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As técnicas utilizadas para a obtenção de informações sobre a experiência seguiram as orientações da investigação qualitativa, centrando-se nas entrevistas, nos diários de registros e nas observações. A utilização destes diferentes instrumentos constituiu uma forma de obtenção de informações de diferentes tipos, o que proporciona maior acesso ao objeto estudado, bem como para melhor estabelecer comparações entre as informações. A seguir comentaremos cada um dos instrumentos anteriormente citados.

As entrevistas

Nesta segunda experiência, foram usadas entrevistas semi-estruturadas, uma vez que consideramos que a condução da entrevista seguindo um roteiro básico de perguntas nos daria mais segurança, evitando a omissão de aspectos fundamentais. Estas entrevistas foram feitas em dois momentos, no decorrer da segunda etapa do estudo e abordaram essencialmente duas dimensões: o ensino, de um modo geral, e as atividades de investigação histórica dos aspectos matemáticos.

A primeira entrevista4 foi realizada no primeiro encontro com este grupo, ou seja, no dia 29 de março de 2007, antes do momento de prática, e teve como objetivo conhecer as experiências anteriores que esse grupo tinha com o ensino de uma maneira geral e com o ensino de matemática. Procuramos saber um pouco sobre a vida pessoal das participantes, tentando saber, também, se houve algum momento especial em suas vidas que as levou a escolher a profissão de professora, e quais seriam as alternativas de superação dos possíveis problemas que poderiam ter surgido com a escolha da profissão. Perguntamos, ainda, se depois que fizeram a opção pela docência, achavam que a disciplina de matemática era considerada difícil, e como seria possível trabalhar esse problema junto a classe discente. Finalmente, solicitamos que opinassem em relação ao ensino de matemática, indagando se teria havido mudanças significativas desde o tempo em que estudaram no ensino médio. Em nenhum momento fizemos interferência durante a realização da entrevista.

A segunda sessão de entrevistas5, realizada no dia 03 de maio de 2007, teve como objetivo perceber o grau de dificuldades e expectativas que cada participante tinha em relação ao trabalho com elaboração de atividades de natureza investigativa. Procuramos saber qual o principal motivo que levou o grupo a aceitar trabalhar com elaboração de atividades envolvendo investigação matemática, que dificuldades supunham que iriam enfrentar trabalhando com elaboração de atividades dessa natureza, quais as expectativas em relação a essa nova proposta de trabalho e,

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A entrevista utilizada pode ser encontrada no Apêndice B. 5

finalmente, qual seria a maior preocupação em relação a todo esse processo. Também não houve nenhum momento de interferência durante a aplicação da entrevista.

Com essas entrevistas objetivamos, principalmente, perceber o tipo de evolução sofrida pelas alunas ao longo dessa experiência. Ponto esse que será analisado na seqüência deste estudo.

Os diários

O diário foi considerado um dos principais instrumentos utilizados nesta etapa da nossa pesquisa. Cada componente do grupo reuniu em seu próprio diário todas as informações obtidas por meio de suas observações, registrando toda a descrição dos acontecimentos, levando em consideração suas reflexões, sobretudo o que se realizou, logo após a prática de cada encontro. É importante que essas anotações feitas no diário fossem as mais completas possíveis, descrevendo todo o conteúdo detalhadamente, mesmo que na forma de texto simples. Em relação a essa experiência, o diário da pesquisadora, que conduzia o trabalho com o grupo de estudos, foi utilizado, principalmente, para registrar o comportamento que esse grupo teve em relação aos encontros, bem como as expectativas, idéias, impressões, opiniões e dúvidas já existentes, causadas no decorrer da ação, proporcionando uma enorme contribuição na obtenção, registro, organização e posterior discussão das informações. Grande parte dos registros feitos no diário teve origem nos encontros semanais realizados, pois era no final desses encontros que o grupo se organizava para sintetizar as idéias que surgiam ao longo das discussões.

Os diários permitem fazer uma revisão dos elementos de seu mundo pessoal que sempre permanecem ocultos à sua própria percepção enquanto está envolvido nas ações cotidianas de trabalho (ZABALZA, 2004). De um modo geral, o diário representa uma fonte importante de dados e pode também ajudar a acompanhar o desenvolvimento do processo de pesquisa.

Combinamos que os diários pertencentes a cada participante do grupo deveriam ser entregues uma vez por mês, para que pudéssemos conhecer melhor o pensamento de cada uma a respeito das ações realizadas, suas angústias, seus anseios e,

principalmente, a maneira como esse grupo envolveu-se na realização de atividades de investigação em matemática.

As observações

A observação se apresenta para o trabalho com investigação como uma importante técnica de obtenção de informação, pois contribuiu na determinação de aspectos informativos que, muitas vezes, não são obtidos por meio de outras técnicas. Assim, nossas observações foram realizadas informalmente, ao longo dos encontros, a fim de não perder os aspectos informativos mais importantes. Estas observações foram escritas no diário, de forma clara, pela pesquisadora, levando em consideração a forma como o grupo organizava o tempo, a metodologia e, também, como esse grupo reagiu e se envolveu nas atividades. Essas observações, posteriormente, viraram objeto de discussão, incluindo sempre uma autocrítica por parte de cada participante. Em nenhum momento dessa experiência nossas observações foram motivos de perturbação perante o grupo, pois nossa relação informal ajudou muito no andamento do processo.