4. RESULTADOS
4.4 Las modificaciones post-traduccionales de la α-sinucleína alteran su poder de protección
O carpinteiro naval (fotografia 3) é o trabalhador que utiliza a madeira beneficiando-a e moldando-a em peças de forma artesanal para construção dos barcos. É o trabalhador responsável pelo planejamento, controle, beneficiamento da madeira e articulação de insumos para feitura das embarcações.
Fotografia 3 – Carpinteiro naval André, irmão do mestre Léia (in memoriam), bairro do Jatuíra, cidade de Igarapé- Miri.
Fonte: Corrêa, Edson de J. A. (2013).
O carpinteiro naval é o segmento de referência dentro do ofício da construção naval artesanal. A ele cabe os trabalhos estruturais de montagem das peças, todo o emparedamento e acabamento na fabricação das embarcações de madeira que vão se aperfeiçoando ao longo do tempo de trabalho conjunto, sempre em estaleiros de produção familiar:
[...] Já vem de família essa atividade de família: tio, pai... Comecei com meu pai, mas aprendi mesmo com meu tio, quando eu comecei aprender desde de criança. Nós nascemos praticamente no estaleiro, igual aqui as crianças. Quando dão, vão pegando gosto do serviço. Minha infância foi trabalhar, minha infância, no ofício era só trabalhar, não joguei bola, nem “purinha”. Nossa criação foi boa, me sinto feliz de ser criado nesse porte [...] Eu vou continuar, mas isso a gente só abandona depois que morre. É um trabalho da gente que vem de família de meus avós todo. Os que trabalham na lavoura aprendem a trabalhar na lavoura [...] os que eram carpinteiro aprendem a trabalhar na carpintaria. Aparecendo o serviço, a gente vai fazendo. Quando não tem mais, a gente vai fazendo outra coisa (Entrevista realizada com carpinteiro naval André, em 2/12/2013). (informação verbal).
Como podemos observar, o saber dos construtores navais artesanais e a estrutura de suas unidades de produção familiar de fabricação das embarcações são passados de geração em geração dentro da mesma família, que seguem o mesmo ofício, dando continuidade, reproduzindo aos membros de suas relações sociais a atividade, garantindo o seu sustento e de outras famílias do mesmo território.
4.2.2 Calafate
O Calafate (fotografia 4) cuida da vedação para que não entre água nos barcos. É o trabalhador que atua após o barco está montado e emparedado, necessitando de calafeto, ou seja, de uma vedação que é feita com algodão, óleo de linhaça, cré e zarcão em toda a estrutura do barco35, vedando e obstruindo a entrada de água nas embarcações, conforme relata o calafate “Meu” a seguir:
depois aprendi e comecei a trabalhar por minha conta. Já tinha meu fero, marreta, ferro de cortar, “massadeira”, cabeça de prego. A “massadeira” é pegar uma tábua pra embolar o pavio de algodão, mas hoje já vem o algodão pronto, é só cortar e misturar na massa de crê, óleo de linhaça e o pó do zarcão pra temperar o pavio. Tira um quilo de zarcão e coloca um litro de óleo, três quartos (¾ ) pra 1 quilo, e amassa pra fazer a massa. Faz o cré separado do mesmo óleo [...] (Entrevista realizada com calafate “Meu”, em 02/12/2013). (informação verbal).
Fotografia 4 – Calafate “Meu”, bairro do Jatuíra, cidade de
Igarapé-Miri.
Fonte: Corrêa, Edson de J. A. (2013).
35 [...] O sistema de calafetagem tradicional, feito à base de recursos naturais (breu natural, azeite de andiroba, fibras naturais, por exemplo) vem apresentando a introdução de material sintético (óleo, massas, fibras, etc.), graças à penetração desses produtos no meio rural através das casas comerciais locais ou mesmo extra-locais, acessadas pelas facilidades do sistema viário. (FURTADO, 1992, p. 40).
O construtor naval artesanal calafete é o artesão responsável pelo calafetamento da embarcação, que após passar pela primeira etapa de fabricação que é feita pelo carpinteiro naval, segue para a segunda etapa feita pelas mãos do calafate e sua arte do calafeto. Esta etapa é tão importante quanto à primeira, pois sem o calafetamento, ou seja, a vedação das “costuras” que ficam abertas entre as peças de madeira que compõem a embarcação (brechas de uma emenda de madeira pra outra e/ou as frestas entre as madeiras) através de materiais e instrumentos específicos para tal, à embarcação não estará pronta para ser utilizada nos rios e assim poder navegar.
4.2.3 Pintor naval
O pintor naval (fotografia 5 e 6) é o trabalhador responsável pela finalização do processo produtivo da embarcação e também pelo toque final de beleza do barco, o qual é pintado com diversas cores e identificado com nome em sua maioria de origem regional, cunho religioso ou familiar. O pintor naval realiza a pintura interna e externa dos barcos que serve como revestimento, conservação, embelezamento e identificação das embarcações.
Fonte: Corrêa, Edson de J. A. (2014). Fonte: Corrêa, Edson de J. A. (2015).
Fotografia 5 – Pintor naval Paulo, bairro do
A atividade do pintor naval que compõe um dos segmentos que fabricam as embarcações de madeira tem o mesmo funcionamento operacional do carpinteiro naval e do calafate quanto às relações de trabalho. É a terceira e última etapa do processo de fabricação antes que a embarcação passe a ser utilizada. Neste segmento como nos outros que compõem o ofício, as relações de trabalho são permeadas por relações sociais prevalecentes de parentesco, compadrio e vizinhança nos aspectos familiares, interpessoais e de territorialidade, como a exemplo se observou, entre os pintores navais Paulo e Manoel Menezes, que mantém uma relação amistosa de trabalho já há alguns anos nos estaleiros do bairro do Jatuíra na cidade de Igarapé-Miri. Outro aspecto relevante, segundo estes construtores, é que em sua maioria a escolha da identificação da embarcação é realizada pelo próprio proprietário:
Quem escolhe é o dono. Quando às vezes eles pedem pra gente escolher, a gente coloca o nome de santo, conforme a religião [...] A diária é 70 reais, se fosse empreita sairia por 2 mil, por exemplo, para um barco de 16 a 15 metros. O término do serviço depende do tempo. Agora só de manhã que dá pra trabalhar. Em média é 30 a 45 dias [...] Eu aprendi com o pintor Elson. A gente aprende a pintar tudo: barco, casa...Todo mundo é profissional. O pedreiro cobra igual ao pintor e o carpinteiro que é 70 reais. (Entrevista realizada com o pintor Manoel Menezes (Passarinho) em 19/04/2014). (informação verbal).
Portanto, os construtores navais artesanais dos três segmentos necessários à fabricação das embarcações de madeira: carpinteiro naval, calafate e pintor naval são interdependentes um para com o outro, relacionam-se entre si e fazem parte do processo produtivo da construção naval artesanal, assumindo papel de destaque no processo no decorrer de cada uma das três etapas gerais da fabricação das embarcações de madeira.
4.3 Estrutura hierárquica da construção naval artesanal