• No results found

3 Empirical Evidence

3.3 Model Specifications

Barcelona, capital da Catalunha, é a segunda maior cidade espanhola, a seguir a Madrid. Em 2014, a sua população era constituída por 1.602,386milhões de habitantes, numa área territorial de 101.4 km2 (Idescat, 2015). A sua economia é especializada no turismo, educação, moda, serviços de informação e media (Buscher e Doody, 2013). Tendo alicerces numa sociedade e economia do conhecimentoBarcelona, em 2009, foi classificada em quarto lugar como uma das melhores cidades Europeias para estabelecer um negócio (Schaffers et al., 2012).

BCN ocupou o primeiro lugar do estudo da IDC em 2012. Considerada a cidade globalmente líder em SC, seguida por Nova Iorque, Londres, Nice e Singapura, Barcelona sobressai pela promoção de iniciativas ambientais mais sustentáveis, sendo um excelente modelo de referência para outras cidades. Destaca-se também, pelo seu bom desempenho em assuntos como gestão inteligente de congestionamento de trânsito e redes energéticas inteligentes (Juniper Research, 2015). Para o desempenho desta cidade ter este nível, as TIC também têm contribuído para preparar e alcançar objetivos como: o acesso universal à educação, cultura e saúde, mobilidade urbana eficiente e sustentável, integração e coesão social (Buscher e Doody, 2013).

Todavia, a ideia para a implementação do conceito de SC, que começou pela área da energia, evoluiu do movimento das cidades digitais, há mais de uma década. Para começar esta ação, participaram diferentes áreas da Câmara Municipal e não exclusivamente o departamento de TI ou do ordenamento da cidade. Foi constituída uma nova área, Urban Habitat, para integrar as áreas de TIC, do ambiente e urbanas (Buscher e Doody, 2013). Todavia, as TI foram a principal aposta para desenvolver os objetivos estratégicos baseados em cinco vertentes principais Mobility, E- Government, Smart Cities, Information Systems e Inovation, denominados por MESSI16 (IDC, 2012).

As Pessoas, a Informação e a Estrutura da cidade, compõem o modelo conceptual de SC em BCN (Buscher e Doody, 2013). Schaffers et al. (2012) menciona o trabalho de Bakici e Almirall, visto que esclarecem os elementos do modelo conceptual: O capital humano (população, empresas e

51 universidades),conjuntamente com a autarquia pode participar no desenvolvimento de uma cidade smart. Como os autores referem: “Uma Smart City deve ser capaz de ativar a criação de ideias inteligentes”, num ambiente como os Living Labs. A Informação é classificada como uma fonte de matéria-prima, com origem nos sensores esparsos pela cidade, nas atividades diárias no espaço urbano e do setor público. Os habitantes também contribuem para a mesma através das suas atividades nas redes sociais, crowdsourcing e pagada digital. Para conectar cidadãos e organizações é preciso renovar as infraestruturas antigas (edifícios públicos, residências) para infraestruturas ubíquas, de modo a existir a presença de fibra ótica, Wi-Fi, instalação de sensores, novas redes de mobilidade e energia, por exemplo.

A estratégia de BCN SC, também tem alicerces em três eixos principais de ação:

 Projetos Locais – Como Smart City Campus, localizado no Bairro da Inovação, tem o intuito de fortalecer a inovação urbana (Ajuntament de Barcelona, 2012a);

 Promoção - Participação em eventos como Smart City Expo World Congress, onde organizações se encontram para divulgar experiências e contribuir para o futuro desenvolvimento das cidades (Ajuntament de Barcelona, 2012a);

 Projeção Internacional – Presença em projetos europeus como BESOS (Building Energy decision Support Systems fOr Smart cities), que foi realizado em colaboração com Portugal e a Lisboa E-Nova tendo como objetivo a criação de um sistema de suporte à decisão para gerir sistemas de eficiência energética em edifícios (Ajuntament de Barcelona, 2012b). Presença na conferência anual das grandes cidades europeias; City Protocol engloba acordos de informação, boas práticas e conta com o setor industrial e das universidades para a criação de um “fórum global para desenvolvimento de cidades inteligentes” (Ajuntament de Barcelona, 2012a).

Esta cidade investiu 310 milhões de euros no distrito da tecnologia/bairro da inovação, denominado “22@Barcelona”, que ao contrário dos parques empresariais alocados fora da área metropolitana, este bairro insere-se na malha urbana. Aqui reúnem-se 10 universidades, 12 centros de I&D, serviços públicos e empresas, em conformidade com cinco clusters de ocupação principais: TIC, tecnologias médicas, media, energias renováveis e moda. Este conglomerado permite uma maior cooperação entre os institutos e empresas presentes (Schaffers et al., 2012; Figueiredo, 2015).

Para alcançar os seus objetivos estratégicos e disponibilizar uma panóplia de serviços conta com parecerias público-privadas e com empresas como a Endesa, Telefónica, Indra, IBM e Cisco (IDC, 2012; Buscher e Doody, 2013).

52 Com vista à implementação destes projetos e tendo em conta a atual situação económica foi necessário utilizar apoios da CE, nomeadamente provenientes do Programa Horizonte 202017, destinado à Investigação e Inovação (IDC, 2012).

