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How Can Mobility Big Data Be A Competitive Advantage?

6. ANALYSIS

6.2 How Can Mobility Big Data Be A Competitive Advantage?

Ao abordar-se o termo desenvolvimento, surgem diversas noções que lhe estão associadas, assumindo diversas designações, como, desenvolvimento comunitário, desenvolvimento social, desenvolvimento local, desenvolvimento social local, desenvolvimento territorial, desenvolvimento social territorial, desenvolvimento solidário, desenvolvimento humano.

194 Wearing, 1986, citado por Hearly, 2001 define a ideologia como “um conjunto de ideias e crenças ou

visões do mundo que servem os interesses dos grupos poderosos da sociedade e perpetua de formas diferentes a subordinação dos indefesos”.

195 Termo apresentado por Paulo Freire, que significa “fazer tomar consciência de”.

196 Movimento baseado principalmente em diferentes filósofos marxistas, como fundamentação da teoria da

Tal como refere Mondolfo (2005), inicialmente, o termo era concebido num sentido restrito, essencialmente económico, evoluindo para uma concepção multidimensional, valorizando os recursos internas e externos a fim de responder às necessidades humanas essenciais nos domínios da saúde, da educação, dos direitos políticos, da segurança, etc. A definição integrou, também as questões ecológicas, no respeito pelo ambiente e numa perspectiva sustentada. Progressivamente enriquecida, a noção não põe somente a tónica na dimensão económica mas incorpora a legitimidade e o poder de que as pessoas são capazes para tomar decisões que dizem respeito à sua vida, pressupondo a participação. Inclui, também os princípios de solidariedade, designadamente entre gerações, de responsabilidade face a face com a sociedade no seu conjunto, permitindo, perante uma incerteza, tornar as escolhas reversíveis e finalmente a subsidiariedade que faz com que os problemas sejam tratados mais perto dos níveis em que se colocam.

No sentido de clarificar algumas das designações ligadas ao desenvolvimento, apresentam-se os contributos de vários autores. Assim, no que se refere ao desenvolvimento comunitário197, trata-se de um conceito que tem sido utilizado com diversos sentidos, criando-se uma ambiguidade em torno da sua definição, por ser utilizado tanto como um objectivo quer como processo e também, de acordo com o contexto histórico e social.

Carmo (1999:78) distingue quatro dimensões do conceito: uma dimensão doutrinária pela implícita filosofia personalista que defende; uma dimensão teórica pelos pré requisitos de análise sociológica e económica a que se obriga; uma dimensão metodológica pelos propósitos de mudança planeada que defende e uma dimensão prática pelas consequências que a sua aplicação tem no terreno. O autor aponta como princípios que configuram as estratégias de desenvolvimento comunitário as necessidades sentidas pela população, o princípio da participação, com o envolvimento da população, o princípio da cooperação, ao envolver o sector público e privado nos projectos de desenvolvimento comunitário, a auto-sustentação dos projectos, que devem ser susceptíveis de manutenção pela população -alvo e o princípio da universalidade, abrangendo a população no seu todo.

197 Ezequiel Ander-Egg (1980: 69) define desenvolvimento comunitário, como “ uma técnica social de

promoção do homem e de mobilização de recursos humanos e institucionais, mediante a participação activa e democrática da população, no estudo, planeamento e execução de programas ao nível de comunidades de base, destinadas a melhorar o seu nível de vida”.

Carmo (1999), refere, entre os modelos de práticas de intervenção comunitária, o modelo de desenvolvimento local, relativamente ao qual se apresentam algumas considerações, pelo seu interesse relativamente à intervenção a desenvolver no contexto do estudo.

Amaro (1997), entende o desenvolvimento local, como um processo de transformação e de mudança, centrado numa comunidade local. Esta surge em resultado duma construção de identidades e interesses comuns assumidos por um grupo, num determinado local. Partindo da existência de necessidades locais não satisfeitas a que se procura responder, o desenvolvimento local, baseia-se nas capacidades locais com as quais se deve aprender, assumindo uma lógica integrada.

O local é por natureza integrado, porque tudo está ligado a tudo, o que implica necessariamente um trabalho de parceria, de cooperação e definição de acções conjuntas nas quais são negociados os conflitos e construídas as solidariedades locais – o desenvolvimento local tem, portanto, uma grande diversidade de caminhos, de protagonismos e de respostas. (Amaro, 1997: 168, 169)

A luta contra a exclusão implica que o desenvolvimento local deixe de ser entendido e praticado numa lógica de crescimento económico de unidades territoriais de menor dimensão e passe a assumir-se de forma planeada, integrando mecanismos de respostas às necessidades locais que podem passar pela organização colectiva de pequena escala, verificando qual a capacidade e sustentabilidade que as associações, as instituições, os serviços e as empresas podem construir juntos. (Estivill, Jordi: 2003, 120).

O conceito de desenvolvimento local reporta-se, assim, à resolução de problemas sociais, através da participação alargada dos cidadãos e na mobilização dos recursos, capacidades, competências e competitividades locais, num trabalho em parceria. É, nesta perspectiva “ um processo de satisfação de necessidades e de melhoria de condições de vida de uma comunidade local, a partir essencialmente das suas capacidades, assumindo aquela, o protagonismo principal nesse processo e segundo uma perspectiva integrada dos problemas e das respostas” (Amaro, 2003:18).

