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3.5 Analysering av data

4.2.6 Modifisert kardiosomatisk indeks

Biologicamente, o envelhecimento caracteriza-se como um processo natural e inerente à vida do ser humano, com caráter progressivo e irreversível. Conforme destaca Jordão Netto (1997), trata-se de um processo que se instala em cada indivíduo desde o nascimento até a morte e provoca, nesse transcurso, modificações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas. Para Neri (2008), o envelhecimento compreende os processos de transformação do organismo que ocorrem após a maturação sexual e que implicam a diminuição gradual da probabilidade de sobrevivência.

De acordo com o enquadre da Biologia, a vida humana, como a de todo organismo multicelular, desdobra-se em três fases: (a) crescimento e desenvolvimento, (b) reprodução e (c) senescência ou envelhecimento. Na primeira fase, dá-se a evolução dos órgãos especializados, o organismo cresce e conquista habilidades funcionais que o habilitam à reprodução e à sobrevivência. Na segunda fase, o organismo está apto para se reproduzir, assegurando a perpetuação e a evolução da própria espécie. A terceira fase, a senescência, é marcada pelo declínio da capacidade funcional do organismo (Hoffman, 2002).

Não existe um padrão único para a definição do envelhecimento como processo biológico, uma vez que as funções orgânicas variam em ritmo, forma e intensidade, de

44 acordo com cada organismo e história de vida. Trata-se de um processo único e individual, embora traga em seu bojo o entendimento de algumas alterações na aparência, no comportamento, na experiência pessoal e, principalmente, nos papéis sociais desempenhados pelas pessoas idosas (Martins, M.B., 2012).

As mudanças percebidas durante essa etapa do desenvolvimento humano são tanto de ordem interna quanto externa. Em relação às modificações externas, destacam-se a flacidez da pele, o branqueamento dos cabelos e dos pêlos, manchas escuras na pele (manchas senis), alargamento do nariz, encurvamento postural, diminuição da estatura, entre outras. Já as modificações internas são representadas pelo mau ou irregular funcionamento de alguns órgãos vitais (coração e pulmão, principalmente) e por alterações no metabolismo basal, ou seja, na energia mínima necessária para manter as funções vitais do organismo, como respiração, circulação, atividade glandular etc. (Jordão Netto, 1997; Zimerman, 2000).

Dentre as teorias que buscam explicar as causas do envelhecimento humano, há um destaque para a que parte do princípio da deteriorização dos mecanismos de síntese proteica realizada pelas células do corpo, um processo fundamental para a vitalidade orgânica. De acordo com Zimerman (2000), outra teoria causadora do envelhecimento, bastante relacionada à teoria anterior, é a “hipótese do relógio biológico”, que considera que as células humanas se reproduzem até um determinado número, conforme o seu tipo e depois morrem. Assim sendo, num determinado espaço de tempo, o ser humano teria sua existência finita. Segundo a autora supracitada, o espaço temporal de vida possível poderia chegar até 120 anos ou mais em função da capacidade reprodutiva das células da pessoa. Esse é o limite máximo de tempo da espécie.

45 2.3 Aspectos psicológicos do envelhecimento

Embora o Estatuto do Idoso (Brasil, 2003) defina como idosa a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos, sabe-se que, nem sempre, a idade cronológica é um marcador preciso para as mudanças que acompanham o envelhecimento, uma vez que a percepção da chegada da velhice é algo extremamente subjetiva e individual. Para Gradim, Sousa e Lobo (2007), a velhice não tem idade definida para se iniciar, pois depende da disposição, da atitude e do interesse de cada pessoa em relação à sua vida.

Hargreaves (2006) enfatiza as dificuldades de se precisar o momento em que a pessoa se percebe e se aceita como idosa, posto que esse processo remete, invariavelmente, à perspectiva da existência do indivíduo, como sendo único, que influencia e é influenciado por aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Nessa perspectiva, Neri (2008) traz o conceito de idade psicológica, que, em sua concepção, pode ser utilizado em dois sentidos:

Um é análogo ao significado de idade biológica e refere-se à relação que existe entre a idade cronológica e as capacidades, tais como percepção, aprendizagem e memória, as quais prenunciam o potencial de funcionamento futuro do indivíduo. Esse uso do conceito é muito próximo ao de senescência ou envelhecimento normal. O segundo uso do conceito idade psicológica tem relação cm o senso subjetivo de idade. Esse depende de como cada indivíduo avalia a presença ou a ausência de marcadores biológicos, sociais e psicológicos do envelhecimento em comparação com outras pessoas de sua idade. (p.111).

É notório que os corpos de todos os seres humanos apresentam modificações com o passar dos anos, mas o significado que essas mudanças adquirem é específico de cada

46 formação social e momento histórico (Silva, V.X.L., Marques & Fonseca, 2009). A forma como cada pessoa envelhece é determinada por suas condições subjetivas, incluindo-se nesse contexto, a forma como viveu sua história pessoal em todos os períodos da sua existência, que está atrelada também às condições socioculturais (Santos & Carlos, 2003).

Para Beres (2002), não aceitar que se está envelhecendo, de certa forma, representa algo natural, pois o desejo ligado à continuidade da vida se mostra atuante. Segundo essa autora, quando o ver-se e o sentir-se velho não encontram um ponto de interseção, possivelmente não se terá como atribuir estado de velhice à pessoa. Nesse segmento, o envelhecer é uma experiência bastante individual, uma vez que a maneira como cada pessoa direciona sua vida varia conforme a interação entre fatores genéticos, ambientais, socioeconômicos, culturais e de saúde aos quais a pessoa está submetida. Trata-se de um processo extremamente pessoal, que constitui uma etapa da vida com realidades próprias e diferenciadas das anteriores (Araújo,E.C. 2010; Gavião, 2005).

A aceitação do envelhecimento está intimamente relacionada às características da personalidade do indivíduo. A Psicologia acredita que pode haver o desenvolvimento da personalidade durante a velhice, transcendendo os níveis de desenvolvimento atingidos na maturidade (Hargreaves, 2006). Pessoas idosas tendem a indicar uma idade psicológica menor do que a sua idade cronológica, em parte, para salvaguardar a imagem social e a autoestima e, em parte, talvez, por dificuldades de autoaceitação. Muitos idosos acreditam que a velhice é um estado de espírito, no sentido de que independe da idade cronológica e de outros marcadores de velhice (Neri, 2008).

Nesse direcionamento, Lodovici Neto (2010) ressalta a importância de se compreender a diferença entre idade biológica, cronológica e vivencial. De acordo com esse autor, a idade biológica é a idade das células; já a cronológica diz respeito ao tempo, que é medido através

47 dos dias, dos meses e dos anos de vida. Por fim, a idade vivencial representa o tempo vivido, caracterizado com algo interno e particular de cada um. Dessa forma, para compreender o real significado do envelhecimento e da velhice, há que se levar em conta todos os aspectos subjetivos que compoem essa etapa do desenvolvimento humano.