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Modifisering av tekstoppgaver – tidligere forskning

2 Teoretiske og empiriske perspektiver

2.5 Modifisering av tekstoppgaver – tidligere forskning

Foram poucos os trabalhos que encontrámos que investigaram a formação dos professsores do 1º CEB em ES. E, em menor número ainda, estavam as investigações que envolviam os educadores de infância, confirmando, de certa maneira, o silêncio de muitos autores que ainda pouco (ou nada) se envolvem quanto à sexualidade infantil e a ES nesta faixa etária (Del Rio, 2010; Fávero, 2003; Nunes & Silva, 2006; Silva, 2010). Silêncio esse que, segundo a nossa perceção, deve ser quebrado, considerando-se que são os primeiros anos de vida, aqueles que, em grande medida, marcam a vida futura. É a fase da vida em qe a criança sistematiza as informações que lhes são repassadas, daí a importância de fazer chegar até ela informações livres de preconceitos, de tabus, dos estereótipos de género, facilitando o processo de aprendizagem e desenvolvimento da sexualidade tranquila, saudável, despreconceituosa, ou seja, é importante começar, nessa fase da vida, a ES num paradigma emancipatório. Entendemos como Melo (2004, p.75)

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que a “ [...] que educação sexual é também uma questão básica de cidadania” e, iniciar a ES formal nesse paradigma na infância, além de ser uma questão de cidadania, contribui para a promoção de comportamentos responsáveis e saudáveis já precocemente (Silva, 2010; Suplicy, 1999). Por partilhamos esse mesmo pensamento, levou-nos a realizar a oficina de formação (OF) que dá base a esta investigação, com os professores do 1º CEB e educadores de infância. Interessante destacar as dificuldades iniciais que tivemos para formar o grupo de participantes, pois na maioria das escolas com as quais contactámos, apenas os professores dos alunos maiores (jovens) é que se interessavam em participar na OF.

Apesar de ser consenso entre os professores que a ES formal deva acontecer desde a infância (Anastácio, 2007; Anastácio, 2009b; Pereira, 2004; Ramiro et al., 2013; Serrão, 2009), estudos têm apontado que a ES formal não se vem realizando na maioria dos infantários e nas escolas de 1º CEB. Além disso, são muitas as dificuldades encontradas para que a ES aconteça desde a pré-escola. Para além das mesmas dificuldades mencionadas pelos professores que trabalham com os jovens, quais sejam: a falta de formação, a falta de erotofilia, o receio das famílias e a falta de espaço suficiente no planeamento curricular para a ES, no caso dos professores que trabalham com as crianças, encontrámos ainda como dificuldades: a falta de clareza de como fazer a ES nesta faixa etária (que temas trabalhar, que metodologias seriam as mais indicadas) e a falta de materiais didático-pedagógicos para realizar uma ES (Anastácio & Carvalho, 2009; Freitas, 2012; Monteiro et al., 2010).

A associação dos conceitos de sexo, sexualidade e ES, além da redução deles (direta ou indiretamente) ao sexo, faz com que se torne ainda mais complexo para os professores e também para os pais a ES na infância. O imaginário da criança como um ser “ puro e assexuado” permance presente em muitos adultos desinformados (Nunes & Silva, 2006; Silva, 2010; Suplicy, 1999), apesar de vários estudos terem demonstrado que a maioria das crianças se envolvem em algum tipo de atividade sexual antes da puberdade (Fávero, 2003). Um elevado número de educadores de infância, e a maioria dos pais, não tem a menor noção de que a ES começa desde o momento do nascimento de uma criança. A escolha das cores do enxoval do bebé (azul para meninos e rosa para meninas), dos brinquedos, da decoração do quarto, entre outros detalhes, já é um trabalho informal de ES (Del Rio, 2010; Haffner, 2005; Silva, 2010; Suplicy, 1999). A criança já nasce num

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ambiente onde os estereótipos de género são mantidos, das mais variadas formas. A ES do bebé acontece também pela formação dos vínculos afetivos, pois é nessa fase da vida que se formam esses vínculos que servirão de base para a vivência da sexualidade adulta, porque os primeiros anos de vida são relevantes para a formação da personalidade humana (Fávero, 2003; Freitas, 2012). É imprescindível que os professores, educadores e pais compreendam que o contato físico, a forma como olhamos, o tom da nossa voz, a forma como lidamos com a higiene do bebé, as nossas reações diante do seu choro e das suas descobertas corporais, tudo isso terá uma grande influência no desenvolvimento da sua capacidade de sentir prazer na intimidade física da vida adulta. É nessa fase da vida que são construídas as bases da vida afetivo-sexual (Del Rio, 2010; Silva, 2010).

