Mathematical nance
4.2 A model of the nancial market
2.2.1. Enquadramento histórico
Em 4 de outubro de 1930, nos Açores, descola do solo, pela primeira vez, um avião de terra, no Campo da Achada21 num aeródromo improvisado22. É em 1934 que se inicia a
construção de uma pista compactada na planície das Lajes, pela engenharia militar. Em 1941, face à evolução da II GM, conseguiu-se preparar uma pista sofrível, nascendo assim
20 Analisando parcelarmente os elementos globais de uma análise geopolítica segundo Dias (2012b), 1) a “ existência de recursos (naturais) revela pela directa associação. Em sentido geral ou lato com a vida dos agregados humanos; em sentido restrito, inúmeras interdependências se geram, das quais podemos apontar, aquelas materializadas com o facto da urbanização crescente, com o fenómeno demográfico, com o consumo e com a própria distribuição” (p.76). Já no que diz respeito aos recursos energéticos, “circulação e induções comportamentais - tendencialmente as fontes de energia se procurarão, serão as designadas de «limpas», como a i) eólica, com os seus já reconhecidos problemas de conservação/armazenamento e de intermitência; ii) a solar, sobre a qual se procura ultrapassar desafios lançados pela luz difusa que emana, consequente fraca densidade de energia e elevados custos para a «retirar» em quantidade significativa, pra além do armazenamento; iii) o hidrogénio, mitigadas as questões de custo e da instabilidade, havendo mesmo quem advogue que o transporte ou o carro eléctrico seja elemento de transição para a culminação no combustível de hidrogénio, gerado, separado de matérias como o gás natural, o carvão ou mesmo a água (electrólise) bem presente em imagem indutora de «geopolítica popular»…” (p.79). 2) Quanto à água, “tem estado sempre presente na vida do homem, no início, na fisiologia, nas razões da 1ª Guerra considerada como tal, na materialização do poder do homem sobre o homem; enfim constitui elemento básico das necessidades humanas e sem ela, a espécie, tal como existe, vê a sobrevivência com escasso potencial senão mesmo nenhum” (p.96). 3) As estruturas económicas e globalização – “ a ligação das economias nacionais numa só economia global em rede, vibrante, próspera e articulada, é o objectivo final da globalização, e a evolução tecnológica associada ou per si (…), porque são dados adquiridos, constituem uma base de novas oportunidades, que poderão alterar, para além do comportamento social, as características dos mercados, do comércio, dos próprios empregos e até a natureza do trabalho, em inúmeros sectores, com prováveis consequências para a força laboral, segurança e defesa, energia, transportes, saúde, ensino e formação, com a consciência de uma resultante mais interligada e potenciadora de interdependência” (p.105). 4) Já o clima e suas evoluções “vão contribuir, julgamos, de forma importante para as dinâmicas de poder no futuro; aliás, como sempre aconteceu e foi muitas vezes tido em conta para gerados modelos. Tal como a evolução tecnológica, as mudanças climáticas irão enformar a «luta» entre os vários agentes da «vida internacional» … (p.111). 5) O fator científico – tecnológico, para além das considerações já efetuadas que evolveram directa ou indirectamente, este factor, sobre o seu estudo mantém-se o que do ponto de vista conceptual se diz a propósito do seu significado em Dias (2005), “ (…) respeita os equipamentos e meios em geral que vão permitindo às sociedades e aos actores desenvolverem-se e darem resposta às necessidades e aos problemas que são confrontados” (p.247). 6) Por último, a urbanização, “ fenómeno da urbanização surge hoje, numa dinâmica que se vem desenvolvendo ao longo dos tempos, como matéria de dedicada atenção, mesmo no ponto de vista da geografia, quando materializa nas cidades e nas interacções estabelecidas entre elas, os nós e os arcos, que configuram o «novo» espaço de rede” (Dias, 2012, p.131).
21 Freguesia dos Altares, ilha da Terceira.
a Base Aérea Nº4 (BA4), para a qual o governo português destacou duas esquadrilhas de caças (Cardoso, 1984).
