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5.3 Argument Component Classification

5.3.1 Models Trained and Evaluated on the Norwegian

A desvalorização das Humanidades, em termos de desinvestimento em sentido lato, é uma perceção que se obtém facilmente assim que começamos a ganhar interesse pelo assunto. Ao pesquisar informação sobre esse tema, encontramos muitas opiniões que refletem uma preocupação com as Humanidades, por vezes consideradas juntamente com as Artes ou com as Ciências Sociais, que não podemos ignorar. Seguem-se alguns exemplos, entre muitos:

In several European countries, such as the UK, France, Italy, Spain, Portugal, Hungary and Poland, for instance, the budgets for SSH research have already been severely cut (European Sociological Association, 2015).

Scholars and university administrators worldwide are concerned about the long-term sustainability of Humanities research, particularly in a time of increasing financial cutbacks and growing policies towards quantifying scholarly achievement (Zuccala, 2013: 3).

The funds allocated for A&H activities are decreasing, showing a sharp decline from 2009 to 2012 (Moed, 2013: 1).

It has become commonplace to view the Humanities as under threat or in decline (Kreager, 2013: 1).

‘Crisis’ and ‘decline’ are the words of the day in discussions of the humanities (Gutting, 2013). Most universities in this world somehow acknowledge the importance of languages, literatures, music, art history, philosophy, religion, and education. But when it comes to basic financial issues, the humanities tend to be the first victims of budget cuts (Classen, 2012: 54).

The humanities are under severe pressure worldwide (Bod, 2011: 189).

[T]he dominant paradigm has been one of a technology push, which has largely ignored the potential contribution of the Arts, Humanities and Social Sciences to regional development and innovation (Goddard, 2011: viii).

Neste primeiro capítulo, temos por objetivo transformar a perceção referida num conhecimento fundamentado da desvalorização das Humanidades. De início, tínhamos a

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intenção de constituir indicadores que nos permitissem conhecer a intensidade com que se tem promovido a investigação nas áreas das Humanidades. Neste âmbito, pretendíamos quer traçar as tendências do financiamento quer perceber a evolução do número de investigadores a elas dedicados. No entanto, sobre isso, não encontrámos disponíveis séries estatísticas por país, mesmo recorrendo a várias fontes tais como a OCDE, o Eurostat e a UNESCO. Como, então, saber em que medida as Humanidades têm vindo a ser desvalorizadas nas últimas décadas de tal forma que é frequente depararmo-nos com a expressão “crise das Humanidades”?

Martha Nussbaum fala dessa crise. A autora tem consciência de que esta crise é ainda maior do que aparenta ser e, por isso, designa-a como sendo uma crise silenciosa (“the silent crisis”). Considera-a silenciosa quando a compara com a crise financeira de 2008, não porque entenda que seja menos grave mas porque é muito menos noticiada.

We are in the midst of a crisis of massive proportions and grave global significance. No, I do not mean the global economic crisis that began in 2008. At least then everyone knew that a crisis was at hand […]. No, I mean a crisis that goes largely unnoticed, like a cancer (Nussbaum, 2010: 1).

Mais concretamente, refere-se a uma crise da educação, a nível mundial, que tem como cerne as mudanças radicais que recaem sobre as Humanidade, para além das Artes.

The humanities and the arts are being cut away, in both primary/secondary and college/university education, in virtually every nation of the world. Seen by policy-makers as useless frills, at a time when nations must cut away all useless things in order to stay competitive in the global market, they are rapidly losing their place in curricula, and also in the minds and hearts of parent and children […] The crisis is facing us, but we have not yet faced it (Nussbaum, 2010: 2).

Por estas palavras constatamos que a crise das Humanidades, enquanto perda de peso nos curricula dos vários patamares do sistema educativo, resulta de orientações políticas e das opções dos estudantes. Seguindo esta pista, acabámos por contornar a nossa dificuldade quantificando a desvalorização das Humanidades através da análise da procura de formação superior em Humanidades. Um dos pressupostos subjacentes à criação do website Humanities

Indicators. A project of the American Academy of Arts & Sciences confirma a validade da

estratégia que seguimos para definir o facto que pretendemos estabelecer neste capítulo, a desvalorização das Humanidades, o qual procuramos explicar nos capítulos subsequentes.

The number of students who take degrees in the humanities provides one of the most fundamental indicators of the state of the field. Large changes in the numbers of those who choose

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undergraduate humanities major can affect the ecology of higher education, while an increase or decrease in the numbers of those completing advanced degrees in the humanities may signal tight job markets for new Ph.D.’s or warn of future shortages of teachers17.

Este capítulo começa pela análise da adesão à formação em Humanidades no ensino superior, em vários países, dissecando a sua evolução para um conjunto de indicadores. Incluímos também uma análise mais pormenorizada sobre a dinâmica da formação em Humanidades nos EUA, sobretudo por duas razões: por um lado, dado que é incontestavelmente o país mais importante em termos de volume de graduados, como se concluirá mais à frente e, por outro lado, porque disponibiliza um conjunto muito significativo de informação estatística, no portal que acabámos de referir. Como forma de complementar esta abordagem, no sentido de possibilitar uma dimensão de elaboração teórica, referimos ainda o estado das Humanidades num outro país. Finalizamos apresentando uma série de considerações sobre a desvalorização das Humanidades em geral.

Antes de avançarmos, porém, salvaguardamos a complexidade subjacente à questão da adesão aos cursos superiores de Humanidades. A questão tem, pelo menos, duas vertentes: 1) a disponibilidade de cursos e o número de vagas; 2) o interesse dos alunos. Uma maior ou menor adesão à formação superior em Humanidades resulta de um conjunto de escolhas, determinadas por um número imenso de indivíduos com uma ampla gama de interesses, interdependentes entre si e, por isso, em possibilidade constante de influenciarem e de serem influenciados. Mesmo se os agregarmos em grupos de acordo com um determinado perfil (decisores políticos - de organizações internacionais ou de governos nacionais, decisores institucionais, potenciais alunos, pais, educadores, empregadores, …), em cada grupo continuaremos a encontrar diversidade de interesses e de escolhas.

Neste sentido, a desvalorização das Humanidades resulta de um confluir de tensões, estando nesta fase em suspenso qualquer juízo que possamos fazer sobre que fatores são mais determinantes. Vendo esta realidade à luz do pensamento de Norbert Elias, podemos dizer que estamos, neste caso, na presença de “grupos formados por seres humanos interdependentes”, que formam entre si “teias de interdependência” que resultam naquilo que Elias diz ser uma configuração específica (Elias, 2015 [1970]: 14-15). Nesta condição, “[a]s suas acções são interdependentes” (Elias, 2015 [1970]: 142) e “as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as compelem”, “forças exercidas pelas pessoas, sobre outras pessoas e sobre elas próprias”, em suma, “forças sociais” (Elias, 2015 [1970]: 17).

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Se neste capítulo pode parecer que nos posicionamos sobretudo na perspetiva dos alunos, dado que caracterizarmos as tendências de evolução dos formados em Humanidades, sabemos que ao fazê-lo não estamos a olhar somente para as escolhas que estes fizeram. As decisões destes não dependem somente dos seus interesses intrínsecos mas também das ideias que os influenciam e do leque de opções que encontram à sua disposição, o que é condicionado por uma diversidade de escolhas (dos políticos, das instituições, mesmo dos alunos que os precederam, etc.).