O ESP - Inglês para fins específicos surge na década de 1960 e se torna o mais proeminente método na área de ensino de LE, principalmente nas universidades europeias que ofereciam cursos em metodologia ESP para estudantes estrangeiros. Posteriormente, foi criada uma revista internacional6 bem recebida pela comunidade acadêmica, dedicada para discussão e divulgação da metodologia em ESP.
O Inglês para fins específicos (ESP) é também conhecido no Brasil como Inglês Instrumental, devido a um Projeto Nacional de Ensino de Inglês Instrumental criado na PUCSP pela CEPRIL- Centro de Pesquisas, Recursos e Informação em Leitura. A priori, tem como objetivo principal capacitar o aluno a ler e compreender textos acadêmicos em inglês, usando estratégias e técnicas de leitura específicas dentro de um modelo de atividades voltado para as necessidades de cada aluno. Nesta abordagem, tanto o aluno como o professor desempenham um papel de destaque nesse processo de construção conjunta, pois caberá uma interação constante a fim de auxiliar o aluno no processo de desenvolvimento de habilidades
nas atividades de leitura, até que este esteja apto a identificar, sozinho, quais estratégias dentro de todo o sistema são as essenciais e necessárias para cada leitura.
A discussão é gerada em torno da definição de ESP e como se descreve essa metodologia no ensino de leitura em inglês. A respeito desta abordagem instrumental muito foi debatido nas conferências internacionais onde se discutia se o uso do ESP estaria apenas no ensino de Inglês com propósitos específicos ou se poderia ser utilizado nos estudos acadêmicos com finalidades profissionais, como já acontecia anteriormente no âmbito de algumas instituições de ensino superior, principalmente no Japão.
No Brasil, a figura até hoje conhecida como a maior incentivadora do Inglês para Fins Específicos (ESP), é a professora Antonieta Celani, (CELANI, 1983). Na época, inicio dos anos de 1970, ela coordenou o projeto de ESP no Brasil, que surge como uma necessidade vital de atualização acadêmica frente ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia e à falta de traduções das publicações em tempo hábil. Mediante as dificuldades de programas adequados e profissionais qualificados na área de leitura em LE, a coordenadora do Programa de Mestrado em Linguística Aplicada da PUCSP na época, Antonieta Celani, começa a planejar o desenvolvimento do projeto de Inglês para Fins Específicos (ESP) em nível nacional. Este programa contou com o apoio do Conselho Britânico, do Ministério da Educação e de linguistas ingleses e americanos, bem como de várias pesquisas, a fim de se identificar as reais necessidades do Projeto. O Projeto deveria inicialmente estar baseado no treinamento dos professores, na produção de material e na fundação de um centro de recursos em âmbito nacional. Surge então o CEPRIL – Centro de Pesquisas, Recursos e Informação em Leitura – que coordena cada elemento de pesquisa do projeto.
O Inglês para fins específicos (ESP), mais conhecido no Brasil como Inglês Instrumental, passa a ser uma disciplina indispensável no currículo da maioria dos cursos universitários, priorizando a habilidade de leitura e compreensão de textos no processo de aprendizagem, através das estratégias de leitura para capacitar alunos de diferentes cursos a ler e entender textos acadêmicos referentes a sua área de atuação.
O projeto ESP começou voltado exclusivamente para o estudo da leitura, pela sua natureza de ensino instrumental baseado nas necessidades de quem deseja aprender esta língua de forma mais eficiente e rápida. Esta abordagem vem sendo utilizada não só nas universidades, mas também em escolas técnicas, em cursos preparatórios para vestibular e
concursos públicos, tanto quanto em cursos preparatórios para candidatos à seleção dos cursos de mestrado e doutorado no Brasil.
Segundo Carelli (2004), o inglês instrumental como uma disciplina vem servir como um elemento facilitador no processo de leitura em LE, entretanto o sucesso do curso de inglês instrumental está diretamente relacionado com a aplicação adequada de estratégias de leitura a fim de utilizá-las corretamente dependendo da exigência de leitura.
Em várias definições existentes na vasta literatura sobre o ESP encontram-se dois elementos que são comuns: um deles está centrado na praticidade em aprendizagem da leitura em LE; o outro está em centrar o conteúdo da leitura na área de formação profissional. Neste sentido, observa-se nas instituições de ensino, cursos de ESP juntamente com o nome da profissão, ou seja, ESP para a área de Informática, ESP para a área de Administração, ESP para Medicina, e assim por diante conforme as disponibilidades que cada instituição oferece.
