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Nessa etapa da investigação, trabalhamos com os seguintes temas: emoções, sensibilizações, relações afetivas no ambiente de trabalho e suas limitações. Lembramos aos participantes que, de acordo com Codo & Gazzotti (1999), a concretização “plena” da relação afetiva nunca ocorre, ela é sempre parcial. O trabalho requer um vínculo afetivo, mas com organização desse trabalho, com regras explícitas, com organograma e técnicas estabelecidas, enfim, “cuidar não envolve apenas oferecer afeto, mas há princípios a serem obedecidos quando se fala do cuidado profissionalizado.” (p. 57)

Sessão 5

Emoção

Memórias descritivas da sessão

– A sala foi organizada de forma que os participantes pudessem sentar em círculo para ouvir uma música instrumental (Anexo C, n. 7), que serviria de preparo para a primeira vivência teatral. Eles deveriam interagir a partir de uma folha de papel de seda, material base para construção de objetos (presentes a serem dados aos colegas).

Todos iniciaram o manuseio da folha bem concentrados, criaram e recriaram, emocionaram-se a cada presente confeccionado, o silêncio era sempre quebrado por uma gargalhada, que transmitia confirmação da clareza do objeto recebido, principalmente quando o criador interagia com o presente antes de agraciar o colega ao lado, e este recebia com observações mais intensificadas e com manuseios lentos durante a reconstrução dele.

Ilustração 5 –Vivência: Dar e receber Ilustração 6 –Vivência: Dar e receber

Rebelo disse que achou interessante a relação do reconstruir um objeto, tornar presente outra vez um presente, ou seja, sempre ofertar coisas interessantes àqueles que nos circundam, no caso, os seus pares, professores.

Para Aida, tanto a sensação de dar como a de receber lhe foi muito agradável. Ela nos contou que ganhou de seu colega, Marcos, uma caixa, mas que não conhece o seu conteúdo. Por fim, todos foram falando o que haviam recebido e dado aos colegas.

Inspirados por uma música de fundo (Anexo C, n. 8), Rebelo e Murinel iniciaram a segunda vivência da sessão, que tinha como regra trabalhar as mesmas emoções nos comandos recebidos. A dupla ora estava concentrada, ora

descontraída, principalmente quando um dos comandos foi “ciúme”; os dois ficaram sem ação e não sabiam como conduzir as expressões e a emoção, apelando para o que chamamos de cenas de “comédia-pastelão”, o exagerado desnecessário, cômico demais, propiciando risos e ausência de concentração no coletivo. Dificuldade esta justificada por Rebelo como ausência de tempo para se remeter a uma situação de ciúme, necessária para a realização daquele trabalho, incitando comentários sobre a questão de gêneros, que já está automatizado com ligação direta aos relacionamentos amorosos.

Na dupla formada por Aida e Marcos, foram trabalhadas emoções opostas; houve uma dominação quase completa de Marcos sob Aida, que pela facilidade de interpretação do primeiro acabava sufocando as tentativas da colega, arrancando dela risos em momentos que deveria prevalecer a tristeza, a desilusão.

Ilustração 7 – Vivência: Ação e reação

Na dupla seqüente, também trabalhada as mesmas emoções, Heloisa e Silvia surpreenderam com algumas atitudes tomadas. Heloisa nos perguntou logo no início da atuação se podia se levantar, se movimentar, usar outros recursos. Evidentemente, respondemos que sim, era essa autonomia que esperávamos deles. Ela estava sentindo necessidade de acrescentar, de adequar a proposta às suas necessidades, de criar outros comandos além dos existentes, e o que vimos foi um show de oralidade, de improvisação.

Ilustração 8 – Vivência: Ação e reação

Durante a avaliação das duas dinâmicas, deixadas para o final da sessão, os participantes falaram sobre ódio, rancor, mágoas, frustrações do dia-a-dia da profissão, o quanto se sentem sufocados em algumas situações e não sabem muitas vezes como diminuir essa carga emocional que os assola; lembraram-se de vários casos vividos em sala de aula e como é frustrante não ter ajuda dos pares ou até mesmo do administrativo escolar.

