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De acordo com Machado (2002, p. 25), constam do acervo do Museu Florestal “Octávio Vecchi” quadros a óleo “pintados por Clodomiro Amazonas, Helios Seelinger (1878-1965), M. Souza Gomes, Dalla-Jor, Bertoni Filho, entre outros”.

Figura 53 – Octávio Vecchi – óleo sobre tela – M. Souza Gomes – 1927. Fonte: Acervo do Museu Florestal “Octávio Vecchi”.

Um dos destaques do acervo é o Tríptico de Helios Seelinger (1878-1965).

Figura 54 – Tríptico – Helios Seelinger – óleo sobre tela – 1928 e 1929. Fonte: Acervo do Museu Florestal “Octávio Vecchi”.

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Helios Seelinger – o pintor simbolista

Figura 55 – Helios Seelinger.

Fonte: Revista A inquietação das abelhas. 1927

http://www.dezenovevinte.net/artigos_imprensa/artigos_ac_arquivos/hs_entrevista.pdf

Considerado um dos mais interessantes da segunda geração de artistas brasileiros, Helios Aristides Seelinger nasceu em 4 de agosto de 1878 no Rio de Janeiro. Segundo entrevista a Angyone Costa para a revista A Inquietação das

Abelhas, Seelinger atribuiu sua formação a tia Elisa, professora de um colégio de

inglês, erudita para a época, que muito contribuiu para que ele tivesse disciplina e não debandasse pelo “caminho errado” dos rapazes boêmios da época, apesar de ser adepto da vida de prazeres regada a bebidas e a noitadas.

Seus talentos artísticos revelaram-se precocemente nas peraltices de rabiscar os muros da vizinhança. Com apenas 13 anos, foi estudar pintura com Henrique Bernardelli que, percebendo o fundo místico acentuado em seus trabalhos, aconselhou sua tia a mandá-lo estudar na Alemanha, julgando que seria melhor Helios ficar longe da boemia carioca do fim de século.

99 Partiu para a Alemanha em 1896 e passou a estudar com o pintor, artista gráfico e escultor Franz von Stuck que muito o influenciou. Helios disse a Angyone Costa:

De Stuck recebi a influência pantheista que é fácil descobrir nos meus trabalhos. O mysticismo, revelado nos meus estudos de “atelier”, desenvolveu-se fortemente ao influxo do idealismo alemão. [...] A arte allemã obriga à reflexão, à pesquisa, não philosophica, mas poetica, na procura do lado ideal das coisas. Esta “maneira” empresta à arte germânica o caracter um tanto nebuloso e confuso, de que a minha pintura tem sido accusada (COSTA, 1927, p. 160). Segundo Valle, Seelinger “incorporou aspectos da estética de Stuck a sua própria e seus trabalhos logo ganharam um cunho fortemente alegórico, povoando- se de figuras do folclore alemão e da mitologia helênica – faunos, centauros, ondinas, bacantes”. Foi a partir dessa influência que começaram a surgir em seus quadros “as lendas indígenas brasileiras, as manifestações culturais do povo brasileiro, o carnaval, a macumba... temas que ele explorou até o final da vida, quase com exclusividade entre nossos artistas” (VALLE, 2006, on-line).

Voltou para o Brasil em 1901 e, no ano seguinte, estreou na Exposição Geral de Belas Artes com seis trabalhos, recebendo uma Menção Honrosa. Em 1903, Seelinger voltaria a se apresentar na mesma mostra; dessa vez com dois trabalhos, Remorso e Bohemia. Nesse certame, o pintor ganhou o cobiçado Prêmio da Viagem à Europa.

Figura 56 – Bohemia, Helios Selinger – óleo sobre tela – 1903. Acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Fonte: http://www.dezenovevinte.net/bios/bio_hs_arquivos/hs_boemia.jpg

100 Aconselhado por Bernadelli, dessa vez partiu para a França, e descobriu em Montmartre (Paris) a agitação, o ruído e algo semelhante à boemia que tanto apreciava. Frequentou as aulas de Jean-Paul Laurens, “pintor célebre por suas tentativas de renovação do gênero de pintura histórica e responsável por importantes decorações de prédios públicos franceses, como o Panthéon de Paris” (VALLE, 2006, on-line). Permaneceu na Europa, viajando a outras cidades por dois anos além do que o prêmio previa.

De volta ao Brasil, realizou onze exposições individuais no período de 1908 a 1917. Foi responsável pela criação de associações artísticas independentes que “visavam ampliar o leque de ação dos artistas nacionais para além das instâncias oficiais e não deixaram de ser significativas em um campo artístico que, ainda que lentamente, caminhava para a descentralização” (VALLE, 2006, on-line). Entre elas, estão a Sociedade Brasileira de Belas Artes, a Sociedade dos Artistas Nacionais e a Casa dos Artistas.

O artista esteve muito próximo dos modernistas paulistas nos anos imediatamente anteriores a 1922, mas não expôs na Semana de Arte Moderna.

Figura 57 – Da esquerda para a direita: Victor Brecheret,

Emiliano Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Helios Seelinger. Fonte: http://marielipinski.wordpress.com/2009/10/

Preferia pintar à maneira própria, executando séries nas quais variava temas abstratos e alegorias. Trabalhou como ilustrador e caricaturista nos periódicos

O Malho e Fon-Fon, entre outros, e por muitos anos, foi funcionário do Museu

101 Na entrevista a Costa, Seelinger disse ter pintado muitas telas com o tema caravelas. Segundo ele:

Coalhei os mares com esses velhos barcos portuguezes. Os meus estaleiros não paravam. Não houve sala, de portuguez, inteligente e patriota, que não tivesse ao menos um desses navios, pendurado na parede (COSTA, 1927, p. 164).

Declarou ainda que, certa vez, estando em dificuldade, viajou a São Paulo, na esperança de vender um quadro para Roberto Gomes, dono de uma galeria. Arrumou todas as obras que tinha em seu atelier, inclusive um quadro que já estava vendido a um amigo médico, mas que ainda faltavam alguns retoques para terminar. Foi justamente por esse que o galerista se decidiu e, na necessidade do dinheiro, Seelinger o vendeu assim mesmo, na esperança do perdão futuro do amigo médico (COSTA, 1927).

Não há informações a respeito das ligações de Octávio Vecchi com Helios Sellinger. Entretanto, possivelmente como o engenheiro agrônomo circulasse por salões, exposições, galerias de arte e lugares frequentados por intelectuais na época da construção do museu, tenha conhecido o trabalho de expoentes nas artes no período, como é o caso de Helios e outros que foram escolhidos para enriquecer o acervo do Museu Florestal “Octávio Vecchi”.

O Tríptico que está na ala Fernando Costa representa três episódios da história de São Paulo e foram pintados, respectivamente: o descobrimento do litoral de São Vicente por Martim Afonso, em 1928, uma bandeira chefiada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, em 1928 e o crescimento da cidade de São Paulo com seus arranha-céus em 1929.

Uma curiosidade detém o olhar à terceira cena do Tríptico (Figura 54). Lá está um arranha-céu esboçado ao fundo da cidade com as mesmas características do edifício-sede do antigo Banco do Estado de São Paulo. Essa terceira tela foi pintada em 1929, ou seja, dez anos antes do início da construção do prédio, que levou oito anos para ser construído, sendo inaugurado em 27 de junho de 1947. Aventam-se duas hipóteses: ou Seelinger, como em seus quadros, trabalhou com o seu imaginário antevendo a forma, ou o edifício-sede do banco seguiu a obra de Helios Seelinger como inspiração para seu projeto arquitetônico.

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