A 08 de outubro de 1943, após o acordo assinado invocando a velha aliança23
existente entre Portugal e a Inglaterra, o grupo-247 das forças inglesas chega à base. Em fevereiro de 1944 é a vez dos EUA aqui se instalarem com destacamentos da Força Aérea, da Marinha e do Exército. Em princípios de 1945, estes transferem o destacamento para a ilha de Santa Maria. Em 1946, com a saída dos britânicos, as forças dos EUA transferem-se definitivamente para a BA4, presença que se tem mantido até aos dias de hoje (Cardoso, 1984).
Em 1978 a BA4 é integrada no Comando Aéreo dos Açores, sendo-lhe atribuída uma missão que engloba a busca e salvamento, o transporte tático e o patrulhamento marítimo na área do arquipélago (Força Aérea Portuguesa [FAP], 2014a).
No período da Guerra-fria, a Base das Lajes, para além da projeção de força, tinha ainda um significado particular, o contexto da guerra submarina. Portugal não tinha conhecimento mas, chegaram a estar nas Lajes munições nucleares, designadamente cargas de profundidade com ogivas nucleares, que eram usadas contra submarinos (Telo, 2014).
Atualmente, a Base das Lajes, como é habitualmente conhecida pela maior parte da sociedade, continua a ser designada organizacionalmente no ramo da FAP, por BA4. (FAP, 2014a).
2.2.2. Enquadramento geopolítico
Neste subcapítulo pretendemos fazer uma breve abordagem geopolítica24, conforme
o IAEM (1993, p. 18), para estudar os Açores e, com maior enfoque, a Base das Lajes. Quanto ao fator físico, este tem uma extensão que se prolonga por cerca de 600 km, no sentido Noroeste – Sudeste, situando-se sensivelmente a Oeste do Cabo da Roca, a cerca de 1200 km do continente português e a cerca de 3.400 km de Nova Iorque25. Com
uma faixa costeira de 844 km, tem uma superfície total de cerca de 2.304 km2. O arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas e alguns ilhéus, divididos em três
23 Referimo-nos à «aliança secular» referida por Telo (2006), e apresentada por nós no Capítulo 1 - Introdução.
24 Neste caso, a abordagem geopolítica foi com base nos elementos apresentados no subcapítulo 2.1.5. Fatores geopolíticos e geoestratégicos mas a mesma poderá ser efetuada de diversas maneiras, conforme a finalidade da sua atualização e o próprio utilizador.
grupos: o grupo oriental, o central e o ocidental. Do grupo oriental fazem parte as ilhas de São Miguel e Santa Maria, o grupo central integra as ilhas da Terceira (na qual se localiza a nossa infraestrutura militar em estudo, a Base das Lajes), Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, e o grupo ocidental é composto pelas ilhas do Corvo e Flores26. No seu todo, a Ilha
de S. Miguel é a que tem uma maior superfície (749 km2), a de menor é a Ilha do Corvo (17 km2), quanto à Ilha Terceira tem uma superfície de 402 Km2. Quanto à sua natureza geológica, a maioria das ilhas é de origem vulcânica, o que explica a frequência das crises sísmicas e dos fenómenos de vulcanismo. A altitude máxima das ilhas é bastante variável, oscilando entre 402 m na Graciosa e 2351 m na montanha do Pico (ponto mais alto de Portugal). A ilha do Pico constitui a ilha mais excêntrica em termos altimétricos com 16% da sua área acima dos 800m (Brito, 1994).
Relativamente ao fator humano, restringindo-nos à data inicial de estudo, nos censos de 2011, existiam no arquipélago dos Açores cerca de 250 mil pessoas (49% homens e 51% mulheres). Especificamente na Ilha Terceira existiam aproximadamente 56 mil pessoas, com a mesma percentagem de homens e mulheres, apresentada anteriormente (Serviço Regional de Estatística dos Açores [SREA], 2014).
No que diz respeito ao fator de estruturas, relativamente ao transporte aéreo, possuí, entre aeroportos e aeródromos, um por cada ilha, em que o da Ilha Terceira na sua constituição tem uma parte que é militar e, é neste ponto que se insere a infraestrutura em estudo na nossa investigação: a Base das Lajes. Com uma pista principal que tem mais de 3 Km de comprimento e 100 metros de largura (Cardoso, 1984, p.361). É de extrema importância referir que contém depósitos com capacidade para cerca de 216 milhões de litros de combustível, sendo a segunda maior reserva para os EUA (Ruivo, comunicação pessoal, 20 de março de 2014).