Carelli (2004) cita no seu estudo que é no ensino superior que o indivíduo sente uma maior necessidade de ser um bom leitor, haja vista que a leitura constitui um dos elementos fundamentais na metodologia ao longo da academia. Nesse contexto, é solicitado do aluno um volume maior de leituras que apresentam maior complexidade de compreensão, exigindo uma capacidade cognitiva para alcançar os objetivos da leitura.
Vale ressaltar que, ao longo dos anos, os pesquisadores na área de leitura em ESP, principalmente os que foram capacitados pelo grupo de Celani, John Holmes e Michael Scott, identificam que o Inglês Instrumental é um enfoque, uma abordagem. Ademais, cabe ao professor escolher a metodologia pertinente às necessidades do aluno, e esta escolha depende não só da necessidade como dos seus objetivos, especificamente quanto ao ensino da gramática. Só se estuda a gramática essencial, sendo normalmente associada ao texto se for relevante e se estiver impedindo a compreensão naquele momento.
Identifica-se também o material intitulado de Working Papers, criados de 1981 a 1989, no CEPRIL, a serviço do Projeto Ensino de Inglês Instrumental, que foi colocado à disposição dos interessados por meio virtual. Alguns dos Working Papers passaram por uma revisão, ao longo dos quase vinte cinco anos. Este material serve como testemunho do pensamento do ensino de línguas instrumentais no Brasil, em um dado momento da sua história.
Mediante a leitura exaustiva dos Working Papers, documentos importantes nesta visão panorâmica, identifica-se a preocupação do Projeto e relação à elaboração dos objetivos, confecção do material e desenvolvimento das habilidades, para atingir um resultado satisfatório no uso do Inglês Instrumental. Para tal, foram escritos verdadeiros “manuais de
instrução” abordando itens fundamentais como o escrito por Mike Scott, “Teaching and unteaching copying strategies; Some thoughts on testing reading comprehension in English for Academic Purposes”, (1981) e “Self-access in ESP”, (1984); por John Holmes, “Stages,
strategies, activities”, “The teaching of language items in ESP” e “The importance of prediction”, (1982); e
“
Text typology and the preparation of ESP materials”, (
1984). Todo esse material, tinha seu foco na escolha adequada de materiais, de atividades, estratégias, bem como na seleção de textos acadêmicos e originais escritos em Inglês.Segundo Dudley-Evans (1997), a definição para ESP estaria nas características de uso para necessidades específicas de leitores aprendizes, no uso da metodologia específica para servir às atividades de disciplinas específicas que utilizam textos em LE, tanto quanto na articulação da linguagem apropriada para cada gênero e discurso textual. Ademais, apresenta característica distinta se comparado à metodologia do Inglês Geral, a qual ressalta que no ESP o estudante deverá ter conhecimento básico do sistema da língua, adquirido no Inglês Geral, além de ser direcionado para estudantes adultos e em situação de trabalho profissional. Para esse autor, o ESP deveria ser visto simplesmente como uma abordagem de ensino de língua, na qual tanto o conteúdo como o método, deve ser baseado nas razões de aprendizagem do estudante.
Entretanto, atualmente, mediante observações da prática docente em cursos de leitura em inglês, bem como depoimentos de alunos advindos destes cursos é notado que a grande maioria dos professores utiliza o livro-texto adotado na metodologia do Inglês Geral, que raramente atende as necessidades de aquisição em língua inglesa, nem é capaz de selecionar material de interesse do leitor avaliando a importância de conteúdo. Nesse contexto não se verifica nem enriquecimento de informação na área profissional do leitor nem competência leitora em textos autênticos em inglês.
Considerando a necessidade de se obter conhecimento de conteúdo mais específico nas áreas de formação profissional, surge na maioria das instituições educacionais brasileiras o curso em Inglês Instrumental, que utiliza a metodologia do ESP para servir ao propósito
dessa formação profissional. Sendo assim, os professores deveriam focar muito mais na importância destas necessidades, analisando os materiais cuidadosamente com o objetivo de atender a esse propósito.
O Inglês Instrumental, assim denominado por assumir que a LI passa a ser um instrumento de acesso ao conhecimento geral e específico servindo a propósitos diversos de cada leitor. Hutchinson e Waters (1987) acrescentam que se deve admitir que o ESP passou por muitos momentos e fases desenvolvendo-se diferentemente em cada país. Estas fases devem ser levadas em consideração, pois trazem um caráter dialético na identificação e uso interativo de itens lexicais e gramaticais em textos de diferentes áreas de conhecimento. Também o foco na organização textual durante a construção de seus significados como também nos processos cognitivos da língua são importantes. Para tal fim, faz-se necessário uma ênfase no uso de habilidades e estratégias no processo de aprendizagem com vistas a facilitar a compreensão leitora de textos gerais e específicos, sempre priorizando as necessidades do aprendiz como situação alvo na abordagem instrumental.
