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Feature Extraction and Machine Learning

4.2 The MNIST Approach

Relação com os amigos, outras pessoas conhecidas e com a sua família: tanto o pai como a mãe do T.M, refere que desde cedo que tem dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais. Os pais não reconhecem nenhum “melhor amigo”. De acordo com os pais, o T.M tem um relacionamento mais próximo, mas ainda assim conflituoso com um menino de 12 anos, seu vizinho. Os pais não aceitam esa aproximação e justificam “ele não é boa companhia para o T.M. Quando se juntam, ainda é pior, já não basta os problemas que o nosso filho tem, quando está como o outro, piora.” (sic). Relacionamento conflituoso mas forte com os pais, embora a mãe descreva que o T.M tem uma relacão “próxima” com a mesma : “sou confidente dele, ele conta-me muitas coisas. A relação dele com o pai é diferente, é mais para pedir coisas materiais.” (sic). Relação igualmente disfuncional com o meio irmão. Todavia, os pais desvalorizam esses conflitos “são conflitos normais entre crianças. O T.M é irrequieto e chateia o irmão e depois andam à porrada. Mas penso que é normal. O T.M está sempre a ver até onde pode ir.” (sic), descreve o pai.

Tem relação próxima com a avó paterna, que vive próximo do T.M. Sem qualquer ligação com meia-irmã (parte do pai), de 14 anos que vive nos Estados Unidados da América.

História familiar

Antecedentes Familiares médico-cirúrgicos e psiquiátricos: Pai do T.M. (36 anos) está atualmente a ser seguido em consulta de Neurologia, por queixas de alterações mnésicas inespecíficas. Não foi possível obter mais informações acerca deste seguimento; Tias e tios paternos com história de neoplasias, da mama e pulmão, já falecidos. Avô paterno com história de doença crónica, mas que o pai do T.M. não sabe especificar “o meu pai esconde a doença dele, eu sei que vêm medicamentos de fora, de Espanha e que às vezes tem de fazer aquele exame....[colonoscopia]. Acho que deve ser cancro, mas ele nunca diz o que é.” (sic). O pai nega história de antecedentes psiquiátricos relevantes na familia. Na entrevista familiar, surge alguns sinais personalidade pré-mórbida do pai do T.M.: “eu sou nervoso, sempre fui.

Tenho problemas de ansiedade. E depois sou mãos largas, gasto e perco dinheiro sem me dar conta. Faço gastos excessivos.” (sic).

Quanto aos antecedentes familiares do lado materno, a mãe S.C, refere que não existem antecedentes médicos relevantes, à exceção da sua mãe, avó do T.M., que apresenta como diagnóstico hipertensão arterial primária. Quanto à existência de antecedentes psiquiátricos, a mãe (29 anos) do T.M., refere que desde muito cedo (não sabe especificar concretamente a data) que apresenta sintomas depressivos. Antes da segunda gestação, do T.M, abandonou por completo a medicação. Faz referência a depressão pós-parto, mas que nunca terá sido realizado um diagnóstico formal. “eu sei que tive depressão pós-parto quando o T.M. nasceu.” (sic). Desde o nascimento do T.M, foi pontualmente observada e acompanhada por psiquiatra que terá medicado com anti-depressivos. Contudo, não terá realizado acompanhamento regular. Fraca adesão à terapêutica, refere que quando se sente pior, auto-medica- se com Prozac® 20mg [Fluoxetina]. Apresenta crenças em relação à terapêutica, que

parecem prejudicar a sua adesão ao regime terapêutico “eu quando ando pior, tomo medicação por minha iniciativa. Mas já sabe como é que é, quando mais tomamos, mais o nosso corpo se habitua à medicação. Depois tomamos altas doses que já não fazem nada.” (sic).

