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MODUL B: EU-TYPEPRØVING 1 EU-typeprøving – produksjonstype

Com o objectivo de realçar a existência, tal como o de proceder a um estudo comparativo tanto a nível do inventário existente como dos estilos pictóricos, das

possíveis pinturas China Trade presentes em Museus Nacionais, começou-se, desde o início do estágio realizado no Serviço de Património do Museu de Marinha, uma pesquisa por instituições que, independentemente do seu carácter público ou privado, detivessem no seu acervo exemplares de pintura China Trade.

Face a esta necessidade e dado o grande número de museus e instituições existentes em território nacional, foi necessário proceder a uma limitação geográfica que permitisse uma investigação o mais fidedigna possível, o alargamento ao país inteiro implicaria não só a necessidade de um maior período de tempo dedicado a essa procura, como também grandes deslocações a um diversificado número de locais. Assim, e por se localizar o Museu de Marinha, num dos pólos culturais da cidade de Lisboa, a limitação geográfica tem em vista somente museus e instituições localizados também eles na área da cidade de Lisboa.

A procura incidiu num leque de instituições nas quais existia uma maior possibilidade, quer fosse pela sua missão, ou pela sua temática, de existirem pinturas China Trade, entre as quais se destacam as colecções da Casa-Museu Medeiros e Almeida87, do Museu Calouste Gulbenkian, do Instituto de Investigação Científica Tropical88, do Museu do Oriente, do Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, do Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa89, e do Arquivo Histórico Ultramarino.

87 No acervo da Casa-Museu Medeiros e Almeida não existem actualmente pinturas China Trade, no entanto existem

dois espelhos de produção inglesa com reverse painting realizada na China cujo objectivo seria remetê-los de novo para o mercado europeu.

88 Através do contacto estabelecido pelo Museu de Marinha, foi-me comunicado pela Dra. Ana Godinho, que nas

colecções do IICT não existem exemplares. Realizei ainda pesquisas online, no Matriz Net para averiguar, por exemplo a existência de pinturas de exportação chinesa no Museu Nacional de Arte Antiga, contudo não obtive qualquer resultado

89 “À semelhança de outros museus coloniais europeus, foi sendo constituído, desde o século XIX, a partir de sucessivas

camadas de depósitos materiais distintos, cuja presença reflecte um complexo processo histórico” PEREIRA, Maria Manuela Cantinho, O Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa Modernidade, Colonização e Alteridade, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005. p. 13. Entre os finais do século XIX, e os princípios do século XX este museu foi adquirindo objectos artísticos interpretados à data como produtos coloniais. Idem. Ibidem. 310.

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De entre o conjunto acima mencionado, foram identificadas quatro instituições que, para além do Museu de Marinha, cuja colecção é o ponto central deste estudo e que, por isso, terá o seu devido destaque no Capítulo II, detêm nas suas colecções, pinturas e desenhos provenientes do período China Trade. Essas instituições são o Museu do Oriente90, o Museu do Centro Científico e Cultural de Macau91, o Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa92 e o Arquivo Histórico Ultramarino93.

Incluindo os trinta e cinco exemplares da colecção do Museu de Marinha, contabilizam-se neste levantamento a existência de cerca de 145 exemplares pictóricos (Tabela 1), datados e atribuídos segundo as instituições em que se encontram, como produtos resultantes da época China Trade. De entre o conjunto total, são várias as técnicas e os suportes verificados, existem pinturas a têmpera, óleo sobre tela, óleo sobre madeira, óleo sobre vidro, guaches e aguarelas.94

De acordo com os objectivos deste relatório, importa centrar a atenção acima de tudo na pintura a óleo sobre tela que, contrariamente ao que acontece com a pintura a óleo sobre papel de arroz, ou a óleo sobre vidro, não é, segundo vários autores, reconhecida como uma tradição da Escola Chinesa. Através de uma breve análise à tabela acima exposta, denota-se um reduzido número de exemplares identificados, o que permite perceber que a sobrevivência deste género artístico não é muito eloquente nos museus da capital. Actualmente, a maioria dos exemplares China Trade, encontra-se distribuída por grandes museus europeus, tais como: o Museu Marítimo, em Barcelona, o Musée d’ Histoire, em Versailles, França ou o Museu Victoria and Albert, em Londres, Inglaterra. Existem ainda vários coleccionadores e antiquários, tal como o especialista inglês Martyn Gregory, que possuem também eles pinturas deste género artístico nas suas colecções privadas.

Se compararmos com outras tipologias artísticas, como por exemplo porcelanas de exportação chinesa, biombos, lacas e sedas, entre outros objectos também eles produto

90 O contacto com a colecção realizou-se em duas visitas: a primeira no dia 20 de Novembro de 2018 segundo reunião

marcada com a Dra. Helena Solano, Conservadora do Acervo e Exposições; e a segunda visita, mais recente, realizou- se através da Dra. Joana Fonseca, no dia 3 de Janeiro de 2019.

91 A visita à Colecção China Trade do Museu do Centro Científico e Cultural de Macau realizou-se no dia 1 de Abril

de 2019 tendo sido orientada pelo Dr. Enio Souza. Nesta visita para além de um pequeno enquadramento temático e histórico foi também possível proceder aos registos fotográficos da Colecção.

92 A Sociedade de Geografia de Lisboa, possui quatro exemplares China Trade, no entanto, após inúmeros contactos

não foi possível realizar uma visita ou aceder aos registos fotográficos desses mesmos exemplares.

