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A Model of Complexity in Organizations

In document The management of complexity (sider 98-103)

5. SUMMARY AND IMPLICATIONS: A RESEARCH MODEL 86

5.3 A Model of Complexity in Organizations

Pelo já visto até agora, deve-se levar em conta que o ato de ler e escrever é bem mais complexo do que parece. Numa concepção antiga, ler significa roubar, colher, recolher, espiar. Em suma, ler é apropriar-se daquilo que é do outro. Penetrar nas entrelinhas, nos espaços vazados do texto. Escrever, nas palavras de KRISTEVA, é o “ler convertido em produção, indústria: a escritura-leitura, a escritura paragramática seria a aspiração de uma agressividade e uma participação total. O plágio é necessário” (1974, p. 98). Valêncio Xavier explora esse recurso. Ao resgatar obras do passado cultiva o “pastiche”, insere textos na íntegra dando-lhes um novo sentido, na maioria das vezes sem mencionar a fonte. Deixa a cargo do receptor identificá-la ou não. O plágio necessário revela a atemporalidade e assume proporções notáveis e instigantes em nossa época. O tempo não é um continuum (passado, presente, futuro), mas um eterno presente que, ora é

penetrado pelo passado, ora pelo futuro. Perde-se, portanto, o referencial histórico / temporal, que passa a ser regido pelo referencial espacial nas obras pós-modernas.

Neste sentido, numa concepção paragramática da linguagem, conforme KRISTEVA:

o texto literário se insere no conjunto dos textos: é uma escritura- réplica (função ou negação) de um outro (dos outros) texto (s). Pelo seu modo de escrever, lendo o corpus literário anterior ou sincrônico, o autor vive na história e a sociedade se escreve no texto. A ciência paragramática deve, pois, levar em conta uma ambivalência: a linguagem poética é um diálogo de dois discursos. Um texto estranho entra na rede da escritura: esta o absorve segundo leis específicas que estão por descobrir. Assim, no programa de um texto, funcionam todos os textos do espaço lido pelo escritor (1974, p. 99).

Quanto maior for o repertório de leitura do autor, mais enriquecida será a produção. A influência de fontes artísticas, também, contribui significativamente para a qualidade do texto. O leitor completa esse ciclo. No ato da leitura, faz inferências, preenche os espaços vazios, produz sentidos. ECO (1979) evidencia que o texto é entretecido de espaços em branco, de interstícios a encher, e quem o emitiu previa que eles fossem preenchidos e deixou-os em branco. Um texto quer alguém que o ajude a funcionar.

Portanto, o leitor tem extrema importância, pois é ele que irá ajudar o texto a funcionar. Quando se produz um texto, o autor postula a cooperação do leitor com uma das condições para a devida atualização. Deste modo, “um texto é um produto cujo destino interpretativo deve fazer parte do seu próprio mecanismo generativo: gerar um texto significa actuar segundo uma estratégia que inclui as previsões dos movimentos do outro – tal como acontece em toda a estratégia” (ECO, 1979, p. 57).

A leitura confere ao livro existência. BLANCHOT (1987) defende que a leitura jamais questiona o livro, mas tampouco é submissa a ele. O livro não-literário se

oferece como uma rede solidamente tecida de significações determinadas, como um conjunto de afirmações comprovável, dito, feito, muitas vezes fechado. No entanto, o livro com origem na arte não tem essa garantia, chega aberto a cada receptor como se ele fosse o primeiro e o único. Disso advém a grande liberdade que a leitura literária possibilita. Penetrá-la com o olhar liberto, sem (pre)conceitos, é condição para produção de sentidos.

Existem textos que admitem várias leituras, que requerem o máximo de intromissão, são textos abertos. Mas, em contrapartida, há também aqueles que parecem requerer cooperação, mas continuam a pensar de modo próprio. São os textos fechados, repressivos, com possibilidade de interpretação restrita. Quanto mais aberto for o texto, maior a exigência para o receptor conseguir penetrar nas entrelinhas, decifrar os nós textuais.

Aplicando a discussão sobre o autor em estudo, uma das características marcantes em Valêncio Xavier, nesse sentido, é oferecer ao leitor um texto aberto, com várias possibilidades de leitura. O receptor depara-se com vasto campo de opções e tem o direito de transitar por vários caminhos na ordem que desejar. Independente da natureza do texto, se aberto ou fechado, há necessidade de passeios inferenciais. O que varia é a intensidade e a vivacidade de cooperação do leitor. Conforme ECO (1979), a intensidade da cooperação exigida pode tornar-se elemento de valoração estética da obra, por isso a relação autor – texto – leitor – contexto é de suma importância na leitura. O autor escreve, mas cabe ao leitor fazer com que o texto realmente exista, ou seja, somente a partir do momento que o leitor conseguir ler, penetrar nas “malhas” do texto, interpretar, produzir sentidos a partir do que leu, o texto existirá efetivamente.

Deste modo, o ato de ler tem suscitado debates, pois apenas decodificando palavras, não se apreende o sentido do texto. No âmbito da Literatura, por

exemplo, BARTHES criou uma teoria não teorizável. Para ele o texto é: “subvertor, paradoxal, dilatório, plural, passagem, travessia, disseminador, tecido, rede, jogo, gozo, prazer...” (1988, p. 72-8). Se um texto é isso tudo, o leitor precisa ser competente para entendê-lo como um todo. Nesse sentido, a análise textual exige que se represente o texto como um tecido,

como uma trança de vozes diferentes, de códigos múltiplos, simultaneamente entrelaçados e inacabados. Uma narrativa não é um espaço tabular, uma estrutura plana, é um volume, uma esterofonia (Eisenstein insistia muito sobre o contra-ponto das suas encenações, iniciando assim uma identidade entre o texto e o filme) (1985, p. 263).

A partir da concepção de texto feita por Barthes, para ler Valêncio Xavier é necessário constatar (ler as linhas), cotejar (refletir – ler as entrelinhas) e transformar (ler além das linhas). O complexo intertextual deve ser levado em conta, pois na literatura os narradores ora são múltiplos, nem sempre fáceis de serem localizados, ora são provisórios e limitados. Nesse contexto, Valêncio Xavier constrói a ficção recheada por códigos de muitas linguagens, recortes, montagem, colagem, intertextos.

Partindo desse princípio, a partir deste momento faz-se necessária uma revisão dos “temas”: imagem, fotografia, cinema, montagem, colagem, Dadaísmo, intertextualidade, uma vez que Valêncio Xavier se vale desses recursos, conceitos, para construir o discurso literário.

Talvez, pela experiência em televisão, cinema, jornal, fotografia, o autor usa vários códigos ao construir os textos. Faz uso dessas linguagens para criar um discurso intersemiótico.

Diante de tais considerações, como desvelar a obra de Valêncio Xavier? Que caminhos trilhar no sentido de compreender, interpretar a obra deste autor? A

montagem, a colagem, a intertextualidade, a imagem, fazem parte da construção escrita do escritor como elementos veiculadores dos mecanismos da produção sígnica e da organização do significado e do sentido.

Como a imagem é um dos mecanismos bastante utilizados pelo autor, inicia-se uma reflexão sobre ela.

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