“[...] as vezes não sabemos como e nem por onde começar, sozinhos é difícil mesmo.”, comentou Rebelo.

“Tenho que saber controlar minhas emoções e não reagir do jeito que o aluno espera, mas é difícil, tenho que aprender a não me envolver demais.” – Heloisa

Análise da sessão

– Nessa sessão, as vivências aguçaram as emoções dos professores, mexeram com seus sentimentos, provocaram atitudes que serviram de estímulo à discussão sobre emoções e sentimentos, tão pouco abordados no ambiente escolar e tema capital hoje no processo de formação docente.

O objetivo das atividades era o de levar os participantes a perceberem seus bloqueios, os incômodos profissionais e pessoais, problematizar a própria conduta, as próprias ações, estimular autonomia, os limites que devem existir no envolvimento emocional, a segurança individual e coletiva no que diz respeito às

emoções e a clareza de que quando extrapoladas devem ser trabalhadas com ajuda de profissionais externos à escola (psicólogos, terapeutas).

As falas de Rebelo e de Heloisa a respeito de estar só e não saber como resolver problemas dessa natureza, e que precisam aprender a lidar com os problemas emocionais, mostram as causas, ao nosso ver, para o mal-estar docente, para a desestrutura que assola a categoria em grande escala. Esses são os maiores responsáveis pelas doenças psicológicas e físicas que levam o professor a se isolar, a ter medo de se abrir, de mostrar suas deficiências, de pedir ajuda, pois teme a incompreensão dos colegas de trabalho, acabando por adquirir doenças e mais doenças que o levam a readaptação forçada, licenças constantes, aposentadorias proporcionais e até exonerações.

Os professores precisam encontrar formas de lidar, de amenizar essas questões que envolvem o emocional no ambiente de serviço, e uma maneira de fazer isso é começar pela exposição de tais situações ao seu coletivo, dividindo responsabilidades, ouvindo opiniões, administrando com outros profissionais (coordenação, direção) esses conflitos.

Após essa sessão, fomos convidados pelo diretor da escola para almoçarmos na própria escola e conversamos sobre o andamento da formação dos docentes. Ele se mostrou curioso em relação ao ânimo com que os professores comentavam sobre a formação com ele e com a coordenadora pedagógica, e trouxe-nos vários exemplos vivenciados por ele no ambiente daquela escola, no que tange ao emocional, na lida com os pais, professores e alunos. Falou-nos que essas experiências traziam grandes acréscimos, que ultrapassavam a vida profissional, por isso entendia muito bem os nossos objetivos nesse curso de formação. Havia outros temas a serem discutidos, além de conteúdos aplicados em sala de aula, além do pedagógico, e que isso não é levado em consideração nas práticas formativas.

Marcos apareceu também no refeitório da escola e confirmou a nós dois a importância de trabalhar, de discutir o emocional nesses encontros:

“Deveriam existir pelo menos duas horas por dia desse tipo de atividades, pois é necessário e urgente lidar com essa discussão sobre o emocional na vida do professor.”

Exatamente nesse momento da pesquisa, faz-se necessário saber um pouco mais da vida pessoal dos professores participantes, de suas histórias, de

suas culturas e, para tanto, elaboramos um questionário aberto (Anexo A, n. 1). Ao respondê-lo, os professores se remeteriam às suas infâncias, às suas brincadeiras prediletas, à relação familiar e à diversão, à arte e à cultura.

Participantes: 7 professores

Sessão 6

Memórias descritivas da sessão

– A primeira vivência teatral trazia como desafio a concentração durante falas simultâneas. Rebelo e Marcos conseguiram com muita facilidade manter a concentração em seus próprios discursos, em suas falas; andavam, gesticulavam, entreolhavam-se sem perder seus focos, estavam bem aquecidos e cresciam nas ações da oratória.

Murinel demorou um pouco mais para começar a elaborar frases que, ditas em tom de voz baixo demais, eram imperceptíveis no ambiente; ele sorria muito e se desconcentrava, principalmente ao olhar para Aida, que também estava meio deslocada. Ambos cruzavam sorrisos e concentravam-se nas interferências da música e das falas dos colegas.

