3. Results and discussion
3.2 Modelling results
No Ocidente não existe uma Rede Social que reúne tantas pessoas quanto o Facebook. Pelo volume de utilizadores cadastrados, ele desperta o interesse de muitas empresas, “A empresa pode não estar na Web, mas o consumidor está [e, muitas vezes, seus concorrentes também, o que piora o quadro]” (Adolpho, 2011, p. 111). Em 2015 de acordo com a Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, mais de 40 milhões de pequenas e médias empresas (PMEs) usam o Facebook no mundo, destas 3 milhões estão no Brasil, a metade das instituições desse porte no país.
Quando observamos as relações entre utilizadores e empresas, entendemos o quanto a Rede é uma ferramenta útil, para alavancar vendas ou divulgar uma marca, “Uma coisa é certa: o Digital não é uma opção” (Elias, 2015, Capítulo Introdução, parágrafo 3). A página FB do Continente, a rede de supermercados em Portugal possui 1.745.735 Gostos (NA: dados de 25 de agosto de 2015), o número é importante, pois cada utilizador que aprova uma página passa a segui-la26, e assim recebe as publicações e atualizações em seu perfil, o que serve de referência
para outros utilizadores ligados a ele, o nosso “Fator F”.
Os processos de Convergências falados na primeira parte deste estudo, mas com foco nos meios e no desenvolvimento tecnológico, são colocados agora como a principal vantagem que as marcas e os utilizadores têm no Facebook, pois tudo passou a convergir para o ambiente da Rede, o que está fragmentado, distribuído por vários espaços, agora se encontra em um único lugar. O Facebook é o resultado da Convergência, onde as marcas, os produtos, os utilizadores colidem, um ambiente multitarefa que permite a busca de conteúdos e produtos, em que cada coisa resulta em mais eventos. O Facebook tornou-se uma espécie de vitrine para as marcas; García (2012, p. 246) afirma que, por suas características, a Internet pode ser uma importante ferramenta de exibição das empresas, as quais podem criar fluidez intensa de informação através da Web, focar em uma corrente de relações, criar ligações entre organizações e o seu entorno. O Facebook é capaz de criar essa dinâmica exemplificada por García, os utilizadores, as marcas e as organizações interagem em uma dinâmica de relações e proximidades que poucos meios têm a capacidade de realizar.
O objetivo final de uma empresa é a comercialização dos seus produtos. Portanto, em uma Rede Social como o Facebook, as marcas criam estímulos para que os utilizadores sejam levados ao consumo. “O comércio, é claro, está relacionado a venda de produtos e serviços, mas as pessoas consomem focadas em atender desejos e aspirações” (Gobé, 2001, p. 143). Ser vitrine ou espaço de relações torna o Facebook uma ferramenta onde é possível criar mecanismos de comunicação e interação a cada necessidade e desejo específico dos utilizadores, a
aproximação entre empresa e Facebooker tem convertido marcas em património pessoal dos seus consumidores.
[...] provavelmente a imagem que mais define a nossa época — no qual pessoas de todo o mundo, de praticamente todos os países em cada continente, se vestem, da cabeça aos pés, com roupas que têm os nomes e símbolos de bebidas gaseificadas, calçado desportivo, tele móveis, universidades, equipas de futebol, skis, material de construção ou qualquer outra coisa com a qual sinta afinidades. Trata-se de uma manifestação única da nossa época. Jamais aconteceu antes (Olins, 2005, p. 17).
Conectar a reflexão de Olins ao volume de utilizadores do Facebook observando o quanto eles interagem com suas marcas preferidas, permite-nos entender o quão importante algumas empresas são na vida das pessoas. Em uma postagem do Azeite Gallo na sua página do Facebook, entre tantos Envolvimentos, um utilizador comenta: “Eu confiava na marca uma pena perder a credibilidade” (comunicação pessoal do dia 4 de fevereiro de 2015), uma hora e dezesseis minutos depois, um seguidor escreve: “Só uso Gallo, pra mim não tem outro, já usei outras marcas, mas nenhum se compara, jamais usei azeite espanhol ou italiano, pra mim e pro meu prato só vem o meu bom português Gallo” (comunicação pessoal do dia 4 de fevereiro de 2015)27. Quando uma marca é atacada por um Facebooker e outro a defende, este o faz porque
se sente atingido, se a marca faz parte da sua personalidade, da sua “ideologia”, ele argumenta, não só em defesa da empresa, mas em defesa própria; está na verdade a defender seus interesses pessoais.
Demostrando um trabalho realizado pela Sophia Mind, uma empresa de pesquisa e inteligência de mercado que atua com foco no universo feminino, o portal Proxxima (2014), traz em uma pesquisa que mais de 90% das mulheres afirmam ser o Facebook a sua rede social preferida, mais de 50% das mulheres entre 18 e 60 anos de idade, assumem que aumentou a admiração a uma marca por conta do conteúdo que ela publica no Facebook, 72% afirmam clicar nos anúncios e conteúdos das marcas que são publicados na Rede Social. Isso não quer dizer que o Facebook seja uma Rede Social feminina, ele é um lugar de todos, mas neste caso em específico esses dados percentuais sinalizam para as marcas focadas no universo feminino que sua audiência está lá.
Talvez a maior distinção entre o Facebook para o utilizador e para as marcas é que os utilizadores estão na dianteira das dinâmicas relacionais que a Rede possui, em nenhum outro meio isso tinha acontecido com tanta facilidade, as marcas precisam se adaptar as novas regras. O Facebook solicita das marcas novas demandas de conteúdos, exige relações mais diretas e transparentes, as empresas agora podem organizar e segmentar de forma mais detalhada seus
27 Comunicação pessoal do Facebook da marca Gallo disponível em:
https://www.facebook.com/azeitegallobrasil/photos/a.631508403583746.1073741828.608772625857324/8389939228 35192/?type=1&theater .
públicos, os mecanismos de comunicação deixam de ser processos de massa e passam a ser mais individualizados, conteúdos são criados para atender ao utilizador com desejos e necessidades cada vez mais específicas. Estar atenta a seus públicos é uma obrigação moral das marcas, estas têm que ouvir, atender e entender de forma cada vez mais personalizada todos os seus consumidores, um grande desafio para empresas que têm públicos a cada dia mais conectados e exigentes.
Com a exposição da evolução dos meios onde a tecnologia possibilita processos de integração entre sujeito e máquina focamos nas ferramentas e no panorama criado pela Web 2.0 até as Redes Sociais, mais especificamente o Facebook. De agora em diante trataremos do utilizador com mais atenção, tentaremos identificar o indivíduo Facebooker e suas principais características.