4.3.1 Aspectos gerais da cadeia de suprimentos
Souza et al.(2006) compreendem cadeia de suprimentos como um conjunto de instalações dispersas geograficamente interagindo entre si. Como exemplos dessas instalações citam-se os fornecedores de matéria-prima, as plantas produtivas, os centros de distribuição,
os varejistas, o estoque em trânsito, os produtos intermediários e produtos acabados entre as instalações.
Assim, a Cadeia de Suprimentos constitui-se em um subconjunto da Cadeia de Valor, a qual é focada em agregar valor a um serviço ou a um produto físico, vinculando-se especificamente a Cadeia de Suprimentos distribuída na produção, disposição e vendas de produtos físicos.
Ainda para diversos autores, a Cadeia de Suprimentos apresenta-se como ferramenta que permite ligar o mercado, a rede de distribuição, o processo e a atividade de compra de tal modo que os consumidores tenham um nível de serviço ao menor custo total, simplificando assim o complexo de negócios e ganhando eficiência (BALLOU 1993; BOWERSOX e CLOSS, 1996; CHISTOPHER, 2001).
Segundo Santos (2000), o Gerenciamento dessa Cadeia de Suprimento é um sistema que envolve todos os elementos de uma cadeia de produção, do fornecedor de matéria-prima até a entrega do produto (serviço) pelo comércio varejista ao consumidor final, visando a otimização da cadeia como um todo.
Essas definições acerca da Gestão da Cadeia de Suprimento procuram unir o conceito de abordagem logística com o objetivo de conceituá-la e inferi-la em diversos contextos. Outros autores optam por transcrever as definições acerca de cooperação e coordenação entre organizações, configurações da rede de fornecedores e parceiros, desempenho e sustentabilidade da cadeia em si.
Enfim, segundo Teixeira et al. (2004) a definição para Gestão da Cadeia de Suprimento varia dependendo da perspectiva teórica utilizada como abordagem. Por exemplo, as áreas das ciências sociais tentam entender o fenômeno, enquanto que a área da produção e operações concentra maior esforço na aplicabilidade direta do tema (BURGES et al., 2006).
As distintas tarefas e atribuições da cadeia compreendem a operacionalidade logística, a qual, segundo Bowersox et al.(2007) se constitui no movimento do suprimento de produtos e matérias iniciando-se assim o fluxo de bens de valor agregado que resulta por fim, na transferência de propriedade dos produtos acabados das mãos de produtores ao proprietário dos meios de produção.
Este estágio de transferência é classificado como fluxo de materiais. Assim, o perfeito entendimento da cadeia de abastecimento integrado tem sido reconhecidamente um fator de vantagem competitiva para as organizações que entendem o seu papel com foco econômico no desenvolvimento e não somente no crescimento.
Assim a gestão da cadeia de suprimentos explica o trânsito por transferência de produtos, materiais ou/e informações na lógica econômica capitalista, compreendido como gestão de fluxos, na qual se insere o fluxo financeiro que pode ser caracterizado como a remuneração monetária resultante da comercialização e da entrega de produtos ou da prestação de serviços.
Considerando ainda que todo processo que envolva manuseio, armazenamento, compra, venda, entrega e outros já caracteriza a ideia de fluxo existente no cerne do processo de produção e comercialização de uma Unidade de Produção Agrária Familiar na qual a mulher é responsável direta e única por alguns desses processos.
De acordo com Coughlan et al. (2002), canal de distribuição é um conjunto de organizações interdependentes envolvidas no processo de disponibilizar um produto ou serviço para uso ou consumo. O conceito indica que várias empresas estão envolvidas no processo a fim de satisfazer aos usuários finais no mercado, sejam eles consumidores ou compradores empresariais. Junqueira (1999) afirma que os canais de distribuição, além de satisfazer à demanda pela disponibilização de produtos e serviços no local, em quantidade, qualidade e preço correto, também têm papel fundamental no estímulo à demanda, através de atividades promocionais, como propaganda, promoção de venda, merchandising, dentre outras.
Para entender canais de distribuição é interessante saber as razões da emergência dessa estrutura. Segundo Coughlan et al., (2002), existem duas fontes que geram o desenvolvimento e a mudança no canal de distribuição: fatores por parte da demanda e fatores por parte da oferta. Nos fatores por parte da demanda, têm-se a facilitação da busca e o ajuste de discrepância de sortimento. Os intermediários facilitam as buscas nas extremidades do canal, pois o processo de busca é caracterizado pela incerteza tanto dos usuários finais quanto dos vendedores, visto que os usuários finais não sabem ao certo onde encontrar os produtos ou serviços e os vendedores não sabem ao certo como atingir de forma adequada os usuários finais. Quanto à discrepância de sortimento, os intermediários independentes em um canal de
distribuição desempenham a importante função de classificação de produtos. Esta ação é importante devido à discrepância natural entre a variedade de bens e serviços produzidos por um determinado fabricante e a variedade exigida pelo usuário final.
Entre os fatores por parte da oferta, têm-se a criação de rotinas de transações e a redução do número de contatos. Como cada transação de compra envolve pedir, avaliar e pagar por bens e serviços e, ao mesmo tempo, comprador e vendedor têm que chegar a um acordo sobre a quantia, modo e prazo de pagamento, as rotinas de transação podem minimizar os custos e a rotina leva à padronização de bens e serviços. A redução no número de contatos é possível devido à existência do intermediário. Sem estes, cada produto teria que interagir com cada comprador potencial diretamente, para criar todos os intercâmbios possíveis de mercado (JUNQUEIRA, 1999).