O tema escolhido para a segunda dinâmica foi “acampamento entre amigos”. Pedimos para que começassem a caminhada ao local do acampamento e que interagissem com os elementos que recebessem no decorrer desse percurso. Inicialmente, acrescentamos um pano preto grande, colocamos uma música com sons de canto de pássaros e ruídos da mata (Anexo C, n. 9). Minutos depois, mudamos a música para outra, de efeitos de chuva, com trovões (Anexo C, n. 10), e

Desafios

Falas simultâneas Situações

apagamos as luzes da sala. Antes, orientamos Aida para que ficasse de fora da fase inicial da dinâmica; na hora permitida, que ela entraria e interferiria, pedindo abrigo. Acrescentamos posteriormente uma vela e uma caixa de fósforos, e pedimos para que um deles, aleatoriamente, fizesse uma revelação muito séria ao grupo. Deixamos que atuassem um pouco mais e demos o comando de pausa: agora teriam que resolver as situações, anular na seqüência de uso as interferências que haviam recebido, até encerrar com a primeira ação da dinâmica, o caminhar pela floresta; nós os ajudamos retirando música e acendendo as luzes.

O desafio posterior era montar uma escultura móvel. Eles optaram pelo tema "eleição", visto que no final de semana anterior havia ocorrido o referendo quanto ao uso de armas no país.

O primeiro a compor a escultura foi Rebelo, que se posicionou com um movimento aberto, convidativo ao próximo colega, que completou com mais uma ação dentro da temática. Assim, todos acrescentavam os movimentos, demoraram um pouco para concluir a primeira parte da escultura, que expôs as micro-ações do ato de votar: conferência de voto, representação de tiros com alvo mirado para uma única direção e gestos de cumprimentos.

Ilustração 9 – Vivência: Escultura móvel

A escultura estava ótima, havia harmonia, concentração, coerência e clareza nos movimentos. O resultado era tão surpreendente que não conseguíamos

vê-los como pessoas compondo uma escultura, e sim uma escultura, uma instalação em movimento.

Rebelo iniciou as avaliações do dia afirmando que havia gostado muito do jogo das interferências, que o grupo estava bem concentrado, as idéias fluíam naturalmente; em relação às ações simultâneas, no seu dia-a-dia profissional, já vivenciava muito bem essa loucura, já que participava de muitas atividades simultâneas, por isso não encontrou dificuldades para se concentrar na hora certa na atividade mais emergente, e que em momento algum se sentiu desconcentrado do texto que criou e recitou com muita determinação.

Marcos também confirmou o que havíamos percebido; ele estava bem concentrado:

“Não percebi a música de fundo após o início da minha criação textual; na dinâmica das interferências, me senti muito à vontade, e na hora da interferência nas ações, do desabafo com os colegas de acampamento sobre um assunto muito delicado, senti uma emoção muito forte, me imaginei sendo “soropositivo” e dividindo a dor com colegas de confiança, foi muito forte.”

Aida relatou que no início estava desconcentrada, não conseguia pensar em algo para falar, mas na segunda dinâmica, a das interferências, estava bem à vontade. Aliás, infringiu uma das regras do jogo, que era não poder resolver ou se desfazer das interferências, sem prévio aviso do coordenador, e foi logo se despedindo do grupo, alegando ter passado a chuva que a impedia de continuar sua caminhada mata adentro, mas os três rapazes na barraca acharam logo argumento para proibi-la de se retirar. Em relação a essa atitude, perguntei a eles se assim agiram em respeito às regras que tinham ou se houve outro motivo. Rebelo, sarcasticamente, disse que não; que, pelo menos no caso dele, havia três homens e seria muito boa a companhia de uma mulher, inclusive para um banho em uma cachoeira existente no local.

Apesar de estarmos dentro de uma ambiente de trabalho, ele estava agindo no pessoal, com muita espontaneidade em relação às suas emoções, pois, como professor, talvez ele não agisse ou se assumisse dessa forma.

Murinel relatou que estava sem muita concentração no primeiro jogo, que ria quando olhava para o grupo, em especial para Rebelo e Marcos, que falavam

circulando pela sala, e que a música contribuiu muito para a sua dispersão. Na seqüência das atividades, ele se envolveu bem e se sentiu mais seguro.

