• No results found

MOBILITAT «ENTRANT»

In document Pressupost UIB 2015 (sider 45-49)

Annex IV. Tarifes i preus públics

MOBILITAT «ENTRANT»

A coleta de dados aconteceu durante um período de seis meses (1º semestre de 2010). Os procedimentos adotados envolveram o acompanhamento (com o apoio psicopedagógico) a três pacientes que estavam submetidos a tratamento prolongado.

Após o consentimento e a aquiescência da direção do Hospital de Clínicas da UFU, bem como da coordenação do setor de hemodiálise e dos três pacientes já mencionados, iniciou-se a coleta de dados por meio de: observação participante, com os paciente (sujeitos da pesquisa), durante as sessões de trabalho de apoio psicopedagógico e dos processos em estudo, com notas de campo e entrevistas com os sujeitos pacientes.

Na coleta de dados, a observação participante representa um valioso procedimento, em que o pesquisador busca trabalhar, com seriedade e rigor, suas próprias percepções, transformando vivências metodologicamente interativas em registros e fatos. Busca, além disso, lidar com as teorias e pensar teoricamente os mistérios da vida social, a fim de poder agir sobre eles e transformá-los. “A relação afetivamente interativa entre as pessoas é a porta de entrada do conhecimento sobre elas” (BRANDÃO, 2003, p. 50).

Na pesquisa qualitativa, a observação é uma das mais importantes fontes de informação. Anotações cuidadosas e detalhadas feitas pelo pesquisador vão constituir os dados brutos das observações, cuja qualidade dependerá, sobretudo, das habilidades do observador. A este, não basta simplesmente olhar, pois deve, certamente, saber ver, identificar

31

e descrever diversos tipos de interações e processos humanos. Segundo Vianna, a observação como técnica cientifica

[p]ressupõe a realização de uma pesquisa com objetivos criteriosamente formulados, planejamento adequado, registro sistemático dos dados, verificação da validade de todo o desenrolar do seu processo e da confiabilidade dos resultados (VIANNA, 2003, p. 14).

Na observação participante, o observador é parte da atividade de investigação. Vianna (2003, p. 51) afirma que “o pesquisador mergulha no campo, observa segundo a perspectiva de um membro integrante da ação e também influencia o que observa graças a sua participação”.

A fase inicial do processo de observação é problemática e o observador precisa ser cauteloso para compreender de forma completa, a linguagem, os costumes e até mesmo os hábitos dos sujeitos sob observação, especialmente em função da especificidade do grupo. O pesquisador passa a registrar suas observações, tendo em vista dois pontos importantes colocados por Vianna (2003): o que é importante para os observados e o que é importante para o próprio observador.

As notas de campo são o detalhamento escrito daquilo que o pesquisador ouve, vê, experiencia e pensa no processo da coleta de dados. Na observação participante, os dados são registrados por meio de notas de campo. Estas devem relatar o máximo de observações possíveis, isto é, aquilo que ocorreu, quando ocorreu, em relação a que ou a quem, quem disse, o que foi dito e que mudanças ocorreram no contexto. De acordo com Bogdan e Biklen (1994), o conteúdo das notas de campo constitui-se em dois tipos.

O primeiro é descritivo e busca apreender uma imagem por palavras do local, das ações, das pessoas e das conversas observadas; representam o esforço do pesquisador para registrar os detalhes do que ocorreu no campo. Bogdan e Biklen (1994) afirmam que os aspectos descritivos das notas de campo englobam: 1) retratos dos sujeitos, visto que se referem às suas particularidades, maneiras de falar, de se vestir, de se comunicar e de agir; 2) reconstruções do diálogo, uma vez que busca trazer, em detalhes, as falas dos sujeitos, seus gestos, suas pronúncias e suas expressões faciais; 3) descrição do espaço físico, descrição do ambiente em detalhes concretos como paredes, mobiliários e subjetivos, isto é, as impressões do pesquisador sobre o ambiente onde a pesquisa ocorre; 4) relatos de acontecimentos particulares; 5) descrição de atividades, que se refere à descrição dos comportamentos e ações; 6) descrição do comportamento do observador. As notas de campo tornam-se um

32

instrumento crucial durante a recolha de dados, pois são elas que permitem ao investigador analisar e refletir sobe a parte subjetiva no decurso da coleta de dados.

O segundo é a parte reflexiva das notas de campo que, segundo o referido autor, é a parte mais subjetiva da pesquisa, uma vez que envolve sentimentos, problemas, impressões preconceitos e ideias. Constitui-se como o lugar em que o observador registra suas impressões, avalia o método, as estratégias, as particularidades, bem como as dificuldades e êxitos encontrados no estudo. Visando a organização dos dados, as notas de campo devem conter um cabeçalho com data e hora da observação, e informações sobre quem as fez, e onde, em que lugar, foram feitas.

A prática de pesquisa revela o modo de pensar, de agir, de desejar e de sentir de quem investiga, tendo implicações na própria vida do pesquisador; tem a ver com sua maneira de interrogar, de suscitar os acontecimentos. Szymanski (2002) afirma que a entrevista é uma situação de interação humana em que estão em jogo as percepções do outro e de si, as expectativas, os sentimentos, os preconceitos e as interpretações para os protagonistas: entrevistador e entrevistado. O pesquisador busca criar uma relação de confiabilidade. Ao mesmo tempo em que há representatividade na fala, há também ocultamento e distorções. Os significados, em jogo na entrevista, bem como seu contexto, podem ser mais bem capturados se o investigador fizer também notas de campos.

A entrevista é o momento de construção de um discurso, como evidencia Szymanski (2002, p. 14) quando afirma que “a entrevista também se torna um momento de organização de ideias e de construção de um discurso para um interlocutor, o que já caracteriza o caráter de recorte da experiência e reafirma a situação de interação como geradora de um discurso particularizado.” O significado é construído na interação e o processo interativo tem um caráter reflexivo. A referida autora mostra ainda que “o sentido de refletir a fala de quem foi entrevistado, expressando a compreensão da mesma pelo entrevistador e submeter tal compreensão ao próprio entrevistado, que é uma forma de aprimorar a fidedignidade” (SZYMANSKI, 2002, p.15). A expressão da compreensão se dá durante o processo em que o entrevistador vai apresentando sua compreensão do discurso do entrevistado, sem perder de vista os objetivos de seu estudo.

Os dados são analisados à luz dos objetivos propostos e da problematização. Dessa forma, a relevância científica da presente proposta está em favorecer o planejamento e o desenvolvimento de ações psicopedagógicas mais condizentes às necessidades dos internos e dos profissionais.

33

No próximo capitulo buscar-se-á um panorama geral da história das classes hospitalares, em cujo contexto a modalidade de atendimento educacional vem se constituindo. A classe hospitalar representa o início das ações educativas no HCU-UFU, portanto faz-se necessário compreendê-la para assim entender a constituição do serviço psicopedagógico no referido espaço.

In document Pressupost UIB 2015 (sider 45-49)