Ressaltam-se as pesquisas de Ramos (2004), que considera primordial a ênfase da análise de gêneros em sala de aula para o uso de ESP como um meio instrumental de aprendizagem de leitura de textos em inglês. Segunda a autora,
“...a análise de gêneros é um poderoso recurso pedagógico no processo ensino-aprendizagem de língua estrangeira, pois além de conhecer os tipos de discurso que os alunos têm de ser capazes de entender ou produzir na situação-alvo, o professor pode compreender o propósito comunicativo de um texto a partir do contexto social onde ele circula.”(RAMOS,2004) Para enriquecer as palavras da autora, acredita-se que deva haver uma seleção criteriosa do material a fim de garantir que os exemplos de gêneros sejam autênticos e adequados aos alunos para que eles possam interagir com o que vivenciam no mundo que os rodeia, e assim garantir que esses alunos possam fazer uso da linguagem como prática social.
Para a comunidade que defende o uso da metodologia ESP, é de vital importância que os professores que a utilizem, sejam fieis as características e ao propósito que essa metodologia serve, especialmente quanto ao uso do material e da abordagem linguística proposta. Com estas práticas, acreditamos que o ESP pode ocupar uma posição de destaque no ensino de LE.
Por outro lado, é fato que o professor de ESP é oriundo das mais variadas formações, principalmente nos cursos livres de idiomas, que não são regulamentados nem controlados pelo Ministério da Educação. Já nas Universidades, o ensino de Inglês Instrumental muitas vezes é exercido por professores que não têm formação acadêmica na área de LI nem a capacitação da metodologia em ESP.
Considerando que o professor não é um mero técnico transmissor de informações e sim um mediador em processos de constituição de cidadania dos alunos, destaca-se a importância dos processos de formação e a análise dos saberes que são necessários à docência.
O professor deve conhecer as bases, as técnicas e as condições de exercício de sua profissão para realmente poder contribuir com o processo de aprendizagem. Uma formação completa envolveria aquisição de conhecimentos teóricos, experiência e preparação pedagógica. Ensinar é agir conscientemente sobre o aluno intermediado por uma mensagem (conteúdo). Para que essa mensagem seja bem transmitida e entendida é necessário conhecimento sobre a pessoa a ensinar e das condições necessárias à aprendizagem (PETEROSSI, 1994, p.112).
Nota-se que a prática da docência por pessoas que não são de fato licenciados tampouco capacitadas para a utilização da metodologia em ESP vem causando um desconforto para os professores que já tem o devido treinamento, bem como também coloca em dúvida a efetividade da metodologia do ESP. Sendo assim, o objeto de estudo dessa pesquisa se constitui na essência do uso do ESP mediante um trabalho metodológico ilustrativo, fundamentado na Linguística Teórica para facilitar um maior entendimento do ESP e sua efetividade no curso de leitura e compreensão de textos em Inglês, pelos professores de Inglês Instrumental.
Outro aspecto importante abordado neste levantamento é a questão das dificuldades para a adoção da abordagem instrumental, principalmente sem a devida capacitação, visto que ainda não há cursos de graduação para a formação de professores em Inglês Instrumental. Além das questões linguísticas, noções gerais do discurso, estruturas cognitivas em relação, especificamente ao aluno, ainda é difícil conscientizar os docentes e os discentes sobre as vantagens que a abordagem instrumental oferece em centrar nas necessidades do aluno, ao invés da adoção de um livro didático.
Por fim, as dificuldades também podem ser de cunho organizacional, pois irão depender do apoio da instituição, haja vista que a abordagem instrumental, a postura do
professor e o material disponível que atenda as reais necessidades, que nem sempre correspondem ao propósito do projeto em ESP.
Vale mais uma vez reiterar o que Dudley-Evans e St John (2005) ressaltam em seus estudos sobre a aplicação da abordagem em ESP. Para os autores, o docente ao decidir aplicá- la na área de leitura, deve observar os itens necessários para a efetividade desta abordagem, tais como: análise de necessidades, planejamento de curso, seleção/produção de material, ensino-aprendizagem e avaliação. Assim sendo, para que o docente em LI possa planejar um curso de capacitação em leitura dentro da abordagem instrumental, é fundamental que se faça uma análise de necessidades, a fim de se estabelecer os objetivos e o conteúdo do curso. Segundo Dudley-Evans e St John (2005), a análise de necessidades é imprescindível no processo de estabelecimento para do objeto de ensino e seus objetivos gerais e específicos para a potencialização da competência leitora em inglês.
3.3.2 Uma visão atual da aplicação da Metodologia no Ensino do Inglês Instrumental