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Modell for direkte integrasjon

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7. Simuleringer

7.3. Modell for direkte integrasjon

O início do século XX, devido a turbulências políticas, vai ter influências diretas nas artes trazendo mudanças significativas nas visões de mundo. Como já foi citado, o movimento futurista que deu lugar ao expressionismo alemão com seus manifestos, o dadaísmo, as teorias marxistas, a revolução bolchevista, as duas guerras, a mudança do eixo econômico entre tantas, foram condimentos suficientes para trazerem à tona mudanças significativas na obra de Brecht.

Na visão de Carlson (1997, p.370), as peças e as teorias brechtianas trazem uma dimensão social e política profundamente coerente com seu momento histórico. Algumas das anotações do artista no início do século mostram-nos uma pista de uma nova concepção do drama que enfatiza não a similitude, mas o maravilhoso e o surpreendente. A evolução de sua obra e a sua história são notavelmente estreitos: As peças ferozes de seu período de Munique coincidem com a inflação do pós-guerra.

Os anos menos febris resultaram num grupo de sátiras frívolas, mas selvagens. Depois do outono de 1929, há a ampliação da crise econômica e o reaparecimento do nazismo que encontram réplicas nas suas obras pelo desenvolvimento das peças didáticas.

No exílio, tenta desacreditar o nazismo triunfante e depois com a aproximação da guerra começa a olhar mais além. Mãe Coragem antecipa muitas situações que a guerra acarretará; Galileu, os problemas que todo espírito livre enfrentará em um Estado totalitário.

Em 1926, Brecht começou a estudar O capital de Marx, achando-o extremamente útil na sistematização de muitas de suas próprias preocupações – a busca de padrão e direcionamento do esforço humano, a análise ou mesmo a cura da corrupção da sociedade moderna. O dramaturgo começou a estudar o marxismo após a sua mudança para Berlim. Dessa maneira, encontrou-se metido em um “sistema de pensamento solidamente elaborado, abrangendo um todo que se apoderou dos seus sentimentos e interesses instintivos e que parecia justificá-los e interligá-los em termos realistas e concretos” (In Willet, 1967, p.242).

A influência da ótica marxista é evidente, porém a crítica que lhe é feita é que frequentemente nas suas peças parece que existem apenas dois lados de qualquer questão: capitalismo e nazismo de um e comunismo do outro. A doutrina de guerras de classes, que em Marx desenvolve uma teoria política esclarecedora para explicar fatos admitidos, tornou-se para Brecht uma camisa de força, na qual os fatos que não se ajustassem, eram simplesmente descartados ou suprimidos.

Em sua teoria teatral ele fará uma distinção entre a resposta emocional ao drama e a resposta racional ao épico. A primeira encoraja o espectador a envolver-se no drama, a aceitá-lo como um inalterável desenvolvimento linear da experiência. Já o épico para Brecht distancia o espectador, apresenta sua ação como passível de alteração e força-o a considerar outras possibilidades.

De acordo com Goldberg (2006, p.152), o novo estilo, seguindo as tendências expressionistas e dadaístas, impunha ao público um estado de espírito desconfortável e constrangedor, numa tentativa de reduzir o fosso entre aquele que assiste e aquele que representa um espetáculo. O dramaturgo vê o novo teatro épico em termos da política.

Em certa medida é uma clara herança de Wagner e Marx, nas quais a arte é caracterizada como mercadoria produzida não para o bem geral ou segundo os desejos do artista, mas de acordo com as leis normais do comércio. Apesar de parecer uma submissão do artista às leis do mercado capitalista, o que a sua obra propõe é forçar o espectador afeito à aceitação passiva, a um papel mais comprometido, traz reflexões sobre uma função social do teatro que não se submete aos interesses do Estado.