O desenvolvimento local pressupõe o reforço do poder de decisão para o nível local com programas, iniciativas e projectos locais ascendentes e multi-sectoriais que apelam a um maior envolvimento da participação dos cidadãos nos seus territórios, que exigem uma maior responsabilidade individual e colectiva, possibilitando também a participação de outros actores locais.

Para Mondolfo (2005), a reflexão em torno da noção de desenvolvimento social estabelece um quadro de análise e de intervenção onde a economia é vista nas suas diferentes formas que são ao mesmo tempo articuladas entre si e profundamente enraizadas na vida social. Esta perspectiva globalizante, dinâmica, complexa e sistémica constitui um referencial para os interventores sociais.

Um projecto de desenvolvimento social, na óptica de Mondolfo (2005) inclui cinco universos sociais: a população, o organismo empregador ou a instituição, o serviço, o meio e a comunidade onde se irá desenvolver o projecto. O objectivo do actor de desenvolvimento é tornar estes cinco universos num sistema em que sejam interdependentes e complementares, mantendo relações de qualidade entre todos e motivados, num processo sistémico.

O mesmo autor considera, também que os projectos de desenvolvimento social não se podem afastar da realidade e das necessidades quotidianas, para mobilizar a população com vista à resolução dos seus próprios problemas, pressupondo uma metodologia em que seja reconhecido a cada um afirmar a sua própria identidade e de participar nas decisões, escolhas, bem como na definição, realização e benefícios com vista ao desenvolvimento das autonomias individuais e colectivas.

A partir dos conceitos apresentados, coloca-se a pertinência do Serviço Social comunitário. Weil & Gamble (2005) referem-se à intervenção comunitária como um método primordial na história do Serviço Social, ao englobar a tradição do empowerment da profissão e os valores da justiça social. Por outro lado, a complexidade que caracteriza as sociedades actuais, a rápida transformação económica, social e tecnológica e a globalização do comércio e da comunicação, a intervenção social na comunidade, quer a nível local, regional, nacional ou internacional torna-se um elemento ainda mais essencial para a reforçar os valores democráticos. Com todas estas mudanças globais, a protecção dos direitos humanos, particularmente os direitos das mulheres, torna-se, também essencial à construção e manutenção de comunidades socialmente mais justas.

Mcdonough (2001) argumenta, também, “...pela prioridade do Serviço Social comunitário para a missão profissional na sociedade contemporânea.” e baseia a sua proposta em três vertentes interligadas: valores que guiam a profissão (...), características da sociedade contemporânea e consequências (...) e a estrutura e método de intervenção comunitária. A autora considera que o trabalho comunitário oferece uma oportunidade para

os assistentes sociais contribuírem para uma sociedade mais justa e apresenta um conjunto de razões, que se seguem para justificar o argumento (McDonough, 2001:354).

Os pobres, sobretudo nas áreas urbanas, concentram-se em áreas delimitadas devido às suas circunstâncias económicas, a escolha dessas áreas de residência está condicionada pelo valor das rendas. Como resultado, há comunidades territoriais de pobres, não por escolha, mas por falta de oportunidade de escolha. Muitos dos problemas com que a população se confronta são semelhantes e, por outro lado, pertencer a estas comunidades acarreta uma imagem desvalorizada. Poderemos considerar o bairro Casal da Mira, como um desses territórios.

Estas comunidades pobres variam numa série de características. Algumas apresentam um elevado grau de interacção e reciprocidade que permite aumentar os recursos para resolver os problemas. Outras criam símbolos positivos e um sentido de pertença. Outras desenvolveram pontes com o exterior que servem para angariar recursos. Algumas têm mais do que uma dessas características, ou nenhuma.

Uma intervenção na comunidade, na perspectiva do empowerment requer um conhecimento profundo dessa comunidade bem como ganhar a confiança dos residentes mais respeitados, sendo mais fácil organizar grupos se a comunidade tem um grande nível de interacção, facilitando a comunicação. Por outro lado, se a identificação com a comunidade é forte, os problemas comunitários são mais fáceis de identificar, sobretudo se existirem pontes com o exterior, a negociação de novos recursos pode assentar em contactos existentes. Como qualquer outra intervenção em Serviço Social, o conhecimento de pontos fortes e fracos é essencial para o processo de intervenção.

Na intervenção na comunidade, “o utente é a comunidade e, portanto, o diagnóstico da comunidade é central para o trabalho comunitário” (Donough, 2001:356). A autora refere, também que em comunidades marginalizadas, o desenvolvimento de capital social198 como base para empowerment na sociedade civil é essencial e entende que o capital social se desenvolve através de acção articulada de grupos. Esta acção articulada é uma faceta de aquisição de poder em sociedades democráticas (Donough, 2001:356).

198 Mcdonough (2001), refere-se a autoridades, neste contexto, como pessoas com poder de decisão,

legitimadas dentro do sistema governamental vigente, pois, no planeamento estratégico do uso de capital social, é necessário o conhecimento das autoridades com o poder de decisão sobre os recursos que a comunidade requer.