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Mobility and transportation applications

With the three main business divisions, Hydro had a plurality of business activities and areas of involvement. The predominant energy path

4.5.3 New applications considered by NHEL

4.5.3.2 Mobility and transportation applications

Os questionamentos acerca dos efeitos do advento da técnica em quase ou todo aspecto da vida humana causa controvérsias entre pesquisadores. A chamada era virtual ou da cibercultura é vista de forma superpositiva por uns, enquanto outros a enxergam negativamente. André Lemos (2014), no entanto, tratou de realizar uma crítica à crítica da cibercultura, apontando falhas nessas duas visões polarizadas.

Segundo o autor, a perspectiva crítica tradicional erra ao abordar os fenômenos da cultura digital pelo viés essencialista - ora totalitário ora emancipador. Dessa forma, sejam das correntes pessimistas (tecnodeterminismo, domínio da técnica sobre o homem) ou otimistas (sociodeterminismo, humanos como mestre das ações), os autores acabam enxergando a tecnologia como substância, que age sobre seus mecanismos intrínsecos, contra os quais não adianta lutar. Ela é entendida como uma extensão do homem, considerada uma purificação do fenômeno (separação entre humanos e não humanos).

Ao realizar essa dissociação, esses teóricos da técnica moderna incorrem no erro da generalização e até da negação dos híbridos que a própria modernidade (industrialização, globalização) forma e prolifera. Diante disso, Lemos propõe a superação da visão essencialista, através da emergência de uma nova teoria metodológica sobre a tecnologia, chamada de Teoria Ator Rede (TAR).

14A convergência não acontece somente em forma de equipamentos ou linguagens, mas também de mão de obra

de trabalho. Grandes empresas de comunicação têm unido suas redações do impresso, televisivo e virtual, de forma que um mesmo jornalista produz conteúdos para as diversas plataformas. Exemplo de veículo que vive essa convergência é o grupo O Globo, que, segundo Moretzsohn (2014), desde 2009 integrou fisicamente suas redações. Em 2014, houve o ápice dessa integração, com a completa mudança nas rotinas de produção - que também diminuiu a relação de hierarquias, já que um mesmo editor passa a responder pelas editorias do meio impresso e o on-line. Há uma reconfiguração das funções e uma atenção especial às mídias sociais, vistas como aporte para a obtenção de pautas. Na Paraíba, o núcleo de esportes do portal globoesportes.com, do grupo afiliado à Rede Globo no Estado, também vive um processo de convergência tecnológica, pessoal e física. Um estudo de caso sobre o veículo foi feito pela pesquisadora Angélica Lúcio (2014).

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Esta, por sua vez, analisa a técnica sobre a ótica das relações sociotécnicas instituídas empiricamente. Ou seja, cada situação pode trazer um resultado diferente sobre a relação homem e máquina, não dá para criar uma essência geral, sem analisar o caso concreto, os rastros. Nessa teoria, surge ainda o conceito da técnica não apenas como instrumento, a máquina (objeto, coisa, dispositivo), mas como um processo, mediação, algo que está em movimento.

Tudo se define em associações de domínios (social, econômico, cultural, técnico) - que são esquecidas no viés essencialista. Estes, escondem os seres da técnica e as associações se perdem. São apenas dois cliques, saindo de um domínio para o outro, aparentemente separados, mas que na verdade sempre estão conectados e híbridos. Lemos diz:

Mais importante do que a estrutura pontual e provisoriamente estabelecida, dando resposta às questões, deve-se buscar a constituição das redes sociotécnicas, seus scripts e “descriptações”, visualizar e descrever as relações sempre abertas e em movimento, sempre irredutíveis a qualquer outra associação, que se realizam entre aqueles que provocam ações, sejam humanos ou não (os “actantes”) (LEMOS, 2014, p.3)".

