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de estudo ou técnica de investigação todos os comportamentos de risco e todos os agentes e factores cancerígenos que estão presentes no lugar de residência e de trabalho, pois muitos dos agentes são imperceptíveis ao olho humano. É também impossível encontrar um grupo populacional sem qualquer exposição aos campos electromagnéticos pois estes estão presentes no nosso dia-a-dia, quer os de origem natural ou artificial (e.g., linhas eléctricas, electrodomésticos); 4- Informação e sensibilização das populações, sobretudo das áreas sensíveis. O

conhecimento e a informação dos indivíduos permitem aos mesmos diminuir a sua exposição diária a alguns elementos emissores de campos

electromagnéticos, pois estamos perante um tipo de poluição imperceptível e invisível que dificulta a percepção dos campos electromagnéticos e de algumas fontes por parte dos indivíduos;

5- Poluição invisível, multicausalidade e raridade das doenças associadas. Como referimos nos pontos anteriores, estamos perante um tipo de poluição invisível e imperceptível, logo é difícil quantificar a exposição diária de cada indivíduo aos campos electromagnéticos. Se a isto relacionarmos o facto de as doenças associadas a estes campos (leucemias, linfomas e cancros do S.N.C.) serem raras, e apenas 5 a 6% da população portuguesa está exposta aos campos electromagnéticos emitidos pelas linhas de alta e muito alta tensão (Sá, 2008), dificulta bastante a associação ou relação entre estes campos e as doenças. Se a esses factos associarmos a dificuldade em associar uma relação de causa-efeito entre a exposição a um determinado agente e o desenvolvimento de um cancro explicamos os constantes resultados contraditórios evidenciados por inúmeros estudos epidemiológicos internacionais.

Como a presente dissertação tem como problemática, perceber de que forma a escolha do lugar de residência, pode interferir com o historial de saúde e ou de doenças dos indivíduos, verificamos ao longo do capítulo 4 da primeira parte, e sobretudo devido ao trabalho de Nogueira, (2008), que diferentes lugares apresentam diferentes características umas saudáveis e outras repulsivas.

À luz desta linha de pensamento verificamos que a freguesia de Serzedelo, no que concerne à poluição electromagnética produzida pelas linhas de alta e muito alta tensão é um território com características repulsivas (negativas), pois apresenta uma elevada concentração das referidas linhas e das 1022 habitações identificadas pela cartografia da Câmara Municipal de 2002 apenas 98 apresentam uma distância às linhas igual ou superior a 251 metros.

Então a presente investigação interroga-se, até que ponto a proximidade às linhas de alta e muito alta tensão pode influenciar a saúde e bem-estar dos indivíduos?

Depois da análise dos resultados empíricos, podemos chegar as seguintes conclusões:

1- Necessidade de continuar a realização da inquirição no sentido de se chegar a uma amostra nos dois grupos mais representativa;

2- Ter em atenção em futuros estudos a mobilidade interna dos indivíduos, pois podem já habitar à muito anos na freguesia actual, mas residentes à pouco tempo na casa actual, sendo essencial tentar aferir a distância às linhas da residência ou residências anteriores;

3- Ambos os grupos inquiridos apresentam maior número de indivíduos com patologias com a hipertensão, temos 13 nos expostos e 9 nos não expostos. De realçar que esta patologia é também a mais apresentada pelos familiares residentes na mesma casa que os inquiridos, com 9 nos expostos e 5 nos não expostos;

4- Não existem diferenças muito significativas entre os dois grupos inquiridos no que concerne à média de idades, 53,0 (expostos) versus 48,2 anos (não expostos), nem no número médio de anos de residência na casa actual, com 22,0 anos (expostos) versus 18,7 anos (não expostos);

5- A diferença mais significativa entre os dois grupos reside na média de anos de residência em Serzedelo, com 37,6 anos (expostos) versus 29,3 anos (não expostos). Este facto pode contribuir para explicar o porquê de o grupo de inquiridos com mais doenças associadas à exposição aos campos electromagnéticos ser o dos expostos. Temos então 13 com depressão e 3 com cancro, enquanto no grupo dos não expostos temos 9 inquiridos com depressão e 1 com cancro. Em relação aos familiares no grupo dos expostos temos 9 queixas de depressão e 5 no dos não expostos. Assim sendo, estes resultados parecem demonstrar indícios de que a proximidade às linhas de alta e muito alta tensão pode influenciar a saúde dos indivíduos, sobretudo ao nível dos neurocomportamentos;

