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4.4 Preparation for Simulations in Three Dimensions

4.4.2 Further Modifications of the Mesh

O discurso sobre a boa imagem dos índios não tirava de Las Casas a responsabilidade e o intuito de transformá-los por meio da evangelização. Para modelar os índios, conforme as

290 BRUIT, Héctor Hernan. Bartolomé de Las Casas e a Simulação dos Vencidos. Campinas: UNICAMP,

intenções cristãs pregadas pelos conquistadores e missionários representantes legais da Igreja Católica destinados a essa missão no Novo Mundo, o Frei dominicano só enxergava um caminho possível: a evangelização. Para concretizar esse projeto descartava a guerra, o tratamento violento e as torturas que sempre resultavam em assassinatos cotidianamente praticados pelos espanhóis.

Entretanto, Juan Ginés de Sepúlveda, declarou que as guerras deveriam preceder à evangelização sabendo-se que uma vez dominados, a doutrina evangélica poderia ser facilmente ensinada, pois ao reconhecerem seus erros se tornariam cristãos. Las Casas, em sua defesa disse que as guerras contra os índios não só eram inconvenientes, mas iníquas e contrárias à religião cristã291.

A proposta de evangelização asseverada por Sepúlveda aponta para outra direção. Ele vê a Igreja cumprindo o seu papel, mas em obediência ao rei e não como agente missionário isento de quaisquer conchavos políticos, cujo objetivo é atrair toda humanidade para uma vida religiosa e cristã conforme registra o evangelho. Para Sepúlveda, os princípios religiosos como fé, ética e moral, relacionados aos indígenas não têm nenhum valor diante de uma nação cristã como era a Espanha. Portanto, a evangelização dos índios, em sua concepção burguesa e intelectual, tem um único fim: sujeitar os nativos para que produzam riquezas à Espanha. Las Casas recusa essa violência; mas, ao mesmo tempo, para ele só há uma religião “verdadeira”: a sua292. Nesta mesma esteira, Todorov lembra que os adversários de Las Casas o consideravam um homem parcial, pois em carta a uma personagem da corte datada de 15 de outubro de 1535 assim se expressava:

Declaramo -nos dispostos a pacificá-los ao serviço do rei nosso senhor, e a convertê- los e instruí-los no conhecimento de seu criador; feito isso, faremos com que essas populações paguem tributos e prestem serviços a Sua Majestade todos os anos,

291 GUTIÉRREZ, Jorge L. Aristóteles em Valladolid. São Paulo: Mackenzie, 2007, p. 119.

292 TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p.

segundo as possibilidades que seus recursos lhes deixem: tudo para melhor proveito do rei, da Espanha e destes países293.

A literalidade desta posição indica que Las Casas garantia um acréscimo nos lucros da Espanha. Isto é antagônico ao que havia decidido fazer em favor dos índios e ao que escrevia referente à evangelização propriamente dita dos indígenas.

Para outros, Las Casas era convicto que a fé cristã salvava os infiéis e pagãos e, portanto, devia ser propagada de forma pacífica, em benefício dos nativos294.

O conteúdo da fé deve ser proposto àqueles que nela queremos instruir, sem dureza ou aspereza, sem imprudência nem ameaças, sem precipitação ou impaciência. Mas com mansidão e brandura, com placidez e demora, durante inclusive um longo período de tempo, até que, suficientemente instruídos na doutrina de Cristo pela catequese, acesos no desejo da fé e por decisão de seu livre arbítrio, atuando Deus interiormente, solicitem a fé e a recebam ficando assim livres de seus erros295.

Ao falar assim, o Frei tinha em vista o cristianismo. Mas, isto deixa transparecer que ele sonhava com um governo teocrático para o Novo Mundo, onde o poder espiritual estivesse acima do poder temporal, que era na verdade uma maneira de retornar ao modelo Medieval. Os índios deveriam ser tolerados, respeitados e aceitos na prática de sua religião tradicional, considerando a sua inserção na “verdadeira religião” através da pregação do evangelho. Sugeria incansavelmente a expulsão dos conquistadores e sua substituição por religiosos

293 Apud TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes,

1993, p. 167.