Representações gráficas – Estrutura familiar: Figura 1 – Genograma

Conhecer a estrutura da família, a forma como os seus elementos se organizam e interagem entre em si e com o ambiente, bem como os seus problemas de saúde, as situações de risco, padrões de vulnerabilidade afigura-se como um processo vital para o planeamento dos cuidados de saúde à familia (Mello, Vieira, Simpionato, Biasoli-Alves, Nascimento, 2005).

O genograma, igualmente conhecido como a árvore da família, é utilizada como técnica de avalição clínica das famílias. O desenvolvimento do genograma envolve um processo complexo, no qual a entrevista é uma parte importantíssima para a recolha de dados. A comunicação estabelecida entre o profissional de saúde e a família, pode ser entendida como um processo que envolve interação social, que permite recuperar memórias, fornecer de informações demográficas, de posição funcional, recursos e acontecimentos críticos na dinâmica familiar (Mello, et al, 2005).

A aplicação do genograma em saúde da família permite uma visualização do processo de adoecer, facilitando o plano terapêutico e, à família, uma melhor compreensão sobre o desenvolvimento de suas doenças. Analisando o genograma, pode-se ter uma visão histórica de como a família enfrenta os acontecimentos críticos e, particularmente, as mudanças no ciclo de vida (Mello, et al, 2005).

O ecomapa corresponde ao diagrama das relações entre a família e a comunidade, ajuda a avaliar as redes e apoios sociais disponíveis e sua utilização pela família. Deve conter os contatos do indivíduo com as pessoas significativas, instituições ou grupos. Nesta representação, compreende-se a ausência ou presença de recursos sociais, culturais e económicos, de um determinado momento do ciclo vital da família/cliente. De ressalvar que esta representação ganha sentido, tendo em conta o referencial temporal do momento, tratando-se portanto de um processo dinâmico. Uma família que tem poucas conexões com a comunidade necessita maior investimento da enfermagem em intervenções que assistam na procura de novas conexões ou estabilizações de relações prévias (Lima, Nascimento, Rocha, 2002).

Nesta representação, fica, mais uma vez, patente a dificuldade atual do T.M no estabelecimento das relações inter-pessoais. Os pais referem que a maior dificuldade dá-se aquando do estabelecimento de relações com indivíduos que tenham uma idade próxima à do T.M, pelo que é percetível, através da representação do ecomapa, as relações conflituosas que apresenta na escola, com o seu irmão e com os seus pares.

Figura 3 – Psicofigura de Mitchell

Caeiro (1991), faz referência à psicofigura de Mitchell como um instrumento útil para avaliar a dimensão desenvolvimental da família, através da representação das relações inter-familiares, tal qual percecionadas pelos membros da mesma. Concretamente neste caso, existe uma incongruência que deve ser debatida e posta à consideração: na entrevista familiar, os pais descrevem que o T.M. tem uma

relação “normal” com o seu irmão, “andam à porrada, mas são coisas entre irmãos. Eu acho que é normal na idade deles.” (sic), acrescenta o pai. Contudo, quando lhes é pedido para representarem a relação, afiguram-na como conflituosa e geradora de stresse para o T.M., ao passo que, embora descrevam a relação entre eles com o filho como igualmente conflituosa, representam-na com ligações muito fortes e fortes.

Da perceção global dos pais, o T.M. apresenta uma relação forte com os pais, embora com um grau ligeiramente diferente na relação estabelecida com a mãe e pai. De salientar que o pai descreve “ele é mais agarrado à mãe, ele também gosta de sair comigo, mas é para me pedir coisas.” (sic). “quando ele quer coisas, porta-se bem comigo, ele sabe dar-me a volta. E eu sou uns mãos largas, gasto dinheiro sem pensar...” (sic).

A avaliação familiar realizada, com recurso à psicofigura de Mitchell, mostrou- se sob várias perspetivas importante. A relação percecionada entre pai-filho, aponta para um vínculo provavelmente disfuncional, merecedor de avaliação e intervenção do enfermeiro especialista em saúde mental.