93 A colecção China Trade no Arquivo Histórico Ultramarino é composta por 50 desenhos sobre a técnica de têmpera

de ovo sobre papel.

94 De ressalvar mais uma vez que este número não contempla coleccionadores privados, dado o grande universo

existente, pelo que se formos a contabilizar os exemplares que existem entre coleccionadores decerto que o número poderá sofrer grandes alterações.

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do fenómeno de exportação, são incontáveis os exemplares em Lisboa, talvez se deva isto à sua produção muito mais acentuada e divulgada.

Na cidade de Lisboa, entre as colecções identificadas, existe a distinta colecção de pintura chinesa do Museu do Oriente, localizado em Alcântara, pertencente à Fundação Oriente. Ao que se pôde apurar esta é composta por 51 pinturas da Escola Chinesa, das quais 8 são pinturas produzidas com recurso ao óleo sobre tela (Fig. 10 a Fig. 17)

A principal técnica apresentada de entre as restantes pinturas, que não são pinturas a óleo sobre tela, é a técnica de aguarela sobre papel de arroz. Nestas, as temáticas representadas não se centram só em vistas etnográficas de Macau ou de qualquer outro dos portos orientais, mas também em representações relacionadas com a vida comercial e com costumes. As principais temáticas estão relacionadas com a produção da seda, chá, paisagens e interiores de palácios.

Entre as pinturas realizadas sobre a técnica de aguarela, que em número são a maioria, existe uma representação de Cantão semelhante a uma das pinturas a óleo do Museu de Marinha. A pintura retrata uma “Vista das Feitorias de Cantão” (Inv. FO/0494) (Fig. 18) trata-se de uma aguarela sob papel de arroz, datada entre finais do século XVIII e inícios do 1ºquartel do século XIX. Muito embora a técnica de produção não seja óleo sobre tela, a sua composição artística mais despojada de detalhes e das tonalidades contrastantes habituais, pretende representar a mesma vista de Cantão exibida na pintura Cantão (Inv. MM.00612) do Museu de Marinha.

Quanto à organização da colecção, são as temáticas que permitem a sua existência95, deste modo, o núcleo ostenta uma divisão por séries com as seguintes designações: Série do Chá; Série da Seda; Série Palácios e Vida de Corte; Série Paisagens e Série Indefinidos. Este modelo de organização serviu como principal inspiração para o método de organização aplicado ao núcleo da Escola Chinesa do Museu de Marinha e, por isso, justifica-se assim a necessidade em abordar ainda que de modo breve esta colecção.

Numa continuação de abordagem às colecções de pintura chinesa em museus da capital, ainda de realçar são os exemplares de exportação chinesa do Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa. Com uma missão vocacionada “para as questões da China, para o universo das relações entre Portugal e restante Europa, com a

95 Mas não só, pois as “séries de pinturas, em princípio obedeceriam a uma sucessão lógica, nomeadamente cronológica,

no que se refere às operações de preparação do chá, seda ou porcelana” por outro lado existem também pinturas que no seu verso, têm a tinta e a caligrafia antiga europeia uma numeração que permite a construção de séries. Estas questões de numeração são muito mais comuns em aguarelas do que em pinturas a óleo sobre tela, onde até ao momento não foi possível verificar nenhum exemplar com esta numeração.

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China/Ásia Oriental. Muito em especial, para os temas e problemas luso-chineses, no passado e no presente, e a realidade internacional que é Macau, fronteira multisecular por excelência da China com os Mundos do Mundo”96, justifica-se assim a existência de um

pequeno núcleo China Trade composto por 5 pinturas, entre as quais 3 são óleo sobre tela (Fig. 19 a Fig. 21), as restantes duas são aguarelas e guaches (Fig. 22 e Fig. 23).

De origens desconhecidas, não existe no Museu do Centro Científico e Cultural de Macau qualquer informação para além do número de inventário atribuído a cada uma das pinturas. As únicas conclusões possíveis de retirar advêm da análise visual de cada um dos exemplares, a partir da qual foi possível chegar à conclusão que, à semelhança dos óleos sobre tela existentes na colecção do Museu do Oriente, todas as pinturas, com excepção de uma, possuem a representação de vistas etnográficas do porto marítimo de Macau, figurando essencialmente a zona Praia Grande. Actualmente o pequeno núcleo encontra-se em exposição na Exposição Permanente, do CCCM.

Por último, e entre as instituições identificadas, existem ainda mais duas colecções atribuídas ao período China Trade, compreendido entre os finais do século XVIII e inícios do século XIX existe o núcleo pertencente ao acervo do Arquivo Histórico Ultramarino e um pequeno conjunto no Museu da Sociedade de Geografia de Lisboa. O primeiro é composto por 50 pinturas (a têmpera de ovo sobre papel) dos quais somente 1 pintura retrata a temática etnográfica (portos orientais) e 4 retratam representações de navios (e embarcações)97. Quanto aos exemplares presentes no Museu da Sociedade de Geografia de Lisboa, existem quatro exemplares a óleo sobre tela, com temáticas etnográficas e de representações de navios e embarcações. Esta superficial abordagem deve-se ao facto de, após inúmeros contactos com ambas as instituições, não existir uma possibilidade de aceder aos exemplares, à documentação das colecções ou a quaisquer registos fotográficos das mesmas.

96 Disponível em www.cccm.pt/ acedido em 22/06/2019

97 As restantes pinturas têm temáticas de regiões (21 pinturas), fauna e flora (19 pinturas) e personagens (5 pinturas)

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Capítulo II - A colecção de pintura China Trade do Museu de