294 LOBO, Eulalia Maria Lahmeyer. “Bartolomé de Las Casas e a lenda negra” In: VAINFAS, Ronaldo

(Org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar, 1992, p. 104.

295 LAS CASAS, Bartolomé de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. Obras Completas

tementes a Deus, de boa consciência e de grande prudência296. Baseado no Evangelho

segundo São Mateus 28.19-20 e na Epístola aos Romanos 10.17, alude que o modo de encaminhar os homens à verdadeira religião precisa ser delicado, doce e suave, persuasivo para o entendimento e atrativo para a vontade, como se provará297. O modo de conduzi-los à religião cristã e à fé verdadeira, ressaltava Las Casas, é ou deve ser semelhante ao modo de encaminhá-los para a ciência. E o modo na tural se encaminhar à ciência é a persuasão do entendimento, com razões, de maneira a torná-la atrativa à vontade298.

O pregador que tem a missão de ensinar e atrair os homens à verdade da fé e da religião deve recorrer ao modo e à habilidade da retórica. Há de observar diligentemente seus preceitos na pregação, para comover e atrair o ânimo dos ouvintes, com o mesmo empenho que tem o retórico ou orador em aprimorá-los e observar em seu discurso para comover e inclinar os ouvintes ao que lhes é proposto [...] e atraí-los à reta fé e à verdadeira religião cristã299.

A evangelização dos índios, para Las Casas, estava ligada, inteiramente, ao modo de proceder dos espanhóis como cristãos. Ele dizia que a luz na vida dos cristãos possui grande força.

Se a luz for boa, louva-se o nome de Cristo e os infiéis são induzidos, persuadidos, animados e levados facilmente a receber a fé e a religião cristã. Se for má, naturalmente produzirá efeitos contrários, pois faz com que se blasfeme o nome de Cristo e afasta, mais do que já estavam, os homens que ainda não conhecem o caminho da salvação; precipita-os numa situação pior e os afugenta300.

296 Apud TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes,

1993, p. 168.

297 LAS CASAS, Bartolomé de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. Obras Completas

I. São Paulo: Paulus, 2005, p. 61.

298 Ibidem, p. 214. 299 Ibidem, p. 78. 300 Ibidem, p. 181.

Fica evidente que, com a evangelização, a guerra seria suprimida, e aqui está a importância dos missionários. Pelo seu trabalho, os espanhóis puderam ter servos em suas casas e terras e à Espanha não faltaram as riquezas ou outros bens. Baseado nisto, os índios deveriam ser pacificados e doutrinados e de modo algum prejudicados, pois a sua conversão preservava sua conduta servil, sem questionamento ou ameaças. Mas a conversão, dizia Las Casas, não deve ser imposta, mas somente proposta; os índios só devem abraçar a religião cristã de livre e espontânea vontade301. O ato de converter os índios para Las Casas era uma arte contínua, ou seja, requeria tempo e repetição das doutrinas e das coisas da fé.

Quem visa induzir e atrair os homens à fé e à verdadeira religião precisa utilizar com frequência a arte de propor, explicar, distinguir, determinar e repetir aqueles assuntos próprios da fé e da religião. Há de induzir, persuadir, implorar, suplicar, convidar, atrair, conduzir pela mão àqueles que têm de ser levados à fé e à religião até que, com a assídua apresentação da doutrina, com a manifestação, pregação, explicação, com a concretização das coisas a crer, e com a persuasão e a atração, pouco a pouco, de tão frequentes atos, se engendre no coração dos ouvintes certa força e disposição, se firme o costume agradável ou hábito que possa ser causa de uma inclinação quase natural302.

Com esse procedimento, os indígenas seriam direcionados ao cristianismo e se tornariam mansos e agradáveis pelo costume de ouvir as verdades do evangelho por meio dos instrumentos próprios da catequese. Portanto, era imprudente lançar mão da força para obrigá- los a aceitarem o evangelho, sendo mais eficaz deixá-los aproximar com espontaneidade, interesse e aceitação não somente do evangelho, também aprendam os princípios da religião católica. Las Casas acreditava que isto era possível, pois ativaria a vontade dos nativos, resultando no entendimento das novas doutrinas. Ele recorre à história para afirmar que tal modo foi usado pelos santos padres antigos, desde Adão até o tempo da graça, ao longo de

301 Apud TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes,

1993, p. 171.

