Chapter 4: THEORETICAL FRAMEWORK
4.3. Econometrical model
4.3.2. Model of of standardised fishing effort
Os usuários do crédito consignado e do carnê de loja, conjuntamente, ao serem questionados sobre a percepção da redução da renda em razão do uso do crédito, 25,0% alegaram perceber e disseram ser positiva, enquanto, 75,0% a consideraram como negativa.
A resposta do idoso usuário do crédito consignado e do carnê de logo referente à redução positiva foi categorizada como “realização”, uma vez que se justificou pelo fato de ter feito o que precisava: “É positiva porque eu reformei minha casa, fiz a frente da casa, garagem, cobertura e a cozinha”. (Entrevista 54)
Quanto às respostas referentes à redução ser negativa, estas foram categorizadas em “interferências na renda”, uma vez que todos os idosos alegaram que afetou a renda. A justificativa dos idosos para a alegação da redução como negativa relacionava-se com a necessidade de se economizar para evitar dívidas, chegando um idoso mencionar que reduziu até as compras referentes a supermercado/alimentação.
A redução foi negativa porque eu fico me apertando para não dever. Fico quieto, só economizando cada vez mais. (Entrevista 02)
A redução foi negativa porque qualquer coisinha que diminui no salário já fica negativo para a gente. (Entrevista 05)
A redução foi negativa porque eu não consegui manter minhas contas em dia, passei sufoco e tive que reduzir as compras, até supermercado. (Entrevista 06).
A totalidade dos usuários idosos do crédito consignado e do carnê de loja, conjuntamente afirmaram que perceberam a redução da renda na hora de receber a aposentadoria ou quando do aperto no orçamento. Em razão disso, as respostas foram categorizadas em “momento de receber a renda” e “interferências na renda (Tabela 40).
Tabela 40 - Categorização da Percepção da Redução da Renda em razão do uso do Crédito Consignado e do Carnê de Loja pelos Idosos. Viçosa/MG, 2016. Momento de Receber a Renda Frequência (N) Porcentagem (%) Interferência na renda Frequência (N) Porcentagem (%)
Na hora de receber 2 50,0 Orçamento Apertado 2 50,0
Total 2 50,0 2 50,0
Fonte: Dados da pesquisa
Mesmo tendo usado o crédito consignado e o carnê de loja, os idosos que perceberam a redução por meio do desconto na aposentadoria apenas mencionaram a consequência do uso do crédito consignado:
Porque a gente percebe quando chega o dia de receber, eu recebia aquela coisa com o desconto e sei que não dava para fazer as coisas que eu queria fazer, mas não dava para fazer porque já faltava aquele dinheiro do desconto. Fico quieto, só economizando cada vez mais. Fui equilibrando e não deixei faltar o básico. (Entrevista 02)
Percebi o desconto ao receber a aposentadoria. (Entrevista 06)
Os idosos que disseram que a percepção da diminuição da renda ocorreu devido ao aperto no orçamento, assim se justificaram porque tiveram que cortar gastos e perceberam o aumento dos valores dos produtos da cesta básica:
Percebo a redução porque eu não tenho o dinheiro todo mais e tem outras contas para pagar. Fica difícil porque tudo aumentou, supermercado está caro, aí você percebe esta redução. (Entrevista 05)
Percebo a redução porque se atrasa um pouquinho as prestações do carnê de loja vêm os juros e aí tira mais um pouquinho. Neste ano de 2015, eu tive que reduzi bastante os gastos porque já tinha o desconto do empréstimo, tinha as prestações do carnê de loja. Não comprei roupa nenhuma, comprei pouquíssima coisa e supermercado eu cortei supérfluo como biscoito, produto de limpeza. (Entrevista 54)
Dos idosos que usavam o crédito consignado em conjunto com o carnê de loja 50,0% tinham compromissos financeiros em atraso. Um deles afirmou que se sentia impotente, mas tentou negociar o débito e o outro mencionou que sentiu envergonhado, mas também tentou negociar com o credor:
Foi horrível, horrível ver as contas em atraso. Sentimento de impotência, de não dar conta, muito ruim. Mas, graças a Deus, está regularizando. Isto porque eu mexi com reforma, foi muita coisa além do que podia gastar. Quando as contas foram atrasando, eu procurava as pessoas que estava devendo, tinham pessoas que não cobravam juros porque me conhecia, outras cobravam. Como tem muito tempo que eu compro no carnê de loja, as pessoas entendiam minha situação e confiavam. Eu tenho crédito. Estes atrasos são coisas que resolvem fácil, não são coisas que não dá para resolver. (Entrevista 54)
Senti mal, muito mal mesmo porque teve um outro imprevisto em cima disso aí, por isso, eu tive que atrasar. Mas, Deus me ajudou. Logo depois, eu coloquei tudo em dia, graças a Deus. A gente espreme dali, espreme daqui. Hoje em dia a gente tem que ter muita consciência das coisas para fazer, muito mesmo. Eu só faço o empréstimo só em último recurso mesmo. Atrasei o carnê de loja, mas eu fui lá para negociar o valor que atrasei, mas senti muito mal, a gente fica com vergonha. (Entrevista 06)
O sentimento de impotência foi mencionado na entrevista 54 no sentido de se sentir incapaz de administrar as finanças. Este entrevistado sabe que os atrasos vieram em decorrência de ele ter gastado além do que a renda possibilitava. Já a entrevista 06 menciona o sentimento de vergonha relacionado à moral, ou seja, dever e não conseguir pagar como algo amoral. Na entrevista 06 também se percebe a questão do imprevisto, ou seja, este idoso não estava preparado financeiramente para o inesperado.
4.4.6. O idoso usuário do crédito consignado, do cartão de crédito e carnê de loja e a sua percepção sobre as consequências do uso destes serviços
Neste estudo teve-se uma pessoa idosa que utilizava, conjuntamente, o crédito consignado, o cartão de crédito e o carnê de loja. Esta afirmou que percebeu a redução da renda, contudo, a considerou positiva porque a família teve que se unir mais: “A redução da renda foi positiva para a minha família, pois tivemos que aprender a conviver com pouco. Foi bom porque o aperto financeiro nos uniu. Hoje, somos mais companheiros”. (Entrevista 19)
Ao ser questionada sobre como percebeu a redução da renda em decorrência do uso do crédito, afirmou que foi devido ao aperto no orçamento, sendo que teve que mudar o padrão de vida dela e da família:
Eu percebi a redução porque eu tive que reduzir gasto com vestuário, sapato, joias, viagens e comidas fora de casa. Antes disso, tínhamos o hábito de receber muitas pessoas na nossa casa, tivemos que cortar isso. Tivemos até que mudar da cidade que morávamos e viemos viver aqui de aluguel. Fui equilibrando e mudando meu padrão de vida e do meu marido. Contudo, mantivemos o padrão de vida do nosso filho porque ele não tinha nada a ver com a dívida. Mas, ele não ganha mais vários tênis de marca, agora é mais medido para adquirir as coisas. (Entrevista 19)
Esta idosa declarou que não teve que atrasar qualquer compromisso financeiro em razão do uso do crédito.
4.4.7. O idoso usuário do cartão de crédito e carnê de loja e a sua percepção sobre