Nesta seção, é feita a apresentação e descrição dos sujeitos participantes da pesquisa, bem como do local que ela foi desenvolvida.
3.2.1 A escola campo
A descrição a seguir está de acordo com o Projeto Político Pedagógico da escola pesquisada, também está de acordo com informações obtidas com a equipe gerencial da instituição.
A escola X14, situada em um bairro da periferia de Itabira no município de Itabira, foi criada em 1985 pelo Decreto nº 24.543. Esta instituição está vinculada à 24º Superintendência Regional de Ensino e à Secretaria Municipal de Educação do Município.
Inicialmente, a escola, começou a funcionar com uma denominação, somente após a participação da comunidade, o nome de um líder comunitário foi escolhido para oficializar o estabelecimento de ensino que passou a se chamar X.
Em 1998, por meio da Resolução n.º 9297/98, a escola passou a ser municipal, com atendimento do pré-escolar à 4ª séries. No ano de 2000, a escola foi regulamentada oficialmente para atender da 1ª à 8ª séries do Ensino Fundamental e um Projeto de Aceleração para Jovens e Adultos.
Na época da coleta de dados, a escola atendia a setecentos e sessenta e cinco alunos. No turno da manhã, somavam-se dez turmas do Ensino Fundamental II, formadas por duzentos e oitenta e um alunos, cuja faixa etária versa entre onze e dezesseis anos. No turno da tarde, totalizaram-se dez turmas do fundamental l formadas por duzentos e vinte e cinco alunos na faixa etária entre seis e treze anos. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA) estavam matriculados duzentos e cinquenta e nove alunos a partir de dezesseis anos, que frequentam o horário noturno.
Além das dez salas de aula, a escola possui uma biblioteca, sala de vídeo, pequena sala para estimulação e atendimento aos alunos, laboratório de informática e laboratório de ciências.
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Contudo, há pouco espaço externo; a escola não possui local adequado para prática de educação física. Normalmente, as atividades esportivas são realizadas em um espaço disponibilizado pela associação comunitária do bairro em que a escola se encontra. Em virtude dessa falta de espaço externo, o momento de intervalo, o recreio, é também tumultuado. As demais dependências são: sala da direção e vice-direção, sala de coordenação, secretaria, sala de professores, cantina e almoxarifado. Assim, o espaço físico da escola não é totalmente adequado ao número de alunos e às demandas da comunidade escolar.
A equipe gerencial é formada por uma diretora, três vice-diretoras, uma para cada turno escolar. A escola conta também com duas pedagogas, quatro auxiliares administrativos, seis coordenadoras de disciplinas e de turmas. Há uma professora especialista de apoio aos alunos deficientes auditivos, uma psicóloga que atende a um grupo de alunos uma vez por semana, no turno da manhã.
3.2.2 Os sujeitos
Os principais informantes para este trabalho foram cinquenta alunos de duas turmas de sexto ano. Essa faixa etária foi escolhida por acreditarmos que com seis anos de escolarização, em média, os estudantes já devem, idealmente, ter vencido a fase da alfabetização e ser capazes de realizar com autonomia algumas leituras.
Ao chegarmos à escola, no final do ano de 2011, houve prontamente recepção e adesão da equipe escolar, ou seja, da coordenadora e da professora do sexto ano ao projeto de pesquisa. Como a coleta iniciou-se no fim do ano de 2011, não foi possível fazer um acompanhamento mais extenso com a primeira turma 601. Em 2012, ao retornarmos à escola, uma nova professora do sexto ano foi apresentada e que também aceitou participar do trabalho. Assim, foi reiniciada a coleta com outra turma de sexto ano. O trabalho não continuou com a turma anterior, de 2011, pois os alunos foram redistribuídos em várias turmas de sétimo ano. Não seria possível, dessa forma, acompanhar a turma como um todo. O critério da escola é, a cada ano, re-enturmar os alunos, agrupando-os em turmas diferentes. O objetivo disso, segundo a escola, é manter turmas heterogêneas de forma equilibrada e minimizar os possíveis problemas de indisciplina.
Além dos alunos, as professoras regentes de língua portuguesa das duas turmas foram informantes secundárias, pois o foco do trabalho foi o aluno. Nas próximas seções, os perfis desses informantes são descritos.
3.2.2.1 Os alunos
As turmas foram escolhidas para realização das atividades a partir de indicação da professoras regentes do sexto ano e da coordenadora de área. De acordo com elas, as turmas indicadas responderiam melhor à proposta e às atividades de filmagem e observação das aulas bem como à entrevista/questionário.
Assim, a coleta de dados foi realizada na turma 601/11 de novembro a dezembro de 2011 e na segunda turma, 601/12, de março a setembro de 2012. A primeira turma era composta por trinta e três alunos matriculados, mas apenas trinta eram regularmente frequentes e participaram de todas as atividades propostas. A segunda turma inicialmente era composta por vinte e quatro alunos na primeira etapa, posteriormente, dois alunos foram transferidos, ficando com vinte e dois. Em meados de abril, outros dois alunos foram transferidos e duas alunas novas foram admitidas por transferência. Participaram de todas as atividades cerca de vinte alunos. Somando-se as duas turmas, cinquenta alunos participaram do processo.
Os sujeitos participantes eram estudantes de faixa etária entre 11 e 12 anos, moradores do bairro de periferia onde está situada a escola e/ou bairros circunvizinhos. A maior parte oriunda de famílias de baixa renda, de trabalhadores assalariados e com nível de educação básica. Para maioria desses estudantes, a escola constitui-se na principal referência de letramento e de convivência.