Na sua investigação, Hancke et al. (2012) indicam alguns projetos realizados em Barcelona, como os sistemas de estacionamento inteligentes, para os cidadãos saberem se existem lugares vagos; sensores de humidade para controlar a água utilizada nos jardins públicos; iluminação

inteligente para ajustar a intensidade e a presença de luz; contentores de resíduos inteligentes,

através da colocação de sensores nos contentores, estes possibilitam controlar o seu conteúdo remotamente, permitindo otimizar as rotas de recolha dos mesmos. Neste último são utilizados sensores ultrassónicos e a tecnologia RFID (Ajuntament de Barcelona, 2012a).

Na área da Mobilidade foi definido um projeto piloto para a partilha de carros elétricos (Ajuntament de Barcelona, 2012b).

Abaixo são apresentados mais alguns dos projetos que já foram desenvolvidos em Barcelona e que continuam em constante melhoramento (Ajuntament de Barcelona, 2015):

 Barcelona Wi-Fi – Com a maior rede Wi-Fi pública de Espanha e considerada uma das mais importantes de toda a Europa, existe o objetivo de aumentar o acesso gratuito à Internet, para esse fim, já foram disponibilizados até ao momento 461 pontos de acesso. E para abranger um maior número de cidadãos, pretende-se a instalação de pontos Wi-Fi em jardins e parques infantis, na rede de metro e autocarros. Estima-se que 1.130 autocarros e 9 estações de metro irão ter o serviço de Wi-fi até ao final de 2016.

 BCN Contactless – Está operacional durante todo ano, 24 horas por dia. Este serviço caracteriza-se por ser uma porta para a Barcelona virtual, onde todos os cidadãos que possuam um dispositivo com ligação à Internet, como um tablet, smartphone, PDAs e através da tecnologia NFC ou QR Code, conseguem aceder a informações relativas a eventos, serviços e instalações acerca do local onde se encontram.

 Open Data – O portal dados abertos tem como objetivo universalizar o acesso aos dados, promover a inovação e aumentar a transparência da Câmara Municipal (Buscher e Doody, 2013). Através deste são disponibilizados dados acerca da cidade, onde todos os indivíduos podem reutilizá-los. Estão classificados em cinco categorias principais: Meio Urbano (Segurança, Turismo, Desporto); Região (Infraestruturas e Planeamento); População (Demografia, Educação); Economia e Negócios (Ciência e Tecnologia, Emprego) e Administração Pública (Setor Público, Legislação). No portal visualizam-se por exemplo parques, pontos de Wi-Fi, paragens de autocarros e táxis representados num mapa.

53 Na Figura 2.3, é representado um exemplo de um mapa onde são visíveis os pontos Wi-Fi distribuídos pela cidade.

Figura 2.3 - Exemplo de uma imagem do portal Open Data de BCN Fonte: Portal Barcelona (2015)

Alguns projetos relacionados com a participação dos cidadãos são (Ajuntament de Barcelona, 2015):

Citizen´s Postbox – Trata-se de uma aplicação móvel, onde todos os habitantes podem enviar

em tempo real relatos de qualquer tipo de incidentes ocorridos em Barcelona.

Barcelona Open Gorvenment – Com o intuito de modificar “governar para as pessoas” para

“governar com as pessoas” é através das TIC que o cidadão está mais informado e com motivação para participar em atividades governamentais.

 Laboratórios de Fabricação – Caracterizam-se por serem espaços onde é possível compreender as noções básicas da fabricação digital, tecnologias ou modelos científicos e tecnológicos. Nestes espaços valoriza-se a aprendizagem informal, cocriação, colaboração e o crowdsourcing. Os programas são estruturados para famílias, tendo motivações sociais e educacionais. Existem também os laboratórios urbanos, para testar novos serviços, promovendo a competitividade (Buscher & Doody, 2013).

 Vincles BCN – É um projeto promovido pela área de Qualidade de Vida, Igualdade e Desporto, com o principal objetivo de atenuar o isolamento de cidadãos com mais de 65 anos, com doenças crónicas, dependentes de terceiros e referenciados pelos serviços sociais, através de uma rede de apoio social composta por membros da família, amigos, trabalhadores da área

54 da saúde e serviços sociais. Todos aqueles que estejam dentro do mesmo círculo de amigos, podem comunicar uns com os outros podendo responder às necessidades e alertas da pessoa que acede a este serviço através de um tablet.

No seu estudo Clarke (2013) considera a existência de três projetos fundamentais que contribuíram para o sucesso dos esforços da Câmara Municipal de Barcelona:

 Rede de comunicação de alta velocidade, composta por redes de fibra ótica e Wi-Fi utilizadas como a plataforma para melhorar a prestação de serviços;

 Plataforma de Sensores: Realizada para quebrar silos de informação entre departamentos que tratam de assuntos como os transportes, a energia e água;

 CityOS: Esta plataforma permite a colaboração entre as universidades e empresas privadas para que estas contribuam para a inovação de Barcelona, através de aplicações e soluções.

Apesar destas transformações e introdução de novas tecnologias, BCN pretende preservar a sua tradição e cultura (Figueiredo, 2015).

Relativamente aos desafios encontrados na implementação do conceito de Smart City, constata-se que o nível de empreendedorismo, comparado com outros países europeus encontrou- se abaixo das expectativas, o mesmo aconteceu com o número de empresas para liderar a inovação. As pessoas com níveis de qualificação elevados não foram suficientes para colmatar as necessidades dos clusters industriais. Também, o financiamento de capital de risco não foi suficiente para atrair novas empresas e financiar startups18 (Schaffers et al., 2012).