3 Teori
3.2 Mobbing i arbeidslivet
Pretende-se neste subitem buscar elementos que contem a trajetória de Giuseppe De Stefano Paternó, mentor do primeiro movimento cooperativista vitivinícola, desencadeado no Rio Grande do Sul. No ano de 2011, caso o movimento cooperativista tivesse alcançado êxito, as cooperativas criadas por Paternó completariam cem anos de fundação e de atividade.
Pelas informações encontradas, sabe-se que Paternó nasceu em Palma de Montechiaro, no dia 07 de outubro de 1862. O pai se chamava Diego Paternó e a mãe, Maria Meli. Palma de Montechiaro faz parte da Sicília, Província de Agrigento, tem cerca de 21.500 habitantes e estende-se por uma área de 76 km2, tendo uma densidade populacional de 283 hab/km2.
Na busca por informações, um dos textos encontrados foi o do redator político italiano Rudy Francesco Calvo, que atua como jornalista na Itália. O correspondente assina um artigo intitulado ―Socialismo confessional: a primeira experiência socialista‖ e traz algumas informações acerca de Giuseppe De Stefano Paternó.63
A grave crise econômica que atingiu a Itália no final dos anos oitenta e noventa do século XIX era ainda mais grave nas suas repercussões na Sicília, onde a conversão da agricultura implementada por muitos produtores não trouxe os benefícios esperados. Além disso, a política agrícola do governo era para recompensar os novos agricultores italianos, que se tornaram uma base importante para se unirem e fazerem uma política independente.
Em Módica, quem promoveu esta ação foi Giuseppe De Stefano Paternó, um jovem advogado socialista radical, que trabalhou com o também siciliano Francesco Mormino Pena, advogado e estudioso do pensamento de Mazzini. A primeira experiência social foi criada com o nascimento do grupo de trabalhadores convergentes, agricultores, artesãos e alguns pequenos produtores. Ao contrário do que ocorreu no resto da Ilha, os personagens assumiram o fascismo não- revolucionário, mas manteve sempre um estreitamento jurídico limitado a propor medidas de reforma progressiva.
Isso não foi suficiente, no entanto, para garantir a sua sobrevivência: as classes dominantes viram na experiência, impulsionada por De Stefano Paternó, uma organização perigosa, que contrastava com o bloco dominante. A repressão do governo Crispi decidiu, portanto, atingir os pilares do distrito de Módica.
63 CALVO, Rudy Francesco. Socialismo confessional: a primeira experiência socialista. Disponível em:
<http://www.tesionline.com/intl/preview.jsp?idt=18118>. Acesso em: 25 nov. 2009. A seguir há alguns trechos de sua contribuição com tradução livre.
Maria Gabriella Dionisi, historiadora paraguaia, no ensaio ―Paraguai na Itália: luzes e sombras‖,64 narra a passagem de Stefano Paternó pelo referido País no final do século XIX. O
artigo destaca que, assim como no Brasil, as ações de Paternó enfrentaram problemas de ordem econômica, política e social. Para a historiadora,
Nos anos cinqüenta do século XIX, o início do debate envolve significativamente a difícil situação econômica e social existente nos dois lados do Oceano. Na Itália, as pessoas precisavam de novos postos de trabalho para desenvolver sua capacidade; por sua vez, estão as forças do Paraguai sedentas para uma nova reconstrução material e moral.
Essa necessidade mútua nasceu em 1897 com um projeto apoiado pelo Governo paraguaio, fundando uma colônia siciliana. As várias fases na sua aplicação suscitaram interesse. Mas, sete meses depois da chegada de 237 colonos italianos com destino a uma área ao Norte de Assunção, começa uma campanha difamatória contra o projeto e seu patrocinador, Giuseppe De Stefano Paternó.
Resumem-se nessa situação os artigos de jornal e uma circular do Governo que abriram a campanha hostil, argumentando que os territórios do Paraguai não eram suscetíveis de colonização. Que as áreas eram insalubres. Que faltaram os meios de comunicação e, finalmente, que os cidadãos eram selvagens, inóspitos e hostis aos estrangeiros.
Na realidade, os problemas que foram enfrentados pelos recém-chegados não eram poucos, já que nem todos foram capazes de superar as dificuldades econômicas, de se adaptar ao ambiente ou de desenvolver novos projetos, mas o tipo de oposição ultrapassou toda a imaginação, negando os únicos fatores que foram reconhecidos como reais por todos os que haviam conhecido o País.
Portanto, em 1899, De Stefano Paternó decidiu dar à imprensa um relato detalhado das etapas e das fases da construção da cidade de Trinacria, apoiado por documentos notariais, fragmentos de jornais, com cartas trocadas com os Ministros dos Negócios Estrangeiros e cidadãos humildes.65 (tradução livre)
Observa-se pelos dois relatos acima transcritos que, por onde Paternó passava, existia um misto de esperança e de antipatia. Esperança, por parte dos que buscavam mudar de vida e de obter melhores de condições de igualdade social e econômica perante a indiferença do Estado. Ainda, a antipatia dos governantes, pela forma de condução do pensamento político em que acreditava o ativista. Mas o fato é que Paternó esteve ao lado dos agricultores, professorando os princípios do cooperativismo.
64 DIONISI, Maria Gabriella. Paraguai na Itália: luzes e sombras. Disponível em:
<www.maisonlatine.com/images/stories/dossier/12SympoMariaGabriellaDIONISI.doc>. Acesso em: 12 nov. 2009.
65 O documento a que a historiadora se refere está na seguinte referência: DE STEFANO, Giuseppe
Paterno. Relazione sulla colonizzazione nel Paraguai. Catania: Tip. Gutenberg, 1899. O material se encontra no Arquivo Histórico de Roma.
3 O PERÍODO NEUTRO DO COOPERATIVISMO VITIVINÍCOLA E A