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7 The evolution of Mobile Telephony – the NMT system

7.1 Mobile communications in the Nordic area

Entre as diversas palestras da I Semana Paulo Freire, destacaremos a da atriz Ecila Menezes, intérprete da Boneca Dorinha, que foi intitulada “A Boneca Dorinha: um projeto educativo do Museu”27. Ela discute a importância de um trabalho com arte-educação no museu. O teatro foi sugerido pela professora Kênia Rios, pois, dentre as linguagens da arte, é uma que poderia aproximar mais o visitante. A ideia foi discutida com o diretor, o núcleo educativo e a atriz, que participou desse processo de estudo que durou, segundo Ecila Meneses (2001, s/p), quase um ano de trabalho e foi testado em todas as faixas etárias, com

recepção positiva. Contudo, diz Meneses: “o Museu concluiu serem as crianças o mais importante alvo deste projeto educativo”.

Ecila Meneses (2001, s/p) ressalta que

[...] o teatro é um acontecimento vivo. Ele só existe com a presença simultânea do ator e do público, de outra forma não existe teatro. [...]. A partir da observação do outro eu posso direcionar a minha intervenção, acomodando o que faço aos seus anseios, às curiosidades e às suas dúvidas. O aprendizado não é uniforme, e apesar de vivermos no mesmo mundo, o sujeito tem uma forma de se relacionar com a realidade e apreendê-la que é única, que é só sua.

Na sua palestra, a atriz destaca ainda o perfil da boneca de pano, que é uma mistura de bem-humorada e atrevida, sem perder a inocência, o espanto e a curiosidade, características que Meneses considera “motores de toda a ação cênica”. Nesse sentido, com o intuito de se tornar muito inteligente, a boneca pergunta e responde com muita avidez sobre os objetos do Museu, ora acertando, ora errando, encorajando as crianças nessa atitude de perguntar. Vale lembrar que a boneca contracena com a colaboração dos monitores que estimulam suas atitudes em cena. É importante dizer que, devido às verbas, não foi mais possível a permanência da atriz. No entanto, dada a importância desse trabalho educativo com o público infantil, o museu pensou em outra alternativa: um fantoche, com características semelhantes no modo de vestir-se, no penteado, etc. Assim, o teatro-história continua por meio de uma boneca que contracena com os monitores.

A cartilha e o teatro da Dorinha colaboram para a aproximação entre escola e museu. A interação e a identificação das crianças com a boneca é muito positiva. Esses mediadores impulsionam a aprendizagem sobre o patrimônio histórico e cultural, além de instigar a imaginação das crianças menores. Assim, as crianças, ao chegarem ao Museu do Ceará, são recebidas por um dos monitores. Há primeiramente uma saudação, uma breve conversa, para depois a boneca entrar em cena. O diálogo28 entre o monitor e a Dorinha, interagindo com as crianças, ocorre no auditório Paulo Freire do MUSCE.

A partir desse trabalho educativo do Museu, elaboramos algumas das ações mediadoras que fizemos uso nesta dissertação, como as contações de histórias e as visitas museológicas. Repetidas vezes, a mesma história foi contada e recontada por nós e pelas crianças. As mesmas frases foram ouvidas por nós, por todo o semestre: “Oh, tia, vamos pr‟o museu”, “Tia, vamos de novo pr‟o museu”, “Quando vamos de novo para o museu?”. As

28 Ver Anexo D - Roteiro desse diálogo com a boneca. É importante dizer que esse é o texto básico, mas,

crianças falaram tanto no Museu, na Dorinha e no bode que instigaram algumas de suas mães a conhecerem esse espaço.

As falas das crianças da educação infantil sobre o desejo de voltar ao museu significam que foi uma experiência boa, por isso querem ir de novo – assim como um bom livro de histórias que escutam repetidas vezes ou uma brincadeira preferida.

Vale destacar as palavras de Benjamin (1994, p. 252-253), no que tange à ação de repetir

Sabemos que a repetição é para a criança e essência da brincadeira, que nada lhe dá tanto prazer como „brincar outra vez‟. [...]. A criança recria essa experiência, começa sempre tudo de novo, desde o início. Talvez seja esta a raiz mais profunda do duplo sentido da palavra alemã Spielen (brincar e representar): repetir o mesmo seria seu elemento comum. A essência da representação, como da brincadeira, não é „fazer como se‟, mas „fazer sempre de novo‟, é a transformação em hábito de uma experiência devastadora.