2.2.3. Organização e competências
2.2.3.1. Base Aérea Nº4
A BA4 está integrada no Comando da Zona Aérea dos Açores (CZAA), contém como as suas principais unidades, dois Destacamentos Aéreos dos Açores (DAA), vindos
da BA6 do Montijo27. Desta forma, com um DAA-EH10128, com a Esquadra 751 –
“Pumas”, criado a 30 de novembro de 2006 e o DAA-C295M29, com a Esquadra 502 –
“Elefantes”, este criado a 12 de março de 2010 (Ruivo, 2014).
Tem atribuída a missão, já atrás referida30. As suas unidades aéreas desempenham,
ainda, um papel preponderante no apoio às populações e autoridades civis locais, nomeadamente através das evacuações sanitárias e do transporte inter-ilhas (FAP, 2014a).
Como competências tem as seguintes: planear, dirigir e controlar a atividade dos meios que lhe estão atribuídos; garantir a prontidão das unidades aéreas atribuídas ou a atribuir em reforço; garantir o apoio logístico e administrativo de unidades e órgãos nela situados mas dependentes de outros comandos; garantir a exploração dos serviços de aeródromo; garantir a segurança militar e a defesa imediata da área onde se encontra implantada e de outros pontos sob a sua jurisdição. (FAP, 2014a).
2.2.3.2. 65th Air Base Wing
O 65th Air Base Wing (ABW) é o destacamento da United States Air Force (USAF), sediado na Base das Lajes. Fornece apoio como base de rota para o Departamento de Defesa dos EUA, às nações aliadas e ao movimento de outras aeronaves autorizadas, incluindo as da Holanda, Bélgica, Canadá, França, Itália, Espanha, Alemanha, Egito e Grã- Bretanha. As aeronaves que passam pela Base das Lajes com mais frequência são essencialmente, o C-17 Globemaster III, C-130 Hercules, C-5 Galaxy, F-15 Eagle, F-16 Fighting Falcon, A-10 Thunderbolt II, bem como aviões de reabastecimento KC-10 Extender e KC-135 Stratotanker . Desempenha um papel vital na guerra global contra o terrorismo, permitindo o movimento de forças expedicionárias, bombardeiros e, nas comunicações que tão importantes são para os comandantes, apoia as operações da OTAN, como parte dos EUA e dos países aliados (Lajes Field, 2014).
27 Estão as aeronaves estacionadas permanentemente na BA4, mas a tripulação desloca-se do continente da BA6 durante um determinado período.
28 Agusta-Westland EH-101 Merlin, é um helicóptero de transporte médio, em três variantes distintas para cumprir missões diferentes, busca e salvamento (SAR), fiscalização das pescas (SIFICAP), busca e salvamento em combate (CSAR) (Força Aérea Portuguesa. (s.d.). Agusta-Westland EH-101 Merlin. Obtido em 26 de fevereiro de 2014, de Força Aérea Portuguesa: http://www.emfa.pt/www/aeronave-17).
29 O EADS C-295M é um avião de construção metálica, cumpre as missões de vigilância e reconhecimento, transporte aéreo e busca e salvamento (Força Aérea Portuguesa. (s.d.). EADS C-295M. Obtido em 26 de fevereiro de 2014, de Força Aérea Portuguesa: http://www.emfa.pt/www/aeronave-19).
30 Uma missão que engloba a busca e salvamento, o transporte tático e o patrulhamento marítimo30 na área do arquipélago (FAP, 2014a).
Em março de 2014, o 65th ABW apresentava um efetivo de 645 militares e 50 civis (Ruivo, comunicação pessoal, 20 de março de 2014). Tendo na sua organização as seguintes unidades fundamentais: 65th Air Base Wing (USAFE), 65th Mission Support Group, 65th Medical Group and Tenant Unkts and Associate Units31, atualmente o seu
Comandante é o Colonel Jose Rivera (Lajes Field, 2014).