Realizar a ES numa perspectiva emancipatória a partir dos 2 anos de idade, além da continuação sobre o cuidar da vinculação afetiva, é: i) lidar de forma tranquila com as descobertas relativas ao corpo da criança (toque nos genitais, controle dos esfíncteres); ii) ensinar os nomes corretos de todas as partes do corpo, incluindo os nomes dos genitais; iii) responder às perguntas das crianças com sinceridade, naturalidade e simplicidade; iv) entender que é pelo “brincar” que a criança descobre o mundo e constrói habilidades importantes para a vida adulta. Por meio dessas brincadeiras, a criança satisfaz as suas curiosidades (imitação de comportamentos adultos: namoro, brincar de casinha, de guerra, de médico); v) dispensar o mesmo tratamento afetivo para meninos e meninas, cuidando para não reproduzir os estereótipos de género; vi) oferecer possibilidade de brinquedos, brincadeiras e dar liberdade de expressão aos sentimentos para ambos os sexos; vii) estar atento às necessidades e curiosidades das crianças (perguntas, gestos, brincadeiras), acompanhando-as e valorizando-as; viii) prestar atenção a algum comportamento ou brincadeiras estranhas, diferentes, incomuns para essa idade, que possam indicar que a criança esteja a ser vítima de algum tipo de violência sexual; ix) promover atividades por meio das quais as crianças possam expressar e falar de sentimentos (amor, carinho, raiva, alegria, tristeza); e x) procurar informar-se acerca das etapas do desenvolvimento infantil, por meio de leituras e participação em ações de formação (Freitas, 2012).

Estudos têm indicado que a ES, numa perspetiva emancipatória desde a infância, poderá contribuir para: i) aumentar a intimidade e a afetividade entre pais e filhos, professores e alunos; ii) estimular a autoestima, o respeito pelo seu corpo e pelo corpo dos

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outros; iii) permitir que a criança viva a sua sexualidade com mais espontaneidade, liberdade e prazer; iv) reduzir as fantasias e ansiedades decorrentes das dúvidas não respondidas; v) esclarecer e amenizar alguns dos muitos mitos e preconceitos relacionados à sexualidade; vi) educar para o respeito à diversidade sexual; vii) incitar o respeito às diferenças de género; viii) proteger a criança contra a violência sexual; ix) abrir caminhos para a realização de diálogos mais abertos e francos; x) preparar melhor as crianças para a entrada na adolescência; xi) colaborar na prevenção de uma futura gravidez não planeada e contra as contaminações por infeções sexualmente transmissíveis e SIDA; xii) preparar para uma vivência sexual mais madura, responsável e prazerosa; xiii) valorizar a beleza significativa da dimensão humana que é a sexualidade.

Finalizamos este primeiro capítulo apresentando uma síntese acerca dos principais tópicos sobre os quais discorremos nesta parte do estudo.

Iniciámos este capítulo diferenciando os conceitos de sexo, sexualidade e ES, por entendermos ser este um aspeto relevante e que deve ser o primeiro a ser esclarecido em trabalhos no âmbito da ES, por considerarmos que a falta de clareza acerca destes conceitos apresenta-se como um dos grandes impeditivos para a realização da ES formal no espaço escolar. Segundo os autores, por meio dos quais fundamentámos teoricamente este estudo, referem que o sexo é a nossa marca biológica e que nos diferencia enquanto “machos e fémeas”. A sexualidade é a nossa marca humana, é uma construção sócio- histórica e cultural e é regulada segundo os valores éticos, morais, religiosos, económicos e culturais de cada sociedade. A sexualidade nos diferencia enquanto “homens e mulheres”.