302 LAS CASAS, Bartolomé de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. Obras Completas

todas as situações e idades do mundo, para ensinar e instruir suas famílias no conhecimento de Deus e no culto divino, e para mantê-las na verdadeira religião303.

Conforme Las Casas, a evangelização não implicava em forjar um novo feitio e uma nova criatura nos índios. Não era possível criar neles uma nova substância, mas sim reparar neles o que se havia decaído. A evangelização implicava, sim, em arrancar dos nativos o vício que confrontava a natureza divina304.

Contrariamente, a guerra para forçar os indígenas a se tornarem cristãos não contemplava a agenda de Las Casas. Ele a conceituava como danosa e produtora grandes males, não podendo, por isso, ser o principal meio de persuasão dos índios à fé. Las Casas descreve a guerra deste modo:

Estrépito de armas; acometidas ou invasões repentinas, impetuosas e veementes, grandes violências e perturbações, escândalos, mortes e matanças, estragos, rapinas e roubos, perdas dos pais por parte dos filhos e dos filhos por parte dos pais, cativeiros, despojos dos estados e senhorios, despovoamento dos reinos e dos territórios naturais e devastações de cidades, lugares e de inumeráveis populações. Tudo isso enche os reinos, as regiões e todos os lugares de copioso pranto, gemidos, alaridos e de toda classe de lutuosas calamidades [...] Cruel tempestade, um imenso pélago de desgraça que ocupa, invade e destrói tudo. Prepara caminho às ações depravadas, suscita ódios e rancores e dá ousadia aos costumes corruptos. Empobrece o povo e semeia a dor. Põe fim às plantações e aos animais. Trucidam os agricultores, vilas construídas ao longo de séculos são queimadas...305.

Não faltavam palavras nas descrições que Las Casas tecia sobre a guerra que Sepúlveda havia proposto. Para sintetizar os seus resultados trágicos e irreparáveis, Las Casas dizia que a guerra na verdade era um homicídio comum e um latrocínio coletivo voltada para aniquilação de milhares de inocentes, que perdiam suas almas, seus corpos, suas riquezas306. Estava convicto de que esta é uma estratégia desproporcional e contrária de pregar a fé. Daí

303 LAS CASAS, Bartolomé de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. Obras Completas

I. São Paulo: Paulus, 2005, p. 181.

304 Ibidem, p. 181. 305 Ibidem p. 222. 306 Ibidem, p. 223.

originava o seu grande dilema: se a guerra causa toda essa calamidade aos infiéis do Novo Mundo, tudo o que se pretende com a pregação do evangelho e com a religião naturalmente sofrerá resistência. Suas ações serão de alguém que está coagido, amargurado, áspero e violento. Pessoas nessas condições não investirão tempo em ouvir sobre os elementos pertencentes à fé e à religião. A guerra como modo de submeter os infiéis ao domínio do povo cristão é contrária ao modo natural e suave antes tratado pelo Frei307. Nenhum homem que sofra os horrores da guerra, especialmente por aqueles que levantam a bandeira de cristãos poderá ser persuadido a aceitar os assuntos da fé e, no caso dos índios, não era diferente.

Em um de seus relatos, Las Casas lastima veementemente que muitos índios, pelas inconseqüentes ações dos espanhóis, morreram sem conhecimento do evangelho e do cristianismo. E isto deveu-se apenas a uma coisa: o ouro.

A causa pela qual os espanhóis destruíram a infinidade de almas foi unicamente não terem outra finalidade última senão o ouro [...] Não foi senão sua avareza que causou a perda desses povos, que por serem tão dóceis e tão benignos foram tão fáceis de subjugar; e quando os índios acreditaram encontrar algum acolhimento favorável entre esses bárbaros, viram-se tratados pior que animais e como se fossem menos ainda que o excremento das ruas; e assim morreram, sem fé e sem Sacramentos, tantos milhões de pessoas308.

Ao afirmar o exposto, Las Casas complementava testemunhando que os próprios tiranos espanhóis confessavam a docilidade e mansidão dos índios, pois pareciam que haviam descido do céu até experimentarem a sua tirania.