O valor da repetição nas palavras de Walter Benjamin, ao se referir às brincadeiras das crianças, pode ser comparável à experiência de exploração do espaço museológico. O caráter lúdico, apresentado na visita ao Museu, instigou nas crianças a vontade de repetir essa experiência. Ressaltamos que a repetição para a criança, segundo Vigostki (2006, p. 12), não significa repetição das coisas vistas ou ouvidas, mas possibilidades de constituir e combinar o antigo e o novo nas bases da criação.

É importante dizer que, em 2008, o Museu do Ceará recebeu menção honrosa do Prêmio Darcy Ribeiro29 pelo Projeto “Boneca Dorinha: Teatro-História”, que ficou entre as vinte e quatro propostas de ação educativa em museus brasileiros30. Embora não tenha ganhado o prêmio, a menção é o reconhecimento da qualidade do trabalho educativo realizado pelo Museu.

Em 2004, na cidade do Crato (CE), foi realizado, através da Secult, o I Fórum Estadual de Museus do Ceará. Desse encontro, conforme o Boletim informativo31 (2006, p. 1), foi criado o Sistema Estadual de Museus (SEM-CE), que desde então é coordenado pelo Museu do Ceará. Algumas propostas desse fórum de 2004 foram: organização de cursos, cadastro estadual de museus, visitas técnicas, etc.

A criação do SEM-CE possibilitou diversas ações museológicas e educativas em Fortaleza e no interior. Dentre essas ações, podemos citar, de acordo com o Boletim nº 1, os

29 Ver: Diário Oficial da União – Seção 1 nº 91, quarta, 14 de maio de 2008. Fundação dos Palmares. Portaria nº

36, de 13 de maio de 2008. Site: http//ccr6.pgr.mpf.gov.br/atuação-do-mp.f//portarias. Acessado em 02 de junho de 2010.

30 Esse prêmio é concedido pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio

Artístico Nacional. Ao todo, foram 56 projetos inscritos no país que concorreram ao prêmio.

cursos realizados na capital e no interior: “Como visitar um museu histórico”, “Ação Educativa no Museu Histórico” e “Conservação de acervos museológicos”. Até 2006, o SEM- CE cadastrou 106 unidades museológicas e, segundo Alexandre Oliveira (2010), mais 500 profissionais que trabalham nessas unidades passaram por uma “capacitação”.

Para Holanda, o futuro de um museu

[...] não está somente em soluções técnicas, mas, sobretudo no modo pelo qual o museu assume seu papel educativo. Sua importância crucial é de criar em nós a reflexão sobre nossa historicidade. Isso significa que o museu constrói discursos, sentidos para o lugar que nós ocupamos entre o passado e o futuro32.

As reflexões da autora ampliam as possibilidades de refletir sobre o campo de ação do espaço museal. Os propósitos educativos suplantam as técnicas, e as relações sócio- históricas imbricadas nas temporalidades respondem mais sobre o papel educativo dos museus na contemporaneidade.

Uma das ações museológicas que vamos nos ater nas próximas linhas são as exposições, em particular as exposições de caráter temporário, relacionadas com a temática das crianças.

2.1.4. As crianças e as exposições temporárias do Museu

O nosso enfoque são as crianças. Por essa razão, o nosso olhar recairá sobre as ações educativas a elas direcionadas nas exposições do Museu do Ceará. Em 2000, elas foram convidadas a participar de um projeto no MUSCE. Sobre isso, destacaremos a matéria “As cores do respeito à história”, do jornal “O Povo”, de 5 de outubro de 2000, escrita por Amarílis Lage. A jornalista inicia a matéria informando sobre o Dia das Crianças no MUSCE e sobre um painel33 de dimensões equivalentes a 12 metros de altura e 13 metros de comprimento que cobriu a fachada esquerda do Museu do Ceará. O painel foi construído por 300 crianças de escolas públicas e particulares da cidade de Fortaleza.

No que se refere ao projeto, Lage (O POVO, 2000, p. 3) explica que o

Projeto Cores para o Mundo, idealizado pelo Museu do Ceará, faz parte do Projeto A Criança no Museu, ação educativa que visa oferecer às crianças sentimentos de

32 HOLANDA, Cristina. O museu entre o passado e o futuro. O Povo, Fortaleza, Caderno Vida e Arte, p. 10,

domingo 13 de março de 2005.

33 Ver Anexo E - foto do painel tirada em 2003, quando este foi exposto no auditório Paulo Freire do Museu do