3. Hovedmodellen
3.1. Modellens forutsetninger
3.1.2 Modellens likevekter
“Nossa senhora! Já sou um artista, já sou um artista! Agora é só complementar com os estudos”.
Toninho Nóbrega
Toninho convidou-nos a conhecer a sua história primeiramente através do Congado, deixando em nossas mãos o dvd sobre a vida de Dona Bela, rainha de sua guarda: “Eu fui levado por um ex-cunhado meu que já faleceu ‘vamo pro congado?’, eu
falei ‘vamo, o que que tem no congado?’, ele falou ‘tem caixa e tal’, ‘vamo lá pra ver’. Aí que eu entrei pro congado, fui uma vez me apaixonei também”.
Ele afirma que sua entrada neste mundo novo identifica-se com a de outros companheiros, motivados por outros interesses:
“A gente ia no congado pra comer, pra beber, pra namorar (risos).
Depois você vai criando as responsabilidades dentro da própria comunidade, você entra como dançante, depois você passa como caixeiro de trás, depois você aprende a bater uma folha, aí você passa para caixeiro de guia, que tem mais responsabilidade, de cantar, de bater direito, de corrigir a fila, então, uma sequência de coisas. Você começa a aprender até chegar lá. Eu comecei assim, como um nada e parei como vice-presidente dessa guarda” (Toninho Nóbrega, 50 anos).
Seu depoimento ganha mais emoção quando fala de sua relação com Dona Bela, sua mãe por consideração: “Com essa Dona Bela eu aprendi muita coisa, os
ensinamentos dela, por ser uma pessoa antiga, foram fabulosos na minha vida”. Com
suas palavras, adentramos no interior de uma festa de congado:
“A festa de congado é uma maravilha. Pra mim é uma maravilha.
Eu aprendi demais, eu aprendi a respeitar a religião, a conhecer os santos, aprendi muitas coisas, os cantos, enfim, tudo, porque o congado te ensina como entrar e como sair de algum lugar. Você chega você dá uma boa noite, você chega você dá um bom dia, você sai você dá uma boa noite, um até logo, você nunca sai calado, você aprende a dialogar através dos cantos. É muito
Toninho é pardo, casado e pai de cinco filhos. Desde os doze anos de idade, trabalha na construção civil, tendo sua carteira assinada aos quinze anos:
“Comecei a trabalhar de pedreiro para os vizinhos, trabalhava pra um, trabalhava pra outro, ‘ah, você trabalha bem, tal’. Aquilo foi
me incentivando a trabalhar. Aí em 1980 eu já tive a primeira assinatura da minha carteira. Trabalhava assim, só fichado, mas trabalhava como metro, né? Toda construção que eu pegava trabalhava à metro, massa à metro, alvenaria à metro, não trabalhava naquela diária não, sabe? Eu tinha que fazer pra ganhar. Aí eu parei de estudar. Parei de estudar por um bom tempo mesmo” (Toninho Nóbrega, 50 anos).
O Colégio Mussum é a sua terceira opção ao retomar os estudos na fase adulta. Sete anos antes, estudou na Escola Estadual Caio Nelson de Sena45, no horário noturno:
“Já é a terceira vez que eu volto a estudar. Eu estudei no Caio Nelson, no ensino noturno. Estudei também em outra escola antes do Caio Nelson, mas ela me foge à mente”. Toninho caracteriza suas duas fases escolares, na infância e na vida adulta,
demonstrando reconhecer que cada modalidade educativa necessita de abordagens diferenciadas para os sujeitos que atende:
“Hoje é um estudo forçado, se você estudar bem, se não estudar
amém. Você tem as diferenças depois, mas aquele estudo era o estudo que você tinha que aprender, você tinha que aprender. Eu parei na quarta série, mas eu parei sabendo muito, entendeu? E muitas das coisas que eu aprendi no passado eu agradeço, porque hoje tá me fazendo uma diferença, porque tem muita gente que tá aprendendo hoje e não aprende nada. O estudo hoje é bem diferente, é mais complicado, tem gente que acha mais fácil, mas
tem gente que acha que o estudo hoje é bem mais complicado”
(Toninho Nóbrega, 50 anos).
Sua participação no Grupo de Dança faz com que ele se sinta um artista:
“Me sinto um artista (risos). Me sinto um artista, sinceramente. É
assim, gostoso, você faz com prazer e o trabalho tá sendo gratificante e valorizado por quem tá vendo, a pessoa vê e se sente
bem ‘foi joia, foi bom’. Então, aquilo te faz bem, te engrandece, à
partir do momento que você tá fazendo uma coisa e a pessoa tá se sentindo bem também, pra você é mil vezes melhor, pra mim, no
meu caso ‘Toninho, você virou um artista’” (Toninho Nóbrega, 50
anos).
Seu depoimento mostra-nos como as atividades culturais contribuem para a valorização dos seus sujeitos. Valorização esta que chegou para Toninho em um momento delicado de sua vida:
“Me apaixonei pelo congado e parei ontem, com a morte da
inesquecível Dona Bela (emocionado). Quer dizer, não digo que eu parei não porque acho que ainda tem muita água pra rolar, mas, sabe, aquela luz no final do túnel não apagou não, diminuiu. Sentir falta da pessoa ali, olhar pra trás e não ver aquela pessoa, aquela coroa segurando uma espada na mão, me deixou muita saudade. Mas eu continuo, continuo, quer dizer, desde que ela morreu, depois de um ano, eu fui nessa festa agora, já vai pra mais de um ano, já vai pra um ano e três meses que ela faleceu. Então, de lá pra cá, você sente falta da pessoa, você vê a pessoa em todo canto que você mexe, é isso, todo canto que você mexe assim você olha, você
vê a imagem da pessoa” (Toninho Nóbrega, 50 anos).
Mesmo com a emoção que esta lembrança lhe trouxe à mente, nosso educando exalta o orgulho de estar inserido no Grupo de Dança do Colégio Mussum: “Nossa
senhora! Já sou um artista, já sou um artista! Agora é só complementar com os estudos”.