Pedimos para que eles pensassem nessas experiências no decorrer da semana e que na próxima avaliação coletiva teriam mais espaço para comentários e observações. Após essa sessão, Rebelo sugeriu que as atividades do dia fossem trabalhadas também com outros professores, em HTPC e em um evento que ocorreria na escola dias depois, chamado de “movimento contra cultura”.

Respondemos que estávamos à disposição para realizar algumas dinâmicas teatrais no coletivo da escola; precisaríamos apenas nos organizar em relação ao horário. Encerramos as atividades com aplausos pelo sucesso e crescimento do grupo.

Análise da sessão

– Após uma pausa de duas semanas nas atividades do projeto, por causa de duas atividades internas da escola (comemoração da semana da criança e conselho de classe e série33), o clima era de muita ansiedade, pois não havíamos planejado um intervalo grande entre as dinâmicas, por isso temíamos uma desmotivação por parte dos professores.

Na chegada à escola encontramos, a coordenadora pedagógica, que nos informou que teríamos que ficar com poucos professores naquele dia, pois no HTPC iriam discutir a festa do Halloween, nos deixando sem escolha, mas com a satisfação de poder contar com parte do grupo.

Como de costume, chegamos cedo para organizar a sala de vídeo, delimitamos, com as carteiras, um espaço para as vivências teatrais em forma de um semicírculo. Após alguns minutos de preparação, fomos surpreendidos pela entrada de um grupo de alunos bem eufóricos, que foram desfazendo o que tínhamos organizado, ergueram cortinas, puxaram e arrastaram todas as cadeiras ,criando um cenário para alguma atividade que iria acontecer ali.

Perceberam que estávamos sentados em um canto da sala, e sem constrangimento ou espanto perguntaram se iríamos assistir à apresentação de teatro deles. Apesar do aborrecimento pelas atitudes deles, interessamos-nos pela atividade, principalmente porque descobrimos que eram alunos dos professores

33 Encontros nos quais os professores se encontram com o administrativo da escola (coordenação e direção) para discutirem desempenhos e resultados das avaliações dos alunos.

Marcos e Rebelo, ambos participantes da pesquisa, que pareciam trabalhar em parceria em algum projeto teatral.

Aproveitamos essa oportunidade surgida para relatar que, durante a elaboração da metodologia da pesquisa, dos instrumentos que iríamos utilizar para coleta de dados, de resultados da pesquisa, pensávamos (meu orientador e eu), em estratégias de acompanhamento das ações pedagógicas dos professores, anteriores e posteriores à pesquisa-ação. Mas não demoramos a perceber que só pelo fato de esses professores se permitirem às experiências lúdicas no ambiente de trabalho, focando o eu pessoal e profissional, já era um indício forte de que não demoraria muito para que os primeiros resultados aparecessem, sem cobranças nem obrigações de acompanhá-los em sala de aula.

Mudanças, melhoramentos, conscientizações requerem amadurecimento, estranhamento, reflexões; isso acontece de forma atemporal, sem data marcada, talvez fora do tempo adequado à conclusão dessa pesquisa, mas era uma aposta e estaríamos atentos a qualquer atitude que se aproximasse dos resultados pretendidos.

A observação da prática dos dois professores durante uma atividade escolar já era o início dessa colheita, um testemunho de posturas e iniciativas que apertavam laços a partir das vivências lúdicas nas formações. Os dois professores ficaram à vontade com a nossa presença, demonstraram boa desenvoltura naquela aula diferenciada (ressaltamos que fomos convidados também pelos dois professores ao nos ver na sala; caso contrário não permaneceríamos no local, até porque não estava ainda no horário em que a sala era reservada para as formações).

Os alunos pareciam já afinados com a linguagem técnica do teatro, comentavam sobre foco, “deixa”, olhar, voz, movimentos, marcações, já estabelecidos em ensaios anteriores. Tudo estava bem direcionado, Marcos cumpria o papel de diretor geral, comandava desde o comportamento dos alunos que não estavam em cena, cobrando-lhes posturas, reforçando a necessidade de ler mais o texto, ficar concentrados, e pedia para que Rebelo ficasse à vontade para interferir nas cenas que não estivessem legais.

