6 | Case Study
7.1 Modelling Assumptions
A seguir exibimos a TAB. 23 relativa ao tempo total destinado à tarefa de tradução, em segundos, dos sujeitos no par lingüístico alemão-português, em ambos ambientes de produção.
TABELA 23
Tempo total de produção textual de SA1, SA2, SA3, SA4, SA5 e SA6 em ambiente Translog e Trados
Sujeito Tempo Total Translog Tempo Total Trados Variação SA1 3193” 2670” Redução SA2 2566” 2368” Redução SA3 4135” 2108” Redução SA4 3791” 4420” Aumento SA5 2655” 3204” Aumento SA6 4253” 5257” Aumento Média 3432” 3338” Redução
Verificamos, pela TAB. 23, que metade da amostra (SA1, SA2 e SA3) tende a reduzir o tempo de produção textual quando da integração do SMT, ao passo que a outra metade da amostra (SA4, SA5 e SA6) tende a aumentar o tempo total destinado à tarefa de tradução. Este aumento pode ter ocorrido devido ao esforço adicional de não permitir que o SMT controle a tarefa, ou talvez em decorrência das modificações feitas na estrutura do texto de chegada, ou ainda em virtude dos problemas de natureza técnica com os quais o tradutor pode se deparar quando da utilização do SMT (DRAGSTED, 2004).
Considerando a média entre todos os sujeitos, constatamos a tendência para a redução do tempo total de produção textual no par lingüístico alemão-português. Os resultados de Dragsted (2004) também apontam para essa tendência de redução. Embora seja pouco expressiva, como podemos verificar pela média referente aos sujeitos do par lingüístico alemão-português, essa tendência é um indício de que a inserção do SMT pode facilitar o processo de tradução (DRAGSTED, 2004).
A seguir, mostramos na TAB. 24 a variação decorrente da inserção do SMT no tempo total destinado à tarefa de tradução dos sujeitos no par lingüístico inglês-português.
TABELA 24
Tempo total de produção textual de SI1, SI2, SI3, SI4, SI5 e SI6 em ambiente Translog e Trados
Sujeito Tempo Total Translog Tempo Total Trados Variação SI1 4283” 3088” Redução SI2 2189” 2831” Aumento SI3 3778” 2321” Redução SI4 5075” 4264” Redução SI5 3785” 3310” Redução SI6 3171” 3613” Aumento Média 3713” 3238” Redução
A TAB. 24 revela que a maior parte da amostra (SI1, SI3, SI4 e SI5) apresenta uma redução no tempo de produção textual quando da inserção do SMT ao processo, enquanto para SI2 e SI6 o tempo total destinado à tarefa de tradução sofre um aumento. No caso de SI2, este
aumento pode ter acontecido pelo fato de este tradutor ter se deparado com vários problemas técnicos durante a realização da tarefa com o SMT.
Ao levarmos em consideração a média de todos os sujeitos, verificamos a tendência à redução do tempo total de produção textual no par lingüístico inglês-português, tendência essa que corrobora os resultados de Dragsted (2004) em relação ao grupo de tradutores profissionais. A redução no tempo total destinado à produção do texto de chegada indica que a inserção do SMT facilita o processo de tradução (DRAGSTED, 2004), embora alguns sujeitos em seu estudo também tenham apresentado um aumento no tempo total de produção, assim como ocorre com dois sujeitos do par lingüístico inglês-português.
Levando em conta todos os 12 sujeitos, constatamos a tendência de redução do tempo total de produção textual com a inserção do SMT para SA1, SA2, SA3; SI1, SI3, SI4 e SI5. Esta tendência indica que o SMT torna o processo de tradução mais ágil e, por conseguinte, possibilita que os tradutores reduzam o tempo total de produção. Temos, a seguir, trechos de relatos retrospectivos de SA1, SA2 e SI4.
RELATO 11
SA1-TAM: Ah, eu gosto de trabalhar com o Trados. Eu me sinto <int=intrromp> Ele agiliza o trabalho. A gente não precisa se preocupar com <incompreensível> negrito e coisa e tal, que ele já traz automaticamente. E a gente já tem as duas frases na tela, então a gente não precisa ficar olhando para o lado, nem nada.
Por meio do relato retrospectivo de SA1, observamos que este tradutor aponta as vantagens de se trabalhar com o Trados, quando afirma que esta ferramenta agiliza a realização da tarefa tradutória, o que, conseqüentemente, implica a redução do tempo total de produção textual. A seguir, mostramos uma passagem do relato de SA2.
RELATO 12
SA2-TAM: Eu gosto de trabalhar com o Trados, eu me senti confortável, mas, na verdade, eu acho que a gente tem que pesquisar legal, tem que contar bem da onde que vem a memória de tradução. Quando eu faço o Trados com a minha memória de tradução, e eu sei que já está de acordo com o padrão do cliente, eu acho que é muito mais rápido. Quando eu faço o Trados com a memória de tradução, por exemplo, às vezes, que vem de Portugal, eu sei que tem que ler <b>tudinho</b> que está na memória porque tem muitas coisas que mudam (...)
SA2 também demonstra sua satisfação em trabalhar com o Trados, porém faz algumas ressalvas em relação à memória desenvolvida por terceiros, o que pode, segundo SA2, dificultar a rapidez do processo, visto que esta memória deve ser bem revisada antes de ser utilizada. Vejamos um trecho do relato retrospectivo de SI4.
RELATO 13
SI4-TIM: Já me acostumei a usar o Trados. Eu gosto até, é bom. Porque dá para copiar lá o original e traduzir por cima. E ver também na hora de revisar é melhor, porque fica o original e a tradução uma do lado da outra, ou se você abrir as strings aí também. Eu gosto de trabalhar com o Trados.
SI4 pontua as vantagens do SMT Trados, quando comenta que esta ferramenta agiliza a execução da tarefa tradutória, principalmente durante a revisão do texto.
Em seguida apresentamos os resultados relativos ao efeito da inserção do SMT na segmentação cognitiva espontânea.