6- Em relação aos registos oncológicos analisados não se verifica uma maior incidência das patologias como a leucemia, linfomas e do S.N.C., pois ó foram registados 5 linfomas. Contudo, devido a assuntos relacionados com a confidencialidade dos dados e a inexistência de informação geográfica não foi possível georreferenciar todos os registos verificados em Serzedelo e verificar as distâncias que estes estão das linhas. Portanto, parece evidente que com as limitações referidas e até a 2006 (data até à qual temos registos oncológicos) Serzedelo não apresenta um aumento do número de casos de cancros com a leucemia, linfomas e do S.N.C.. Já nos resultados dos inquéritos, verificamos no grupos dos expostos 3 inquiridos com cancro e

ainda 2 familiares, enquanto nos expostos temos 1 inquirido e 1 familiar. Apesar de os cancros encontrados em ambos os grupos estarem associados e estilos e hábitos de vida (e.g., estômago, intestinos), a maior concentração no grupo dos expostos pode indiciar alguma influência da exposição aos campos electromagnéticos;

7- Em relação a queixas e sintomas, temos que realçar o maior número de queixas ao nível das insónias no grupo dos expostos e das enxaquecas nos não expostos. Visto isto, e devido à diversidade de causas que podem estar na génese destes estados de morbilidade é difícil saber qual o papel dos campos electromagnéticos na despoletar das queixas pois ambos estão associados à exposição a ambiente com bastante poluição electromagnética.

Com base nestas conclusões propomos um plano de actuação para áreas sensíveis, sobretudo as residências como é caso de Serzedelo. Para o município de Guimarães, este plano necessita da colaboração entre as empresas dos ramo eléctrico, das autarquias locais e das entidades de saúde e do R.O.R.E.N.O.

Tendo por base algumas orientações do Decreto-lei nº 30 de 2010, publicado em Setembro do presente ano, este plano propõe uma monitorização contínua da intensidade dos campos electromagnéticos e uma constante vigilância epidemiológica em Serzedelo e em outras freguesias que se venham a comprovar como sensíveis. Para que isso seja possível é necessário haver um maior cuidado e um maior detalhe no levantamento e preenchimentos dos formulários com as queixas de todas as populações em geral e nas sensíveis em particular.

O R.O.R.E.N.O., apesar do excelente trabalho realizado até ao momento precisa de modernizar os seus registos sobretudo a informação de carácter geográfico (unidade territorial, morada e código postal), pois isso irá permitir georreferenciar todas os cancros e analisar a sua concentração/dispersão espacial facilitando a análise desta problemática e de muitas outras. O R.O.R.E.N.O. precisa também de tornar mais célere a compilação dos seus registos (mesmo sabendo que isso não depende exclusivamente desta instituição), pois infelizmente para esta investigação os últimos dados disponíveis são referentes são de 2006 e estamos em 2010 e sabendo também que a contestação pública em Serzedelo começou em 2008.

Por último, as câmaras municipais e neste caso a de Guimarães tem que ter um papel didáctico, e preventivo. Preventivo pois através do P.D.M. e de outros

instrumentos de gestão do território, deve criar os corredores de limitação referidos anteriormente e classifica-los como áreas de risco como também faz com outras áreas (e.g., leitos de cheias). Depois e através da cooperação com as empresas eléctricas e com as entidades de saúde deve participar activamente informação das populações para além de mediar possíveis conflitos, e deve ainda ter um papel activo no planeamento dos trajectos de novas linhas ou fontes emissoras (antenas de telecomunicações) de campos electromagnéticos.

Em suma, ainda é necessária maior investigação sobre esta problemática para aferir até que ponto os referidos campos interferem na saúde. No caso do município de Guimarães é necessário fazer um levantamento de todas as fontes emissoras de campos electromagnéticos (linhas e antenas) e comparar as populações mais expostas e as menos expostas, tentando comparar com populações que habitem mesmo bastante afastadas das referidas fontes e manter uma monitorização constante da exposição e uma vigilância epidemiológica rigorosa das populações das áreas sensíveis (Serzedelo).

5-Bibliografia