aproximar a MQ e o misticismo oriental, Hammer (2001, p. 302) se propõe a exprimir as ideias características de cada um, sob a forma de afirmações curtas e sintéticas. Em Capra, o elemento central é sua
25
defesa de que a MQ possui paralelos com o misticismo; Zukav traz a noção de que a MQ implica em sermos, cada um os “criadores de nossa realidade”; Talbot sustenta que a MQ legou uma base científica à religião; Wolf estabelece paralelos com a religiosidade xamânica; e Goswami é caracterizado pela afirmação de que “uma interpretação idealista da MQ pode curar nossa alienação”. Esse exercício de caracterização, ainda que breve, serve para mostrar que tais autores não estão apenas repetindo uns aos outros, ou seja, há distinções importantes, não apenas de ênfase, mas também de perspectiva. Por isso, no próximo capítulo, vamos nos debruçar sobre a trajetória de Goswami e suas ideias sobre física, religião, consciência e alienação, a fim de enxergar suas particularidades com mais detalhe.
É interessante notar que no fim do século 20 e início do 1 já podem ser encontradas obras com este perfil escritas por autores brasileiros, tais como Cavalcanti (2000) e Andreeta (2004). Até a busca de uma aproximação entre a física moderna e a Umbanda já foi proposta (ARAMATY, 2002). No século 20I, verifica-se também a iniciativa do Dalai Lama, líder espiritual do Tibet, prêmio Nobel da paz e uma das maiores autoridades vivas em budismo tibetano, de escrever um livro com suas próprias reflexões sobre os paralelos entre a MQ e o budismo (as quais, vale à pena ressaltar, revelaram-se mais comedidas quanto aos possíveis pontos de contato entre ambos).
Porém, a mais impactante novidade na área, sem dúvida, foi o documentário Quem somos nós, de 2004. Seus autores Willian Arntz, Betsy Chasse e Mark Vincent se conheceram quando frequentavam as palestras de J.Z.Knight, uma espécie de médium americana conhecida por “canalizar” um ser que se diz chamar Ramtha. Concebido despretensiosamente e realizado com poucos recursos por pessoas, que nunca haviam feito cinema anteriormente, o filme estreou em apenas um cinema. Graças à propaganda boca a boca e ao marketing viral por Internet, espalhou-se pelo mundo, e tornou-se também um sucesso comercial, ainda que modesto para os padrões hollywoodianos.
O filme combina uma história de ficção com trechos de entrevistas de cientistas, teólogos, profissionais de autoajuda e do próprio Ramtha. Os realizadores afirmam que não tinham nenhum contato prévio com os cientistas que entrevistaram.
Apenas Fred Alan Wolf, um dos jovens físicos da Califórnia, dos anos 1970, aparece no filme. Ele continua sendo um prolífico autor e requisitado conferencista. Foi quem escreveu o prefácio para o primeiro livro de Goswami, quando este ainda era um desconhecido professor de física da Universidade do Oregon. Goswami também aparece no filme, sendo um dos cientistas cujas falas foram mais apresentadas. Sua
participação em Quem somos nós revelou-se um poderoso elemento de
alavancagem, levando suas ideias e sua figura a milhões de pessoas.