Na Teoria Ator Rede, a proposta é deixar de lado críticas que tomem como indiscutíveis as essências e que promovam a purificação do fenômeno. Dessa forma, a ‘técnica’ deve ser vista menos como substantivo e mais como movimento de composição de humanos e não humanos, onde sujeito e objeto se constroem mutuamente. Todo dispositivo técnico deve ser reconhecido não como uma individualidade, fechada, acabada e autonomamente agindo sobre outras, mas como uma ‘mônada’, como um ‘ator-rede’ que age e é agido a depender das associações formadas.

“Como veremos com a TAR, elas (as mídias, as técnicas, os dispositivos) não são nada em si, já que só existem em associações, sendo, portanto, reféns dos planos de ação e da simetria dos diversos mediadores a cada associação” (LEMOS, 2014, p.10). Assim sendo, o ator-rede se define pelas associações às quais ele se vincula a cada momento, e não por uma substância ou uma essência. Ele é mais subsistência do que substância.

André Lemos aponta, ainda, que ao afirmamos que as redes sociais são isto ou aquilo, podemos cometer um erro, pois a experiência específica poderá revelar outro ponto de vista. Assim, apenas analisando as associações em questão é que se pode falar se há uma agência maior do objeto ou do sujeito humano. Nada pode ser afirmado sem “rastrear” o que está ocorrendo.

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veem a técnica de forma generalista. Então, ele contesta a visão de Ellul (1968), para quem há uma separação definitiva entre homem e técnica, marcada pelo domínio desta última sobre o primeiro. Nesse sentido, Ellul vê a técnica como um corpo próprio, uma realidade em si mesma, autônoma em relação ao homem. Essa é a sua essência, que pode ser definida por mais cinco características principais: racionalidade, automatismo, autocrescimento, unicidade e universalismo técnico.

Também há uma contraposição à visão tecnodeterminista de Heidegger (1958), o qual trata a cultura digital sobre a essência do desvelamento. Para ele, toda atividade técnica é um modo de descoberta, um modo de ser do homem no mundo. A técnica não é, portanto, um simples meio, mas uma forma de desenvolvimento das riquezas do planeta, constituindo uma verdade exploradora. As nossas ações humanas são, nessa perspectiva, determinadas por todo esse conteúdo técnico.

Ambos autores citados carregam a visão da técnica tomando o lugar do homem no centro decisório, o que provoca os problemas que conhecemos hoje, como a industrialização, a robotização e a degradação ambiental. Lemos ainda traz contrapontos para as críticas de Jean Baudrillard e do urbanista Paul Virilio, que nos anos de 1970, 80 e 90 condenaram as mídias digitais, baseados nas ideias de simulacros e hiper-realidade (a técnica como arma do capital e do espetáculo).

Já para fundamentar seus argumentos, Lemos recupera as ideias de Michel Callon (1980, 1986a, 1986b), Bruno Latour (1994a, 1994b, 2012) e John Law (1992), entre os mais destacados estudiosos da Teoria Ator Rede (TAR). André Lemos dialoga, ainda mais, com Latour, de quem traz os conceitos de ‘híbridos’, ‘purificação’, ‘dobras’, ‘desengates’ e outros. Caracterizar a técnica como manipuladora ou, por outro lado, emancipadora, é de todo modo, generalista. A globalização e industrialização trouxeram associações e hibridismos que fogem até ao conhecimento completo do homem, sendo assim inviável caracterizar a cultura digital com um argumento purista. Como cita Lemos, a técnica não é estanque, está em constante desenvolvimento e sua relação com o homem só pode ser ‘julgada’ tomando por base cada caso concreto. Por vezes, ela pode aparecer como dominante, outras como dominada, pois, como aponta o autor, a técnica não é nada em si mesma. É, sim, refém de suas associações, que também estão em constante operação.

Doutro modo, focando especificamente na Comunicação, a técnica trouxe inúmeras possibilidades, como já mencionadas nos estudos de Santaella. A informação está mais disponível e acessível e o cidadão dotado de mais capacidade e canais para opinar, a partir da emergência de um grande campo de discussão que é a internet.

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