No livro O teatro e a sua realidade, Bernard Dort (1977, p.302) sustenta que o caráter épico não se prende à estética formal, mas ao social. Não existindo uma oposição para que a realidade ganhe certo brilho; mas nem os atores, nem os espectadores deveriam esquecer que este encanto e este brilho mágico devem servir para desvendar e esclarecer a realidade do mundo. Nessa concepção, o teatro burguês perde sua característica; palco deixa de ser o local onde uma verdade simbólica é mostrada para vir a enfocar uma verdade que está fora dele, na sociedade, que é o denominador comum entre palco e plateia.

A própria atividade teatral em sua especificidade torna possível o acesso ao político. Esse caráter, analisado nas suas teorias e colocado de maneira única e inteligente nas dramaturgias, intensificou o interesse pelo desenvolvimento de um drama que respondesse às inquietações do homem comum e aos problemas da sua época.

Opiniões políticas que não podem ser deixadas de lado, uma vez que são tão importantes como quaisquer dos aspectos anteriormente analisados neste estudo. Uma obra artística na qual a influência revolucionária é sentida na maioria de suas peças, sobretudo nas primeiras. Um ódio à guerra e aos políticos o levou a uma espécie de luta contra a ganância dos que detinham o poder, mas também contra a passividade daqueles que mantinham os primeiros nesse mesmo poder:

O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo23.

Um teatro que tem a questão revolucionária como tópico principal, mas que também é um meio de diversão. O amadurecimento e as perseguições sofridas fizeram com que o homem Bertolt Brecht continuasse sempre preocupado com as relações estabelecidas com a plateia, que ele entendia que deveria ser mais fluida. Para o dramaturgo os aspectos políticos e sociais eram instâncias que andavam juntas, levar o teatro à periferia, tinha o intuito de fazer uma revolução, mas também de dar prazer.

Em seu livro Estudo sobre teatro Brecht (1978, p.42) faz considerações sobre algumas de suas peças e apresenta-nos uma teoria em que o indivíduo é cada vez mais impelido a comprometer-se nos grandes sucessos que transformam o mundo. Além de

comprometimento também se exigem soluções e a arte passa a ser uma possibilidade de engajamento e de transformação. O teatro começa a ter funções sociais podendo-se extrair das diversões algo didático, simultaneamente o espectador pode ver coisas que não deseja ver e os seus desejos além de saciados podem ser criticados.

No mesmo livro, o autor (Ibidem, p.147), conceitua o teatro não como “um abrir de janelas por onde irrompessem violentamente as cores, os movimentos, a dramática dialética da vida, a nos envolver e arrastar com ou sem nossa aquiescência”. Para ele é como abrir um livro em que se pode folhear à vontade e fechar para meditar com mais tranqüilidade sobre esta ou aquela página.

Ele foi muito mais homem da prática teatral do que leitor de gabinete. O teórico e dramaturgo mostrava-se sempre disposto a renovar suas concepções para obter efeitos melhores. Suas peças foram reformuladas concomitantemente às suas teorias. Certas modificações foram introduzidas para adaptar suas peças às sugestões do Partido Comunista – a cujos quadros nunca se filiou.

Rosenfeld (1977, p.148) pontua que muitas vezes bastava a Brecht observar as reações do público para elaborar novas versões do seu texto. Ao estudarmos a obra brechtiana encontramos duas razões principais de sua oposição ao teatro tradicional: primeiro o desejo de não apresentar apenas relações inter-humanas – objetivo essencial do drama clássico. O ser humano passa a ser concebido como um emaranhado de todas as relações sociais; a outra razão decorre do intuito didático do seu teatro, da intenção de apresentar um palco capaz de esclarecer ao público sobre a sociedade e sobre a necessidade de transformá-la.

Uma obra que respondeu às necessidades de um artista em manter viva a sua visão de mundo e em denunciar as atrocidades vistas pelo dramaturgo. Um homem imprescindível por sua sensibilidade e sua coragem em denunciar e transformar o teatro em arte acessível à periferia, uma arte que poderia alfabetizar, mas também deleitar.

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