4. HISTORIEFILOSOFI: OM DET VIRKELIGE, DET MULIGE OG DET SANNE
4.4 H ISTORIEN SOM POLITISK ROM
4.4.1 Modernisme eller metahistorie?
O conceito de reportagem compartilhada ou distribuída pressupõe a existência de transparên- cia numa empresa de notícias. Tradicionalmente, os leitores só tomam conhecimento de uma matéria que uma empresa de notícias está preparando depois que ela é concluída e publica- da. Embora seja costume manter a idéia de um artigo em segredo para que ele não seja rou- bado pela concorrência, o modelo de reportagem distribuída exige da empresa de notícias que ela torne pública a idéia de uma matéria, tão logo seja iniciado o processo de elaboração. E por que isto? Para permitir a participação dos leitores no processo de produção da reportagem.
Em dezembro de 2006, o Cincinnati Enquirer lançou mão do poder da reportagem distri- buída para medir a obediência do público a uma nova proibição de fumar. Foi assim que o repórter investigativo do jornal Gregory Korte, descreveu a iniciativa em seu blog: “Fumante ou não fumante, você provavelmente vai querer saber que bares, restaurantes e boliches de Ohio estão obedecendo à nova proibição de não fumar – e quais estão ignoran- do. E nós vamos lhe contar. Mas como existem 1488 bares e restaurantes, apenas no conda- do de Hamilton, é difícil visitar todos eles. Este é um bom exemplo de por que o The Enquirer, assim como todos os jornais da cadeia Gannett, estão embarcando numa experiência que poderíamos chamar de ‘crowdsourcing’. Nós pedimos a você que nos ajude a escrever a re- portagem contando o que está acontecendo em todos os lugares aonde não podemos ir.”
Durante as eleições de 2006, o Cincinnati Enquirer convidou leitores a escrever sobre os pro- blemas que estavam ocorrendo em suas zonas de votação. De- zenas de leitores ligaram ou enviaram e-mail para descre- ver as irregularidades e o En- quirer produziu um mapa ba- seado no Google Earth para vi- sualização geográfica de todos estes problemas.
(http://www.cincinnatidata- desk.com/pages/voter.html). Embora o termo usado para descrever a produção coletiva de reportagens seja novo, o pro- cesso, em si, já é aplicado há vários anos. O Spokesman-Review, em Spokane, Washington, começou a fazer reportagens compartilhadas em 2001, com um banco de dados de endere- ços de e-mail – que foi chamado de “rede de leitores” – com os quais ele se comunicava enquanto estava elaborando as matérias. Esse modelo foi copiado por outros jornais e usado efetivamente em muitas situações, especialmente quando é necessário procurar fontes para entrevistas sobre um assunto específico ou reações a um determinado item do noticiário. Muitas redes de leitores foram criadas a partir de endereços de e-mail de pessoas que con- tactaram o jornal, seja enviando uma carta ao editor ou solicitando alguma reportagem. Através de seu Web site, uma empresa jornalística pode também organizar seu banco de dados divulgando a rede e convidando seus leitores para aderir a ela.
A Minnesota Public Radio foi ainda mais longe quando lançou seu projeto Public Insight Journalism (http://minnesota.publicradio.org/your_voice/). Ao coletar o maior número possível de informações, a empresa jornalística pode dividir a rede em vários segmentos e escolher sub-grupos específicos da lista para responder certas pesquisas. Pessoas que vivem numa determinada área de endereçamento postal, por exemplo, ou fãs de um determinado tipo de esporte.
Ken Sands, que foi um dos pioneiros nessa prática em Spokane, destaca dois pontos que diferenciam o uso de uma rede de e-mail em relação às respostas de uma audiência tradi- cional, como cartas ao editor ou entrevistas do tipo corpo a corpo:
Capítulo 4: Novos métodos de reportagem
“Primeiro, a interação ocorre antes da publicação, durante o processo de coleta de informa- ção; e o segundo ponto é que ao procurar alcançar as pessoas, você tem uma reação dife- rente e mais direta do que quando espera que elas sejam obrigadas pela necessidade a entrar em contato com você”, escreveu Sands no Knight Citizen News Network (www.kcnn.org)
Para mais exemplos de como usar o banco de dados do e-mail para fazer reportagem distribuída, ver o
artigo de Ken Sand em http://www.kcnn.org/modules/ using_e_mail_to_jumpstart_your _newsgathering/
Alguns jornais têm hoje mais de uma rede de leitores. Faz sentido criar e administrar ban- cos de dados de contatos separados para matérias sobre educação (se você precisa de con- tato direto com professores) ou para matérias sobre negócios (se você necessita de feed- back apenas das lideranças empresariais locais).
O conceito está se tornando também nacional (e/ou global). Em 2006, o professor Jay Rosen da Universidade de Nova Iorque lançou o NewAssiggnment.net, uma espécie de bolsa para projetos de reportagem em código aberto, produzidas por equipes de voluntá- rios. Craig Newmark (conhecido pelo sucesso do site de empregos Craig List) contribuiu com 10.000 dólares para ajudar a criar o projeto.
“Neste sentido não é como doar para sua estação local da National Public Radio (NPR)4,
porque sua estação NPR vai dizer, ‘Muito obrigado, nossos profissionais vão se encarre- gar do problema daqui para frente. E eles fazem isso muito bem”, escreveu Rosen em seu blog PressThink. “O NewAssignment tem uma postura diferente: Aqui está a reportagem. Nós coletamos informações muito boas. Agregue conhecimento a ela, e torne-a ainda melhor. Coloque dinheiro e faça-a acontecer. Trabalhe conosco se você sabe coisas que nós não sabemos.”
Numa época em que as empresas jornalísticas estão buscando formas de obter lealdade, conseguir atrair leitores e usuários para participar no processo pode ajudar muito.