Os missionários pertenciam a uma cadeia tripartida. Era uma espécie de trindade formada pelo douto, pelo padre e pelo comerciante. O primeiro colhe informações acerca da situação do país; o segundo possibilita sua assimilação espiritual; o terceiro garante os lucros;

307 LAS CASAS, Bartolomé de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. Obras Completas

I. São Paulo: Paulus, 2005, p. 224.

308 LAS CASAS, Bartolomé de. LAS CASAS, Bartolomé de. Brevísima relación de la destruicción de las

prestam auxílio mútuo, e todos auxiliam a Espanha309. De modo geral, em matéria de

conquista do Novo Mundo, sem dúvida alguma, todos eles realizaram seu papel com êxito. Las Casas fez a sua apologia em favor de uma evangelização que pudesse conceder aos índios a oportunidade de serem tratados com dignidade, justiça e cristandade. Definitivamente, não pelo caminho da guerra.

CONCLUSÃO

Os argumentos teológicos de Juan Ginés de Sepúlveda são autênticos elementos ideológicos destinados à dominação. Eles justificam as práticas escravistas dos índios na efetivação da conquista, considerando a escravidão como um item indispensável no processo de civilização. Este pensamento, embora contrariasse os interesses da Coroa, motivava em alto grau os conquistadores.

Assim, em meados do século XVI, o rei, por meio de elaboração e promulgação de leis, procurou reduzir o poder dos encomienderos e das elites no Novo Mundo. Dessa forma, essas classes dominantes deixavam de ofuscar e anular a política administrativa e econômica do rei nas Índias. Esse fator foi a chave para que Ginés de Sepúlveda, através de escritos polêmicos legitimadores se levantasse a favor da “burguesia ” investidora na empresa das Índias. De acordo com a história, havia de sua parte grande interesse em que se consolidasse a guerra no Novo Mundo por diversos motivos, um deles era a garantia de que a classe social dominante continuasse ditando as regras tanto para os povos conquistados quanto na Espanha. Com isto, a sua posição como representante intelectual da dita classe seria mantida.

309 TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p.

Entretanto, surgiu no caminho de Sepúlveda Frei Bartolomé de Las Casas, que pensava diferente e por isto confrontou-o através de escritos e, também em público.

A decisão da Coroa de suprimir o poder dos encomienderos trouxe para os reis sérios embates com classe encomiendera, mas até onde se sabe, de maneira geral, prevaleceu a posição da monarquia, especialmente na limitação territorial dos colonos; porém, ela não conseguiu limitar a propriedade sobre os índios. A escravidão teve continuidade. A rigor, por outro lado, essa decisão possibilitou o trabalho missionário e evangelizador realizado pelas ordens religiosas, especialmente os dominicanos, que estavam diretamente engajados na luta contra o escravismo e contra a dominação arbitrária dos espanhóis. Sentiam-se apoiados pela Coroa.

A controvérsia entre Sepúlveda e Las Casas não se encerrou na cidade de Valladolid, outros confrontos vieram ao longo dos dez anos seguintes, não mais diante de tribunais e júris, mas através da literatura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A conquista espanhola, que ocorreu depois do descobrimento, foi uma guerra de ocupação cuja motivação principal foi a captação de ouro. Frei Bartolomé de Las Casas escreveu que a causa pela qual os cristãos mataram e destruíram tantas e tão infinito número de almas, foi somente por terem como fim último o ouro310.

Para que a Conquista fosse possível, os espanhóis contaram com um aparato sustentador, formado por classes sociais e instituições. Cada uma delas teve participação direta em todo processo, como pode se observar a seguir.

A Coroa, por meio dos reis, determinava e controlava toda a estrutura voltada para a

Conquista. A nobreza composta pelos grandes proprietários de terras, cavaleiros, senhores que possuíam títulos e fidalgos, com a crise na agricultura e na pecuária, foi decisiva em se aventurar na formação das expedições. Os mercadores, por sua vez, foram os responsáveis por financiar as referidas expedições e, rapidamente, tornaram-se dependentes financeiramente dos grandes banqueiros da Europa Central. A Igreja, detentora de cerca de

310 LAS CASAS, Bartolomé de. Brevísima relación de la destruicción de las Indias. Madri: SARPE, 1985.

um terço das terras espanholas, aliada ao rei e à nobreza, formava o terceiro poder político e econômico hispânico. Por meio do clero e do domínio cultural nas universidades, a Igreja, cada vez mais, imprimia sua influência na vida pública e no cotidiano da sociedade espanhola e nas terras recém-descobertas; contudo, mediante um sistema de padroado, essa instituição religiosa e, ao mesmo tempo, política, devia obediência ao rei.