As turmas caracterizaram-se por serem bastante agitadas e com baixa concentração durante as aulas. Houve, ao longo do período de observação e registro das aulas, conversas paralelas, brincadeiras e desentendimentos entre alunos. Todavia, durante a realização da atividade de leitura-controlada aplicada na pesquisa, a maioria dos alunos foi participativa e procurou cumprir o que foi proposto.
No início da coleta, os objetivos e procedimentos foram apresentados aos sujeitos participantes da pesquisa. Em reunião regular da escola com os professores, houve a oportunidade de deixar os pais cientes do que seria realizado e da importância da contribuição de seus filhos para a pesquisa. Tanto os alunos e seus pais, bem como as professoras concordaram e assinaram um Termo de Livre Consentimento Esclarecido (TLCE)15. De acordo com esse documento foi garantido aos participantes o sigilo de seus nomes e imagens.
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3.2.2.2 As professoras
As professoras foram voluntárias e aceitaram prontamente o convite para participar do trabalho. Elas permitiram a observação e filmagem das aulas; sempre que necessário, estiveram disponíveis para fornecer informações e também para responder à entrevista semiestruturada. Elas serão identificadas como Ana e Rosa16.
Professora Ana
No final de 2011, na escola campo, o contato foi feito com a professora do sexto ano, turma 601, que havia sido indicada pela coordenadora de português. A professora Ana, 30 anos, é graduada em Letras em uma instituição privada, em cidade vizinha a Itabira.
Na data da entrevista, ela declarou ter em média quatro anos de experiência em lecionar Português. Ela estava trabalhando na escola pela segunda vez, por dois anos consecutivos. Segundo ela, havia sido aprovada em concurso público para professor, mas não havia ainda sido nomeada para efetivação. A distribuição de turmas na escola é feita pela direção em acordo com os professores e coordenadores de área. Comumente, os professores que são contratados não escolhem as turmas em que irão lecionar, pois é tradição, na escola, que professores concursados e efetivos, com mais tempo de exercício na profissão e atuação na unidade escolar, tenham a primazia na escolha das turmas. Desta maneira, foi para trabalhar com turmas não escolhidas pelos professores efetivos que a professora Ana havia sido contratada. Além de três turmas do sexto ano, ela também lecionava para uma turma de nono ano.
Ana mostrou-se comprometida com a educação, organizada com os planejamentos e execuções das tarefas pertinentes à função. Demonstrava bom relacionamento com os alunos e agia com autoridade mantendo a disciplina, sempre que possível. Contudo, nem sempre conseguia a adesão e participação de todos nas atividades. Trabalhava de manhã em Itabira, voltava à cidade vizinha, onde mora, à tarde e, à noite, frequentava um curso técnico em segurança do trabalho. Pensava em mudar de profissão se tivesse oportunidade, por isso estava estudando. Apesar de gostar de lecionar, dizia estar um pouco decepcionada com as condições de trabalho do professor na atualidade e com a educação de forma geral.
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Os nomes adotados para as professoras, Ana e Rosa, são codinomes para garantir o sigilo da identidade dos informantes.
Professora Rosa
No início de 2012, no retorno à escola para prosseguir com a pesquisa, foi feito o contato com a coordenação e o pedido para continuar o trabalho com uma turma de sexto ano, visto que os alunos do ano anterior haviam sido distribuídos em várias turmas diferentes, impossibilitando-nos de acompanhar o grupo como um todo. A coordenadora apresentou a professora Rosa que lecionava para três turmas de sexto ano e uma turma de sétimo. Rosa não fez objeção ao trabalho, concordou com a realização das atividades em sua turma. Junto com a coordenadora, ambas indicaram a turma 601 para a realização das atividades.
Na entrevista, a professora Rosa não declara sua idade, mas provavelmente está na faixa etária entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Ela possui experiência aproximadamente de doze anos como professora. Trabalhou em diferentes escolas estaduais e particulares da cidade, além disso, possui experiência em trabalho administrativo, pois foi funcionária de um escritório de contabilidade por vários anos. Na época da pesquisa, lecionava em duas escolas, de manhã e à tarde, ministrava língua portuguesa para o ensino fundamental e médio.
Rosa estudou em Itabira, graduou-se em Letras em uma instituição privada na cidade. Na escola X, trabalhou por diversas vezes como professora com contrato temporário. À época da pesquisa, estava com um contrato para todo o ano de 2012. Também havia sido aprovada no concurso público para professor, mas não havia sido classificada para efetivação. Assim como ocorreu com Ana, Rosa foi para escola a fim de trabalhar com turmas que estavam sem professor de português e não coube a ela a escolha das turmas e dos anos aos quais lecionaria.
A professora mostrou-se solícita e sempre disposta a colaborar com a coleta de dados. É uma pessoa curiosa, aberta às sugestões e propostas da coordenação de área. No dia a dia, revelou boa interação e relacionamento com os alunos. Todavia, nem sempre, conseguia organização, envolvimento e participação de todos nas atividades. A turma mostrava-se muito agitada, falante e não participava sempre das propostas.
Ambas as professoras contribuíram de forma significativa para a realização desta pesquisa, permitindo que o trabalho fosse feito em suas turmas. Sem a contribuição delas, o trabalho não poderia ser realizado.
Para atingir o propósito do trabalho e entender como, na prática da sala de aula, é construída a competência leitora com auxílio do livro didático considerando-se a metodologia adotada, foi
necessária, na constituição do corpus, uma série de procedimentos ou passos descritos a seguir.