Desse modo, por ES depreendemos ser todas as ações intencionais ou não intencionais, exercidas sobre os indivíduos e que influenciam as suas atitudes, comportamentos, ideias e valores relativos à vivência do sexo e da sexualidade. É por meio da ES que a sexualidade é construída. A ES acontece em diferentes espaços, nomeadamente, espaços informais, não formais e formais.

Os espaços informais são todos os espaços sociais por meio dos quais são transferidos para os indivíduos os valores éticos, morais, religiosos e culturais, referentes ao sexo e à sexualidade. São vários os agentes promotores da ES informal, tendo sido destacados: a família, a escola, os media. Os espaços não formais são espaços onde a ES acontece de forma mais ou menos estruturada, de acordo com o seu contexto. A ES

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formal acontece principamente nos espaços institucionais, devendo ser devidamente estruturada, relativamente aos objetivos, programa, metodologia, materiais pedagógicos e quanto à formação dos professores.

Partimos do pressuposto que a ES (informal, não formal e informal) acontece por meio de dois diferentes paradigmas: o repressor e o emancipatório.

O paradigma repressor baseia-se em discursos e ações que procuram coibir, normatizar e controlar a vivência sexual, dentro dos padrões hegemónicos de cada cultura. Na cultura ocidental cristã, a partir de um determinado momento histórico, a ES seguiu (e continua seguindo até os dias de hoje) na maioria dos espaços, como paradigma repressor. São múltiplos os agentes promotores da ES na perspetiva repressora, destacando-se: a família tradicional, a escola, as religiões, os media e as instituições promotoras de saúde representadas, entre outros, nas figuras dos médicos, enfermeiros, psicólogos. São utilizadas diferentes abordagens para a realização da ES repressora. Neste estudo, agrupámos as distintas expressões utilizadas pelos teóricos nos quais nos fundamentamos, principalmente segundo três expressões usadas por Nunes (1987; 1996): médico-biologista, normativo-institucional e terapêutico-descompressiva. Na abordagem médico-biologista, agrupámos todas as referências destacadas pelos autores, que apresentavam o sexo e a sexualidade de forma reducionista, ficando a ES associada quase que exclusivamente à informação biológica sobre a reprodução e a informação dos métodos contracetivos e doenças sexualmente transmissíveis. Algumas informações mais repressoras que outras, todas trazem consigo, ao longo da história da sexualidade e da ES, a preocupação quanto aos riscos e quanto à prevenção, constituindo-se como uma visão do sexo apenas sob o aspeto da saúde sexual e reprodutiva ou da psicologia. Todos os autores, nos quais nos fundamentámos, referem essa abordagem de ES e destacam a sua forte presença na ES em âmbito escolar, bem como registam a ineficiência dos seus resultados. A abordagem normativo-institucional de ES concretiza-se por meio de uma série de normas e regras morais e religiosas, que agrupadas ao discurso científico (médico-biologista), reforçam e multiplicam a repressão sexual (é defensora dos papéis sexuais tradicionais, defende a família patriarcal e monogâmica, apresenta-se resistente e intolerante às práticas sexuais alternativas, à diversidade sexual, à igualdade de género entre outras questões). Além dessas, incluímos as seguintes abordagens i) impositiva conservadora (Vaz et al., 1996); ii) moral ou abstinência (López, 2005); iii feminista