Todas essas classes caracterizavam, de maneira prática, a cristandade hispânica que, no modelo das ações efetuadas na “Reconquista” transferir-se-á para o Novo Mundo. Agora, não são mais os mouros, e sim os indígenas, a classe social desconhecida que sofrerá as imposições “eurocêntricas”.

Os índios do Novo mundo são a “outra” classe formadora do processo da Conquista, pois, no sistema mercantilista expansionista, é necessário que haja povos e territórios desconhecidos para serem dominados e, consequentemente, subjugados. Lamentavelmente, como ocorreu na África e parte da Ásia, o destino também reservou essa herança aos indígenas do Novo Mundo. Esses vieram a se tornar a sustentação literal de toda a estrutura social hispânica.

A partir do século XVI, a conquista inaugurou nas terras do Novo Mundo, na forma renascentista os primeiros sinais da Modernidade. Esses sinais em seus desdobramentos estão correlacionados ao domínio, à posse, à escravidão seguida de morte, à exploração, à inculturação, à imposição e intolerância cultural e religiosa, teologia eurocêntrica travestida de branquidão e outros elementos característicos. Todos eles foram canalizados para a busca violenta do deus-ouro. Na execução dessa busca, não havia determinação de limites, e as Índias Ocidentais se transformaram em uma imensa mina tendo suas civilizações milenares astecas, maias e incas engolidas devido à fome e sede de riquezas por parte dos conquistadores. É a Idolatria ao deus-ouro justificada pela inserção do Deus cristão através dos missionários, indubitavelmente, a prática da Cristandade Moderna.

Por isso, as controvérsias se tornam comuns entre os acadêmicos, religiosos e investidores. A controvérsia mais representativa sobre as ações dos conquistadores ocorreu em Valladolid, entre 1550 e 1551. Entram em cena os atores Frei Bartolomé de Las Casas e o humanista filosófico Juan Ginés de Sepúlveda que, publicamente, debateram sobre a

legitimidade da Espanha explorar os povos indígenas nas Índias Ocidentais. No entanto, nada ficou definido sobre o assunto, senão o que, de fato, eternizou nessas terras, que foram os sinais de uma Idolatria violenta mesclada de religiosidade cristã e da política econômica espanhola.

A teologia de Sepúlveda, justificou diretamente, a dominação índios. Ao contrário, a teologia de Las Casas apontava para outra direção no que diz respeito à conquista dos indígenas, com quem trabalhou por cerca de quarenta e dois anos. A dominação poderia se efetuar através da evangelização. Por este caminho, a conquista se concretizaria pacificamente. Mas, a evangelização era também uma responsabilidade dos reis, embora fosse a Igreja a agente direta dessa tarefa ou da conquista espiritual dos indígenas. Sendo a Igreja dominada pelo rei, a evangelização passava a ser um argumento justificador da Conquista. Assim, as riquezas das Índias, especialmente o ouro, se corporificavam em um deus passível de cobiça e sacrifício. Esse ídolo de metal extraído das minas, dos garimpos, dos rios, foi eleito pelos espanhóis como seu principal motivo de combate à Idolatria carregava consigo a morte. Por essa razão, a evangelização incorreu no poder político e econômico cada ve z mais absoluto para os espanhóis.

Juan Ginés de Sepúlveda, fiel representante da classe burguesa espanhola, cumpriu seu papel de defensor da Conquista do Novo Mundo pela guerra quando estabeleceu em seu

Democrates Alter alguns motivos para isso; entre eles, a Idolatria religiosa dos índios.

Sustentava que até mesmo a evangelização deveria ser realçada pela imponência dos religiosos. Sua proposta era de uma cristianização com o suporte militar para evitar a resistência dos bárbaros infiéis, como se referia aos indígenas, caso se comportassem com