2 Teori og problemstilling
2.7 Modell for beskrivelse og analyse av muntlig eksamen
Nas entrevistas realizadas com os professores de Arte, pôde-se constatar que em muitos momentos esses docentes se reportam às dificuldades que encontram para darem continuidade ao seu trabalho. Diversos
desenvolvimento de sua ação docente e como profissionais da educação, como o número de alunos em sala de aula, a falta de material didático e de um espaço apropriado para o ensino de Arte, salários baixos, excessiva carga de trabalho, entre outros.
Esses fatores parecem revelar o descaso e o abandono com que esses profissionais convivem em sua atividade como educadores na Rede Estadual de Ensino paulista e que interferem em sua vida pessoal e profissional.
Os reflexos dessas políticas, voltadas para a educação provocaram sentimentos nos professores, que vivenciaram as mudanças e ainda hoje sentem o impacto dessas ações em seu trabalho, sendo que para alguns o desprazer se manifesta pela desmotivação que sentem e a falta de perspectiva de melhora:
Você sente que tem asas, mas não pode voar. Não há projetos de valorização do professor. [...] Eu me sinto muito desvalorizada, eu sei que posso fazer muito mais do que estou fazendo, mas eu planejo, eu trabalho, eu me dedico e não sinto nenhuma valorização e nem perspectiva de melhoria. (Fernanda)
Muitos falam, mas é o professor que é incompetente, mas vem aqui e vê a situação e vê se agüenta. Não agüenta. Não está fácil. (Lúcia)
Já outros revelam seu desprazer e indignação frente à falta de organização da rede e à falta de compromisso das instâncias superiores em fazer um acompanhamento efetivo do trabalho desenvolvido nas escolas:
Então, eu vejo que muitas coisas não acontecem porque o diretor não deixa, porque o supervisor não percebe, porque a dirigente regional não pensa naquela linha, porque o governo não deixa. Eu vou te falar, a coisa é feia. (Cláudia)
Eu acho que esta bagunça que se instalou no ensino público do Estado [...] Eu acho que falta alguém para acompanhar o trabalho do professor, sua postura na sala de aula. Eu acho que tudo isto acontece também porque não tem cobrança do professor. Cada um faz o que quer. Esta liberdade é para
quem sabe usar a liberdade. O lado bom da liberdade é para quem sabe usar. Aquele que não se acomoda. (Maria)
Esses, entre outros exemplos, citados acima, denunciam a precariedade nas condições de trabalho e a falta de perspectiva com que os professores convivem em seu cotidiano, provocando revolta em muitos professores, pelo descaso e abandono que sentem como profissionais do Ensino Público paulista.
Porém esta revolta que muitos professores manifestaram em seus depoimentos é uma revolta legítima, pautada em fatos concretos e em vivências frustrantes que acumularam em sua trajetória profissional.
Por outro lado, o sentimento de frustração que os docentes deixaram emergir em suas entrevistas parece sinalizar para uma ação de superação, uma mobilidade e uma postura de enfrentamento diante da situação. Os sentimentos que os professores vivenciaram os impulsionaram para assumir uma nova atitude, perspectiva esta que vai ao encontro do que Martins (2004, p.57) afirma:
Não devemos confundir esse conceito negativo, que tem um significado de inútil ou prejudicial com o outro, que se refere ao fato de certas emoções serem sentidas como desagradáveis. Mesmo estas que sentimos subjetivamente como desagradáveis (tristeza, medo, raiva, etc), são úteis, têm uma função precisa.
Neste caso, os sentimentos de raiva e de indignação são úteis e, por que não dizer, necessários em muitas situações, pois:
A raiva constitui um grande impulso para a ação e esse é o seu propósito. A mudança social positiva, a proteção às crianças, a luta contra a miséria, contra o racismo e a exploração, todas têm parte de sua raiz na raiva justa. O desejo de modificar uma situação e de fazer justiça muitas vezes é alimentado pela raiva contra aquilo que consideramos injusto. Ela está ligada ao presente. Não é por acaso que se fez uma analogia da raiva com o fogo. Ele pode ser extremamente destrutivo, mas se usado apropriadamente é muito útil. (MARTINS, 2004, p.54)
É o que parece ter ocorrido com boa parte dos professores que participou desta pesquisa, uma vez que sentimos que toda a revolta manifestada, e que permeou as entrevistas, foi manifestada de maneira concomitante a movimentos de superação, de mudança e de resistência. E isto pôde ser constatado na descrição das ações que desenvolvem em sala de aula, ações estas que se fundamentam nos preceitos mais atuais da educação e do ensino de Arte, como o trabalho com projetos, a visita a museus de Arte, a utilização nas aulas da concepção da Proposta Triangular da Professora Ana Mãe Barbosa, entre outras.
Ou então quando os professores defendem e procuram uma formação continuada que lhes auxilie a superar as dificuldades e buscar novas alternativas para o desenvolvimento de seu trabalho, atitudes que demonstram uma preocupação com uma boa preparação para o trabalho como docente em Arte, já que, conforme os próprios professores afirmam, a formação inicial não os preparou para o exercício da profissão.