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(Vitiello, 1995); iv) paradigmas modernos educativos e de projetos (Vilaça, 2006); e v) religiosa tradicional e libertadora (Figueiró, 2001). Entre os vários espaços em que a abordagem normativo-institucional está presente, destacamos especialmente a família, a escola e as instituições religiosas. Se na abordagem médico-biologista a repressão acontece pela inculcação dos perigos e dos riscos quanto ao sexo, na abordagem normativo-institucional ela acontece pela inculcação do pecado e pelos perigos e consequências da transgressão às normas hegemónicas da sexualidade. Na abordagem terapêutico-descompressiva, encontrámos as referências pós-moderna (López, 2005) e hedonista de Nápoles (2002). Tais abordagens têm em comum a conceção de que a repressão sexual acontece não pela proibição, mas pela incitação e exacerbação do sexo. É a “massificação do discurso sexual liberalizante” (Nunes, 1996, p.166). É o sexo pelo sexo, sem nenhuma forma de repressão ou mesmo limite. O que importa é a obtenção do prazer sexual, sem qualquer barreira ou inibição (Nápoles, 2002). Essa abordagem encontra-se presente na família e na escola, de formas indiretas, e está fortemente presente nos media, sendo otimizada pelas facilidades de acesso às mensagens que envolvem vários aspetos da sexualidade, e que chegam às crianças e aos jovens por meio dos aplicativos e ferramentas da Web 2.0.

O paradigma emancipatório que tem como abordagem os discursos e estratégias emancipatórios, e parte do pressuposto que somente pela formação e informação adequadas e livres de preconceitos, poder-se-á disponibilizar aos educandos possibilidades de fazerem escolhas conscientes, críticas e de tomarem decisões responsáveis e livres de preconceitos e de repressão. Baseia-se no diálogo verdadeiro com os educandos; é planeada “junto com” eles e com a comunidade escolar e familiar e não “por eles”, respeitando as suas reais necessidades e interesses. A ES emancipatória respalda-se numa proposta político-pedagógica de compromisso com a transformação social e com a revisão crítica da construção política, económica, social, histórica e cultural da sexualidade. Mais do que o mero repasse de informações, a ES emancipatória propõe espaços de debates e reflexão por meio de metodologias ativas, e por meio da qual o aluno seja um agente ativo e interativo. Exige do professor uma postura democrática, aberta e flexível. Pressupõe uma posição “neutra” e o respeito à diversidade cultural dos alunos, para além de um processo de reeducação sexual. Encontramos nas referências de Figueiró (2009b), de Figueiredo (2011), de López, (2005), de Nápoles (2002), de Vaz e

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colaboradores (1996), de Vilaça (2007) e de Vitiello (1995), os pressupostos que vêm ao encontro do que entendemos ser a ES no paradigma emancipatório.

Realizar a ES formal no paradigma emancipatório não é tarefa fácil e exige dos professores uma significativa mudança de postura. Para que os professores se sintam capazes e seguros, para realizar a ES formal em âmbito escolar, é imprescindível que tenham formação adequada nessa área. Apesar de entendermos, que somos todos educadores sexuais e que realizamos a ES o tempo todo, para fazê-lo numa perspetiva emancipatória, os professores necessitam de formação adequada e de apoio constante dos formadores, devido à complexidade e sensibilidade que a área exige. Todavia, os estudos têm apontado uma grande desfasagem na formação inicial e contínua dos professores em ES, especialmente no que tange à formação dos professores e educadores que trabalham na educação de infância. Como consequência desta desfasagem, os professores sentem-se impreparados e inseguros para realizar a ES formal com crianças dessa faixa etária. Esta é a razão pela qual somos da opinião que somente por meio de ações de formação, que de facto possibilitem e promovam aos professores uma aprendizagem significativa, será possível garantir-lhes um mínimo de conhecimento e segurança na realização da ES formal no paradigma emancipatório em âmbito escolar. Para que estas formações sejam estruturadas, consideramos os pressupostos anteriormente destacados.

Ao finalizar este capítulo, justificamos a importância de se iniciar uma ES no paradigma emancipatório desde o JI, pois é nesta fase da vida que a criança descobre o mundo, é quando se formam os vínculos afetivos, é quando é construída a autoimagem e quando acontece o desenvolvimento da personalidade do indivíduo. A realização da ES no paradigma emancipatório, nessa faixa etária, poderá trazer uma série de benefícios, conforme enunciámos e listámos, pelo menos, treze desses benefícios (pp. 57 e 58).

Frente à necessidade e à importância da formação contínua dos professores e educadores de infância em ES, iniciamos o segundo capítulo, onde abordaremos os limites e possibilidades do blended learning na formação contínua de professores e educadores de infância, em ES.

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