Rebelo se comportava como diretor de cena, relembrava as marcações, assumia o lugar dos personagens e agia de forma mais clara para que o aluno/ator pudesse perceber as diferenças entre as atuações. Os alunos, vistos da platéia,

pareciam alunos de um curso de teatro em plena aula de interpretação; erravam, voltavam, argumentavam, ficavam nervosos, esqueciam o texto. E um detalhe interessante: os colegas que estavam na platéia também davam palpites, lembravam as deixas, interferiam nas marcações.

O ensaio foi muito curto, porém muito produtivo, tanto para os alunos quanto para nós. Creio também que para os dois professores, que demonstraram um trabalho sério, diferente de tantas práticas teatrais já vistas por nós em ambientes escolares. Os alunos saíram com o estridente toque de encerramento, o sinal que oficializa o término do período. Assim ficamos nós três discutindo sobre o trabalho que estavam desenvolvendo.

Marcos aproveitou alguns minutinhos antes da chegada dos outros colegas para preencher o questionário n. 1 que havíamos distribuído na sessão anterior, e se comportou como um aluno atrasado em suas atividades escolares, nos dizendo, em tom de brincadeira:

“Professora, você vai me pôr de castigo? Eu ainda não acabei minha atividade.”

Respondemos que não havia pressa para a entrega do questionário. Aida entrou na sala e pegou seu questionário, achando que era para entregar, e avisando logo que faltavam algumas perguntas para serem respondidas. Nós a acalmamos, repetindo não ser o dia de recolher o documento, e que avisaríamos com antecedência o dia certo.

Murinel, vendo aquela cena de preenchimentos de questionário, logo nos avisou que não havia trazido o seu também. Aproveitamos que estavam todos juntos, preocupados com o questionário, para fotografá-los, parados, visto que as fotos que tirávamos eram sempre durante as ações, quando eles estavam em movimento, o que fazia com que sempre saíssem sem foco. Mas Murinel reagiu, dizendo:

“Preciso fingir que estou fazendo alguma coisa?”

Com isso, pegou uma página do questionário de Marcos e criou encenações. Todos riram muito. Comentamos que já estávamos automatizados com

essa preocupação, o professor sempre trabalhando, mexendo em papéis, falando, escrevendo.

“Nós, professores, quando somos surpreendidos em situações contrárias a essas descritas, em nossas salas de aula, por um colega ou alguém do administrativo da escola, damos a impressão de estar enrolando, não dando aula.”, explicou-se Murinel.

Complementamos dizendo que em relação à estratégia de uma aula acontece esse equívoco: aula boa é sinônimo de lousa e giz, do professor em pé diante dos alunos, praticando a educação depositária, em que o professor repassa conhecimentos, modelo protestado por Paulo Freire como equívoco na educação. Caso o professor esteja em um círculo, dialogando com seus alunos, ouvindo uma música, fazendo uma interferência lúdica ao conteúdo, observando uma obra de arte em silêncio, é tido como uma enrolação: “o professor está matando aula”.

Esse tipo de conceito gera certa fiscalização, principalmente realizada pelo administrativo de algumas escolas, que já teve na história da educação brasileira seu apogeu. Nesse período não muito distante, as portas das salas de aulas foram modificadas. Criou-se um “olho mágico”, ou seja, abriram um buraco em cada porta para melhor controlar o serviço do professor, que obviamente não ficava à vontade diante de tal constrangimento. Ainda hoje existem resquícios desses "quadradinhos", os olhares, as interpretações equivocadas, o medo por parte de alguns professores de serem pegos de surpresa em suas salas de aula durante uma atividade diferenciada.

Conseguimos finalmente tirar as fotos deles parados, e em clima de muita descontração iniciamos a sessão que objetivava estimular e valorizar o trabalho coletivo através de narrativas mais personalizadas, com autonomia, segurança e criatividade.

Mas, voltando às práticas de formação do coletivo, estavam de parabéns nos quesitos concentração, harmonia, criatividade e desenvoltura. Infelizmente não