O compromisso para com o ensino de Arte e com a educação também se manifestam na aproximação para com os alunos, evidenciado pelos professores nesta pesquisa, sendo esse um dos alicerces em que se apóiam para superar as dificuldades que enfrentam e desencadear um processo de ensino-aprendizagem em Arte que, apesar dos entraves que se apresentam, prosseguem e procuram realizar um trabalho que lhes dê mais prazer e que propicie aos estudantes o desenvolvimento e o acesso ao conhecimento a que têm direito e que merecem.
Os sentimentos de prazer, com momentos de alegria, satisfação, realização, entre outros, são prova dessa postura em busca de uma superação, pelo menos parcial, que percebemos nos discursos dos professores, que se apresentam de diversas formas e que revelam um compromisso com o ensino e a formação dos alunos:
Eu me sinto motivada em perceber que os alunos estão crescendo, emitindo críticas. É gostoso acompanhar o
desenvolvimento deles. O que eu sempre guardo comigo é quando eu faço avaliação com eles, porque eu os avalio, mas eles também me avaliam. Eu lembro uma vez numa sala de ensino médio que eles me disseram quando me avaliaram que o que mais aparecia era a paixão que eu tinha por aquilo que eu estava fazendo. Eu consegui que eles vissem isto, quer dizer, eles acreditam em mim. Eles sentiram que as coisas só dão certo quando é movida a paixão. Eu tinha um aluno que dizia: eu adoro esta pequena, porque não tem uma coisa que ela bote a mão que não de certo. Isto é legal. Lidar com o ser humano é muito gostoso. (Dora)
Seria melhor se nós tivéssemos mais tempo. Era melhor se eles ficassem mais tempo conosco, para formar melhor naquilo que realmente eles necessitam. (Lúcia)
É bom, nós vamos encontrando brechas. Se você está num sistema que te impede de trabalhar, você tem que procurar meios para fazer as coisas. Nós vamos indo contra a corrente, não é? (Fernanda)
As mudanças interferiram no meu trabalho, mas não muito. Eu procurava estar atualizado. Modéstia à parte, eu gosto de trabalhar com arte, de ensinar arte e procuro fazer tudo direitinho. (Roberto)
Estes trechos são apenas uma pequena amostra do compromisso e da busca em realizar um trabalho de qualidade que defendem e que em muitos momentos se evidenciaram na descrição que fazem de suas práticas como docentes.
Tal postura nos permite afirmar que o ensino de Arte não “morreu”, conforme destacou Prandini (2000) em pesquisa que realizou e que constatou que “[...] o professor de Arte vive à procura de sua identidade e de seu papel na escola.” (Pradini, 2000, p. 211). Acreditamos que alguns anos se passaram e a situação que a pesquisadora vislumbrou na época já sofreu algumas alterações.
O que fica evidente é a luta que estes profissionais travam para poder manter sua identidade profissional e significar sua atividade como docentes de Arte, tendo a clareza de seu papel no contexto escolar. O ensino de Arte na escola pública paulista não “morreu” porque o professor não deixou, porque o professor de Arte não desistiu e, mesmo com as precárias condições
em que atua, desenvolve ações conscientes e demonstra saber qual é o seu papel na formação dos jovens com quem atua, posicionamento este que constatamos em algumas afirmativas:
Apesar da situação que estamos vivendo, existe aquela mágica, que é quando você está na frente do aluno. É como se o mundo inteiro apagasse as luzes e o foco estivesse somente ali, e a coisa acontece, apesar de tudo. Por isso é que eu te falei esta frase, Desculpe, é frase de gente angustiada mesmo: O professor ainda é a pessoa que faz a coisa acontecer. Apesar de tudo, do governo, é o professor a pessoa mais importante desse processo e se a coisa ainda não afundou é porque o professor não deixou. (Cláudia)
Eu estou no caminho, é isso mesmo. É isto que eu quero, trabalhar com a arte, a arte é tudo, abrange tudo, você lida com todos os feitos do ser humano. Eu adoro. Eu amo isto. Eu estou na sala de aula por convicção. Meu compromisso é este, é com esta criançada. É isto. (Dora)
Eu não sei, eu acho que o professor está no meio do caos e ele acaba vendo uma luz. Sempre há uma luz. Na sala de aula tem muito problema, mas tem também muita coisa boa, que nós acabamos percebendo. Então, ali tem algo que vai acontecer, que vai sair algo bom, e isto nos faz ficar motivado. Porque mesmo que seja um só, já vale a pena. Se nós vemos que tem uma pessoa no meio disso, que nós percebemos que tem uma outra visão, uma outra cabeça, já valeu a pena lutar. É isso que faz do professor um otimista, porque senão ele não estaria mais ali. (Paulo)
[...] só dizer que para ser professor tem que ter amor. Que aqui eu me encontrei e estou muito feliz. (Maria)
[...] o meu objetivo como professora de Arte é fazer com que eles gostem de arte, é formar o apreciador. Não é formar o artista, o ator, o músico, o artista plástico. (Fernanda)
O que esses profissionais demonstraram foi o compromisso com a educação e com os jovens. Isto os impulsionou a superarem os entraves e dificuldades que se apresentaram ao longo de seu trabalho, e deram sustentação a uma prática docente consciente e compromissada com a educação e com a Arte na formação dos jovens com que atuam.