Related Work
2.1 Modeling of Deformable Objects
A discussão o desmatamento na Amazônia Legal, sobretudo no Estado do Pará, é pauta nas folhas do Jornal Pessoal, que discute o tema associado às outras questões como grilagem de terra, ocupação desordenada na Amazônia, a inserção dos grandes projetos de exploração dos recursos naturais, assim como processo do atraso histórico em que a região se insere, onde as elites do poder estão cada vez mais aliadas às empresas multinacionais e ao capital externo. Neste sentido, enfocaremos nesse tópico o início das primeiras abordagens do Jornal Pessoal a respeito do desmatamento, veiculado nos anos iniciais do periódico.
De acordo com levantamentos realizados no Jornal Pessoal em 1988, o índice de desmatamento no ano de 1987 sofreu uma grande amplitude na Amazônia, colocando o Brasil como “campeão mundial de desmatamento” em função do “avanço sobre a fronteira amazônica”, chamando a atenção mundial, visto que as derrubadas estavam entre 1,2 e 2,5 milhões de hectares anuais (PINTO, L., 1988, p. 3.); tal amplitude destacava-se em três estados amazônicos (Pará, Rondônia e oeste de Mato Grosso) onde a taxa do desmatamento variava entre 20, 5 milhões de hectares, segundo imagens do satélite NOAA-9 daquele ano.
Segundo Pinto, L. (1988), esses números seriam um recorde na história da Amazônia, e tais incêndios causaram danos à atmosfera, visto que “500 milhões de toneladas de
composto de carbono” foram elevados para a atmosfera. Nessa questão, Pinto, L. (1988, p. 3) ressalta que essa quantidade tem “100 mil vezes mais fumaça e gases do que o que o vulcão El Chichón liberou no México em abril de 1982”. Segundo estudos dos cientistas, os danos à atmosfera e o clima da Terra foram alarmantes. No entanto, ainda faltaram examinar cientificamente os efeitos nocivos na camada de ozônio pela queima das florestas na Amazônia.
Pinto, L. (1988) destaca que as análises acerca dessa temática não são mais dispostas pelas agências ecológicas ou órgãos de preservação, mas aparecem algumas entidades do governo e setores empresariais destacando que o instrumento para essas análises são as imagens do satélite Landsat, na época a fonte de maior credibilidade. Nesse sentido, as análises e avaliação dos resultados enfatizam que a questão do desmatamento é mais danosa, mais trágica, porque “significa principalmente, a simples queima de floresta, sem qualquer relação com um processo produtivo em bases racionais” (PINTO, L., 1988, p. 4).
De acordo com as análises de Pinto, L. (1988), sem a retaguarda e experiências sólidas de manejo de florestas os grupos ecológicos temem que as empresas e os setores madeireiros internacionais entrem de vez no solo amazônico, mas estes “vão encontrar entre os nativos um estado de perplexidade próprio de quem sido forçado a escolher entre o nada e o coisa alguma, que é o sobra dessa vasta pilhagem feita na Amazônia para satélite registrar e cientista lamentar” (PINTO, L., 1988, p. 5); desse modo, o autor faz severas críticas ao capital internacional e à política de incentivos fiscais que o Estado disponibiliza para os investimentos e exploração dos recursos naturais.
Em 1988, segundo Pinto, L., (1988), a principal causa do desmatamento centrava-se na atividade da pecuária, depois com a tendência da exploração de madeira, isso seria um dos motivos fundamentais; no entanto, com a implantação do complexo siderúrgico na extensão da ferrovia Carajás, esse quadro mudou. Para a produção de carvão vegetal precisam ser postas abaixo uma parte da floresta, o que evidencia que a “siderurgia será a maior demandadora de árvore da região” (PINTO, L., 1988, p. 5). Esses impactos foram enormes em duas guseiras16 que fariam reflorestamento de pelo menos um terço, para atender as
possíveis necessidades da ocorrência de devastação.
Na visão do jornalista, o reflorestamento não ocorreu, principalmente, pela circunstância como ocorreu a opção das siderúrgicas pela Amazônia. As mesmas vieram de Minas Gerais, onde por décadas foram “fornecedoras de ferro gusa à base de carvão vegetal
16Empresas que transformam o minério em ferro-gusa, matéria-prima para a produção de aço
para a indústria automobilística instalada em São Paulo” (PINTO, L., 1988, p. 5), o que dizimou uma vasta área de floresta com o objetivo de alimentar os fornos; desse modo, um caminho para continuar as atividades seria deslocar a madeira nativa que fica 800 km de distância da base, o que se tornou uma questão antieconômica. Então, para sanar essas perdas financeiras, as siderúrgicas resolveram agir de outra forma:
Em cálculo de ponta de lápis, mais barato que continuar procurando floresta nativa na região ou implantar reflorestamento é transferir-se para a Amazônia - evidentemente não para plantar novas florestas, mas para usar as que já existem. É uma repetição de Minas Gerais de três décadas atrás, com as mesmas promessas do passado e os mesmos riscos de sempre. Só que as preocupações com os riscos são atropeladas pela busca do lucro imediato (PINTO, L., 1988, p. 5)
Além desse atrativo florestal - fornecedor de carvão vegetal - há outras vantagens regionais em Carajás, e as empresas estão instalando para tirarem maiores proveitos econômicos da região sem a devida preocupação com a conservação dos recursos naturais e de seus povos, destacando o saber que estes possuem da região.
Reportando ao debate histórico sobre o desmatamento na Amazônia, segundo Pinto, L., (2011b), em 1976, a Skilab17 detectou o maior incêndio registrado pela humanidade, e esse
incêndio ocorreu no sul do Pará, detectado nas imagens da equipe da National Aeronautics and Space Administration (NASA); a partir de investigação, a Volkswagen, foi apontada como a autora do dano. O incêndio ocorreu no município de Santana do Araguaia, na Fazenda Companhia Vale do Rio Cristalino, abrangendo 139 mil hectares; esse episódio adiante será mais explicitado, pois faz parte do corpus de análise.